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Uma questão que marca a actualidade e tem alimentado indignações e tomadas de posição um pouco por todo o lado é a proibição da utilização do burkini em França.

 

Como o discurso político nas sociedades ocidentais é, em larga medida, enformado pelas ideias de que é proibido proibir, igualdade e tolerância, não sendo também despiciendo salientar o ódio votado por muitos aos seus próprios países e à matriz cultural onde nasceram e foram socializados, temos vindo a assistir a algo que considero verdadeiramente espantoso por parte dos que criticam a decisão francesa: a comparação com freiras que utilizam os seus hábitos quando vão à praia. 

 

Ora, esta comparação, a coberto da defesa da liberdade de escolha na indumentária, pretende tratar como objectivamente igual aquilo que é desigual e que tem uma natureza simbólica muito diferente. Enquanto o burkini, como a restante indumentária muçulmana feminina, tem um carácter coercivo imposto por uma religião que não só é estranha ao Ocidente, como pretende submetê-lo ao seu jugo, o hábito é um traje cuja utilização resulta de uma escolha voluntária por parte da freira que o enverga. Enquanto a indumentária feminina muçulmana simboliza a submissão de mulheres a quem é retirada qualquer liberdade de escolha, o hábito das freiras simboliza a dedicação voluntária à religião cristã que, gostemos ou não, está na base da matriz cultural ocidental - e, saliente-se, eu sou agnóstico. Aliás, como assinala Mark Vernon em How to be an Agnostic, ser agnóstico só faz sentido no contexto do cristianismo - não será, com certeza, por mero acaso que a apostasia é crime na generalidade dos países muçulmanos, sendo, em alguns, punida com pena de morte. Adaptando um dito atribuído a Franklin D. Roosevelt, diria que "As freiras podem envergar uma indumentária religiosa, mas é a nossa indumentária religiosa." A indumentária feminina muçulmana é estranha ao Ocidente e contém em si a crítica aos valores Ocidentais que enformam os direitos humanos, os direitos da mulher e a liberdade individual. Por tudo isto, a proibição do burkini em França é uma decisão correcta e corajosa, ao passo que a permissão de utilização do hijab nos uniformes policiais no Canadá e na Escócia é mais um contributo para o suicídio cultural ocidental.

 

Não fosse a desorientação que grassa em muitas alminhas ocidentais e provavelmente não assistiríamos a esta comparação reveladora do suicídio cultural ocidental. Para quem ainda não tenha percebido, nós estamos em guerra com outra civilização, a do islão, mesmo que o não queiramos. Continuar a enterrar a cabeça na areia e fingir que somos todos iguais e que é possível a generalidade dos muçulmanos adoptar os valores ocidentais, é apenas adiar encarar o inevitável: o islamismo elegeu-nos como inimigo e temos de o enfrentar em várias frentes.

publicado às 08:54


4 comentários

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De Afonso a 26.08.2016 às 16:07

Mais um blog neomarxista https://obeissancemorte.wordpress.com/2016/08/26/que-o-livre-arbitrio-das-mulheres-venca-o-fundamentalismo-dos-homens-obrigacionistas-e-proibicionistas/ e pró islamista(disfarçado sempre em palavras de "liberdade" e "igualdades")
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De Anónimo a 26.08.2016 às 19:09

Concordo com o que expõe.
Mas veja-se a recente decisão do Conselho de Estado em França, e voltamos à cepa torta.
Antonio Cabral
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De Kruzes Kanhoto a 27.08.2016 às 13:31

Gostava de ter visto os defensores da liberdade de vestir indignados com as criticas ao futebolista português que usou a camisola com a cara do Franco...
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De sexismo e misoginia a 27.08.2016 às 13:55

concordo inteiramente com a posição aqui defendida e realmente estamos mais uma vez perante uma curiosa estupidez dos aparentemente bem pensantes que fazem espantosas comparações; até já ouvi falar em misoginia!!! Será que não percebem que o uso dessa farpela é que é fruto de misoginia, de odio à mulher e de ódio ao corpo feminino? 

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