Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]
...no dia 5 de Outubro de 2015 teria de imediato convocado todos os partidos com representação parlamentar. Com toda a paciência escutaria as suas queixas, remoques e anseios, dispensando-os para perante os factos, tomar uma decisão no mais breve prazo que me fosse possível. Dois dias teriam bastado.
Não deixaria o Sr. Costa à solta numa ostensivamente frenética actividade que não passa de um salvar da sua própria carreira. Consequentemente, daria uma vista de olhos pelo articulado constitucional e de imediato incumbiria o partido vencedor, o PPD, da formação de um governo* que tranquilizasse a opinião pública e os inefáveis credores e mercados.
Como estaria habituado a não beneficiar de qualquer tipo de contemporização por parte de quem me odeia, ou melhor, de quem me despreza com um esgar de classe, ficaria surdo a todos os comentários, campanhas televisivas e antenas abertas deste e de outro mundo.
Saberia que mesmo disposto a conceder a totalmente imerecida prenda salva-vidas à clara reserva mental do sr. Costa, dali não viria qualquer agradecimento que me deixasse terminar o mandato em paz. Em suma, não compactuaria com este autêntico golpe de Estado constitucional em que uma estrondosa e miserável derrota que o mundo inteiro testemunhou, se travestisse em escandaloso sucesso. Pedro Passos Coelho apresentaria o seu programa no Parlamento e caberia inteiramente às várias camorras a missão de o aprovar por inércia ou por liminarmente o rejeitarem. O ónus respeitaria a quem decidisse inviabilizar um governo minoritário, é certo, mas nem por isso ilegítimo. Se por desgraça fosse obrigado a futuramente apadrinhar o tal executivo contra-natura, exigiria publicamente e por escrito o solene compromisso do PC e do BE, reconhecendo algumas inevitabilidades que a actual situação portuguesa impõe:
1. A adesão à UE.
2. A manutenção de todas as alianças internacionais - militares e outras - em que Portugal se insere.
3. O Euro.
4. O estipulado pelo Tratado Orçamental.
Sem tais condições, nada feito.
Mas isso sou eu, um monárquico que considera a república como algo que deveria ter sido referendado há 105 anos.
* É, bem sei que seria impossível indigitar alguém antes da total contagem dos votos, coisa que apenas hoje se conclui. Contudo, ACS desde logo poderia ter dado indicações sem sofismas, impedindo este carnaval a que temos assistido. Isto denota excesso de formalismo, algo bastante insólito, dadas as circunstâncias. O que parece? Indecisão, medo, tibieza e pior ainda, "deixa andar". É isto, a república. Na defesa dos seus, nem o agente 00-Zero Sampaio chegou a este ponto.