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O declínio da União Europeia

por Samuel de Paiva Pires, em 01.09.15

Bernardo Pires de Lima, Um "furo" na agenda:

É sempre lesta a reunir aos domingos sobre a moeda única, fomentar maratonas negociais para vergar parceiros ou ter governantes a fazer figuras tristes no Twitter, mas não consegue arranjar umas horas para, em conjunto, discutir medidas urgentes que salvem vidas e salvaguardem Schengen. É triste, mas não surpreendente, assistir ao desaparecimento em combate do senhor Juncker, ouvir o Durão Barroso-analista fingir que o Durão Barroso-político nunca existiu, ver alguns países de Leste comportarem-se com a amnésia própria dos ingratos da história, ter políticos moderados com medo das franjas, hoje residuais, amanhã maciças, e um Parlamento Europeu com força prática inversa à que lhe atribuem os tratados. E é angustiante, mas também não surpreendente, ver cair a mitologia da UE como "potência normativa" ou "exemplar" para terceiros.

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publicado às 10:16

Negócios com caracóis, coiratos e canecas

por Nuno Castelo-Branco, em 22.06.14

Convidado para o televisivo substituto de degustação de caracóis, coiratos e canecas de cerveja, Bernardo Pires de Lima esteve no Eixo do Mal. Além dos sempre transcendentes e edificantes temas da ainda insucessiva sucessão no PS e do regalado aperto salgado no BES, o docente abordou ao de leve a situação em Espanha.

 

Entre os senhores do poder em Portugal, existem aqueles que embora não possam reconhecê-lo de forma politicamente correcta,nem por isso deixam de  pertencer às hostes da plutocracia pura e dura, vulgarmente disfarçada de liberal. Enfileiram-se normalmente entre os mais ferozes opositores de qualquer possibilidade de re-instauração daquela forma de representação do Estado que fez e consolidou Portugal ao longo de oito séculos. Dado tudo aquilo que temos observado no nosso país, entendemos facilmente a sua oposição à possibilidade de um cercear de uma importante parcela do exercício do poder total. Compreende-se, pois a presidência da República é um assunto exclusivo da oligarquia financeira que dita sobre os ombros dos seus súbditos da política. Quanto a este aspecto da ainda existente dicotomia Monarquia-República, batem os próprios comunistas quanto à aversão que a tradição representa. São assim os companheiros dilectos de outros convivas do banquete proporcionado pelo regime, os que patinados pelo discurso das boas causas, aparentemente são os irredutíveis adversários dos precedentes. Irredutíveis, apenas porque são candidatos concorrentes ao exercício da distribuição das benesses, neste bloco cabendo as diversas sensibilidades - bem traduzidas no actual Parlamento - do programa emitido pela empresa mediática do Sr. Balsemão. Nada de suspeito, portanto. 

 

Dizia Bernardo Pires de Lima que a situação em Espanha merecerá alguma atenção, embora previamente tivesse julgado azado fazer a sua Made in USA profissão de fé, obviamente anti-monárquica. Iniciando o seu curto depoimento com a caracterização da proclamação de Filipe VI como algo próprio do "mundo das revistas cor de rosa", logo se embrenhou numa mais razoável justificação da necessidade da manutenção do actual regime no país vizinho. Nada de novo aventou, apontando aquilo que qualquer leitor de A Bola será capaz de lobrigar, ou seja, a conveniência da preservação de fronteiras estáveis num espaço compatilhado por Portugal e consequentemente, a paz e o status quo numa Europa dilacerada pelos consecutivos erros e pequenas ambições dos seus dirigentes. Previsivelmente, esses dirigentes entre os quais ele próprio encontra o seu campo político, aquele que gizou a catastrófica balbúrdia que é a União Europeia. Afinal, Pires de Lima acaba por contradizer-se, apontando a Monarquia como um factor imprescindível de coesão e daquilo que talvez mais lhe interesse: a prosperidade da economia e a paz social. O pensamento dos nossos liberais da viragem do século, infelizmente não consegue ir mais longe que o manusear do tradicional ábaco a que a nova tecnologia teve o condão de transformar em calculadora via ordenador.

 

Talvez será muito optimismo pensarmos que os ditos liberais tenham a perfeita consciência do perigo que representaria a queda da República em Portugal, dadas as iniludíveis consequências que isto teria na nossa política externa, no reordenamento da estrutura do poder político nacional e no inevitável cercear das tentativas de amalgamar a que os abusivos "tratados" europeus conduzem. 

 

Fique o Sr. Bernardo Pires de Lima ciente de algo que talvez até agora lhe tenha escapado. A Monarquia vizinha, consiste no derradeiro obstáculo erguido diante daqueles émulos espanhóis dos que por cá tomaram de assalto o Estado. Precisamente os que escudados por siglas de bancos e similares, de escritórios de diversas assessorias ou estudos de mercado, vivem obcecados pela cartelização do poder poder político totalmente subjugado pelo pulso forte do dinheiro virtual cuja posse não tem rosto ou assinatura que se veja. É risível, a sugestão de o monarca espanhol não passar de um simples autenticador de documentos enviados pelos sucessivos governos que se revezam na Moncloa. Todos sabemos que esta é uma daquelas mentiras que não resiste à mais superficial análise dos factos. 

