Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Da esq.para a dir.: Portugal, a França, Espanha, a Alemanha e a Inglaterra advertidos pelo Tio Sam, o protector dos países latino-americanos
Desde o Outono de 1939 e até à declaração de guerra enviada por Berlim em Dezembro de 1941, a US Navy dedicou-se a escoltar os comboios de reabastecimento da Grã-Bretanha. Partindo do Canadá, estes eram ameaçados por unidades submarinas e de superfície da Kiegsmarine. A USN significou um enorme alívio para as necessidades de defesa do Reino Unido, mitigando as perdas de tonelagem mercante e permitindo a sobrevivência do seu esforço de guerra na Europa e no norte de África. Era esta uma forma de interpretar extensivamente a Doutrina de Monroe, alargando o espaço da sua acção até às imediações da Irlanda. Os almirantes alemães impacientavam-se, mas Hitler interditou qualquer tipo de confronto com a marinha americana. Sabia que este era o pretexto bélico que faltava a Roosevelt.
Nos finais do século XIX, os EUA atacaram a Espanha, arrebatando-lhe Cuba, Porto Rico, Guam e as Filipinas. Tornaram-se numa potência colonial e tal situação prolongar-se-ia até aos nossos dias. Pouco depois, correram rumores acerca de uma possível ocupação dos Açores, pela imprensa americana considerados como parte da hemisfério ocidental e "dentro dos limites" impostos pela Doutrina de Monroe. A Visita Régia aos Açores e à Madeira terá tido algo a ver com estes ímpetos expansionistas dos EUA, sendo os portugueses ostensivamente apoiados pelos britânicos e sucedendo-se as visitas de esquadras da Royal Navy aos portos nacionais.
Curiosamente, já declarada a guerra após Pearl Harbour, a administração Roosevelt ansiosamente procurou ocupar os arquipélagos portugueses - Açores, Cabo Verde e Madeira -, sendo a agressão refreada pelo acordo geral estabelecido sob auspícios do Reino Unido.
Todos conhecem o caso dos Mísseis de Cuba e a longa série de intervenções militares na América latina. Era a salvaguarda dos interesses dos EUA que estava em causa e disso mesmo os próprios soviéticos deram conta, agindo em conformidade. A uma grande potência, é sempre tacitamente reconhecida uma zona de segurança.
O que se tem passado no leste e sudeste europeu, pode ser considerado como um paralelismo russo à aplicação da Doutrina de Monroe, mas num âmbito geopolítico muito mais reduzido. Se em Washington não conseguem entender este facto ditado por uma história anterior à própria existência dos EUA, então haja alguém que de Londres envie um oportuno esclarecimento. Sem este tipo de contemporização pelos mais próximos interesses do imaginado adversário, pode acontecer que alguém em Berlim se lembre do reactivar das teses de Haushofer, desta vez com a plena colaboração russa.