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Cada partido político deveria ter a sua Alexandra Solnado. Uma (pre)vidente oracular capaz de adivinhar o passado que ninguém quer lembrar. Começo por Francisco Assis, que vai descer o Chiado com José Sócrates e um bandinho, como se nada fosse, mas poderia alargar o conceito de hipnose e regressão a outros zombies. Em Belém o chefe da casa civil deveria acomodar um médium para servir de intermediário entre os semi-mortos e os vivos, especialmente aqueles que padecem de problemas de memória. Cavaco Silva deveria falar com Cavaco Silva, numa espécie de confessionário da inutilidade. E anualmente poderiam realizar um plenário de ciências ocultas no templo (parlamento) - o magistério de dinheiros desaparecidos directamente do interesse nacional para o bolso de diversos aparelhos. Questões agnóstico-falaciosas não têm merecido a devida atenção. Seguro parece ter um canal de comunicação exclusivo com o além - sabe como (ele) vai ser, mas não sabe (mesmo) nada sobre como é que isto vai ser. Diria que está preso num vórtex de intemporalidade política. Tem um buraco pela frente, mas vê mares de rosa, facilidades. A simbologia transcendental sempre foi usada pelas ideologias, mas entramos numa terceira vaga que demite sem pudor a consciência, a ética e o sentido de responsabilidade numa penada. O passado definitivamente já não é o que era.