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Programa para os próximos dias

por Samuel de Paiva Pires, em 05.09.18

 

O programa pode ser consultado no site da Sociedade Portuguesa de Filosofia.  

 

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publicado às 20:12

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publicado às 20:04

"A Universidade Lusíada - Norte (Porto) está a aceitar submissões de propostas para apresentações no Congresso de Relações Internacionais 2018. Este congresso de dois dias é dedicado ao tema geral ‘Transformações Globais e Regionais de Poder nas Relações Internacionais’, e espera congregar estudiosos das Relações Internacionais com o propósito de debater as grandes alterações no equilíbrio de poderes que estão a ocorrer na ordem internacional contemporânea, bem como as suas futuras implicações."

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publicado às 14:24

Quantidade sobre a qualidade

por Samuel de Paiva Pires, em 13.03.18

bregman.jpg

Rutger Bregman, Utopia para Realistas:

O optimismo e o pessimismo tornaram-se sinónimos de confiança do consumidor, ou de falta dela. As ideias radicais de um mundo diferente tornaram-se quase literalmente impensáveis. As expectativas do que nós, como sociedade, podemos alcançar sofreram uma erosão drástica, deixando-nos com a verdade nua e crua: sem utopia, só resta a tecnocracia. A política diluiu-se na gestão de problemas. Os eleitores oscilam para um lado e para o outro não porque os partidos sejam muito diferentes entre si, mas porque mal se conseguem distinguir; o que separa hoje a esquerda da direita é um ou dois pontos percentuais no imposto sobre o rendimento.

Vemo-lo no jornalismo, que retrata a política como um jogo em que se apostam não ideais mas carreiras. Vemo-lo na academia, onde andam todos demasiado ocupados a escrever para ler, demasiado ocupados a publicar em vez de debater. De facto, a universidade do século XXI, assim como os hospitais, as escolas e as estações televisivas, assemelha-se antes de mais a uma fábrica. O que conta é cumprir objectivos. Seja o crescimento da economia, as audiências, as publicações: lenta mas inexoravelmente, a quantidade está a substituir a qualidade.

 

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publicado às 17:16

"Todo o ser é feliz quando satisfaz o seu destino"

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.17

ubi.jpg

Ainda me recordo do primeiro dia em que iniciei o meu percurso escolar, há 25 anos. Desde então, passei por várias escolas e universidades e foi na minha alma mater, o ISCSP, que descobri, logo nos primeiros dias de aulas da licenciatura em Relações Internacionais, o meu desígnio de vida: a dedicação ao conhecimento, à ciência, à academia. É, por isso, com um sentimento muito especial que inicio o meu primeiro ano lectivo do outro lado da secretária do Professor, numa universidade que se tem vindo a afirmar como uma referência não só a nível nacional, mas também internacional, e onde fui maravilhosamente acolhido e integrado, a Universidade da Beira Interior, situada na belíssima cidade da Covilhã. Tenho, assim, a imensa sorte de poder, finalmente, dedicar-me inteiramente a algo que, mais que uma profissão, é uma vocação. Ortega y Gasset, no início de O Que é a Filosofia?, resume bem o meu estado de espírito após as primeiras aulas que leccionei: 

(…) já veremos como no ser vivo toda a necessidade essencial, que brota do próprio ser e não lhe advém de fora acidentalmente, vai acompanhada de voluptuosidade. A voluptuosidade é a cara, a facies da felicidade. E todo o ser é feliz quando satisfaz o seu destino, isto é, quando segue a encosta da sua inclinação, da sua necessidade essencial, quando se realiza, quando está a ser o que é na verdade. Por esta razão Schlegel dizia, invertendo a relação entre voluptuosidade e destino: «Para o que nos agrada temos génio». O génio, isto é, o dom superlativo de um ser para fazer alguma coisa tem sempre simultaneamente uma fisionomia de supremo prazer. Num dia que está próximo e graças a uma transbordante evidência vamo-nos ver surpreendidos e obrigados a descobrir o que agora somente parecerá uma frase: que o destino de cada homem é, ao mesmo tempo, o seu maior prazer.

