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Havaianas de praia

por Nuno Castelo-Branco, em 01.09.16

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É o que me ocorre sempre que vejo a tremular lá fora, em plena praça do Marquês de Pombal, a actual bandeira do Brasil. Enquanto esfrego as costas no duche, não posso deixar de sorrir. Vendo bem os factos ditados pela estética do merchandising, não passa de um belo logo de umas chinelas que uso em dias de praia. A legenda que acompanha o logo? Uma positivista pilhéria.

A Dª Dilma foi deposta por uma esquisita associação de malfeitores que são tão arrogantes, mentirosos e falsários como aquela em que o PT se tornou. Estão bem uns para os outros e uma rápida visualização acerca dos discursos no Congresso e no Senado, elucidam-nos cabalmente acerca daquilo que o regime brasileiro há muito é.

Foi "presidenta" de um país que durante décadas a fio, para não dizer um século inteiro, nada mais foi senão pasto de várias oligarquias, ou não fossem elas as herdeiras e legítimas sucessoras de escravocratas lesados, usuários de avental fora da cozinha, militares entre o jagunço e o coronel dono de fazenda e outros agora mais modernos, sempre em zig-zag de viagens de compras e negócios esquisitos na Europa e no norte da América. Exactamente os mesmos insensíveis a tudo aquilo que durante tanto tempo viram sem sequer se preocuparem com um futuro que inevitavelmente chegaria. Deixaram acumular as omnipresentes favelas como se de colmeias de doce mel se tratassem, cuidaram das suas vidinhas e nas recepções, entre uma champanhada e um quitute local, diziam o que bem lhes aprouvia diante dos serviçais escurinhos. Não vale a pena continuarmos, todos sabemos o que desde sempre esteve em causa.

Em 1889, o império desapareceu vítimado também por outras razões que agora não veem ao caso, por uma aliança da supracitada oligarquia, exactamente a mesma que continua em cena, mas com o pavlovianos updates do século. Alega agora a Dª Dilma com um típico caso de misoginia. É verdade, esse aspecto marginal contou como mais uma batata no saco de serapilheira que a república local é e sempre foi. 

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 Em 1889, uma das principais razões para a deposição do grande e impoluto homem que foi D. Pedro II, consistiu precisamente na falsa questão sucessória, pois aqueles garbosos bandidos bafos de onça não suportavam ter como Chefe de Estado uma mulher, mesmo sendo ela A Redentora


Misoginia, é verdade. Dª Dilma sabe e experimenta agora aquilo que possivelmente Dª. Isabel terá sentido e ao contrário da agora deposta, perdoou. 

Não vertamos uma lágrima por quem partiu e muito menos ainda, por quem se alçou ao cargo. 

A Dª Dilma tem sorte, fica com dois motoristas e um staff à disposição, para além de uma verba para o seu sustento. Melhor ainda, nem sequer foi exilada e abrem-lhe as portas a um hipotético regresso. Nada disso foi prodigalizado a quem foi obrigado a partir às tantas da manhã a bordo do Alagoas, uma família inteira embarcada às escondidas para que o povo chão não visse e não se revoltasse. Os bens da família imperial foram apropriados pelo "novo regime", os palácios do Estado vandalizados e despejados do seu conteúdo histórico, os móveis dispersos, os quadros, estatuária e bibelots divididos ou roubados, enfim, o que sobrou foi a hasta pública. Isso mesmo: hasta pública. 

É isto, o Brasil de hoje. Uma colossal hasta pública para uns tantos.

publicado às 10:51







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