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O PS e o apelo ao medo

por John Wolf, em 09.08.15

mulher-medo.jpg

 

A agitação em torno da ficção dos cartazes do Partido Socialista faz parte da matriz política - deplorável. A comunicação ideológica em Portugal assenta em diversos pilares iconográficos rudimentares, e não se restringe àquele partido em particular. O futebol é um deles, mas não é o único. Se António Costa pudesse acumular ambições, e fosse simultaneamente presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato a primeiro-ministro, poderia se servir da linguagem de alcatrão e mandava arranjar umas ruas de Lisboa - os fregueses amam os seus carros. Mas esses tempos já lá vão. Na bola as perspectivas também não são as melhores. As taças de Portugal erguidas nos Paços do Concelho são meros postais de um passado avistado com laivos de nostalgia.  E a igreja católica também já não pode dar uma mãozinha: António Costa não pode seguir o caminho de apelo à fé do eleitor. Não jogaria com o seu DNA ecuménico, universal, espelhado na inclinação de um Martim Moniz admitido para mitigar diferenças. Não esqueçamos que a própria instituição religiosa tem os seus próprios casos de falência ética. Por isso, e à falta de argumentos prospectivos assentes na construção política positiva, os socialistas escolhem o instinto primário enquanto veículo principal. Nomearam o medo enquanto mediador de vontades. Servem-se da imagem de caos laboral para semear pânico. Usam o desemprego para afugentar peregrinos, mas tropeçam nos raciocínios feitos à pressa, enganam-se na matemática. O papão já não mete medo, e, à medida que os índices de desespero aumentam, e a retoma económica se consolida, os socialistas procurarão sacar uma qualquer vantagem e embarcar num tuk-tuk político - algo pensado por outros, mas convenientemente aproveitado pelos marketeers do Largo do Rato. Um país político dependente de cartazes e outdoors não augura um futuro promissor. No fundo quem controla os conteúdos e as mensagens da oposição política em Portugal é a soma das partes - a coligação PSD-CDS. O governo de Portugal conseguiu pôr os partidos concorrentes a responder à letra. Levou os pensadores da alternativa e da confiança a morder o isco. Os socialistas, vendedores de utopias e detractores da realidade, ficaram cegos. Não são capazes de imaginar. Não são capazes de vislumbrar um país para além de uma coligação. Sinceramente esperava mais. Tinha expectativas que fossem capazes de saltar fora do seu rancor ideológico e abraçar a sociedade civil. Mas não. Em vez disso, fecham-se em copas. E esmagam-se em cartazes com gente que não existe - mal empregada.

publicado às 11:32


2 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 09.08.2015 às 21:12

É pior que isso, John. O PS habituou-se à trapaça de duas gerações e isso torna-o incorrigível. Por acaso, estando eu a ver o jogo da pseudo-super taça, deparei com o sr. Costa ao lado do presidente do Benfica, é mesmo o "vale tudo" eleitoral. Imagina o que diria se em vez dele próprio, lá estivesse PPC… Se ainda julga poder contar com o futebolismo mais militante, creio que desperdiçou totalmente a oportunidade da igreja católica, pois foi ele, edil, quem trouxe a luminosa ideia de uma mesquita no martim Moniz. Nem queiras saber o que ainda ontem ouvi num café da R. de S. Lázaro, os locais estão simplesmente indignados. Pois é, estas loucuras pagam-se da pior forma. 
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De Ali Kath a 10.08.2015 às 10:53

o melhor comentário
«com fiança ou pulseira electrónica»
D. Margarida de Arroios será 'guida gorda' da D. Pedro V de que falou JG do P dos pequeninos?

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