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Vamos lá devagarinho e por partes:
1 - Um dos principais argumentos dos opositores do salário mínimo per se ou de aumentos no seu valor acima do valor de equilíbrio é o de que este provoca um aumento do desemprego por impedir que indivíduos trabalhem abaixo de um determinado valor (ver por exemplo este post ou aquele).
2 - Estamos aqui perante duas questões: a) a existência de um salário mínimo e b) aumento do valor deste provoca desemprego.
3 - Normalmente quem defende a inexistência de um salário mínimo defende também que se verifica o efeito patente em b).
4 - Pode a defesa da eliminação do salário mínimo ser mais explícita ou implícita, mas a verdade é que se encontra subjacente ao pensamento de muitos.
5 - A hipótese contrária é a de que a diminuição do valor do salário mínimo ou a sua eliminação reduz o desemprego.
6 - Eu apenas tornei manifesta uma hipótese latente, implícita, e limitei-me a verificar, atendendo exclusivamente a estas variáveis e à alegada relação entre elas, não aventadas por mim mas por outros, se a hipótese se confirmaria na realidade nos diversos países onde não existe salário mínimo.
7 - Claro que a realidade é muito mais complexa, que cada caso é um caso e que há milhares de outras variáveis que influenciam os resultados em causa, muito provavelmente existindo países onde as variáveis estão correlacionadas e outros onde não estão. Mas é precisamente por isto que o post infeliz e deselegante do Carlos Guimarães Pinto falha o alvo e atinge precisamente os que ele não gostaria de atingir. É que se quer criticar alguém, deveria começar por aqueles que têm o pensamento simplista que eu evidenciei e utilizei para mostrar como, pegando nas palavras da conclusão do post do Carlos, incorrem numa burrice de todo o tamanho. Mas como fazem parte da tribo e partilham das mesmas crenças dogmáticas, o Carlos não o faz.