 

A verdade é outra, apesar das aparências ditadas pela Constituição de 1978. A influência da Coroa - não "eleita", logo não controlável - estende-se muito para além da normal gestão dos assuntos correntes e tem sido essencial no tecer da trama que mantém a coesão do Estado, influência esta que também é decisiva quanto às Forças Armadas. Sendo estas muito diferentes do banal simulacro castrense que existe em Portugal, o detentor da Coroa é mesmo o elo mais forte para a manutenção do controlo civil sobre aqueles que desde o advento do Liberalismo, têm sido os nem sempre bem dispostos vigilantes de qualquer ameaça que eventualmente possa colocar em causa a unificadora obra de Isabel e Fernando. Neste nada desdenhável aspecto do destrinçar da realidade política existente em Espanha, parece existir a unanimidade entre os uniformizados do lado de lá da fronteira, sejam eles castelhanos, bascos, catalães, valencianos ou baleares. Se a isto juntarmos a impressionante carteira de contactos que o Rei de Espanha tem em praticamente todas as capitais mundiais, abrimos então aquele capítulo que se torna no principal ponto de interesse dos obcecados pelo neo-mercantilismo, mercantilismo este conceptualmente tão adulterado como o liberalismo que julgam defender. O Sr. Bernardo Pires de Lima que consulte o patronato e as cabeças do sindicalismo espanhol e logo concluirá acerca do que representa a Coroa na economia e logo, no trabalho, no essencial progresso material daquela sociedade. Não lhe pedimos mais e assim bem pode limitar-se ao que mais lhe interessa.

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publicado às 19:11

Programa para hoje

por Samuel de Paiva Pires, em 06.05.13

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publicado às 13:35

Artigo de Bernardo Pires de Lima, investigador no IPRI, publicado na The Majalla (e também "postado" nos blogs da Comissão Portuguesa do Atlântico / Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico e da Youth Atlantic Treaty Association):

 

 

As the new US Administration strategy for Afghanistan is being implemented, doubts arise within NATO.  Are the European members of the organization willing to uphold bigger responsibilities in the reconstruction and counter-insurgency effort, as the US eagerly but also sceptically expects them to? In the meanwhile, the bigger picture is the question of whether European leaders are ready to recognize the political and strategic relevance of Central Asia, and act accordingly.

More than twenty years after the Russian defeat in Afghanistan we may see the Atlantic Alliance with the same epilogue there. One may ask why history is so ironic, so repeated perhaps. The answer is quite simple: a powerful state like the Soviet Union, or a powerful alliance as NATO, weren't and are not prepared to act in anarchy. NATO, in particular, is confronted with a dilemma within its members: few of them are prepared to die in Afghanistan, but most of them are not. This is one of the current problems in Afghanistan, mainly in the south, where the insurgency is more visible and the political situation uncontrolled. To achieve a stable territory, NATO must give some proofs of existence, relevance, coordination and strength in Afghanistan and consider, as Obama Administration has done, the AfPak approach. If it does not so, the end of the most powerful and successful military and political alliance in history will be exactly the same as Soviet Union had two decades ago, its collapse.

The global NATO already exists. What for?

NATO's recent strategic approach has nothing to do with the old one. Since the Balkan wars its global political dynamic has been followed by an ambitious military buildup in regions that are not euro-atlantic in classic terms. Today, roughly 70 000 military personnel are engaged in NATO missions around the world, in places like Afghanistan, the Gulf of Aden, Lebanon, Iraq, Mediterranean sea, Sudan, Somalia or Pakistan. NATO has deep partnerships with Central Asia, Caucasus, Eastern Asia, Australia, New Zealand, African Union and Latin America. This global approach, geographic and politically speaking, means that this strategy has worldwide security logic in the current international architecture. We should ask if this is the right way to achieve NATO's relevance after the Cold War, but we cannot deny that there is still a central place for NATO in international security environment.
Is commonly accepted that Afghanistan is the greatest NATO's challenge, and that this global approach it's at stake there. I agree with that. But not for an afghan reason, so to speak: it's at stake because there is no such thing as NATO without the euro-atlantic alliance. And this could be the end of Europe's strategic relevance on the international security community.

The European answer

Obama strategy in Afghanistan is likely to include other states, involving some kind of dialogue with Iran and efforts to bring India, the Gulf states and central Asian countries into the field. Moreover, while US are placing demands on Europe to do more, as we saw during the last NATO summit, European governments are coming under increasing domestic pressure to do less.

Although the ISAF mission has grown from 32,800 troops in November 2006 (one month before Robert Gates replaced Rumsfeld at the Pentagon) to 61,960 in March 2009 (with many of these new forces coming from European countries), 18 out of the 25 EU countries participating in ISAF, have increased their deployment since late 2006 - 43% of ISAF's troops. But, as we know, these numbers don't mean stability, but two things: first, the military efforts are not the only answer to the problem; second, the European military buildup need more accuracy on the ground, courage to fight in the critical zones, and political will from all decision makers.

