Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Seguro e Costa e os dias de cólera no PS

por John Wolf, em 01.06.14

Que fique bem assente: sou da opinião de que António José Seguro não reúne os requisítos mínimos para liderar seja o que for. Quanto a António Costa, também me apraz dizer que o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa também não é sem falhas. Faz parte da velha guarda socialista que também assina por baixo no descalabro do país. Não representará a mudança que o país exige e arrasta consigo um elenco de protagonistas caducos, mas não tem hipótese - depende deles, do seu apoio. Nos dias que correm o Partido Socialista (PS) vive um processo autofágico e canibalizante. A guerra interna pelo poder, a contagem de espingardas e a subida de tom dos discursos de Seguro e Costa, transbordaram para fora dos corredores do Rato directamente para o país que confirma os seus piores receios - a política é igual a si, coerente. Trata-se de um mero exercício de disputa pelo poder, pelo que as questões substantivas que afligem o país foram secundarizadas pela cólera política que agudizar-se-á nos próximos tempos. No entanto, Seguro faz a única coisa que pode fazer. Serve-se de todos os meios administrativos e regulamentares ao seu dispor, ao abrigo da sua posição enquanto secretário-geral do partido, para gerar algum pânico nas convicções arrogantes de Costa. A proposta de eleições primárias "à americana" talvez seja o modo de destrancar um partido dependente de barões. O PS, funcionou, ao longo das últimas décadas, como um cartel de vozes dominantes, que tornaram o partido refém das suas vontades. Acresce a essa distorção, a expressão corporativa que não se quedou pelo partido, pela sua estrutura de gestão. O PS (e também o PSD, para todos os efeitos) colocaram os seus homens nas grandes empresas e instituições públicas deste país. O sistema nacional, está, nessa medida, minado por nomeações "à la carte" - de figuras próximas dos senadores e barões destes partidos.  O país, é, deste modo, uma réplica do que se passa nos partidos. O país é um enorme partido - está partido. Nessa medida, o que Seguro propõe, embora sirva para tentar salvar a sua pele, serve também para desintoxicar o partido (e o país) de "soarismos" que o definiram tempo demais. A ideia de que os nomes são maiores do que as ideias, as propostas e as soluções. Os políticos têm esbanjado inúmeras oportunidades. Não aprenderam a descer do alto das suas cadeiras para caminhar nos mesmos trilhos calcorreados pelo cidadão comum. Não é que Seguro esteja a inventar a roda, mas já cumpriu a sua parte. Colocou em alvoroço um dos partidos "fundadores" da democracia em Portugal e obriga António Costa a revelar a sua natureza política mais profunda. Em tempos de crise, este género de abanão faz bem à tosse, altera os discursos que foram utilizados como pregões. Mas isso não basta. O país merece melhor. Portugal não pode perder tempo com birras deste género. Há coisas muito mais importantes.

publicado às 07:41







Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas