Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Eduardo Lourenço, "Nacionalistas e estrangeirados", in Heterodoxias:
«António Sérgio age, paradoxalmente, como um superpatriota. A certos respeitos, e por mais estranho que pareça, a sua atitude tem pontos de contacto com a do racionalista místico, mas também nacionalista místico que foi Fernando Pessoa. Só que Pessoa levou a abstracção, ou o sonho, mais longe que Sérgio. No fundo, Sérgio queria descobrir uma nova Índia como Pessoa, desejava um Portugal digno dessa nova descoberta como o de Quinhentos que é o objecto supremo dos seus desvelos, ele que era da Índia e Pessoa de parte nenhuma. Sérgio e Pessoa são também, como quase todos nós, herdeiros da Geração de 70, das suas visões pessimistas e hiperpatrióticas virando-as do avesso, convertidas em ironia ou sarcasmo para se vingeram da nossa imagem do presente português de que se envergonham ou os envergonha. Só para Sérgio a imagem ideal da nossa cultura existia como imagem exemplar europeia, da Europa da revolução científica atrás da qual corremos em vão, enquanto para Pessoa essa mesma Europa era também reino cadaveroso a redimir por um Portugal, futuro das nações como para Agostinho da Silva, um Portugal cuja existência histórica orgânica (não poluída pela sobrevivência ao outro) finara em Alcácer.»

Obra organizada por Paulo Neves da Silva.
Criador - "O criador é uma espécie de monstro em que há o homem e o outro; quem desanima, quem se abate, quem chora, é o homem: o outro, se é grande, até os desesperos utiliza. O essencial é que nunca o homem traia o artista, que a troco de uma felicidade que tanta gente tem se perca a obra que ninguém mais poderia realizar" (p. 21).
Felicidade - "Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação" (p. 29).
Amor-próprio - "O que é preciso para uma pessoa gostar dela própria é que ela faça o favor de fazer quanto a si tudo o que é preciso fazer para a partir de determinada altura se esquecer completamente daquilo que é ou daquilo que precisa. Se a pessoa não fez consigo tudo quanto achava que seria necessário fazer para se esquecer de si mesmo, está errada. Então deve ser egoísta até esse ponto. A pessoa só deve poder deixar de ser egoísta quando olhar para o espelho e nunca vir a cara própria, e ver qualquer outra coisa no dito espelho, em vez de si própria. Enquanto se vir a si própria, está errada e precisa de ser egoísta" (p.76).

que o João me leva até sítios bem frequentados.Desta feita, foi também pela mão do caro confrade que cheguei até ao A Conspiração das Teorias. E vim satisfeita com o que vi, após uma leitura ainda um bocado transversal, mas já concludente.
E logo deparei com um texto de Agostinho da Silva que de imediato me fez pensar no Miguel: Os portugueses emigrados são os que se ficaram.