 

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publicado às 17:24

Da hipocrisia do Bloco de Esquerda

por Samuel de Paiva Pires, em 09.03.17

Paulo Tunhas, "Lenine explica"

 

Acerca da anulação da conferência de Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e dos motivos dessa anulação, muita gente, da esquerda à direita, se pronunciou com as palavras certas. Há, no entanto, uns silêncios que convém interrogar. Que eu tenha reparado, ninguém do PC ou do Bloco de Esquerda julgou útil desta vez fazer ouvir a sua voz, o que em princípio devia espantar, tratando-se de gente particularmente vocal que aprecia sumamente dissertar sobre toda a espécie de direitos e que tem ideias bem definidas sobre a liberdade, ou sobre as “amplas liberdades”, como dantes o PC dizia.

 

(...).

 

Não custa muito encontrar uma explicação simples: porque concordam com a anulação da conferência. Demasiado simples? Francamente, não creio. A especialização nas chamadas “causas fracturantes”, que tornou o Bloco conhecido do bom povo português, tende a fazer esquecer algumas características ideológicas que identificam no essencial aquela tão moderna agremiação. É que, sob as vestes da modernidade, o que conta verdadeiramente são ainda as arcaicas concepções totalitárias que se encontram na sua origem. É isso que fornece uma unidade subjacente à multiplicidade das “causas”. Que isso permaneça imperceptível a uma grande parte das pessoas deve-se em grande parte a um efectivo talento para o marketing político que descobriu um muito conveniente nicho ecológico nos media. A maneira como esta ocultação da presença da origem no presente foi levada a cabo com sucesso é provavelmente um dos factos mais reveladores da facilidade do triunfo da impostura em política, uma impostura desde há um ano devidamente recompensada, para nossa grande desgraça, com a generosidade de António Costa.

 

(...).

 

É bom percebermos que estamos a lidar com gente para a qual não há, em domínio algum, qualquer espécie de neutralidade, inclusive académica. O silêncio em relação ao caso de Jaime Nogueira Pinto exibe-o perfeitamente e de forma inadulterada. O outro de que se discorda não é susceptível de merecer a distância que nos permita ouvi-lo. Insultá-lo, identificá-lo como inimigo, é mais fácil. No caso de Nogueira Pinto, é “fascista”. Noutros tempos, é bom lembrá-lo, bastava ser “socialista”. Desde que António Costa, com a sua proverbial fortitude, derrubou pela segunda vez o Muro de Berlim, os socialistas, tirando um excêntrico ou dois, podem estar tranquilos: “socialista” não é um nome feio. Mas nada garante que seja sempre assim. A não ser que certa gente do partido que Costa trouxe para junto de si tomar definitivamente conta do PS. Nesse caso, a paz poderá tornar-se definitiva. Com o PS a mudar até de nome: PSE – Partido Socialista de Esquerda. Lenine explica.

 

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publicado às 10:46

Mais um camilo-lourencista

por Samuel de Paiva Pires, em 19.04.14

Um erro e uma vergonha é alguém como Vasco Pulido Valente, que tem por obrigação e dever de ofício conhecer os processos de formação e autonomização académica de disciplinas como a Ciência Política ou as Relações Internacionais – processos que remontam ao início do século XX, pelo que não se pode dizer que se trate de disciplinas novas –, incorrer no pensamento camilo-lourencista da utilidade económica. Só se esquece que Camilo Lourenço considera inúteis os licenciados em História, por sinal a ciência social em que VPV se doutorou em Oxford, no âmbito da qual desenvolveu os seus trabalhos e que, vá-se lá saber porquê, deixa de fora neste seu artigo.

 

Parafraseando um outro professor, talvez VPV queira recomendar a instituições como as universidades de Oxford, Cambridge, Harvard, Yale, Stanford etc. que liquidem os seus enormes departamentos e centros de investigação que se ocupam das mais diversas ciências humanas e sociais. E, já agora, talvez sugerir também a dissolução das centenas de think-tanks britânicos e norte-americanos que se ocupam desses alegados mistérios que são a Ciência Política e as Relações Internacionais. Por momentos pareceu-me estar a ler alguém que ainda acredita que estas são ciências ocultas. Faria melhor, porventura, em ler "The Idea of a University" desse inútil professor de Oxford que dava pelo nome de Michael Oakeshott, em vez de escrever disparates.

