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As horas custavam a passar, e o sol demorava a romper por entre a escuridão. Calma! há-de chegar! dizia-se a cada momento. E, como a Primavera, que se segue sempre ao Inverno, ele acabou por surgir, bem luminoso, e com a promessa de tudo aquecer.
E começou por lhe iluminar o coração, que até aí só enxergava o lado negro da vida.
Sentia-se agora com forças para escolher, naquela encruzilhada que o fizera hesitar, o caminho a seguir, seguro e esperançoso.
Era bem verdade que o amanhã é sempre outro dia!
Saíra de casa para espairecer. Tentar, consultando os seus botões, encontrar uma saída airosa para o buraco negro que se tornara a sua vidinha, tão sem raios de sol a aquecê-la. As nuvens negras tinham vindo do nada, sem grandes avisos prévios, ou então eles tinham surgido, mas, na grande distracção em que mergulhara nos últimos tempos, não parara para os ouvir; e agora sentia-se assim, um traste. Naquela manhã levantara-se com mais ânimo: tinha de sair daquele beco escuro, e, assim pensando, meteu os pés ao caminho.
À sua frente, uma encruzilhada; que caminho seguir, dos quatro possíveis, interrogava-se.
Enquanto assim cogitava, sentava-se numa pedra que lhe pareceu um bom sítio para descansar, depois da grande caminhada. E olhou o horizonte, sem que nele encontrasse a resposta que esperava. Ficou por ali, enquanto o sol ia declinando, até que se fez noite.
Hoje já não vou adiante. Amanhã será outro dia!
E voltou para casa, mesmo sabendo que a solidão que nela ia encontrar seria mais negra que a própria noite sem luar.