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Novo Rei, novo retrato e uma mensagem

por Nuno Castelo-Branco, em 20.06.14

1. Sendo um dado tão previsível como amanhã ser sábado, os canais televisivos têm demonstrado um misto de fascínio pelo que "cá também poderíamos ter", profunda inveja pelintreira de meia branca e irritação por tudo aquilo que ontem vimos em transmissão directa  de Madrid. Os duzentos e poucos símios que apenas não passaram despercebidos mercê dos bons ofícios das Judites de cá e de uma meia dúzia de outros preenche-horários de telejornal, não foram suficientes para estragar uma festa que afinal todos previam. Dizia há umas semanas que os espanhóis - os tais nefandos monárquicos -  não precisavam de organizar qualquer manifestação de desagravo, pois esta naturalmente surgiria no dia da proclamação. 

 

Filipe VI desfilou lentamente pelas principais avenidas e praças da sua capital, coisa que em Portugal é impossível desde aquela tarde de 1 de Fevereiro de 1908. De pé, em carro descoberto, não temeu, porque nada deveu ou deve. Estava entre os seus. Gostaríamos de um dia podermos verificar em Lisboa, um simulacro daquilo que o Rei de Espanha fez em Madrid, subitamente deparando com o Sr. ACS descendo a Avenida da Liberdade a bordo de uma viatura descapotável e em data comemorativa à escolha. Também seria interessante vermos o Sr. Soares a pé Chiado abaixo, previsivelmente nada ameaçado por qualquer retornado de boa memória ou um daqueles agora camaradas que há uns vinte e poucos anos lhe desferiram uns sopapos na Marinha Grande. Quanto a Sampaio, esse estará sempre à vontade, tão à vontade quanto qualquer vendedor de castanhas de desconhecida identidade. Saberá alguém distingui-lo num grupo de três peões?

 

2. O zapping permite-nos avaliar a perspicácia da gente da nossa informação. Claro que todos repararam no facto de Filipe VI ocupar hoje o gabinete ainda há dias pertencente ao seu pai e antecessor no trono. Pela esganiçada conversa das nossas várias Judites, o novo Rei mudou duas ou três fotos.

 

Também se tornou bastante nítida a mensagem que o Rei enviou ao mundo, mas que infelizmente passou totalmente despercebida aos nossos crânios da informação. Durante anos, João Carlos I trabalhou naquele gabinete onde pontificava o retrato de Filipe, o fundador dos Bourbon de Parma. 

 

Filipe VI já não precisa de a todos  indicar um início ou um recomeçar do que quer que seja. A ordem natural está estabelecida e escolheu como mudo vigilante do seu trabalho, aquele que foi o mais capaz dos Bourbon espanhóis. Esta manhã, o retrato de Filipe de Parma tinha sido substituído pelo do seu irmão, o muito feio, honesto, brilhante estadista, austero e grande monarca Carlos III. Esta é uma clara indicação daquilo que o novo Rei pretende ou gostaria de realizar durante um reinado que esperamos longo e frutuoso. Um reinado de profundas reformas, honradez e crescer do poder espanhol na Europa e no mundo.

 

O Rei Filipe fez uma excelente escolha, este foi um sinal que em tela complementa aquilo que dele ontem ouvimos nas Cortes. Oxalá seja esta subliminar mensagem perfeitamente entendida em Espanha e também - o reinado de Carlos III em muito influiu em Portugal - para cá da fronteira. Neste caso, a periclitante república portuguesa que se cuide. 

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publicado às 21:36







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