Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Reunião Soviética

por John Wolf, em 19.03.14

Não sei qual é o chip que está instalado nas máquinas de política externa dos EUA e de alguns países da UE (Reino-Unido, Alemanha, entre outros), mas Vladimir Putin acaba de dar banho ao cão das aspirações do Ocidente. O russo será provavelmente o político mais hábil da actualidade. Sabe-a toda. E deu uma lição aos campeões-libertadores que haviam demonstrado a sua alegada superioridade moral no Kosovo ou no Afeganistão (a título de exemplo). O discurso de anexação da Crimeia foi uma aula magna, mas também uma primeira lição sobre a nova relação de forças que está a ser desenhada por acção deste senhor e, convenhamos, por omissão de Washington e Berlim. Não é necessário ser um génio para entender quais as implicações desta primeira incursão russa. Por que razão haveria Putin de se quedar pela Crimeia? Contudo, os EUA e a UE usam um código que surtirá pouco efeito na alteração comportamental da Rússia. As sanções, têm, na maior parte dos casos, efeitos limitados - é a Rússia que tem o gás que a Europa precisa. De nada vai servir a apólice de seguro de nome Schroder que se senta aos comandos no board of directors da Gazprom. Não vejo razões para que Putin não aspire a realizar uma Reunião Soviética. A Moldávia já o pressentiu e deixou um aviso claro a Putin - Crimeias aqui não. O que está a acontecer até pode parecer um devaneio imperialista russo, mas olhe que não. Foi a NATO que começou a desenhar um círculo em torno do Kremlin, com destinos geo-estratégicos polacos à mistura, entre outras coisas. Os franceses que estão metidos ao barulho por causa de grandes contratos, podem simular a sua indisposição e cancelar as reuniões do G8 que entenderem, mas não passa de uma farsa para inglês ver. Resta-nos assistir às diversas movimentações caducas do Ocidente. Sim, os EUA e os Europeus foram grosseiros na interpretação dos sinais que se vinham tornando claros há bastante tempo. E lembrem-se: não é a Rússia que está entre a espada e a parede. São outros que estão encostados às cordas.

publicado às 14:17


5 comentários

Sem imagem de perfil

De xico a 19.03.2014 às 14:59

Excelentemente posto. Custa-me ver tanta incompetência deste "lado".
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 19.03.2014 às 18:11

Até que enfim, julgava estar só...


Creio que a situação é ainda mais intrincada, pois parece-me que os alemães apenas debitam protestos de fachada. Não nos admiremos muito da existência de um acordo entre Berlim e Moscovo, mas apenas o deixar passar o tempo confirmará esta suposição. 
Imagem de perfil

De FD a 19.03.2014 às 20:09

Qual era a duvida? :)
Por acaso escrevi sobre isso, arriscando. Nem sempre consensuais, as visões pragmáticas e realistas (do realismo) orientam melhor que as teorias desfasadas do século passado (literalmente), isto jogando ao contrário da grande maioria catastrofista, idealista e ignorante - quando digo ignorante digo, alheada do que se passa no mundo, não são apenas espingardas e direito internacional, é audácia e noção das reais armas e das lacunas actuais. Os jornais deviam saber disso, mas acho que preferem por gráficos "tipo guerra do golfo de 91" do que estudar como é que as coisas funcionam. Claro que isto tudo ainda poderá mudar, sabendo que embora vitoriosa custará caro à Rússia, que como "petro estado" que é, terá de ter cuidado com a forma como está refém das flutuações dos seus voláteis produtos. Penso que não irá durar muito tempo até recuperar - como aconteceu com a crise em 2008. Maduro já percebeu a lição, por mais que berre.
Porém, a Europa não está resguardada como os EUA, que claramente "estão noutra" (leia-se pivot Asiático, afastamento europeu e galvanização interna e passos largos para auto suficiência energética), estando refém dos multiplos compromissos energéticos, tanto com a Rússia (dos quais somos os seus maiores parceiros económicos) como com as "energias verdes" e constragimentos associados. Felizmente que esta crise veio agitar as águas na busca de alternativas europeias neste campo, embora duvido que esta siga a moda do fraking, parece-me que a margem de manobra Europeia é curta. Não basta substituir o cheque pela componente militar que timidamente se tem vindo a manifestar, é preciso ter as condições para se poder impor mais do que apenas se expor.
Imagem de perfil

De cristof a 19.03.2014 às 20:30

será que os diversos criticos, governamentais ou civis percebem alguma coisa de russo? ou andam todos a comentar baseados na mesma "central" de informação "livre" baseada em Londres ou NY?
Talvez valesses a pena comentar que os da Crimeia ou da Ucrania quando falam ou gritam com Putin o .fazem na mesma lingua; não usam o ingles, sendo natural que os seus interesses não sejamos da city Londres
Sem imagem de perfil

De João Pedro a 21.03.2014 às 13:23

Não vejo razões para que Putin não aspire a realizar uma Reunião Soviética. A Moldávia já o pressentiu e deixou um aviso claro a Putin - Crimeias aqui não (http://www.reuters.com/article/2014/03/18/us-ukraine-crisis-moldova-idUSBREA2H16F20140318)."



Simples: a Moldávia é um estado independente, não uma região, e está colada a países da NATO. A única "crimeia" aqui só se for a Transnístria.

Comentar post







Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas