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Soares dá mais umas passas

por John Wolf, em 04.01.15

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Quem é Mário Soares? É esta a pergunta que deve ser colocada para estabelecer os limites da sua actuação. O ex-primeiro-ministro do governo de Portugal e ex-presidente da República Portuguesa é, para todos os efeitos legais, um mero cidadão igual a tantos outros. Se fosse socialista ter-se-ia apercebido dessa contingência de igualdade, liberdade e fraternidade. Mas não é esse o caso, julga que é maior que os demais. Pensa que ainda manda como mandou, e mal, durante décadas. Continua na política como quem joga à sueca, à bisca. Desafia Cavaco Silva a fazer isto e aquilo. Vilipendia a Justiça em Portugal ao declarar a inocência imaculada de José Sócrates e ao lançar suspeições sobre o sistema nacional de justiça. Não existem provas contra José Sócrates? E contra si? Não vos parece estranho que tantos camaradas tenham logo acorrido a Évora para abraçar o amigo. Pois. E durante a duração do encosto dos lábios à orelha houve tempo mais que suficiente para avisar o recluso para eventualmente não envolver mais gente na confusão. Se Sócrates dispusesse de armas de arremesso que envolvessem outras forças políticas, decerto que as utilizaria. Se o caso é político, como solenemente afirma, já teria arrastado colegas de outros partidos para a mesma vitrine da prevaricação, mas o homem não tem nada na mão. E Sócrates apenas tem amigos socialistas? Não aparece lá alguém do PCP, do PSD, do BE, dos Verdes ou do CDS? Pensava que a amizade nada tinha a ver com a cor da pele, da bandeira de um partido. Acho muito bem que comecem a distribuir multas àqueles que decidem interferir nas investigações, nos trâmites legais. Soares também se está a pôr a jeito para ser autuado.

publicado às 13:57


27 comentários

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De Makiavel a 05.01.2015 às 14:27

É a sua opinião.
Apenas uma correcção, a bem da verdade: o FMI foi chamado em 83 pelo governo de Mário Soares e Mota Pinto, na sequência da governação da maioria anterior (PSD-CDS-PPM). Não é por se repetir uma mentira que ela passa a ser verdade.
Quanto à posição dele acerca da CEE na altura, a história desmente a sua afirmação. Foi um governo liderado por ele que iniciou o pedido de adesão à CEE. Os eurocépticos da altura andavam pelo PSD e CDS (já para não falar no ainda eurocéptico PCP)
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De João Carlos Reis a 06.01.2015 às 00:47

Prezado Makiavel,
não é a minha opinião (que nestes assuntos a minha opinião não conta). É pura e simplesmente a realidade dos factos.
A bem da verdade não foi só pelo governo da então Aliança Democrática (mas também) que o FMI foi chamado, mas sim por culpa de todos os governos anteriores pós-25 de Abril (como, fazendo uma comparação, não foi só por culpa do Sócrates que infelizmente estamos a passar pela situação em que estamos, mas por culpa de TODOS os governos que exerceram as suas funções após a Revolução).
Pois... que ele iniciou o pedido de adesão sei eu e por isso mencionei esse facto na minha anterior participação. O que eu também sei, e isso está registado numa entrevista que deu cerca de um ano e pouco antes do pedido de adesão, é que ele era contra a C.E.E. e os seus princípios orientadores...
Pelo que reparei, não leu os "mimos" (registados na imprensa nacional e estrangeira) com que ele brindou os Portugueses nos primeiros anos da década de 80 do século passado... mas se quiser eu posso arranjar-lhe só alguns, pois todos os que foram por ele ditos são dose demasiado grande para uma pessoa aguentar sem se enojar...
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De Makiavel a 06.01.2015 às 21:48

Venham de lá então esses mimos dos inícios de 80, estou curioso. Mas que venham dentro do contexto, não me inunde com excertos tirados do contexto. Foi MS que formalizou o pedido de adesão à CEE, era ministro das finanças Hernâni Lopes. Isto sim é um facto, não é uma opinião. E dizer que "MS é um dos piores que infelizmente Portugal produziu ao longo da história" é uma opinião, não é um facto.
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De João Carlos Reis a 09.01.2015 às 01:17

Prezado Makiavel,
tal como prometido, aqui vão alguns dos "mimos" (só alguns), pois todos seria demasiado "indigesto"
Em 14 de Março de 1976 (antes das Eleições), Mário Soares dizia o seguinte numa entrevista dada ao jornal alemão "Der Spiegel":
"O Partido Socialista teve ocasião, em diversas oportunidades, de afirmar a necessidade de transformar a Europa de forma a que deixe de ser a Europa dos ‘trusts’ e passe a ser a Europa dos trabalhadores. Hoje esta tomada de posição de princípio tem urgência em ser reafirmada, na medida em que certas forças políticas em Portugal se encaminham para defender a aproximação de Portugal às Comunidades Europeias numa perspectiva puramente capitalista que não corresponde aos verdadeiros interesses do povo português e se afasta dos imperativos de uma verdadeira independência nacional condicionando a transformação da sociedade portuguesa a caminho do socialismo."
Um ano e 14 dias depois, em 28 de Março de 1977 (já 1º-Ministro), pedia ele próprio a adesão à então CEE.
“Pedi que com imaginação e capacidade criadora ao Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983.
“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. DN, 19 de Fevereiro de 1984.
“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” Der Spiegel, 21 de Abril de 1984.
“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. JN, 28 de Abril de 1984.
“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” JN, 28 de Abril de 1984.
Como se vê pela "coerência" (entre outros factores) desta "pessoa", infelizmente se confirma que "Mário Soares não é um cidadão igual aos outros... é apenas e tão só um dos piores que infelizmente Portugal já produziu ao longo da sua História." é um facto.
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De Makiavel a 10.01.2015 às 22:24

Prezado João Carlos Reis,
As citações da década de 70, pertencem a essa década. E mesmo as que mencionou, reflectem o pensamento de sempre de MS em relação à Europa. Não vi nenhuma contradição ente o que disse na altura e o que diz hoje da Europa. Mas foi ele que deu início ao processo de adesão, isso é um facto. Na década de 70, até o PSD votou uma constituição que tinha num dos seus artigos a construção de uma sociedade a caminho do socialismo. Convém fazer o desconto da conjuntura. 
As outras são citações de um político. Não tem grande diferença de todos os outros. Considerá-lo "um dos piores que infelizmente Portugal já produziu" só pode ser uma opinião fruto de carência prolongada de clima tropical.
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De João Carlos Reis a 12.01.2015 às 01:47

Prezado Makiavel,
pois... quando a coisa não convém, dá sempre jeito ser-se incoerente e dizer uma coisa e fazer (ou dizer) o seu contrário... a hipocrisia tem destas coisas, mas enfim... mas esteja descansado que não é só ele, pois ele apenas e só foi o "pai" dos que lhe sucederam, independentemente da cor política...
É infelizmente por causa dos políticos deste calibre que nos têm governado no pós-25 de Abril que, em 40 anos de democracia, Portugal infelizmente já teve que pedir três auxílios financeiros externos (e só não teve na última década do século passado e na primeira deste por causa dos fundos que para cávieram da então C.E.E.) e, grave o que lhe vou dizer, se assim continuarem, vamo-nos preparando para que na próxima década também tenhamos outro resgate financeiro. Vão-se preparando, compatriotas...
Não considerá-lo "um dos piores que infelizmente Portugal já produziu" só pode ser uma opinião fruto de excesso de prolongada exposição ao clima tropical (como eu não tenho dinheiro para tal, estou bem consciente do que digo e escrevo)... Quando um "presidente" da República humilha um agente das forças de segurança que foi enviado para o proteger (não sei se se lembra deste episódio)... sem mais comentários, pois este é um dos muitos exemplos dum "cidadão" que "não é um cidadão igual aos outros"...
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De João Pedro a 06.01.2015 às 15:42

Está-se a esquecer que o FMI já tinha vindo antes, em 1977. De quem eram as responsabilidades, então? Quanto aos seus comentários acima, ao achar que MS está acima dos outros apenas ajuda a desmentir a ideia da "ética republicana", uma belíssima treta. De resto, não são os outros que põem em causa a honorabilidade de MS, mas o próprio, que já disse que Cavaco devia ser derrubado na rua, julgado, que "por menos do que ele tinha feito D. Carlos tinha sido assassinado", etc, além de que desconhece o princípio de separação dos poderes e o conceito de prisão preventiva. Se ninguém lhe pôs um processo em cima é porque as palavras dele são de alguém que nitidamente não sabe o que diz.
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De Makiavel a 06.01.2015 às 21:51

Para fim de conversa, pode-me dizer em que parte do meu post é que eu digo que MS está acima dos outros? Não ponha palavras no meu texto que eu não escrevi. Se quer concluir nesse sentido, a responsabilidade é sua, mas eu não disse que ele estava acima dos outros. O que me parece é que anda por aqui muita gente que o acha abaixo dos outros.
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De João Pedro a 07.01.2015 às 15:25

"Mário Soares não é um cidadão igual aos outros", escreveu no início de um dos comentários acima. Isto não é achar que está acima dos outros? Ou em que é que esta "desigualdade" se concretiza? A verdade é que se Soares não estivesse no estado em que está (e sejamos sérios, ninguém totalmente lúcido diz coisas daquelas), com 90 anos e sobretudo com uma recente encefalite, poderia perfeitamente ser objecto de processos por difamação.
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De Makiavel a 07.01.2015 às 22:37

Escrevi e reafirmo: não é um cidadão igual aos outros. Quanto ao seu estado mental, ainda assim e sendo mais novo, está muitos furos acima do actual habitante de Belém. Quanto aos processos por difamação: o que é que ele disse de difamatório mesmo? Isto quando Mário Soares fala, uma onda de retornada indignação dá à costa. Um reprimido e antigo desejo de o calar...
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De João Pedro a 08.01.2015 às 19:38

O que é que ele disse de difamatório? Quer que eu repita? Disse, por exemplo, que "por menos do que ele tinha feito D. Carlos tinha sido assassinado", disse agora que Cavaco se arrisca a ser julgado, já de outras vezes insinuou que ele devia estar preso, ele e os outros membros do governo, etc, ao mesmo tempo que reafirma a inocência de Sócrates, e agora até que o juiz lhe devia pedir desculpas. Isto não é difamatório? Para mais vindo de alguém com imensos rabos de palha e casos suspeitos. Gostava de ver alguém dizer em público de Soares o que ele diz de Cavaco. Ah, mas não pode, porque "ele não é igual aos outros." Alguém falou na "ética republicana" e no "princípio da igualdade"? Pois...
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De Makiavel a 08.01.2015 às 20:41

Desculpe dizer-lhe mas está um pouco confuso quanto ao que acha que é difamatório e o que são opiniões que pode não concordar por excessivas. Em todos os exemplos que deu não vejo nenhuma difamação, apenas opiniões inflamadas. Dizer que por muito menos, D. Carlos foi assassinado é uma difamação de quem? Do actual visado ou do falecido rei? Difamação acontece quando alguém é acusado publicamente de um ilícito que não cometeu. O correio da manha está cheio de exemplos de difamação a diversas personalidades públicas. Pode verificar lá, para evitar confusão.

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