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O dia mais importante da nossa história

por Nuno Castelo-Branco, em 01.12.13

Naquele 1º de Dezembro de 1910, o novo regime imposto pela força demolidora da subversão, fazia arderem em crepitoso auto-da-fé em plena Praça dos Restauradores, montões de bandeiras que sintetizavam uma história oito séculos de independência portuguesa. Todas aquelas que até ao 5 de Outubro flutuaram nos mastros de navios, ministérios, quartéis e outros departamentos do Estado, foram destruídas em público. Nem sequer escaparam centos de outras, à força retiradas dos domicílios  dos patriotas. Os republicanos deliberadamente queimaram a bandeira portuguesa.

 

Esta tarde, no mesmo local, não foi com surpresa que todos pudemos deparar com a quase exclusiva presença daquela Bandeira Nacional que hoje é sem sombra de dúvida, o símbolo da independência do país. Adriano Moreira e Loureiro dos Santo disseram o que deles se esperaria. António Costa, já  assoberbado pelo o seu projecto pessoal de promoção, desfez-se em considerações acerca da independência nacional e vontade de "reencontrar a Pátria como casa comum". Como os tempos mudam! Os mesmos que rotineiramente nos garantem ser o estribilho "mais Europa" como uma coisa de salvífica exclusividade, aparentemente afligem-se com uma situação para a qual decisivamente contribuíram. Disse ainda o edil que em 2014 pretende transformar o centro da cidade "numa grande sala de aula colectiva, espaço de História ao vivo, recriando 374 anos depois, nos diversos locais onde a História se fez, os acontecimentos que conduziram à libertação de Portugal". Compreendendo o essencial das palavras de A. Costa, esperemos então que dentro de um ano o país possa já estar livre de tudo aquilo que o actual regime tem significado para a destruição da nossa identidade e soberania. 


Em 1995, uma sucinta afirmação de Mário Soares, demoliu um mito propagandístico velho de mais de um século. Para grande desespero ou despeito dos sátrapas e escribas do pensamento oficialista, Soares justificava a sua participação como P.R., na cerimónia de Estado em que consistiu o casamento dos actuais Duques de Bragança. Acompanhando naquele importante momento um amigo de décadas, M. S. declarava também estar Portugal a prestar uma homenagem à Casa de Bragança pelos relevantes serviços prestados à Pátria, à sua liberdade e independência. Aquilo que era válido em 1995, é hoje muito mais relevante. 

 

Ficaram assim soterradas as grandes tiradas retóricas das Conferências do Casino, os Finis Patriae que culminaram com o Crime no Terreiro do Paço e as justificações fastidiosas, incipientes e vazias de conteúdo histórico escritas por um Oliveira Martins que sendo um impenitente idealista, vergastou a dinastia para acabar por nela reconhecer, sob o turvo prisma do cesarismo, a redenção de Portugal.

 

Todas as velhas nações possuem as  datas que calendarizam glórias passageiras, aquelas que ingratamente  o tempo condena ao posterior olvido pelas gerações que não as viveram. Os desastres das batalhas perdidas são frequentemente compensados pela gesta de uns poucos  - o Decepado, o Soldado Milhões ou um D. Sebastião -  que souberam bem morrer ou resgatar a periclitante honra dos outros, que ausentes do campo onde de pé se morria, nem por isso se sentiam menos atingidos por uma tragédia ainda não percebida, mas que inexoravelmente sobre as suas cabeças faria tombar a vingativa espada do inimigo.  Os grilhões apostos aos conquistados, seriam então exemplar justificativo e testemunho do espírito de sacrifício. Santificava-se desta forma aos olhos de um misericordioso Deus que do alto velava pelo seu povo e lhe forjava no ânimo, esse querer de libertação e do retorno a um perdido mas não esquecido tempo, onde a Lei dos naturais conformava a espontaneidade de um sentido de pertença à comunidade, a Grei.

 

A Monarquia Portuguesa criou a nação que somos e essa identidade tem sido ao longo das centúrias, plenamente justificada através de nebulosos e por vezes lendários indícios da especificidade das populações que foram consecutivamente ocupando o território que ainda hoje se chama Portugal. Os lusitanos, os conventos romanos e a criação do primeiro mas efémero Império Ibérico, erguido pela força guerreira visigótica, enraizaram nas mentes daqueles que lhes sucederam, essa certeza do direito à constituição de uma entidade territorial distinta daquelas outras com quem ainda partilhava o idioma e mais importante ainda, a Fé.

 

14 de Agosto de 1385 consistiu talvez, a data a partir da qual este país deixou para sempre a contraditória e incerta condição estatutária  de uma parte independente de uma grande Galiza. Essa confusão decorrente do próprio processo de criação do reino no século XII, ditava uma aparente edição localizada e muito particular do feudalismo que imperava além Pirenéus e que das suas faldas se estendia até à foz do Niémen.  Um qualquer acaso sucessório derivado da morte de um monarca sem descendentes, ou um negociado matrimónio que forjava uma outra realidade política na Respublica Christiana, modificava então as sempre frágeis fronteiras e no tempo fidelizava os povos à nova dinastia. Aljubarrota foi importante, servindo de marco ao reconhecimento do interesse específico  das ..."muitas e desvairadas gentes"... que viviam  naquele espaço criado jurídica e perpetuamente pelo tratado de Alcanizes. Os portugueses tinham como cumprida a sua parte na Reconquista da terra outrora cristã, há séculos avassalada e subjugada pelo invasor que viera do outro lado do mar, com desconhecidas línguas, estranhos costumes e exótica divindade.

 

Pela primeira vez uma vitória militar colocava em definitivo, a realidade territorial Portugal, no palco de uma Europa que perdidas as ilusões de uma reunificação que fizesse ressurgir o cristão império romano, levava os seus reis, príncipes ou republicanos condottieris, a gizar alianças, garantindo a sua supremacia sobre rivais e vizinhos. No entanto, Aljubarrota consistiu no culminar de um curto e turbulento período de realinhamento interno de forças políticas, económicas que confluíram no interesse pela preservação da independência que surgia como a essencial condição da prosperidade e realização pessoal de quem mais podia e o repúdio por todos os demais, de um poder estranho e até então considerado inimigo.  O 14 de Agosto escancarou as portas  daquele sentido de urgência de acrescentamento do domínio, cumprindo-se assim simultaneamente, o brado "Deus o Quer" de uma cristandade que tudo podia justificar.