 

De resto, de um licenciado em Relações Internacionais, mestre e doutorando em Ciência Política pelo ISCSP e que trabalha no sector privado, permita-me só perguntar se será que tanto fel contra estas ciências terá alguma coisa a ver com a fusão entre a Clássica e a Técnica e as pretensões frustradas de muitos dos que trabalham ou trabalharam sob a alçada de VPV no ICS, a quem o Estado garantiu precisamente um certo modo de vida durante décadas?

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publicado às 22:15

Ou sim ou sopas

por Pedro Quartin Graça, em 30.01.14

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publicado às 09:23

Permitam-me dar-vos um exemplo prático de como a academia pátria foi tomada por medíocres e está povoada por idiotas que vivem em concubinato com o poder político. Pedro G. Rodrigues era conselheiro do Secretário de Estado do Orçamento do segundo governo de José Sócrates. Quando este caiu, João Bilhim, recrutado por Miguel Relvas para presidir a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, mas à altura presidente do ISCSP, próximo do Partido Socialista e responsável pela elaboração do fiasco que dá pelo nome de PRACE, começou a contratar amigalhaços que tinham acabado de perder o emprego, conforme já aqui eu havia escrito, entre os quais Pedro G. Rodrigues. E por que é que isto importa? Porque Pedro G. Rodrigues, que, vá-se lá saber porquê, teve a honra, que não me recordo de ter sido dada a qualquer outro docente - digno desta qualificação -, de ter um paper seu publicitado na primeira página do site do ISCSP, revela hoje no Jornal de Negócios uma das ideias mais bárbaras - e estou a ser simpático - que tive o desprazer de ler nos últimos anos (via João Miranda e Ricardo Arroja).

 

«Proponho que o Estado imponha temporariamente um regime de despesa privada obrigatória. Nesse regime os titulares de depósitos bancários dispõem, no máximo, de seis meses para gastar uma fracção do saldo na compra de bens e serviços em território nacional. Findo esse prazo, do montante ainda por gastar é transferida para o Tesouro a parte que corresponde à taxa média actual de IVA e de impostos específicos. Na prática, não há qualquer transferência porque não haverá nenhum montante por gastar ao fim de seis meses. Esta é uma solução equilibrada, dado que quanto maior é o saldo, maior é a responsabilidade e a capacidade de relançar a economia. Cada um é livre de comprar o que quiser, desde que seja em território nacional e até ao prazo limite, mas deve saber que a compra de um bem ou serviço importado não aumenta o PIB.»


Sim, este senhor é docente universitário. E sim, a academia portuguesa é muito isto. 

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publicado às 22:45

Futeboladas

por João Pinto Bastos, em 13.03.13

 

O Porto do Mister Pereira vai a Málaga entregar uma eliminatória de mão beijada aos insolventes capitaneados pelo chileno que não gosta de Mourinho. Mais a norte, o Barça, para alguns a melhor equipa de sempre - caramba, a memória é sempre tão curta-, dá uma remontada histórica a um clube que, noutras eras, e que eras, propinava a esse mesmo Barcelona goleadas de chapa 4, com direito, no fim, ao tão ansiado caneco. O futebol anda estranho. Muito estranho. Mas mais estranho ainda, é verificar que Jorge Jesus, sim, Jorge Jesus, quem mais?, tornou-se num palestrante fortemente requisitado pela academia. Ah, pois é. Não é, de facto, para todos. Da teoria para a prática, e da prática para a teoria, Jesus sentou-se finalmente no seu tão requisitado trono de ideólogo-mor do futebol pátrio. O que é que falta para o puzzle completar-se? O Galatasaray ser campeão europeu com Altintop a furar as redes do desistente Valdés? Stoichkov treinar o Sporting, com Severino a liderar a queda no abismo da falência? Ou Jesus escrever um livro com a epistemologia do futebol-arte? O futebol anda estranho, muito, muito estranho.

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publicado às 22:52

"Retifique-se"

por Samuel de Paiva Pires, em 27.02.13

Recebi um e-mail de um centro de estudos de uma universidade portuguesa cujo campo do assunto principia com a palavra "Retificação". Perante o absurdo e aberrante abortismo ortográfico, os seus defensores e os que o adoptam, começa cada vez mais a apetecer tomar emprestada a expressão que Francisco José Viegas utilizou para indicar o que mandaria os fiscais das facturas fazer caso o importunassem. Talvez então alguém se preocupasse em tratar de uma "retificação", seja lá isso o que for.

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publicado às 23:39

No seguimento da audiência parlamentar em que expus o funcionamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia quanto à atribuição de Bolsas de Doutoramento na área da Ciência Política, o PSD e o CDS, nas pessoas dos Senhores Deputados Duarte Marques e Michael Seufert, dirigiram à Secretária de Estado da Ciência a seguinte missiva:

 

Pergunta escrita Secretária Estado da Ciência - Presidente da FCT


Na sequência da denúncia pública feita pelo Mestre Samuel Paiva Pires em audiência da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, a pedido do queixoso, tomámos conhecimento de um conjunto de situações que a confirmar-se nos levantam a maior preocupação relativamente à forma como a Fundação para a Ciência e Tecnologia gere a atribuição de bolsas de doutoramento, em especial na área da ciência política e das relações internacionais.


Esta denúncia coloca em causa a isenção política e científica dos júris, o favorecimento face às suas escolas de origem bem como a promiscuidade entre júris, orientadores e instituições de investigação, que fere de morte o interesse nacional.


Por outro lado, e numa crítica que já havíamos ouvido noutras ocasiões, esta denúncia salientou "a forma arrogante e prepotente" como a FCT se relaciona com os seus bolseiros e candidatos a bolseiros, dando como exemplo a falta de resposta a diversas cartas enviadas por bolseiros, instituições e investigadores ao Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia.


A imutabilidade dos júris escolhidos consecutivamente para atribuição de bolsas e a forma "incoerente e displicente" como em anos diferentes classificam de forma bastante diferente os mesmos projectos, é outra das críticas feitas por este candidato a bolseiros de doutoramento.

 

Da análise dos dados apresentados pelo queixoso, destaca-se também o alegado favorecimento de algumas instituições, designadamente "a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa ou no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa," sempre que membros do júri são originários das mesmas prejudicando claramente os investigadores originários de outras não representadas no júri.


Samuel Paiva Pires acusa ainda a FCT de ter um modus operandi, no que diz respeito ao processo de atribuição das Bolsas de Doutoramento, "opaco, pouco transparente e demasiado moroso e prepotente." Levantando ainda a suspeita de grande parte do que passa por investigação científica em Portugal correr "o risco de não ter validade científica, por estar enviesado ideologicamente, politicamente ou em virtude de relações pessoais desconhecidas do público entre os membros do júri e os candidatos, já que muitos destes membros do júri são também orientadores de candidatos nas respectivas universidades."


Os deputados subscritores não podem deixar de dar o contraditório à tutela para poderem avaliar da necessidade de mudar o figurino legal e ou regulatório destes processos. Ao mesmo tempo, como o queixoso relata a falta de resposta da FCT às dúvidas colocadas, é também importante transmitir a posição da tutela sobre os factos.


Pelo exposto os Deputados subscritores colocam as seguintes questões:

 

1. Qual o critério para a escolha dos membros dos júris para aprovação de bolsas de doutoramento?

 

2. Quais os nomes e respectivas instituições de origem dos membros dos júris do grupo de ciência política e relações internacionais nos últimos 5 anos?

 

3. De que meios dispõe a FCT para verificar a isenção e correcção das decisões dos júris de aprovação das bolsas de doutoramento?

 

4. Que procedimento de fiscalização dispõe a FCT para verificar a correcta aplicação das verbas utilizadas pelos bolseiros de investigação?

 

5. Ordenou a tutela qualquer tipo de procedimento de auditoria interna ou sindicância aos serviços da FCT na sequência de várias denúncias vindas a público no que concerne à boa utilização das verbas de investigação bem como dos procedimentos dos júris de aprovação de bolsas de doutoramento?

 

6. Estará a FCT na disposição de renovar a composição dos júris de aprovação das bolsas de doutoramento, nas mais diversas áreas, mas em particular no grupo de Ciência Política e Relações Internacionais?

