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O anarco-capitalismo contraria o liberalismo clássico

por Samuel de Paiva Pires, em 15.09.16

O título deste post está errado. Deveria ser "Why Hayek and Not Mises". Em primeiro lugar, porque ao contrário do que Mises pensava, a propriedade privada não é suficiente, per se, para definir o liberalismo e o conceito de liberdade - se o fosse, o liberalismo não seria uma teoria política. E porque o anarco-capitalista Hans-Hermann Hoppe compila uma série de citações de Hayek com o intuito de mostrar que este era um social-democrata moderado, acabando, na verdade, por mostrar que Hayek era um liberal clássico que compreendia que a liberdade não pode ser apenas encarada na sua dimensão negativa, devendo ser combinada com a dimensão positiva, que é algo que está na base do Estado contemporâneo nas sociedades ocidentais. Ou seja, Hayek era um realista, ao passo que Rothbard, Hoppe e a restante trupe anarco-capitalista viveram ou continuam a viver no seu mundinho ideal da utopia libertária.

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publicado às 22:04

Ler o Rui A.

por Samuel de Paiva Pires, em 10.02.13

Barriga cheia, cabeça vazia

 

Brasil, 1970

 

Aos passarinhos

 

A transformação de um anarco-capitalista

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publicado às 14:43

Sobre o anarco-capitalismo

por Samuel de Paiva Pires, em 26.11.12

Rui A., Sem tirar nem pôr:

 

«O liberalismo contemporâneo, sobretudo na sua corrente ancap, actualmente dominante nos think tank liberais, declarou guerra ao estado, ao governo, ao poder público, por outras palavras, à política, sem, contudo, se esforçar por os tentar compreender. Limita-se a demonstrar a superioridade moral da liberdade individual face ao poder público e a natural eficiência do mercado perante o fracasso das economias intervencionadas e planificadas, e ignora completamente as razões pelas quais a política e a soberania são uma constante das sociedades humanas. Não estuda nem tenta compreender o que são a vontade de poder, por um lado, e o desejo de protecção e de tutela pública, por outro. Contesta o estado, as suas ineficiências e os seus abusos, mas é incapaz de explicar por que razão o encontramos, sob as mais diversas formas, em todas as sociedades humanas. «Explicar» o fenómeno como Rothbard o fez no The Ethics of Liberty, dizendo que os estados modernos foram fundados por bandos de saqueadores e bandidos é arrumar o problema com um erro histórico, por ignorar as razões comunitárias e identitárias que estiveram na génese de quase todos eles, mas também uma forma grosseira de olhar para o poder e para as relações de soberania, que são muito anteriores à eclosão dos estados com a configuração dominante que hoje lhes conhecemos e a que Rothbard se referia. Demonstrar que os direitos de propriedade devem prevalecer sobre todos os demais, não serve para explicar por que razão muita gente não se importa de prescindir de parte do que lhe pertence, ou poderia vir a pertencer numa sociedade de mercado livre, em favor de quem lhe promete segurança, prosperidade e paz. Mesmo em momentos de completa ruptura com um modo de vida feito à sombra do estado, como sucede actualmente em Portugal, no qual os sucessivos governos confessam uma completa incompetência para cumprir os seus fins mais elementares, continuam a ouvir-se, um pouco por todo o lado, insistentes apelos ao estado, para que resolva os problemas que ele próprio gerou. A isto, o que tem dito e respondido o liberalismo actual? Nada.

.

Não responde nada, mas entretém-se a declarar guerra ao mundo em que vivemos e que, em boa medida, foi herdeiro de algumas das suas melhores tradições. O constitucionalismo oitocentista, a quem todos ficamos a dever uma imensidão de direitos individuais e de cidadania, é relegado para o plano das inutilidades e, mesmo até, das perversões (Huerta de Soto foi o último a aderir à moda…). A democracia é um mal a evitar. O reconhecimento da evidência da existência do estado e as consequentes tentativas de contenção do seu poder são um insulto minarquista à liberdade e à propriedade..
.
Num comentário a um post meu no Blasfémias, de algumas semanas atrás, o meu amigo José Manuel Moreira, um dos poucos liberais verdadeiramente clássicos que ainda vou conhecendo, escreveu que «o verdadeiramente grave para o Liberalismo do nosso tempo é o seu apoliticismo, o não se perceber que a liberdade económica significa muito pouco sem a política.». E´ isto mesmo, sem tirar nem pôr.»

