Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Pôr o dedo na tarifa

por John Wolf, em 08.07.25

Tarifa2.jpg.webp

Tarifa fica aqui tão perto, mesmo ao lado, em Espanha, e por isso estamos obrigados a colocar o dedo na ferida. Neste caso nas tarifas. Por esta altura do calendário estamos todos feitos num (c)oito dos diabos no que respeita ao dia seguinte. Mal conseguimos acordar e já estamos a ser equivocados e defraudados nas nossas expectativas taxativas. A guerra das tarifas não chega a ser multipolar nem unipolar. Mas é certamente bipolar, binária. A doutrina da imprevisibilidade (a expressão não é minha) foi eleita para descrever a ação política de Donald Trump. O estado de ansiedade gerado levanta dúvidas sobre a eficácia da abordagem não apenas sobre os aliados dos E.U.A., mas também no que concerne aos adversários. No entanto, teria algum apreço em considerar um dos efeitos secundários que paradoxalmente poderá beneficiar a economia americana. A queda acentuada do dólar americano (USD) à primeira vista pode ser considerada um efeito nefasto, mas não é assim tão linear. A diluição do valor do USD significa várias coisas. Por um lado beneficia as exportações americanas (não nos esqueçamos que os E.U.A. são o maior produtor agrícola do mundo) e, por outro, corresponde a um modo de mitigar a dívida, expressa em USD, que se vê diminuída na contabilidade global do deve e do haver. O Banco Central Europeu, por seu turno, anunciou há dias que a meta da inflação (de 2%) havia sido atingida na Zona Euro. A declaração proferida por Christine Lagarde tem implicações práticas. Se as coisas resvalarem de um modo sério na economia europeia, não haverá outra alternativa que não a emissão de mais dívida e  reduzir a taxa de juro de referência de um modo mais acelerado. Sejam quais forem as hipóteses, parece-me inevitável que assistemos a algum caos sistémico global que acarreterá (re)inflação. Em suma, as tarifas do dia, efectivas ou imaginadas, movem mercados e montanhas. Independentemente do efectivo planeamento estratégico ou de uma intenção clara, não existem dúvidas de que Trump está a provocar deslocações tectónicas. Premissas operativas consideradas sagradas devem ser reavaliadas com uma dose reforçada de realpolitik da parte de todos os atores globais. Nesse sentido, arrisco avançar com uma expressão cronométrica (esta sim minha) — realtimepolitik, que me parece adequada para descrever o fenómeno do devir inconstante da política: ou seja aquilo que poderá vir a ser não será o mesmo daquilo que já foi. E é neste compasso de arritmia que marchamos sem sabermos ao certo como corrigir a passada que ainda não demos.

publicado às 14:25


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.07.2025 às 02:44

Porque é que não se questiona a saúde mental do presidente dos EUA? Ou a sua assustadora ignorância? Talvez simplificasse a análise.
Perfil Facebook

De Antonio Lopes a 11.07.2025 às 10:19

Tá um calor do caraças.
Sem imagem de perfil

De s o s a 12.07.2025 às 22:47

muito bom :
 "marchamos sem sabermos ao certo como corrigir a passada que ainda não demos."
......................................
esta é usada noutro pormenor :
"à primeira vista pode ser considerada um efeito nefasto, mas não é assim tão linear.  "
È que realmente nada é linear.  Explico :
na economia, como na guerra,  tudo é planeado e antecipado. 
Ou seja nao existe um homem (trump) sozinho e sim uma equipa imensa que pensa, planeia e antecipa. 
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.07.2025 às 02:45

A equipa imensa que pensa, planeia e antecipa, tanto na guerra como na economia, fez muita falta a Putin quando ordenou a invasão da Ucrânia, com os tanques russos a avançarem sobre Kiev, faz mais de três anos. E, no que toca aos EUA, recuando um pouco, também não foi muito eficaz na prevenção da crise financeira de 2008.
De resto, Trump não é um homem sozinho. Aí é que reside o problema.

Comentar post







Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas