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António Costa: it´s lonely at the top

por John Wolf, em 15.05.15

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António Costa dá conta das encomendas sozinho. Não precisa de ajuda nem precisará. Mas lentamente o seu discurso alterar-se-á. Uma vez que vai perdendo pontos na secretaria das sondagens, há-de de chegar ao ponto de rebuçado em que terá de decidir agarrar-se ao tronco central do poder. Ou seja, encarar de frente a grande possibilidade de não poder ser o déspota a solo, o absolutista de legislativas, o vencedor incontestável das eleições que se seguem. O Partido Socialista ainda não percebeu pelo menos duas coisas; a ideologia já não é o que era - a Esquerda e a Direito não se distinguem como dantes acontecia -, e Portugal já percebeu que os socialistas não conseguem oferecer um projecto credível, distinto, uma verdadeira alternativa. Qualquer tentativa de syrização da posição de Portugal não trará bons resultados no plano interno e externo - veja-se o que acontece na Grécia com posições extremadas de Alexis Tsipras que se sustentam numa mão cheia de nada. Os portugueses já não vão em cantigas. Essa época áurea de confiança acrescida acabou. António Costa é um homem de tudo ou nada. E isso já não se usa. Mais valia emprestar a ideia de partilha com o Bloco de Esquerda ou a Coligação Democrática Unitária. Mas esses não querem nada com ele. Life is lonely at the top.

publicado às 18:44

Troika, please stay!

por John Wolf, em 22.04.14

Não sei que figura de estilo devemos escolher para explicar o significado da expressão "última avaliação da Troika". Não sei se se trata de um pleonasmo, de um eufemismo ou de uma sátira mais próxima da tragédia do que da comédia. A Troika pode ir embora, mas as avaliações são eternas. Os mercados que não arredam pé nem dormem, continuarão a exercer pressão sobre a economia nacional. Para todos os efeitos, Portugal ficará sob observação durante um período muito prolongado - décadas. De nada serve fazer publicidade à partida dos "malfeitores" estrangeiros se os "benfeitores" nacionais tardam em realizar as reformas estruturais apontadas como estando em falta pela entidade que assentou arraial em Portugal. No entanto, a estadia da Troika é coisa boa para o governo. Os argumentos apresentados pela mesma nunca seriam apresentados pela oposição liderada por Seguro. Se o secretário-geral do PS fosse intelectualmente honesto deixava-se do choradinho respeitante ao encolher do estado social e ao desaparecimento da função pública. A situação económica e social obriga os estrategas a congeminar um novo modelo de intervenção, um modo que equilibra a prestação social e a contribuição do sector privado. E esse conceito não entra na cabeça dos socialistas que ainda pensam à moda antiga. Os avaliadores da Troika não se limitam a observar. Propõem soluções e indicam medidas - muito mais do que a triste hoste de socialistas é capaz de fazer. A oposição em Portugal não passa disso. Reage, esperneia, grita e chora, mas não consegue apresentar uma alternativa de jeito. Os socialistas deveriam pedir à Troika para permanecer, e em especial se chegarem ao poder. Porque, se e quando lá chegarem, tiverem de apresentar a segunda edição de austeridade, desse modo sempre podem atribuir a culpa à Troika. Sem Troikas na casa não podem dizer que foram os outros que assaltaram a casa.

