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O campeão do Largo do Rato

por John Wolf, em 29.09.14

António Costa está feliz e contente. Os camaradas socialistas estão felizes e contentes. Mas para continuarem a sorrir vão ter de mentir e muito. Vão ter de convencer os portugueses que a Troika não existe, que o memorando nunca foi assinado, que não existem compromissos financeiros incontornáveis, que a dívida será resolvida por si, que o desemprego baixará dramaticamente assim que formarem governo, que vai haver orçamentos sempre extremamente favoráveis, e, que quando chegarem ao poder vão resolver todos os problemas que Portugal enfrentar. António Costa bem pode anunciar o início de uma nova maioria de governo e acumular a pasta da presidência da câmara e da secretaria do partido socialista (PS), e exercer o magistério da superioridade política e intelectual que afirma deter - as tais condições que Seguro não reunia -, mas António José Seguro ficará na história política do partido socialista e do país por ter obrigado um partido a entrar em alvoroço, a colidir com a sua condição endémica, a revelar os seus vícios e a sua tendência arcaica para entronizar os mesmos de sempre. Os últimos meses serviram para confirmar os nossos piores receios - o poder é um fim em si. A política não pertence aos partidos, pertence a um concílio eterno, a um cartel disposto a regressar às lides. Vimos ontem os camaradas Ferro Rodrigues, Maria de Belém Roseira, assim como a darling Ana Catarina Mendes, efusivos com a "vitória da casa", a piscar o olho e a esfregar as mãos com a possibilidade de um retorno ao executivo ou, nalguns casos, com uma estreia auspiciosa. E o problema é esse. A deixa de Seguro não serviu de grande coisa. Não aproveitaram o quadro maior das suas intenções. Não o escutaram para além da sua voz. Os intentos do outsider esbarraram com os barões que nunca poderiam autorizar o seu próprio fim. A triste conclusão que podemos tirar deste processo, é que o PS não se renovou, nem se renovará. Mas o mais grave de tudo isto é a confirmação de que o povo português é tradicionalista, conservador. Não quer a mudança, embora se sirva da mobilização enquanto engodo, decepção. Porque mobilização nada tem a ver com mudança. Mobilização tem mais a ver com mobília. Cadeiras que se arrastam de um local para o outro, sem que se mexa no estilo, no design, nos amigos de sempre que se sentam à volta da mesma mesa. E mudança também tem a ver com móbilia, mas neste caso nem sequer foram urbanos na aplicação deste conceito. Ninguém saiu da sua zona de conforto, ninguém saiu de casa para se aventurar na genuína alteração das condições de exercício político em Portugal. Para já António Costa é o campeão absoluto do Largo do Rato. E pouco mais.

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