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Não é preciso ser vidente para saber que a construção da nova sede do Banco de Portugal vai dar barraca. Ainda por cima a mesma será paga a suaves prestações como se de um aparelho auditivo se tratasse, ou de uma frigideira. Obras públicas que envolvem somas avultadas implicam, de um modo geral, cambalachos, prevaricações e desvios. Não há volta a dar. Quando o guito é muito, aparece sempre malta que não sabia de nada e que nada teve a ver com os desfalques. A sua localização, nos antigos terrenos da Feira Popular, não poderia ser mais adequada — montanhas russas e carrosseis. A expressão parque de diversões serve na perfeição, e rima com distrações. É muito curioso que na terra do Tio Sam já haja quem esteja a implicar com a renovação da sede da Reserva Federal. Mas naquelas paragens sabemos bem porquê, por isso irei refrear-me de tecer mais considerações. Enfim. O que queria hoje redigir já está a descarrilar. Tinha intenções de aflorar o tema das casas pré-fabricadas que estão a ser polvilhadas sobre a paisagem de Portugal. Segundo relatos de um técnico camarário, cuja identidade irei preservar, cada vez mais o concelho algarvio que lhe diz respeito está a ser devassado por estas habitações rápidas, que em termos de licenciamento deixam muito a desejar. Não entrarei pela porta das considerações estéticas e da poluição da paisagem tradicional. Isso terá de ficar para outro momento. O que saltou à vista da córnea, no contexto da crise do Talude em Loures, foi a possibilidade imediata de fazer uso desta unidades pré-fabricadas para suprir a necessidade urgente de habitações. Parece imoral referir os muitos milhões de euros para fazer face a um novo edifício-sede do Banco de Portugal quando, com quantias bem menores, seria possível conceber de raiz um bairro social. Dirão muitos que uma coisa não tem a ver com a outra. Mas no meu entender, passou a ter. A única certeza que temos é que as eleições presidenciais serão disputadas. Segundo a última contagem, já teremos para cima de dez candidatos. Até podiam ser mais e não faria grande diferença. Os despejados do bairro do Talude não votam nestas paragens. E por não representarem uma divisa eleitoral desejável, são perfeitos para serem arremessados politicamente.