 

Leitura complementar: Denúncia Pública – Dinheiros públicos, favorecimentos e discriminação: a Fundação para a Ciência e TecnologiaAssociação Portuguesa de Sociologia perplexa com a Fundação para a Ciência e TecnologiaEntrevista a Samuel de Paiva Pires (não editada)"O presente roubado por um futuro prometido"Denúncia Pública sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia será relatada na Assembleia da RepúblicaÉ já esta Terça-feiraÀ procura de justiçaExposição proferida hoje na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República

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publicado às 01:53

No seguimento da denúncia pública que efectuei sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, dirigi à Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República um pedido de audiência para que possa expor a situação. Tendo obtido uma resposta positiva, informo que a audiência realizar-se-á no dia 5 de Fevereiro, Terça-feira, pelas 14h. Dado que se trata de uma audiência pública, quem desejar pode estar presente, aconselhando-se apenas que informe a Comissão através do endereço electrónico Comissao.8A-CECCXII@ar.parlamento.pt até ao dia 4 de Fevereiro.


Leitura complementar: Denúncia Pública – Dinheiros públicos, favorecimentos e discriminação: a Fundação para a Ciência e TecnologiaAssociação Portuguesa de Sociologia perplexa com a Fundação para a Ciência e TecnologiaEntrevista a Samuel de Paiva Pires (não editada)"O presente roubado por um futuro prometido"

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publicado às 17:08

Da série "Ironias dos tempos que vivemos"

por Samuel de Paiva Pires, em 27.12.12

É delicioso ver certos indivíduos que defendem Miguel Relvas e Passos Coelho a criticarem a falta de preparação académica de Artur Baptista da Silva ao mesmo tempo que criticam Nicolau Santos por ter caído na falácia da autoridade. A lógica é mesmo uma batata. E eu cada vez menos creio naquela muy liberal ideia de que a razão nasce da discussão. Do debate num espaço público caracterizado pela cacofonia, onde a discussão é quase sempre dominada por surdos que sofrem de hemiplegia moral, nas palavras de Ortega y Gasset, aos gritos uns com os outros, não pode surgir razão alguma. 

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publicado às 22:50

«O reitor alerta para o perigo futuro que representa a "incapacidade de recrutar novos professores", indicando que a média de idade dos docentes na UTL é de cerca de 50 anos.

Isso significa que, além de crescer o fosso etário entre alunos e professores, quando esta geração se reformar não haverá quem a substituta.

"É terrível", lamentou o reitor, frisando que não se "passa escola", ou seja, não há hipótese de "formar os novos docentes com os mais antigos" porque com as universidades manietadas com a falta de dinheiro, "não há oportunidades para a gente mais nova" e, além disso, "os melhores saem para o estrangeiro".»

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publicado às 19:31

Pelo saneamento básico nacional

por Samuel de Paiva Pires, em 14.10.12

 (imagem daqui)

 

