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O branqueamento da rosa

por John Wolf, em 13.02.16

Pink-Rose-27.jpg

 

Está em curso um processo de branqueamento da rosa. O Partido Socialista (PS) sabe há demasiado tempo que as decisões políticas do governo anterior não resultam de preferências ideológicas, mas de circunstâncias incontornáveis respeitantes ao estado da nação. Nenhum governo escolhe o caminho da Austeridade por amor à camisola. Nenhum governo escolhe o caminho conducente à impopularidade e subsequente demissão pelo eleitorado (que até nem foi o caso). António Costa mal teve tempo para aquecer a cadeira de primeiro-ministro, para agora se dar conta de que o caminho traçado pelo governo anterior afinal não era o errado. Ou seja, o que tinha de ser feito foi feito, e pelos vistos deve ser continuado, se Portugal deseja evitar uma catástrofe de proporções gigantescas. É caricato que o mesmo homem que invocou a maioria parlamentar para formar governo, venha agora pedinchar ao PSD e ao CDS o seu apoio. Mais valia que o PS pedisse a abolição de partidos da oposição, que engendrasse um modelo de Estado novo alicerçado na apreciação monolítica dos desafios nacionais. António Costa está à rasca e joga esta cartada - passa a batata quente à oposição -, para se poder libertar do peso da responsabilidade. O casulo é uma metáfora curiosa, mal escolhida por António Costa para descrever o direito ao respouso que assiste ao anterior governo de coligação. O que está a acontecer é o seguinte. Passo a explicar. António Costa quer que a oposição subscreva as medidas de austeridade que vão ter de ser agrafadas ao Orçamento de Estado, mas do casulo brotam borboletas às cores e não flores de rosa. Quisesse Costa evitar transtornos e servir o país, teria, nessa mesma noite eleitoral, se aproximado de Passos Coelho e Paulo Portas para encarar de frente a verdade dos factos duros da vida económica, financeira e social do país. A oposição, chamada à liça pelos socialistas, decorre da possibilidade de Costa ter de substituir peças gastas da geringonça. O que ele quer eu sei bem. Substituir Jerónimo de Sousa por Passos Coelho e Catarina Martins por Assunção Cristas. O homem é esperto. E pouco mais.

publicado às 19:37


4 comentários

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De Anónimo a 13.02.2016 às 20:45

O Costa é o típico "cigano", que se lhe derem uma mão, quer logo um braço. Perdeu as eleições para o PaF e agora pede o apoio parlamentar do centro-direita, tendo sido empossado com um "acordo" à esquerda. Isto é tudo tão ridículo que não sei como as pessoas de esquerda não estão profundamente envergonhadas. Eu estaria. 
O episódio do "irrevogável" foi uma brincadeira comparado com o que temos assistido desde que o Costa tomou o poder. Que vergonha...
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De Anónimo a 13.02.2016 às 20:53

O homem queria ser primeiro-ministro à força, e quer continuar a sê-lo mesmo depois da sua "maioria" parlamentar de esboroar. Parece uma cena venezuelana...
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De Yrokumata a 14.02.2016 às 02:05

E a gentinha paga!
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De Pável Rodrigues a 14.02.2016 às 15:23

..."O homem é esperto."??? Quanto muito será  um refinado chico esperto,  do pior que no género existiu e existe em Portugal.
Não compreendo como é possível continuar a gastar-se cera com tão fraco defunto! Mais umas semanas,  e ele, mais a sua geringonça, serão corridos do poder. Por isso, mais importante do que  analisar o presente e tentar compreender o incompreensível, será começar desde já a preparar o dia em que, tal como em 2011, os socialistas e afins comecem a fugir como ratos, escondendo pelos buracos o resultado do saque realizado a coberto das mordomias do poder. É que não poderão  repetir-se  os erros então cometidos pelos partidos democratas. Mais importante do que ganhar as eleições será limpar a casa. Auditoria a tudo o que foi feito e responsabilização criminal de todos os corruptos e burlões. Esclarecimento e mobilização da população para a necessidade imperiosa da revisão da constituição soviética portuguesa, que  nos foi imposta  pela golpada comunista, consumada pelo cerco e intimidação dos deputados da Assembleia Constituinte. 

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