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publicado às 02:07

O liberalismo clássico não é anarquismo

por Samuel de Paiva Pires, em 19.03.12

No seguimento do meu post de ontem, e das discussões geradas na caixa de comentários daquele e de um post do André Azevedo Alves em referência ao meu (que muito agradeço) n'O Insurgente, deixo à apreciação algumas passagens de Liberalism in the Classical Tradition, de Ludwig von Mises:

 

 

«There is, to be sure, a sect that believes that one could quite safely dispense with every form of compulsion and base society entirely on the voluntary observance of the moral code. The anarchists consider state, law, and government as superfluous institutions in a social order that would really serve the good of all, and not just the special interests of a privileged few. Only because the present social order is based on private ownership of the means of production is it necessary to resort to compulsion and coercion in its defense. If private property were abolished, then everyone, without exception, would spontaneously observe the rules demanded by social cooperation.

 

It has already been pointed out that this doctrine is mistaken in so far as it concerns the character of private ownership of the means of production. But even apart from this, it is altogether untenable. The anarchist, rightly enough, does not deny that every form of human cooperation in a society based on the division of labor demands the observance of some rules of conduct that are not always agreeable to the individual, since they impose on him a sacrifice, only temporary, it is true, but, for all that, at least for the moment, painful. But the anarchist is mistaken in assuming that everyone, without exception, will be willing to observe these rules voluntarily. There are dyspeptics who, though they know very well that indulgence in a certain food will, after a short time, cause them severe, even scarcely bearable pains, are nevertheless unable to forgo the enjoyment of the delectable dish. Now the interrelationships of life in society are not as easy to trace as the physiological effects of a food, nor do the consequences follow so quickly and, above all, so palpably for the evildoer. Can it, then, be assumed, without falling completely into absurdity, that, in spite of all this, every individual in an anarchist society will have greater foresight and will power than a gluttonous dyspeptic? In an anarchist society is the possibility entirely to be excluded that someone may negligently throw away a lighted match and start a fire or, in a fit of anger, jealousy, or revenge, inflict injury on his fellow man? Anarchism misunderstands the real nature of man. It would be practicable only in a world of angels and saints.

 

Liberalism is not anarchism, nor has it anything whatsoever to do with anarchism. The liberal understands quite clearly that without resort to compulsion, the existence of society would be endangered and that behind the rules of conduct whose observance is necessary to assure peaceful human cooperation must stand the threat of force if the whole edifice of society is not to be continually at the mercy of any one of its members. One must be in a position to compel the person who will not respect the lives, health, personal freedom, or private property of others to acquiesce in the rules of life in society. This is the function that the liberal doctrine assigns to the state: the protection of property, liberty, and peace.

 

(…)

 

It is incorrect to represent the attitude of liberalism toward the state by saying that it wishes to restrict the latter's sphere of possible activity or that it abhors, in principle, all activity on the part of the state in relation to economic life. Such an interpretation is altogether out of the question. The stand that liberalism takes in regard to the problem of the function of the state is the necessary consequence of its advocacy of private ownership of the means of production. If one is in favor of the latter, one cannot, of course, also be in favor of communal ownership of the means of production, i.e., of placing them at the disposition of the government rather than of individual owners. Thus, the advocacy of private ownership of the means of production already implies a very severe circumscription of the functions assigned to the state.

 

The socialists are sometimes wont to reproach liberalism with a lack of consistency, It is, they maintain, illogical to restrict the activity of the state in the economic sphere exclusively to the protection of property. It is difficult to see why, if the state is not to remain completely neutral, its intervention has to be limited to protecting the rights of property owners. This reproach would be justified only if the opposition of liberalism to all governmental activity in the economic sphere going beyond the protection of property stemmed from an aversion in principle against any activity on the part of the state. But that is by no means the case. The reason why liberalism opposes a further extension of the sphere of governmental activity is precisely that this would, in effect, abolish private ownership of the means of production. And in private property the liberal sees the principle most suitable for the organization of man's life in society.

 

Liberalism is therefore far from disputing the necessity of a machinery of state, a system of law, and a government. It is a grave misunderstanding to associate it in any way with the idea of anarchism. For the liberal, the state is an absolute necessity, since the most important tasks are incumbent upon it: the protection not only of private property, but also of peace, for in the absence of the latter the full benefits of private property cannot be reaped.»

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publicado às 13:00






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