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Após a decisão do colectivo de juízes sobre o prisioneiro 44 com base nos fortes indícios de culpabilidade do ex-PM, estranha-se a total ausência de reacções por parte de responsáveis do PS, por parte de ex-ministros do seu governo, de pessoas que trabalharam com ele ou de outros com responsabilidades políticas. Não há um. UM!
Sei lá, uma a manifestação de vontade de que seja feita justiça, um reafirmar do "à politica o que é da política patata patati..." sem quaisquer ambiguidades, a defesa da honra de um governo, ou de um partido, ou de alguém que não quer que pairem sombras sobre a sua respeitabilidade. Zero.
Compreende-se o choque do PS, perante o apertar do cerco a José Sócrates, não se compreende a apoplexia, a ausência de damage control ou o assobiar para o alto.
O PS não há meio de descolar do PSD mas parece-me que a continuar com a cabeça enfiada na areia vai finalmente descolar... no sentido descendente... em prol dos auto-proclamados irmãos do Syrisa, claro.
Os socretinos abrantes corporativos (pagos pelo erário público, note-se) decidiram, agora, armar-se em sociólogos. Vai daí produziram esta bela prosa que dá vontade de regurgitar e envergonha qualquer cientista social ou político digno dessa qualificação. O autismo e seguidismo fazem escola neste mesquinho e provinciano cantinho da velha e enferma Europa.
Em especial, à atenção do Sr. Dr. Duarte Cordeiro, Secretário Geral da Juventude Socialista:
Constituição da República Portuguesa, edição Almedina, 2006:
Art.º 155.º - Exercício da função de Deputado
1. Os Deputados exercem livremente o seu mandato, sendo-lhes garantidas condições adequadas ao eficaz exercício das suas funções, designadamente ao indispensável contacto com os cidadãos eleitores e à sua informação regular.
Só para que conste e fique registado que o Sr. Dr. Duarte Cordeiro, que se prestou a fazer campanha eleitoral numa conferência organizada no ISCSP subordinada ao tema das Juventudes Partidárias, talvez não tenha lido este pequeno artigo da Constituição, e deve ser por isso que considera furar a disciplina partidária um "acto de insubordinação".
Já agora, em minha opinião, é ridículo falar-se em democracia quando existe disciplina partidária. Acho que as pessoas finalmente começam a aperceber-se desta incongruência. Neste aspecto particular, devo dizer que democracia há nos Estados Unidos da América ou no Reino Unido, não aqui. Dizer que a Assembleia da República é democrática havendo disciplina de voto é uma incongruência e uma desonestidade intelectual do ponto de vista da teoria política da democracia liberal.
Continuando, relativamente ao Sr. Dr. Duarte Cordeiro, só alguém com uma grande escola de jotinha, em todo o esplendor negativo da expressão, pode realmente afirmar que "ao Bloco de Esquerda dá muito jeito que os jovens concordem sempre com o Partido", visto que o BE não tem estrutura formal como as outras juventudes partidárias. Ainda tentei explicar, mas duvido que o Sr. Dr. tenha entendido que não havendo estruturas formais, os jovens fazem parte do próprio partido, logo os outputs finais em termos de decisões e efeitos políticos já têm uma carga formal e substancial que deriva da sua participação no jogo social interno do partido, ao contrário das juventudes partidárias que tal como o representante do BE referiu, servem muitas vezes como face moderna de estruturas mais conservadoras e não contribuem directamente para o processo político interno do próprio Partido. Aliás, o mais das vezes têm é que se subjugar ao que o partido ordene, mesmo que seja contra o aparente interesse ou posição do partido em termos eleitorais, o que acaba por servir frequentemente os interesses latentes, a tal agenda desconhecida do grande público.
Continuo com a mesma ideia, não deveriam existir juventudes partidárias e entendo que a melhor forma será a do Bloco de Esquerda, não tendo uma estrutura formal de jovens. Assim realmente todos são tratados por igual, e todos os cidadãos maiores de 18 anos (essa é outra, acho que ninguém com menos de 18 anos se deveria poder filiar em qualquer partido ou juventude partidária) podem intervir activamente na vida de um partido.
Resta-me continuar a constatar o crescente autismo mesmo daqueles que vão suceder aos autistas de serviço, nesse constante divórcio das juventudes partidárias em relação aos jovens e à realidade (expressão de um outro colega na conferência). É por isso que quando o Presidente da República chama a Belém os líderes das juventudes partidárias para tentar entender porque é que os jovens estão afastados da política, não está sequer a raspar a mais pequena lasca da rocha que constitui tal problema. É contraproducente chamar as associações que em grande parte são as principais responsáveis por esse afastamento, ainda que as juventudes partidárias não esgotem o activismo político. Pior ainda, passa completamente ao lado do problema quando não chama o Bloco de Esquerda, o único partido que ao não ter estrutura formal de juventude partidária, tendo ainda uma mensagem apelativa aos jovens, sabe naturalmente o que fazer a este respeito.