There are a number of ways Europeans can make a difference in Afghanistan, aside from simply sending more troops. They seem to implicitly agree on what it's needed: the negotiation's opening with some of the Talibans, a development-based approach to counter-narcotics, more civilian reconstruction and more and better training for Afghan security forces enabling them to lead the counter-insurgency effort, as well as regional initiatives that include Pakistan, India, Iran and Russia. This should be the medium-term vision.

But short-term approach should be focused to ensure that elections take place on an atmosphere of relative security, particularly at the country's south and east regions. So far, voter registration has been better than expected in southern provinces like Uruzgan, Helmand, Kandahar and Nimroz. But fraud in one part of the country could exacerbate regional and ethnic tensions, with serious implications for a new presidential mandate. Therefore, elections have the potential to undermine much of the progress that has been made since 2001, although being insufficient to provide on their own a new beginning. Conclusion seems obvious: what is needed it's an European military and economic effort during 2009 to ensure that the new President's political legitimacy could guarantee confidence amongst people, economy recovering, peace provided by security and military forces, and the exit door that NATO wants.

Central Asia is crucial to Euro-Atlantic future


There are three stages we should consider about the security link between central Asia and the Euro-Atlantic future.

Firstly, Afghanistan. NATO's role in this century needs a successful AfPak strategy for the next decade. It's not only crucial to its credibility as a multilateral organization at the globalized security architecture, but also to its members, particularly the United States and the preeminent European powers. In other words, the great coalition of the Cold War needs another victory to keep his importance in the global arena.

Secondly, energy supplies. Energy security is one of the core issues which could implode relations among states in the future. European dependence on Russian energy supplies shows how this weapon could be used as a political instrument to balance, divide and change the states behaviour. At the same time, former Soviet republics in Caucasus and central Asia are playing a major role on the dialogue between US and Russia, US and China, and between Russia and China. If one realizes how powerful these three states are and will be in the future, and how their economies will need energy for developing, we are looking to the most relevant region on earth.

Thirdly, the role of Middle East powers. I'm talking about Saudi Arabia, Iran and Israel. They all have interests in central asian countries and some of them are intimately linked to United States. Saudi Arabia and Israel need US security umbrella against Iran, and Tehran need partnerships in central Asia to expand its political influence and improve his economic perspectives: it's the regime question.

We need an exit strategy for AfPak. But we also need to assume that an unsuccessful exit strategy could open a free way in central Asia to other powers. This must be the Euro-Alantic mindset, even if the current economic crisis is a strong reason to do nothing.

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publicado às 00:36

NATO - "Uma história de sucesso"

por Samuel de Paiva Pires, em 30.03.09

 

É ler na íntegra o que escreve Bernardo Pires de Lima no 31 da Armada (também publicado no blog oficial da Comissão Portuguesa do Atlântico / Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico):

 

O século XX teve duas histórias para os europeus. Na primeira metade fizeram da guerra a sua política. Na segunda, ocuparam-se politicamente a fazer a paz. O velho continente passou de um extremo ao outro num curto espaço de tempo, reconstruiu cidades e famílias (se é que foi alguma vez possível fazê-lo), sossegou fronteiras e exércitos, reergueu economias e criou umas quantas outras. Pôs velhos inimigos à mesa e desenhou progressivamente os mecanismos económicos, financeiros e políticos necessários. Pedir mais era impossível. Andar mais depressa também.
 
Esta semana ficará marcada por um acto simbólico entre os grandes obreiros europeus da guerra e paz do século passado, França e Alemanha. No Sábado, dia 4, os líderes da NATO viajarão em conjunto pelo Reno, passarão a fronteira franco-alemã e chegarão a Estrasburgo onde Sarkozy cumprirá o papel de anfitrião no segundo dia da Cimeira. Exactamente 60 anos após a sua fundação, seis décadas depois da carnificina europeia, os velhos e novos aliados atravessarão a fronteira sem batalhões, violações de civis ou projectos de pureza social. Se a NATO serviu para algo foi, em primeiro lugar, não para normalizar as relações mas para quebrar com a tradição do conflito. Ao contrário do que seria suposto, a Aliança não disparou um tiro durante toda a Guerra Fria. Ao contrário do que muitos desejaram, não se evaporou com a queda do Muro. E, ao invés da polémica, soube com altos e baixos acomodar a zona europeia em erupção na última década e meia, os Balcãs.
 
A NATO pode e deve suscitar discussões sobre o seu papel no futuro, teatros onde pode operar ou que alargamentos deve privilegiar. Mas não nos deve inibir de reconhecer que foi fundamental para a segunda fase da história do século XX europeu, para a confiança entre estados e para os sucessivos alargamentos da UE. Um vazio criado por si seria pior do que qualquer outra solução. Só quem esteve alheado da história europeia do último século pode desejar o vazio e o caos ao conhecido e ao sucesso. Porque é de sucesso que falamos quando se avalia a Aliança Atlântica.

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publicado às 20:54






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