 

A chegada de Gama à Índia, a descoberta do Brasil - uma das grandes e actuais razões do nosso direito a existir como Estado  e inegável símbolo da grandeza histórica de Portugal - e aquela ininterrupta série de espantosas, mas hoje infelizmente esquecidas vitórias nas quentes águas do Índico e do Pacífico ocidental,  podiam almejar ao título da mais importante data da História de Portugal. Contudo, se nos tornaram para sempre visíveis perante um mundo que até então nos ignorava, não foram suficientemente prenhes de consequências que garantissem aquela certeza de pertença e de necessária preservação de um legado já antigo de quase meio milénio.

 

A morte do vate nacional, Camões, num hipotético 10 de Junho de 1580, quando os tercios de Alba implacavelmente escreviam uma nova página possibilitada pelo desastre de Alcácer Quibir, surgiu para as mentes dos românticos oitocentistas, como única e diamantina oportunidade de distanciamento de uma outra data, que para a totalidade do corpo nacional, servia de pendão de honra ao espírito de resistência que esmagara invasores, rasgara tratados iníquos e galvanizara o ânimo consagrador da liberdade desta nação que há muito era uma Pátria.

 

O dia 10 de Julho será então imaginado pelos seus promotores como a unanimemente aceitável efeméride que divorciaria os portugueses daquela clara manhã de 1640, em que o escudo de armas português para sempre se retirava da simbólica da União Dualista. Esta União - afinal sempre desejada pelos promotores republicanos do 10 de Junho de 1880 - baseara a sua legitimidade na força da espada e no ouro das moedas corruptoras e enlouquecedoras do espírito de discernimento de alguns. O fim último desta tentativa do radicar de um novo marco que seria assim considerado como o mais importante da História de Portugal, era o rebaixamento da dinastia que surgia como um mero e fortuito acaso ou recurso de um grupo de abnegados e bravos redentores a ela alheios.  Fantasiaram-se episódios de resistência do duque D. João e justificou-se a aceitação do Levantamento por parte dos Braganças, pelo "varonil ânimo" da castelhana duquesa D. Luísa de Gusmão.  Construiu-se habilidosamente o mito da indecisão e do espírito timorato daquele, que afinal pela sua prudência, sageza de pensamento e resolução na acção de estadista, garantiu o sucesso da Revolução. Arruinou materialmente a sua Casa, mas ganhou a coroa e a liberdade de Portugal como reino independente que pela força das armas e astúcia dos políticos, conservou o legado ultramarino que ao tempo interessava. É também a definitiva confirmação de um novo vector da nossa presença no mundo, que da Ásia transita para o espaço Atlântico onde ergueria um novo império, o Brasil, ainda hoje um grande entre os maiores.

 

Não cabe aqui o desfiar das desditas que para este país significou o seu achincalhar à condição de província de uma Grande Ibéria que estendia os seus braços à Europa Central, Flandres, Reno, Milão, ao sul da Itália e que transformava vastas regiões católicas do Sacro-Império, em simples dependências ou inevitáveis e subalternas aliadas.

 

1580 reduziu e inferiorizou um Portugal já imperial, com domínios que se estendiam das plagas norte-africanas às costas do Japão. Porto de abrigo e de comércio para todas as nações cristãs, Lisboa habituara-se à presença das alvas gentes do Norte e à colorida presença daqueles que oriundos da África, Índia, China, América ou zona malaia, provavam o senhorio reclamado pelos monarcas que ostentavam orgulhosamente o título de Senhores do Comércio e da Navegação na Guiné, Etiópia, Índia, etc. 

 

A permanente e férrea política de alheamento dos conflitos continentais que esmagavam populações, devastavam campos e semeavam a perniciosa semente da inimizade histórica entre vizinhos, fortificou a consciência da identidade nacional, a necessidade de com todos dialogar e comerciar e o direccionar dos esforços para a preservação e dilatar do património territorial conseguido com tantos e custosos sacrifícios.

 

Existem algumas efemérides que embora sejam importantes marcos  e signifiquem o início de novas experiências políticas que uma mudança de regime implica - o 24 de Julho, o 5 de Outubro, o 28 de Maio ou o 25 de Abril -, não se revestem daquele transcendente significado que a palavra Liberdade no seu sentido mais lato - o da gente e o da Pátria como entidade política autónoma e internacionalmente reconhecida pelas outras - só é conseguido por aquele dia em que se restaurou a independência portuguesa.

 

O 1º de Dezembro de 1640 é a data mais importante da nossa História, pois se internamente consagra o desejo da totalidade de uma Nação que animicamente já o era há muito, internacionalmente consistiu na confirmação de uma necessidade desejada  por todos aqueles que combatiam uma prepotente e implacável hegemonia, cega ao direito das terras e das gentes. A Restauração foi saudada com efusão em boa parte da Europa e se para alguns consistiu numa oportunidade para o abatimento do Leviatã que há mais de um século ditava a lei nas relações entre Estados, para outros oportunamente surgia como ocasião para a consolidação do esbulho do património luso espalhado pelo mundo. A vontade e o sacrifício abnegado dos portugueses de então, desiludiu aqueles que apenas esperavam um passageiro e apetecido  contratempo  à imperial Espanha de Filipe IV e de Olivares.

 

O dia 1 de Dezembro de 1640, foi o mais longo da nossa História e prolongou-se por vinte e oito anos de terríveis sacrifícios. Os portugueses bateram-se praticamente sós contra as duas grandes potências de então - a Espanha e a Holanda -, vencendo uma nos campos de batalha da raia e a outra, a belicosa Batávia, nos mares, no sertão brasileiro, em Angola e nas longínquas paragens asiáticas.  A Guerra da Restauração foi um conflito em múltiplas frentes, onde o ferro da espada e a pluma dos diplomatas e dos grandes homens que juridicamente justificaram perante o mundo a libertação, se irmanaram num indissolúvel elo que garantiu o sucesso final. Se na Europa os terços lusos conseguiram rechaçar a coligação de futuras nações que era o exército dos Habsburgos espanhóis, no além-mar Portugal defrontou e acabou por vencer o mais implacável, fero e traiçoeiro inimigo de que há memória. De facto, a luta contra a talassocracia e o poder financeiro da hostil e exterminadora Holanda, criou tantas e aprioristicamente inultrapassáveis dificuldades, que o resultado da emancipação foi por muito tempo incerto e geralmente considerado como condenado pelas chancelarias europeias, desde o Vaticano às monarquias do Norte. A França surge como transitória protectora interessada em tolher o movimento à sua rival continental que via desprender-se o mais precioso florão da sua coroa e a Inglaterra baqueava na guerra civil, impotente para o pleno  cumprimento do papel que o velho Tratado de Aliança lhe ditava como obrigação.  Os portugueses - Portugal, um todo - para sempre tornou presente a sua condição de Estado, numa Europa que via nascer e desaparecer entidades políticas, conforme  a vontade dos grandes do momento e desta ou daquela guerra perdida. A memória de 1640 reavivou-se naquela outra Restauração em 1808, quando pela primeira vez derrotado o invasor francês, a legitimidade erguida como bandeira pelo povo, fez saber ao soberano no distante Brasil, o apego da nação à sua liberdade entre as demais. 

