Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Dia de Santa Marta! E de lá bem fundo da memória saltam imagens, muito vagas, indefinidas, de uma romaria, aqui, na Falperra, talvez a única a que me levaram ainda com algumas características da pitoresca romaria minhota de que falam os livros, e que Pedro Homem de Mello como ninguém cantou. Teria quatro, cinco anos (?), e recordo uma roda de raparigas e rapazes a cantar, acompanhados por garridas pandeiretas. Mais precisas são as memórias de minha mãe, ela sim que ainda viveu esses tempos de festança pegada. E conta: de como todos, homens e mulheres, vestiam as roupas domingueiras, graciosas, de cores alegres, a preceito, não faltando sequer o raminho de alfádega na orelha, a espalhar o seu fresco aroma. Uns e outros a serem transportados em festivos carros de bois. Era só o tempo para deles descer, e o folguedo começava. Então, as concertinas e cavaquinhos não descansavam, até que o sol se pusesse! Num dia de calor assim, a cada canto se ouvia apregoar a limonada fresca, muitas das vezes por vozes infantis, pois que a criançada aproveitava para arrecadar alguns tostões, logo trocados por rosquilhos e cavacas. E quantos namoros não começaram sob a protecção da Santa!... Cansados, mas felizes, iniciavam então o regresso a casa, com algumas promessas de novos encontros para breve, noutra romaria, que não haveria de tardar.