Portugal está podre. E está podre não só pela acção dos carrascos da nossa autonomia nacional, como pela omissão de todos os restantes. Em especial, de todos aqueles envolvidos na academia e na política, pilares fundamentais de qualquer democracia saudável. Já nem falo da qualidade do sistema de ensino. Refiro-me apenas à generalidade dos indivíduos que em maior ou menor grau controlam verdadeiramente estes dois círculos. Há académicos e políticos "bons", isto é, que independentemente do seu trabalho, são genuinamente boas pessoas, íntegras e honestas? Há, mas geralmente não são actores relevantes no controlo dos respectivos sistemas em que actuam. Os que verdadeiramente controlam, na sua generalidade são medíocres e mal formados. Portugal transformou-se num imenso esgoto onde a putrefacção tornou o ambiente irrespirável. Mas isto aconteceu não só pela acção destes ignóbeis indivíduos, mas também pela omissão dos restantes, e por estes compactuarem, ou melhor, compactuarmos, com aquilo que muitos de nós sabem que acontece, que é injusto, que é errado, mas contra o qual ninguém diz nem faz nada - sabendo-se que quem por aí envereda normalmente acaba em maus lençóis. E porque compactuámos e compactuamos com estas coisas, era apenas lógico que se tornassem dominantes e normais na sociedade portuguesa. Perdeu-se completamente o sentido de justiça em Portugal. O país é um enorme esgoto de corrupção, que começa no Governo e na Assembleia da República, qualquer Governo e qualquer Assembleia da República, e perpassa todo o aparelho estatal, o funcionalismo público, as autarquias e as universidades. A democracia portuguesa não se vai reformar, não só porque aos controladores do regime não interessa que se reforme, mas também porque nem sob protectorado, em estado de necessidade, se conseguiu reformar, já que o memorando de entendimento com a troika não tem sido cumprido no que à reforma do estado diz respeito. A III República já morreu, mas o seu óbito ainda não foi declarado. O regime vai implodir, mais cedo ou mais tarde. A quem eventualmente leia isto, digo apenas que não só não estou em Portugal, como provavelmente não estarei quando o regime implodir. Mas quando isto acontecer, se os portugueses e portuguesas, homens e mulheres livres e de boa fé, quiserem regenerar Portugal através de um regime assente nos princípios da liberdade e da justiça, que não compactue com aquilo que apodreceu a III República, contem comigo, naquilo que possa ser a minha parca contribuição para um futuro mais digno para todos os portugueses que aquele que actualmente enfrentamos. Tenham bem presente apenas isto: não se conseguirá empreender tal projecto se os senhores feudais que controlam actualmente o país forem mantidos no poder, nas estruturas que já referi. Sem um saneamento básico nacional, esta empresa estará falhada à partida.

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publicado às 00:15

Quando a realidade supera o Inimigo Público

por Samuel de Paiva Pires, em 06.09.12

«Comissão Europeia quer mais licenciaturas como a de Relvas: A Comissão Europeia emitiu orientações para que os Estados-membros reforcem a aposta na certificação através do reconhecimento de competências. Por outras palavras, a Europa quer que a experiência possa ser traduzida num diploma universitário.»

 

Enfim, a UE e as suas preocupações habituais, levando à letra aqueles que dizem ter estudado na "Universidade da vida", continuando a atacar uma das instituições basilares do Ocidente. Recomenda-se a leitura de "The Idea of a University", de Michael Oakeshott:

 

«This, then, to the undergraduate, is the distinctive mark of a university; it is a place where he has the opportunity of education in conversation with his teachers, his fellows and himself, and where he is not encouraged to confuse education with training for a profession, with learning the tricks of a trade, with preparation for future particular service in Society or with the acquisition of a kind of moral and intellectual outfit to see him through life. Whenever an ulterior purpose of this sort makes its appearance, education (which is concerned with persons, not functions) steals out of the back door with noiseless steps. The pursuit of learning for the power it may bring has its roots in a covetous egoism which is no less egoistic or less covetous when it appears as a so-called “social purpose,” and with this a university has nothing to do. The form of its curriculum has no such design; and the manner of its teaching – teachers interested in the pupil himself, in what he his thinking, in the quality of his mind, in his immortal soul, and not in what sort of schoolmaster or administrator he can be made into – the manner of this teaching has no such intention.»

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publicado às 18:05

Carta de António Barreto à Direcção do Público

por Samuel de Paiva Pires, em 03.09.12

Via Corta-fitas:


«A História de Portugal, Rui Ramos e Manuel Loff

Por várias vezes, no decurso das últimas semanas, fui surpreendido por escritos alusivos à História de Portugal da autoria de Rui Ramos (coordenador), Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, publicada em 2009. A maior parte desses textos apareceram no PÚBLICO e o seu principal autor é Manuel Loff. Sei bem que a liberdade de expressão não pode ser limitada de ânimo leve, nem sequer pela qualidade. Mas é sempre triste ver que a inteligência, o rigor e a decência têm por vezes de ceder perante essa liberdade última que é a de publicar o que se pensa.

Quando tive a honra de apresentar o livro, na Sociedade de Geografia, anunciei o que para mim era um momento histórico. Com efeito, esta História de Portugal quebrava finalmente o duopólio fanático estabelecido há muito entre as Histórias ditas "da esquerda" e da "direita". 