 

Portugal inteiro o quis e assim o fez. Lutou, negociou, transigiu por vezes. Contra todos os prognósticos, restaurou a legitimidade do seu Direito e no trono colocou quem dele tinha sido pela força esbulhado em 1580. Venceu o irredutível ânimo de todos, irmanados no resgate de uma liberdade que justificava assim, a própria existência das gentes que alçando  o pendão da nossa terra, tornou seu o brado Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei D. João IV!

 

É esta a lição dos nossos maiores e hoje, decorridos trezentos e setenta e três anos e num momento grave que compromete os ideais de 1640, voltemos então toda a nossa esperança para quem poderá ser o símbolo daquela essencial unidade que hoje tanto nos falta.

 

 

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publicado às 20:36

Falso como Judas

por Pedro Quartin Graça, em 01.12.13

Pedro Passos Coelho teve o supremo descaramento de evocar hoje o 1º de Dezembro, isto apenas 50 metros do local onde (com)patriotas comemoravam a data. Não estivessemos nós a falar do autor moral da "façanha" anti-patriótica de eliminação do feriado e até poderíamos pensar que Passos estava contra essa eliminação. Mas a verdade é que é mesmo preciso não ter vergonha na cara para aludir, num dia como o de hoje, ao facto de ser essencial não «comprometer negativamente o futuro das novas gerações», quando Passos é o primeiro a fazer esquecer os valores Pátrios! O que se esperaria, na verdade, do administrador-delegado da Troika em Portugal?

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publicado às 14:37

1640?

por Nuno Castelo-Branco, em 02.11.13

E pensarmos que as mesmíssimas individualidades que aboliram o feriado da Restauração da Independência de Portugal, vêm agora banalizar ainda mais o 1º de Dezembro, atrevendo-se a compará-lo a um Orçamento Geral de Estado! Depois do Condestável, do Infante, de D. João II, Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque e Mouzinho fascistas, aqui temos mais uma bela surpresa. Até parece termos voltado a 1975.

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publicado às 01:46

1º de Dezembro e a gente do governo

por Nuno Castelo-Branco, em 01.12.12

 

Em Olivença, há quem procure obter a nacionalidade portuguesa. Em Portugal, a república extingue o Dia da Restauração da independência nacional. É como estamos.

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publicado às 13:00

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publicado às 22:28

Coisas da parvónia

por Nuno Castelo-Branco, em 22.05.12

Pelo João Gonçalves, ficamos a saber que o dr. Medeiros Ferreira anda por aí numa rematada pedinchice para a manutenção do 5 de Outubro. Pois  pode pedir à vontade que pelo menos durante os próximos anos, não há mais "Afonso Costa" para ninguém. Com Fátima a rebentar pelas costuras, há quem ainda não percebeu que certos mitos acabaram de vez, precisamente aqueles que julgavam extirpar as raízes culturais deste povo em apenas duas gerações.  Vê-se!

 

A divertida carta do homem que "negociou" a entrada de Portugal na CEE "por razões políticas", está preciosamente esmaltada com as fantasias  e contorcionismos propagandísticos do costume, desde as negridões nocturnas do salazarismo que comemorava o 5 de Outubro com feriado, alçamento de bandeirola e banda a tocar A Portugesa, até à histérica exaltação do Venerando belenense de cada tempo! Como nota cómica, acrescentou a PIDE ao assunto, salientando as lojas de portas abertas durante a data de lazer do último dia de praia em cada verão secundo-republicano. Pois então o que poderá Medeiros Ferreira dizer de tudo o que se passa na 3ª República, com centros comerciais de portões e estacionamentos religiosamente escancarados no sacrosantinho dia? Pior ainda, Medeiros Ferreira diz não estar a pensar "só" no 5 de Outubro, mas a verdade é outra, o 5 de Outubro é o o único feriado que lhe interessa manter. Conforme-se. O país perdeu muitíssimo mais com o fim do 1º de Dezembro e isto no momento em que a República admitiu viaturas da Guardia Civil da Monarquia espanhola em ostensiva patrulha e estacionamento na placa do Monumento aos Restauradores de 1640.

 

Como se não soubéssemos da gritaria e arrepelar de cabelos que se passou e ainda se passa em determinadas lojas... Claro que sabemos, disso somos informados regular e detalhadamente, mas sendo a coisalaica uma questão de quase integrismo religioso, percebe-se o fanatismo. Em suma, dá-nos tremendo gozo, até para aqueles azuis e brancos que usam avental fora da cozinha.

 

Medeiros Ferreira pode esperar mais uns anos e quando os seus colegas voltarem ao poder, talvez lhe façam a vontadezinha. Se a Alemanha estiver pelos ajustes, claro.

 

 

 

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publicado às 09:59

Paulo Portas e os feriados

por Nuno Castelo-Branco, em 12.05.12

Ao contrário daquilo que se pretende fazer crer, a questão dos feriados não se trata de um mero pormenor  ou um patético fait-divers. Além do descarado trabalho gratuito oferecido à cleptocrática "competitividade" mais atrevida, quando se encara o Dia da Restauração da Independência como uma data marginal, existe uma clara mensagem política subjacente. Paulo Portas sabe disso tão bem como o mais comum dos portugueses e dentro do seu Partido o mal-estar é claro, não vale a pena qualquer artifício de ocultação. As paredes do casarão transpiram azedas conversas e sabemos bem o que por lá se passa.

 

No que respeita ao 5 de Outubro  que cada vez mais é bem um símbolo do estado a que chegámos, é tão válida a exigência da sua re-imposição arbitrária, como seria o regresso do 24 de Julho, essa sim, uma data prenhe de consequências para o erguer do Portugal de base constitucional que a nossa classe política de forma tão sonora defende. O 5 de Outubro é uma nódoa negra, uma já caquética vergonha dispensável. Se alguns deputados resolverem retirar o mamarracho estatuário que preside aos trabalhos no Parlamento, melhor ainda. Não faz falta alguma.

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publicado às 11:06

Não, não confiamos

por Nuno Castelo-Branco, em 06.04.12

 

O Sr. Macedo da Administração Interna terá consentido no abuso, talvez nem sequer medindo o alcance simbólico do acontecimento.