publicado às 09:32

Vai lá vai. De um lado temos um senhor que quer ser adulto - maior e vacinado -, e do outro, uma criança. Tudo somado não chega a ser uma família. E estes "elementos" parecem estar com o gás todo para servir Portugal, e, com alguma sorte, serão os portugueses que os terão de gramar nos anos políticos que se seguem. Mas vamos por partes. António José Seguro está mesmo a rumar ao futuro e João Almeida já está em idade de admitir. Não sei o que pensam disto tudo, mas eu tenho dúvidas que políticos com este perfil possam resgatar Portugal do fundo do Passo, perdão, do poço em que se encontra. Serão políticos deste calibre com que sonhamos para readmitir uma economia sã e repor o equilíbrio da função social do Estado? São este os eleitos para nos salvar? Será que são mesmo os primeiros (ou segundos) de entre os seus pares? É isto que sai dos viveiros socialistas ou da estufa do CDS? E para além do seu convencimento, da sua própria vontade ou inclinação natural, não é que lhes estendem a passadeira, que lhes facilitaram a vida. Vejam bem onde eles estão e para onde desejam ir. Desde os últimos rumores presidenciais Seguro sente que pode lá chegar. Pelos vistos parece que a faixa socialista ficará desobstruída com a putativa candidatura de António Costa a Belém. E isto é um bom exemplo da importância de Seguro. Geralmente o secretário-geral faz capa de jornal quando os outros se mexem e ele abana, e não o oposto. Já chega. Basta. Temos andado neste ramram há demasiado tempo. Nos últimos dois anos da contenda, Seguro não passa de uma falsa ameaça. Protesta, reclama, diz que não, e volta a dizer que não, mas ainda não se conhece a "sua" alternativa, o seu programa, a sua espinha dorsal política. Diz ele que agora é que é altura de apresentar as propostas do PS. Está a gozar? Há pelo menos uma bienal que ele devia ter mostrado a barba rija da maioridade, da maturidade, mas não passa de um recém-encartado que ainda não tem viatura e mal conhece a estrada. Quanto ao jovem do Belenenses, é certo que foi lesto a adoptar o estilo casual conservative do mentor. Mas não havia necessidade de tanta emulação. Ao terceiro botão aberto avista-se a penugem peitoral e deixa de ser elegante. Sim, estão lá mais uns tiques aprendidos ao longo dos anos de puberdade. De qualquer maneira o rapaz também não tem pernas para andar. É bem falante, não se engasga, mas vive nessa relação de desequilíbrio, nessa falsa simbiose com o chefe, que só pode dar para o torto se este for posto em causa por candidaturas que começam a ganhar forma. Sem o consentimento do chefe não vislumbro grande futuro político para o aspirante, por isso agora aparece todo catita a admitir uma possível aliança com o PSD em 2015. Mas, pela conversa, parece que não fala em nome do partido - soa mais a salvamento preventivo da sua própria pele, um programa cautelar individual. Não admira, portanto, que Portugal esteja deprimido. Não parece haver quem possa governar o país em absoluto ou de um modo relativo (em coligação). Os pergaminhos políticos que por aí circulam parecem não ser suficientes. Depois queixam-se que Portugal não tem heróis. Que existe um patamar de qualidade que não será atingido em vida, quanto mais em morte. Estes homens foram escolhidos, se não por si, por outros semelhantes. E isso é trágico.

publicado às 14:57

Seguro: o candidato ao emprego

por John Wolf, em 20.01.13


Assisti à entrevista do candidato ao emprego, António José Seguro, com vários sentimentos e pensamentos a assolar-me o espírito. A minha opinião, contudo, de pouco vale. Não serei obrigado a votar, por não ter a nacionalidade Portuguesa, mas que não signifique isso que o futuro dos Portugueses não me é querido. Bem pelo contrário. Preocupo-me imenso com a gravidade da situação e é aqui que travo a minha humilde luta. Mas ainda bem que não serei obrigado a eleger quem quer que seja. Entendo o desespero respeitante à ausência de alternativa. Faço o esforço para espremer alguma coisa de valor deste estagiário que justifique a sua promoção na carreira, mas nada encontro. Começemos com a aura, o semblante que também tem de fazer parte do perfil de um líder. O homem não tem vida política por detrás dos olhos, esse brilho que faz transparecer esperança. O erro de casting é brutal. O Seguro é o colega de licéu que todos tivémos, na primeira fila e com o ar de estar a aprontar alguma. Aquele tipo de miúdo marrão, mas não necessariamente inteligente e que não partilha os trabalhos de casa com o colega preguiçoso. O preferido da professora por não causar alarido. O miúdo arrumadinho que nunca fez gazeta às aulas e que tinha um dos primeiros computador Spectrum em casa, mas que não partilhou esse facto com os amigos para ser melhor que esses pobres coitados. Este homem nem sequer é simpático. É o tipo de conviva que não se embebeda, mas que sabe umas anedotas. Este político não serve. Repete uns chavões que foi coleccionando como selos e quer trocá-los por uma caderneta maior. Fala sobre as promessas que não faz enquanto jura a pés juntos. Este homem político nem sequer tem carisma negativo para vender. O magnetismo que exulta grandes paixões. Custa-me vê-lo a mudar de tom, como um pré-primeiro que acha que já são favas contadas. Que São Bento já está no papo, que é só uma questão de tempo. Como podem constatar nem sequer foi necessário meter-me com o candidato por causa das suas noções de governação, porque não as tem. O Seguro não tem sequer um portefólio de propostas que mereça ser chamado por esse nome. Não tem ideias seja de que natureza forem. É Pavlov em pessoa. Reage a estímulos e recebe um biscoito. Eleger um líder com este perfil eterniza um dos problemas crónicos de Portugal - a promoção de indivíduos ao seu mais alto nível de incompetência. Não sei se serve de consolo, mas estes candidatos também existem noutros países e por vezes chegam longe. No meu entender, é um mistério (ou não) que o PS o tenha escolhido como primeira rosa. Por vezes julgo que o melhor é nem sequer aparecer quando os requisítos mínimos nem sequer são cumpridos. Se tivesse de ajuizar sobre a sua contratação, a minha resposta seria negativa. A entrevista diz tudo.