As várias formas de "nacionalismo" e de "marxismo" e respectivas variantes tinham dominado a disciplina durante décadas. Apesar de algumas contribuições magistrais (e a de José Mattoso é das principais), ainda não se tinha escrito uma História global, compacta e homogénea que rompesse com a alternativa dogmática, que viesse até aos nossos dias e que, especialmente para o século XX, "normalizasse" a interpretação da 1.ª República e do Estado Novo. Ambos estavam, mais do que qualquer outro período, submetidos à tenaz de ferro das crenças religiosas e ideológicas e ao ferrete das tribos.

Com esta História, estamos longe daquela tradição que cultiva e identifica inimigos na História. Agora, deixa de haver intrusos e parêntesis. Os regimes políticos modernos e contemporâneos, de Pombal à Democracia, passando pelos Liberais, pelos Miguelistas, pela República e pelo Salazarismo, eram finalmente tratados com igual serenidade académica, sem ajustes de contas. 

Um dos feitos desta História consiste na "normalização" do século XX, marcado por rupturas e exibindo feridas profundas. Por isso me curvava diante dos seus autores, homenageando a obra que ajuda os portugueses a libertarem-se de fantasmas. Mas, sinceramente, já não esperava que ainda houvesse demónios capazes de despertar o pior da cultura portuguesa.» 


Leitura complementar: Sobre a polémica Loff-Ramos

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publicado às 21:03

Sobre a polémica Loff-Ramos

por Samuel de Paiva Pires, em 23.08.12

Aplaudindo a cordata resposta de Rui Ramos, subscrevendo o Miguel Castelo-Branco e o João Gonçalves, e não me surpreendendo com o relatado por António Araújo, o que fica à vista de todos, mais uma vez, é a confrangedora indigência intelectual de grande parte da academia e intelligentsia portuguesas, que revelam à saciedade como é difícil discutir ideias em Portugal. Qualquer relação entre isto e o predomínio cultural e intelectual da esquerda deve ser mera coincidência.

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publicado às 13:02

Roger Scruton em Lisboa

por Samuel de Paiva Pires, em 18.06.12

Conforme aqui divulguei, Roger Scruton esteve hoje em Lisboa, numa conferência na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde se debruçou essencialmente sobre a temática do estado-nação como resposta para as crises que vamos vivendo, não deixando de criticar as falhas evidentes do processo de integração europeia.

 

Dando desde já os parabéns aos organizadores por trazerem ao nosso país um dos maiores e mais conhecidos filósofos contemporâneos, impõe-se salientar que, se por um lado foi agradável o tom informal e quase intimista de Scruton ao deparar-se com uma simples sala de aula onde não estavam mais de 15 a 20 pessoas, entre as quais alguns conhecidos bloggers e jovens académicos, o que tornou o ambiente ainda mais agradável e permitiu que as mesmas pessoas colocassem várias perguntas, por outro, parece-me que houve uma certa falta de organização, divulgação e dignidade de tratamento.

 

Não vi a conferência divulgada em mais lado algum a não ser no Facebook da Quetzal, no site da FCSH encontra-se apenas uma breve referência na agenda/calendário, e fiquei surpreendido por o evento decorrer numa sala de aula e não num auditório, na qual não se encontrava um único estudante, e do corpo docente estariam apenas 4 ou 5 pessoas. Não sei se é habitual que a FCSH trate assim convidados deste calibre, e claro que o facto de ser uma universidade marcadamente esquerdista talvez possa ajudar a explicar isto. Mas, na verdade, parece-me que qualquer universidade portuguesa deve ter noção que quando convida alguém como Scruton, se não causar uma boa impressão, dificilmente a pessoa em causa volta a aceitar outro convite para vir ao nosso país. O mínimo que se pede é que o evento seja bem divulgado, que tenha lugar num auditório e que a universidade faça os possíveis para que a sala seja maioritariamente composta por estudantes. Foi assim há uns meses no ICS, quando Quentin Skinner deu uma memóravel palestra. Estou em crer que no ICS, no ISCSP ou na Católica, Scruton teria sido tratado com a dignidade que merece.

 

Contudo, saliento, os organizadores estão de parabéns por terem trazido o filósofo britânico a Portugal, onde não vinha há já 30 anos. Da minha parte, não só valeu a pena pela possibilidade de ver, ouvir e interagir com uma lenda viva da filosofia, como também pelo autógrafo abaixo.

 

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publicado às 23:00






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