 

Pela primeira vez, veículos policiais estrangeiros passeiam-se pelas ruas e avenidas das nossas cidades. Andam em patrulha, como se de uma força de ocupação se tratasse. Por muitos sorrisos que distribuam, esta é a mensagem que fica.

 

Este governo pretende abolir a comemoração do dia da Restauração da Independência. Está pronto para fazê-lo, alegando de forma assumidamente idiota, com o permanente abandono de celebrações por parte das entidades públicas. Em reflexo, a sociedade que ao longo de décadas tem sido objecto de um imparável culto pelo desprezo das origens, até agora tem seguido a norma que de cima chega. Mas a polícia espanhola nas avenidas de Lisboa, significa algo mais, é insuportável.

 

O PSD e o CDS enganam-se quando julgam o país completamente tranquilizado pela "inevitabilidade dos novos tempos". Não gostamos nem queremos ver uniformes estrangeiros e gente que nem sequer balbucia uma frase em português a fazer o giro, como se isso significasse estarmos à beira de uma anexação. 

 

No momento em que todos sabemos algo acerca daquilo que nos espera, arrastar a polícia espanhola para o meio da Praça dos Restauradores, poderá ser um disparate que lhes custará caro. Custará à gente do regime, no seu todo. Bem podem eles surgir de pin verde-tinto à lapela, confirmando ser aquele cada vez mais, uma nódoa que apenas confirma pouco discretas lealdades.

 

Dão asco.

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publicado às 14:56

Louça partida no Caldas

por Nuno Castelo-Branco, em 03.04.12

Quem leia o texto que hoje o Público dá à estampa, fica a questionar-se quanto ao perfeito juízo da gente do Largo do Caldas. Diogo Feio lacrimeja por ver Ribeiro e Castro votar ao lado do sinapismo Louçã e de Jerónimo de Sousa, fazendo de conta não perceber o porquê da posição do colega de bancada. A questão é muito simples, tratando-se do 1º de Dezembro que por sinal, é consensual no CDS, um Partido maioritariamente composto por monárquicos assumidos. Esperneiem à vontade, mas a verdade é essa e se querem comprová-la, façam um referendo interno e verão o resultado. O Público acrescenta que uma "fonte próxima de Paulo Portas - provavelmente o próprio em desdobramento -, vai avisando que ..."Ribeiro e Castro ficará a falar sozinho". Isso é o que veremos, pois no Parlamento existem muitos outros deputados de outros partidos que não obedecem a esta espécie de  "centralismo democrático" do PC(DS). Isto, sem sequer sublinharmos o banzé que na web persistirá, gostem ou não gostem.

 

Pelo que parece, Ribeiro e Castro não vacilará e até sugere um veto de Belém ao dislate. Embora duvidemos muito da coragem que ACS poderá manifestar quanto ao assunto, sempre será uma hipótese a colocar. Sugerimos ao deputado que vá mais longe, propondo trocar a abolição do feriado do 1º de Dezembro - uma data de facto histórica -, pela palerma ficção oitocentista do 10 de Junho, aquela invencionisse consagrada por uns tantos berreiros de calçada em 1880. 

 

Vamos direitos ao assunto: esta manobra de diversão de eliminação de feriados, nada mais é senão um reles recurso que permitirá mais uns quatro dias de trabalho grátis. Como se a esmagadora maioria da "iniciativa privada" à conta do Estado, merecesse a mínima consideração. Basta!

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publicado às 18:30

C.D.S.

por Nuno Castelo-Branco, em 02.04.12

Pelo que se sabe acerca da reunião magna do CDS, Ribeiro e Castro foi humilhado por Paulo Portas, o assumido membro da Real Associação de Lisboa e por isso mesmo, um presumível defensor da intangibilidade do feriado do 1º de Dezembro. Ora, Ribeiro e Castro foi o único deputado com espinha neste Parlamento-holotúria, tendo a coragem para manifestar aquilo que a esmagadora maioria dos portugueses sentem como uma afronta: a abolição do Dia da Restauração, numa vergonhosa cedência à plutocracia intra e extra-fronteiras. Em suma, o governo e a coligação agiram da pior forma.

 

As jogatinagens eleitoralistas não servem para tudo e Paulo Portas há muito devia ter percebido esta evidência, pois há coisas que dificilmente se esquecem. Ou ainda estaremos nos tempos de O Independente?

 

A menos que já estejamos nisto.

 

 

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publicado às 19:25

O "nim" de Paulo Portas

por Nuno Castelo-Branco, em 31.03.12

No Brasil, até as Prefeituras Municipais mostram orgulhosamente as nossas bandeiras e tudo o que elas significam.

 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros de um país independente há oito séculos, atrevidamente declarou hoje que o 1º de Dezembro "não é infelizmente celebrado pelas instituições" e vai dizendo em tom de desculpa, que nada mais patriótico existe "do que cada um de nós dar o seu contributo para reaver a independência económica do país". Enfim, neste tempo de cifrões, a data da difícil e na época considerada improvável reconquista da independência do Estado, é remetida para questões económicas  da oligarquia. Claro que Paulo Portas não corresponde ao grosso daquilo que se conhece por "classe política" e por isso mesmo devia medir as palavras, pois nem todos são transumantes de feiras de enchidos. Longe disso. Dr. Portas, se o Estado não comemora o Dia da Restauração e estando V. Exa. no governo, mude radicalmente este infeliz estado de coisas. Se tem o poder, tenha a vontade e mais ainda, a ousadia. 

 

O 1º de Dezembro não é comemorado pela população, leia-se, pelos habitantes das principais cidades, enquanto noutros pontos do país é dia de festa popular. Tal se deve à absurda menorização e intencional apagamento da nossa história, responsabilidade que deve ser integralmente assumida pelo regime republicano. O sistema vigente não comemora o 1º de Dezembro e tem como símbolo máximo, o verde e vermelho de uma Federação Ibérica imaginada no século XIX.

 

A Restauração da Independência consiste numa nódoa escarrapachada nos interesses dos mais poderosos malabaristas da finança e das negociatas que nos trouxeram a esta situação. A cada 1º de Dezembro que passe, jamais é organizada qualquer demonstração militar digna desse nome e as Forças Armadas não fazem qualqer esforço para que seja evocada uma data onde os antepassados justificaram a própria existência dos nossos quadros militares. As escolas ignoram ostensivamente o feito de 1640 e os heróis da Restauração são hoje tão desconhecidos, como qualquer um dos pretéritos e bastante dispensáveis presidentes da República. O Estado e centros de estudos não patrocinam ou incentivam trabalhos académicos relativos ao período e os manuais escolares são escandalosamente parcos na informação capaz de solidificar a nossa consciência nacional. É o completo deboche.