publicado às 09:17

Portugal não tem alternativa

por John Wolf, em 12.01.13

 

Portugal encontra-se entre a espada e a parede. Não me refiro aos constrangimentos resultantes da aplicação à letra do imposto pela Troika - a tragédia que representa a austeridade cega. Uma convicção psicótica, irredutível e indisponível para um debate construtivo que levante a economia e as gentes deste país. Refiro-me à inexistência de uma alternativa ao governo de Passos Coelho. Se um chumbo do Tribunal Constitucional determinasse na cabeça iluminada do Presidente da Républica, a dissolução do Governo e convocação de eleições, seriam os mesmos actores ou alguns aspirantes a procurar as cadeiras do poder. As carinhas larocas nascidas no PS, são infantis e encontram-se em estágio para jogarem pelo Seguro. O PSD não precisa de explicações adicionais. Está à vista de todos a distância verificada entre a promessa e a realidade - os actos governativos falam por si e estão inscritos num cadastro lembrado diariamente pelo povo. Não irei mencionar as outras forças políticas, porque padecem dos mesmos males e comportamentos. E há um aspecto curioso, a negação categórica do positivismo, das leis da ciência, da matemática. A negação do actual governo significaria a cedência do seu lugar a uma farsa, um pregador que fará exactamente o mesmo que o seu antecessor havia feito. O Seguro, se lá chegar, fará precisamente o mesmo que Passos Coelho. Não tenham ilusões. Não há nada que ele possa inventar que possa contrariar o rumo dos acontecimentos à luz das premissas do memorando e das receitas do FMI. Deste modo, trata-se de uma negação que dará azo a outra negação. Contudo, esta dupla negação não serve de alquimia para algo positivo. Por isso, reafirmo - não há alternativa na presente configuração do panorama político nacional. Por quem esperam? Que um Zorrinho seja um bom Relvas. Basta imaginarmos as possibilidades. Os putativos membros de uma nova equipa governativa são farinha do mesmo saco. Não são nem nunca foram estadistas. Foram passageiros de um serviço ocasional. Embarcaram no Estado e na função política, mas poderiam ter ingressado noutra camioneta. Portugal, lamentavelmente, vive sob o espectro de uma força única, de um cetro pouco soberano. O partido da Troika eleito pelo Governo do PS, e cujo programa está a ser implementado pelo PSD/CDS é a prova que a alternativa foi assaltada com a ajuda de colaboradores internos. A haver um entendimento firme do que está em causa, estariamos na presença de duas forças políticas. Um Partido de Portugal para se digladiar com o Partido da Troika, proveniente de um magistério externo, eleito por outros constituintes. E isto remete-me para a linha final desta equação. Se houvesse genuíno interesse em defender as causas nacionais, assistiríamos a uma fusão entre todas forças políticas nacionais. Não teriamos guerrinhas e fait-divers a distrair-nos. Seriamos contemplados com gente em busca de soluções desprovidas de carga ideológica ou partidária. Contudo, assistimos ao culto da diferença e da identidade própria, e no meio dessa veleidade quem perde é Portugal. 

publicado às 15:36






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