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Os sôfregos gulosos dos queijinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 13.10.18

 

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 Os motores de busca indiciam o grau de interesse por um certo tema, propiciando ainda mais discussões e trocas de argumentos, precisamente o que o marketing político pretende. É o que tem sucedido nos últimos anos, tornando  a Internet no centro de decisões de eleitorados, tendências e modas. 

 

É o acontecimento mais evidente neste preciso momento, pois quem ligue o seu computador às mais visitadas redes sociais, deparará com um tema hegemónico, onde se digladiam amigos que há muito já escolheram o seu candidato à ocupação daquele Planalto dos vendavais. Todos eles com prós e contras, todos eles à mercê de ditos e mexericos e inevitavelmente à mercê de fakes para todos os gostos. 

Dizia ontem uma comentadora televisiva que naquele país a classe operária, uma das mais vastas do planeta, não participa nas manifestações anti um dos candidatos. É verdade, até porque pouco ou nada tem a ver com as classes relativamente acomodadas dos queijinhos identitários, por outras palavras, os esquerdistas mais ou menos abastecidos de viagens low cost, dispendiosos aparelhómetros propiciadores de intervenções imediatas ou as sempre urgentes e necessárias vitualhas que várias vezes por dia reconfortam os seus estômagos. Se por cá pululam, por lá também.
De uma coisa poderemos estar todos certos: será aquela classe operária na sua maioria empregada, relativamente silenciosa e bastante avessa ao assistencialismo, quem muito contribuirá para a decisão do resultado das próximas eleições. 

O enorme interesse que este processo eleitoral por cá tem conduzido à ruidosa participação bastante directa em termos das novas tecnologias da informação, apenas demonstra à saciedade uma escassa separação psicológica em contraponto às formalidades da política.
O sistema de circulação é pendular, pouco modificando a situação criada ao longo dos séculos. Os estudantes que de lá vinham cursar em Coimbra, no mesmo movimento de comerciantes que desembarcavam os seus produtos nos cais da metrópole europeia, eram compensados por viagens em sentido inverso por governadores, militares ou povoadores que para aquela inicialmente reduzida testa de ponte sul-americana partiram, dilatando-a até às fronteiras hoje existentes. Todos nós, de ambas as margens do Atlântico, temos antepassados comuns. 

No último século, as terríveis provações decorrentes dos acontecimentos que de longe vinham e podem por todos ser identificados através da data 1910 e anos seguintes, para lá enviaram uma enorme massa de nacionais que procuravam refúgio, trabalho, paz de espírito e tranquilidade para as suas famílias. Algo de parecido sucederia seis décadas depois, devido a bem conhecidas vicissitudes. Devemos, temos a obrigação moral de estar agradecidos.
O pêndulo agora faz o seu movimento compensatório e o inegável facto deve ser encarado com toda a normalidade, pois queiramos ou não, somos o mesmo povo, apenas separado por contingências geográficas e farta imaginação política. Falamos variações da mesma língua, partilhamos até um determinado e ainda muito próximo momento a mesma história. Até na mentalidade ocidental dos queijinhos somos parecidos. 

Não gostam de B? Não gostam de H?

Não os comentem. 

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publicado às 07:38


2 comentários

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De Anónimo a 15.10.2018 às 10:09

 Lopo de Vega, na Arte Nueva de Hacer Comedias:  “Sustento en fin lo que escribi y conozco Que aunque fuera mejor de otra manera, No tuvieran el gusto que han tenido Por que as veces lo que és contra el justo Por la misma razón deleita el gusto”. 

entregues a vadios
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De Anónimo a 15.10.2018 às 10:11

Coração, cabeça e estômago, de Camilo Castelo Branco



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