 

Dir-se-ia ser a nossa "classe política" um mero eco dos interesses da Câmara de Comércio e Indústria espanhola em Portugal. A gente do(s) governo(s) apenas parece(m) pensar na segurança dos seus interesses particulares. Isto, para ficarmos por aqui. 


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publicado às 20:22

Se não fosse o 1.º de Dezembro*

por Pedro Quartin Graça, em 20.03.12


Este artigo não seria escrito se não tivesse havido 1º de Dezembro. Ou seria escrito em Castelhano. Não seria escrito neste jornal, que não existiria. Não haveria Língua Portuguesa como a conhecemos hoje – teríamos sido sujeitos a longa aculturação espanhola, somando mais 370 anos de usurpação aos 60 de domínio dos Filipes.
Não haveria a querela do Acordo Ortográfico, porque não haveria o Português, nem o problema da regulação do uso universal da nossa língua. Estaríamos hoje com os galegos, esbracejando pela cidadania linguística. Não haveria Rui Reininho e a sua 'Pronúncia do Norte', nem Pedro Abrunhosa e o seu 'Momento' ou Jorge Palma e 'Encosta-te a Mim', o 'Ó Gente da Minha Terra' de Mariza, o 'Fado Tropical' de Chico Buarque. Fernando Pessoa não seria o que é, nem a Mensagem. Camões e 'Os Lusíadas' seriam talvez desconhecidos, literatura esquecida ou clandestina. Veríamos filmes dobrados – em Castelhano. O Fado não seria Património Imaterial da Humanidade. Não existiria sequer o fado, antes outra coisa qualquer de sonoridade espanhola.
Já não teríamos declarado o sobreiro árvore nacional. Não seríamos o maior produtor mundial de cortiça – seria Espanha. O nosso porco preto alentejano seria porco ibérico para toda a vida, sem apelo nem agravo. Teríamos centrais nucleares na bacia do Tejo e talvez na do Douro, não só do lado de lá, mas do lado de cá. Não haveria lado de cá e de lá. A política espanhola de transvases afectando os nossos rios estaria aí em pleno.
Não haveria D. João IV, nem D. João V e o seu Convento de Mafra, nem D. João VI e a originalidade fundadora da corte no Brasil. Não haveria o próprio Brasil – em lugar dessa criação do génio e do acaso português, teriam surgido outras coisas, fruto de colonizações retalhadas de holandeses, franceses, espanhóis e ex-portugueses falando espanhol. Não haveria o samba e a bossa nova. Não haveria Angola, nem Moçambique. O espaço de Moçambique estaria repartido por países anglófonos e no de Angola seria outro retalho qualquer de colonizações holandesa, alemã, francófona, talvez espanhola. São Tomé e Príncipe estaria na Guiné Equatorial, como Fernando Pó e Ano Bom. A Guiné-Bissau moraria na francofonia, Cabo Verde provavelmente também. Não haveria a morna, nem a coladeira, talvez o zouk de Guadalupe e Martinica. Timor seria holandês e, portanto, indonésio. Macau teria acabado, pouco depois de ser. Não teria havido a guerra do Ultramar, porque não teria havido Ultramar. Não existiria a CPLP. Nem haveria sequer o Fórum Ibero-Americano, antes qualquer coisa hispano-americana. Não haveria o navio-escola 'Sagres'. O nosso mar português não seria.
Não teríamos o Eusébio. Não teríamos festejado o louco terceiro lugar do Mundial de Inglaterra 1966, mas alguns teriam celebrado a Espanha campeã do Mundo na África do Sul 2010. O Benfica e o FC Porto provavelmente nunca teriam sido campeões europeus. A Académica nunca teria ganho a Taça de Portugal – não haveria Taça de Portugal. Com sorte, Benfica, Porto, Sporting, outro, poderiam ter ganho a Copa Generalíssimo ou a Taça do Rei.
Não haveria Cardeal Patriarca de Lisboa, título do século XVIII. Não haveria um só cardeal português no Consistório de Roma. Não existiria a Conferência Episcopal – os nossos bispos estariam na conferência espanhola.
Teria havido o terramoto de 1755, mas não o Marquês de Pombal, nem a baixa pombalina. As invasões francesas teriam sido uma passeata com cicerone espanhol. Não haveria a questão de Olivença – seríamos todos nós Olivença. Teríamos tido na mesma as lutas liberais, mas não entre D. Pedro e D. Miguel, antes envolvidos nas longas guerras do carlismo. Não teríamos tido nem Afonso Costa, nem Salazar, antes dois breves episódios republicanos, um fugaz no século XIX, outro nos anos 30 seguido da guerra. Teríamos tido a Guerra Civil, seguida do Generalíssimo e da restauração monárquica com rei espanhol. Teríamos sofrido o terrorismo da ETA. Não haveria Cavaco Silva, presidente; nem, antes, Jorge Sampaio, Mário Soares, ou Ramalho Eanes. Seria D. Juan Carlos. Não teríamos Passos Coelho, nem Paulo Portas, antes Mariano Rajoy e Garcia-Margallo. Não teríamos Ministério dos Negócios Estrangeiros – seríamos somente um negócio de estrangeiros. Não teríamos Assembleia da República, apenas as Cortes Generales.
Aqui chegados, eu compreendo perfeitamente que as Cortes de Madrid chumbassem o nosso feriado do 1º de Dezembro, primeiro o Congresso dos Deputados, logo a seguir o Senado. Mas a Assembleia da República fazer isso? Não pode ser.
* José Ribeiro e Castro
Deputado e ex-líder do CDS-PP
[Artigo publicado na edição de 19-mar-2012, do CORREIO DA MANHÃ - ler aqui]

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publicado às 06:52

MANIFESTO DO 1º DE DEZEMBRO, DIA DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

por Pedro Quartin Graça, em 12.03.12


Da autoria do Deputado José Ribeiro e Castro, e aberto agora à subscrição pública, este manifesto foi na passada semana aprovado por unanimidade e aclamação na Assembleia Geral da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, reunida em sessão extraordinária. A sua apresentação ocorreu na passada 6ª feira na SHIP. Foi ainda decidido promover outras acções em defesa do feriado nacional.

Veja aqui os subscritores do patamar de intervenção.

 

Subscreva já o Patamar Alargado aqui.

 

Patamar simbólico
1º grupo de subscritores (40)

 

Adalberto NEIVA DE OLIVEIRA | advogado, gestor de empresa; 69 anos; Póvoa de Varzim

Alexandre PATRÍCIO GOUVEIA | economista, gestor de empresas; 59 anos; Lisboa

Aline GALLASCH-HALL | professora universitária, investigadora; 35 anos; Lisboa

António GALVÃO LUCAS | engenheiro químico-industrial (IST), empresário; 67 anos; Lisboa

António MENEZES CORDEIRO | advogado, jurisconsulto e árbitro, professor da Faculdade De Direito de Lisboa; 58 anos; Lisboa

António PINTO DA FRANÇA | diplomata; 76 anos; Tomar

Diogo COSTA MONTEIRO | advogado; 28 anos; Lisboa

Eugénio RIBEIRO ROSA | médico, presidente do Conselho Superior da Sociedade Histórica da Independência de Portugal; 88 anos; Lisboa

Filipe SOARES FRANCO | empresário; 58 anos; Malveira da Serra

Francisco de Bragança VAN UDEN | gestor; 62 anos; Alcabideche

Gonçalo PORTOCARRERO DE ALMADA | sacerdote católico; 53 anos; Lisboa

Hélio LOUREIRO | cozinheiro, chef; 48 anos; Porto

Henrique MOTA | livreiro e editor; 53 anos; Estoril

Isabel PONCE DE LEÃO | professora catedrática; 58 anos; Porto

Jaime NOGUEIRA PINTO | professor universitário; 66 anos; Lisboa

Joana de Menezes PINTO MACHADO | professora de História do ensino secundário; 51 anos; Lisboa

João BRAGA | cantor, agente cultural; 66 anos; Lisboa

João Luís MOTA DE CAMPOS | advogado, ex-secretário de Estado da Justiça; 53 anos; Lisboa

Joaquim GRAVE | médico veterinário, gestor de sociedade agrícola; 59 anos; Granja

Jorge RANGEL | professor do ensino superior, presidente do IIM – Instituto Internacional de Macau; 68 anos; Macau

José ALARCÃO TRONI | advogado, presidente da direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal; 67 anos; Lisboa

José BAPTISTA PEREIRA | tenente-general piloto aviador (R), presidente da Mesa da Assembleia Geral da Sociedade Histórica da Independência de Portugal; 75 anos; Lisboa

José GARCIA LEANDRO | general do Exército (R); 71 anos; Lisboa

José João BRANDÃO FERREIRA | tenente-coronel piloto-aviador (R), piloto; 58 anos; Lisboa

José LAMEGO | advogado, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; 59 anos; Lisboa

José LOUREIRO DOS SANTOS | general do exército (R); 75 anos; Carnaxide

José RIBEIRO E CASTRO | advogado, deputado, presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, ex-secretário de Estado; 58 anos; Lisboa

Manuel TAVARES | jornalista, director do “Jornal de Notícias”; 60 anos; Porto

Margarida GONÇALVES NETO | médica psiquiatra; 51 anos; Lisboa

Maria Miguel SANTOS SILVA | licenciada em direito, directora da Escola “Ave-Maria”; 70 anos; Lisboa

Matilde SOUSA FRANCO | museóloga e historiadora; 68 anos; Lisboa

Miguel MORAES ALÇADA | director de banco, advogado; 59 anos; Covilhã

Nicolau SANTOS | jornalista, director-adjunto do “Expresso”; 57 anos; Lisboa

Nuno VIEIRA MATIAS | oficial de marinha, Almirante (R); 72 anos; Lisboa

Octávio RIBEIRO | jornalista, director do “Correio da Manhã”; 50 anos; Sesimbra

Pedro QUARTIN GRAÇA | advogado, docente universitário; 49 anos; Lisboa

Raquel HENRIQUES | professora de História, historiadora; 49 anos; Sintra

Renato EPIFÂNIO | professor universitário, presidente do MIL - Movimento Internacional Lusófono; 38 anos; Sintra

Ricardo SÁ FERNANDES | advogado, ex-secretário de Estado das Finanças; 59 anos; Lisboa

Rui PENA | advogado, ex-ministro da Reforma Administrativa e ex-ministro da Defesa Nacional; 73 anos; Lisboa


Manifesto do 1º de Dezembro - Dia da Independência Nacional

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publicado às 10:18

Ribeiro e Castro preferiria acabar com pontes
Fotografia © Leonardo Negrão / Global Imagens

Ribeiro e Castro preferiria acabar com pontes

O deputado centrista Ribeiro e Castro disse hoje estar surpreendido e em "profunda divergência" com a decisão do Governo de eliminar os feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro, lamentando que o Parlamento não tenha sido ouvido.

"Eu, face ao que foi anunciado ontem, sinto uma grande surpresa, estou como o doutor Mário Soares, também me custa muito a engolir que se acabe com o feriado da independência nacional, o 1.º de Dezembro", declarou José Ribeiro e Castro à agência Lusa.

O parlamentar do CDS-PP adiantou estar "em reflexão" e admitiu tomar iniciativas sobre o tema, referindo que desde que surgiram as primeiras notícias sobre a necessidade de acabar com alguns feriados fez "diligências para que houvesse um debate alargado".

"Convém ouvir os deputados antes de se tomar uma decisão que depois eles vão ter de defender," ironizou.

Ribeiro e Castro, também presidente da Comissão Parlamentar de Educação, frisou que está de acordo com "os objetivos" e a necessidade de "ganhar competitividade", mas defendeu que "há outras alternativas", como "acabar com as pontes".

"O dia 1 de dezembro é o feriado mais antigo de Portugal", disse, notando que o feriado da Restauração da Independência, em 1640, é celebrado desde o século XIX, e sugerindo que o Dia de Portugal, assinalado a 10 de junho, poderia ser transferido para esta data.

Ribeiro e Castro referiu que o 10 de junho só começou a ser festejado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em 1978 - no Estado Novo era celebrado como o Dia da Raça.

"O dia de Portugal devia ser o dia 01 de dezembro, tal como acontece na maior parte dos países da União Europeia", que assinalam o feriado do país na data da sua independência, notou.

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publicado às 18:59

Já que não fizeram do 5 de Outubro o Dia de Portugal, comemorando aquele outro 5 de Outubro de 1143, e o Tratado de Zamora, que trouxe a independência da nação sonhada por um moço príncipe, e um punhado de patriotas, não nos tirem o orgulho de celebrá-la no outro dia que no-la devolveu; O dia da Restauração – celebrando o 1 de Dezembro de 1640 – é o nosso dia da Independência. Acabar com ele é – simbolicamente – reduzir a independência nacional a zero

 

Quem assim escreve é umm verdadeiro patriota, com autoridade moral e intelectual intocáveis, de quem as saudades eram muitas já, tantos foram os artigos de antologia com que nos brindou no Jornal I.

Um regresso muito saudado,pois, e logo com um tema fulcral para todos aqueles que querem continuar a ser portugueses!

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publicado às 16:02

Parabéns Blogosféricos

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 01.12.11

Neste dia da Restauração, deixamos aqui os parabéns ao Editor69 pelos 5 anos do Blog de Leste. Autor de um dos mais irreverentes blogues da actualidade, alia o seu amor a Portugal a uma quase total ausência de “correcção política”. O seu benfiquismo, enfim... é algo épico.

 

Aqui fica, a jeito de dupla homenagem, um dos seus brilhantes vídeos: RESTAURAÇÃO – “Os Conjurados” 

 

 
*Mais vídeos do mesmo autor seguindo este link.

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publicado às 11:10

1º de Dezembro

por Nuno Castelo-Branco, em 29.11.11

O alcaide de Olivença, pretende recriar os violentos eventos que conduziram à ocupação daquela vila pelas tropas espanholas comandadas por Godoy. Sabendo-se algo acerca das brutalidades cometidas contra a população oliventina - desde o momento da ocupação até à autêntica política de erradicação identitária ao longo de dois séculos -, não deixa de ser absurda, esta paródia engendrada pelo PP espanhol.

 

Se existisse alguém com coluna vertebral na Câmara Municipal de Lisboa, a edilidade promoveria já no próximo 1º de Dezembro, uma "reconstituição histórica" da defenestração de Miguel de Vasconcelos. Candidatos a actores não faltariam, pois "Vasconcelos" há-os de sobra, de Belém a S. Bento.

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publicado às 09:47

Parece que conseguimos: 5 de Outubro, fora!

por Nuno Castelo-Branco, em 16.11.11

Abolir o feriado da Restauração num momento em que somos governados pelo Conselho de Portugal - a troika -, é um erro.

 

Portugal é um dos poucos países do mundo que não tem como dia nacional, o da sua independência. O 10 de Junho parece seguir o pressuposto secundo-republicano salazarista da "conciliação" entre monárquicos e republicanos, apresentando o "dia de Camões" como o necessário consenso que torna mornas, as outrora caudalosas águas da questão do regime. O pior é que à beira do estuário, deu-se um súbito refluxo da corrente.

 

Pois é isto mesmo que salta à vista. O 5 de Outubro é escarnecido como coisa sem préstimo, quando na realidade, se enquadrado por uma verdade histórica bem mais importante que um tolo bambúrrio de patifes, representasse a data primeira na contagem de séculos que já vivemos como Estado soberano, aliás em perigo de extinção prematura. É quanto muito, o derradeiro dia de ida à praia.

 

Os donos do território a que hoje se chama "país" e que até há cem anos era simplesmente conhecido como Portugal, já consideram terem perdido a sua feriazita de início de Outono. O "dia da República" parece subir em espiral gasosa, para sempre se volatilizando da memória, "colectiva" - de colher - como convém. 

 

Quanto à claríssima "moeda de troca" política que é o feriado do 1º de Dezembro, notemos apenas uns tantos factos, sobressaindo o clássico protesto do "mundo de negócios" espanhol refastelado em Portugal e que se insurge contra este pretenso insulto a Espanha. O verdadeiro insulto provirá daqueles vinhoso hálitos de Rioja de rasquíssima qualidade, pois barafustarem em terra alheia contra o direito de liberdade das gentes locais, é já coisa do domínio do insólito, como se  uma composição de Beethoven fosse acompanhada por ritmados clapa-clapes de mãos e sonoros ais de dançarinos de flamenco. Compreende-se a insistência dos "amigos de António Reis", sabendo-se como os republicanos sempre foram iberistas, chucha que lhes vem do primeiro e  privilegiado berço de pantagruélica casta.

 

Se os nossos leitores repararem em algumas coincidências, o 1º de Dezembro serviu para a cerimónia de assinatura do aborto imperial que se denomina de Tratado de Lisboa, coisa tão efémera como a herança peninsular do também prematuramente defunto príncipe D. Miguel da Paz. A data do 1º de Dezembro, além de significar o dia mais importante da nossa História, representou o fracasso de um projecto de criação de um potentado com sonhos de domínio mundial que tendo origem na Europa Central, depressa se estendeu ao sul da bota italiana, terras de Espanha e às costas do Mar do Norte. Conhecemos bem esse A.E.I.O.U., hoje de mais prussiana pronúncia.

 

Além de ser o dia da nossa segunda independência, aí está uma das razões do ruminante pavor que o 1º de Dezembro significa para alguns beneficiários dos "direitos adquiridos" do regime dos panças. Não têm emenda, mas todos os topam a anos-luz.

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publicado às 22:20

1º de Dezembro: a mensagem do Rei

por Nuno Castelo-Branco, em 01.12.10

 

Na perspectiva histórica de um País com perto de 900 anos, o penoso caminhar numa crise comparável à vivida nos tempos da I República cujo centenário este ano faustosamente se comemorou, permite-nos retirar diversas conclusões.
Comecemos pela curiosa circunstância de a República, fundada pela força que derrubou um Regime Democrático, nunca, até aos nossos dias, haver sido legitimada pelo voto popular.
Significativo é, também, o facto de o regime republicano, nas suas várias expressões, não ter tido capacidade para resolver nenhum dos problemas de que acusava a Monarquia e o facto de que as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da Europa serem Monarquias.
As nossas três repúblicas do séc. XX nasceram de três golpes militares após os quais os governantes se lançaram a reorganizar a sociedade, com os resultados que agora estão à vista.
Como herdeiro dos reis de Portugal, eu represento um outro princípio, o princípio da liberdade e não o da coerção. Chegou a hora de a sociedade livremente dizer que Estado quer.
Em vários reinos do Norte da Europa ouvi destacados políticos afirmarem que "vivemos em República, mas o nosso Rei é o melhor defensor da nossa República".
Deixo aqui uma mensagem aos monárquicos, aos convictos que, hoje, são a minoria mas, segundo as sondagens, serão a maioria no futuro que se aproxima.
Quero lembrar que essas sondagens chegam a referir 20%, 30% ou 40% de monárquicos, conforme as perguntas são feitas, percentagens tanto mais valiosas quanto resultam da escolha de pessoas livres e não de propagandas de partidos ou de movimentos sem transparência.
Quero agradecer-lhes a sua generosidade, o seu entusiasmo, a sua dedicação quando içam nas ruas a bandeira das quinas com a coroa e quero dizer-lhe que continuarei a acompanhá-los, como sucedeu no 5 de Outubro em Guimarães, o dia da independência nacional.
A situação humilhante em que a Nação se encontra perante nós próprios e a comunidade internacional obriga-nos a reflectir sobre novos modelos de desenvolvimento económico e de vida em sociedade, inspirados na Caridade (conceito mais abrangente do que o de solidariedade).
Com efeito, depois da expectativa inicial do projecto europeu que a generalidade dos membros abraçou e que se assumindo, na sua origem, como um projecto de cooperação entre Estados - com os mais ricos a ajudarem os mais pobres – passou, rapidamente, de miragem a tragédia, com os mais fortes a ditarem regras e a impor sanções aos mais vulneráveis.
Neste contexto de incerteza e preocupação, são, por isso, cada vez mais as vozes autorizadas que preconizam a necessidade da reforma do modelo de desenvolvimento económico global. A reactivação estratégica de uma agricultura sustentável e ecologicamente equilibrada é fundamental para enfrentarmos com segurança os desafios actuais , como há pouco tempo lembrou o Papa Bento XVI.
Precisamos de um novo modelo para conseguir maior felicidade e bem-estar com menor desperdício de recursos, que deverão ser melhor e mais justamente partilhados, para que a ninguém falte o essencial.
Havendo tantas necessidades de apoio às populações seria desejável dinamizar as antigas tradições de voluntariado, recorremdo tambem aos serviços dos beneficiários de subsídios do Estado, como condição para receberem esses subsídios. Receber subsídios sem dar a sua contribuição para a sociedade equivale a receber esmolas, o que não é bom.
Portugal não pode cair no desânimo a que nos conduzem os constantes e confusos acontecimentos políticos nacionais amplamente noticiados.
É fundamental acreditar no Futuro e partilhar Esperança, nunca nos esquecendo de onde viemos e para onde queremos ir.
Para isso há que cultivar os exemplos de competência, seriedade e coragem na defesa de ideais, combatendo a falta de autenticidade que, infelizmente, constitui uma das mais comuns e perversas características do nosso tempo.
Quem está na Política deve ter como primeiro e último objectivo SERVIR a Pátria e, em particular, permitir a valorização dos mais desfavorecidos.
E para esta valorização ser possível, teremos de repensar todo o nosso sistema educativo, do pré-primário ao superior, adaptando os cursos às necessidades profissionais actuais e futuras e criando - com suporte da rede de ensino privado e cooperativo - condições às famílias com menos recursos para poderem escolher os estabelecimentos que gostariam que os seus filhos frequentassem, sem que tal venha a implicar aumento de encargos para o Estado.
Tenho visitado muitas escolas onde me explicam que os programas são desajustados às realidades actuais e às saídas profissionais, e particularmente aos jovens com problemas de adaptação. O “ Cheque Ensino” seria uma solução para estes problemas, permitindo às famílias escolher a oferta escolar mais adaptada às necessidades dos seus filhos, evitando a discriminação económica actual e promovendo a qualidade do ensino através de uma saudável concorrência…
Só desta forma conseguiremos melhorar efectivamente o nível médio cultural, académico e profissional da população com vista ao progressivo desenvolvimento e engrandecimento do País e não com fim exclusivamente estatístico.
Na sua longa História, Portugal foi grande quando se lhe depararam desafios que envolveram projectos galvanizadores de verdadeira dimensão nacional. Nessas alturas, os portugueses sempre souberam responder com criatividade, entusiasmo e coragem.
Hoje, é no Mar e na Lusofonia que a nossa atenção deve ser focada como áreas de eleição para realizar um projecto de futuro para o País e para a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa. Afinal, são estas duas vertentes que, desde o início da Expansão Marítima Portuguesa, com períodos de maior ou menor brilho, maior ou menor envolvimento, têm vindo a constituir o nosso Desígnio.
O prestigiado Jean Ziegler, meu professor em Genebra, ensinava que existem dois caminhos para desenvolver os povos. O primeiro começava pela educação profissional, académica e ética da população , que iria desenvolver o país e conduzi-lo ao enriquecimento. O segundo caminho consistia em injectar dinheiro estrangeiro na economia. Os governantes criariam grandes infra-estruturas, enriquecendo-se alguns deles no processo, e a população compraria bens de consumo importados, enriquecendo o comércio. Mas no fim, essa nação estaria endividada e a classe média empobrecida porque as capacidades de produção teriam diminuído.
Infelizmente é esta a nossa realidade recente.
Deixo para os especialistas apontarem os factores da crise que nos fustiga, fazerem os diagnósticos acertados, apontarem as vias de solução. Mas não posso deixar de dizer que é urgente arrepiarmos o caminho que nos trouxe à gravíssima crise económica e financeira que atravessamos, como venho denunciando desde há anos.
Foi justamente neste sentido que, este ano, pela segunda vez, promovi, no âmbito da Comissão D. Carlos 100 Anos, a organização do Congresso “Mares da Lusofonia”que permitiu uma participada reflexão, com representantes de todos os Países da CPLP presentes, acerca da valia dos mares e das Plataformas Continentais dos países lusófonos nas vertentes estratégica, de segurança, jurídica, ambiental, científica, tecnológica e económica.
A intensificação do intercâmbio de conhecimentos da sociedade civil e o fortalecimento das relações afectivas entre os nossos países contribuirá decisivamente para a supressão das barreiras que ainda existem.
Recentemente visitei o Brasil, pátria de minha Mãe, onde, em Brasília, tive a feliz oportunidade de contactar alguns membros do seu Governo.
Transmiti os meus sinceros votos de sucesso à recém-eleita Presidente Dilma Russef.
Percebi que lá existe uma grande abertura à ideia de uma futura Confederação de Estados Lusófonos, que muito beneficiaria todos os seus membros e cuja adesão não comprometeria as alianças regionais existentes. O facto do Reino Unido pertencer à Commonwealth não prejudica a sua participação na União Europeia mas valoriza-a.
Ainda sobre a importância da afectividade que naturalmente se cultiva na Comunidade Lusófona, virá a propósito salientar a decisão do Governo de Timor – país a que me ligam relações de profunda amizade – quando, à semanas, declarou o seu auxílio a Portugal na compra de parte da nossa dívida pública, num gesto de fraternal amizade.
Para concluir, gostaria de transmitir a todos os portugueses uma mensagem de ânimo:
Não vos deixeis abater pela situação de dificuldade económica e crise moral que actualmente nos invade.
Lembrai-vos que tivemos momentos bem mais graves na nossa História em que a perenidade da Instituição Real foi suporte decisivo para a recuperação conseguida.
A dinastia, baseada na família, oferece o referencial de continuidade de que Portugal está carente há cem anos.
Viva Portugal!

Dom Duarte de Bragança

 

 

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