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O neo-liberal Ricardo Robles

por John Wolf, em 28.07.18

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Catarina Martins não pode decidir o que quer que seja e muito menos que o assunto Robles esteja encerrado. Catarina Martins não pode determinar o fim do cinismo. Catarina Martins não tem autoridade moral para discorrer sobre hipocrisia. A lider do Bloco de Esquerda enfrenta uma enorme contradição conceptual, ideológica. Ricardo Robles é uma toupeira, um agente-duplo plantado naquele partido por Passos Coelho para corroer os fundamentos e princípios que apregoam de viva-voz e a toda a hora. O neo-liberal especulador e capitalista feroz Robles, à laia do imobiliário Trump ou do quebrador do Banco de Inglaterra Soros, está para ficar - o BE ficou refém da sua natureza multi-cultural de acampamento integrativo de verão: há lugar para todos - the boy must stay. Expulsar Robles do Bloco seria equivalente a impedir a entrada a refugiados ou a mudar de opinião em relação à eutanásia. Em nome da grande tolerância que grassa naquele partido, Robles terá cama e roupa lavada enquanto quiser. No entanto, o operador do mercado imobiliário Ricardo Robles enfrenta os seus próprios dilemas. Resta saber se no momento da compra do imóvel o mesmo foi sub-avaliado para favorecer certas partes. Agora aparece a dizer que afinal não venderá o prédio, que essa não era a sua intenção. Mas pelos meus cálculos, e de tantos analistas de mercados financeiros muito mais avisados do que eu, a sua janela de oportunidade para ganhar milhões é curta. Na melhor das hipóteses a bolha imobiliária ainda tem hélio para flutuar um pouco mais. Depois teremos o estoiro à laia de 2008 e o menino Robles verá os seus encargos crescer. A saber; as taxas de juro sobre empréstimos, uma hipotética subida do Imposto Municipal sobre Imóveis, sem contar com seguros obrigatórios, despesas correntes de manutenção e aquelas contas-surpresa que não excluem vereadores. Por exemplo, uma infiltração de água resultante de uma secção de telhado reconstruída de um modo deficiente. Ou seja, por outras palavras, não obstante eventuais averiguações sobre processos questionáveis de licenciamento de obras, será o Karma a resolver o assunto. O destino encarregar-se-á de entregar a sentença a quem praticou o pecado da contradição ideológica e moral. A ver se nos entendemos: se Robles fosse um ás de Wall Street, tudo isto não passaria de um não-assunto, mas sendo membro da irmandade da justiça social anti-capitalista a coisa não cai bem no goto dos portugueses. E estão a ver com os seus lindos olhos.

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publicado às 20:06

Geórgia 1.2

por Paulo Cardoso, em 09.02.13

Rankings adulterados ou muito pouco independentes de parte, o friendly business environment neste país é assinalável (espreitar aqui e aqui, só por curiosidade). Mais relevante ainda pelo facto de ser completamente distinto dos vizinhos: a corrupção endémica foi praticamente eliminada, o sistema fiscal foi modernizado, reduzido, tornado claro, perceptível e mais… "justo". Nas palavras de alguns porém. Mas com conhecimento de trato, o que posso adiantar é que não tem nada a ver com a selvajaria da carga fiscal à portuguesa.

E como tentava explicar (em vão) a um conhecido via Skype, aparentemente membro de uma dessas pseudo realezas de Cascais que vive sustentado por um estatuto artificial e fanfarrão tão tipicamente português:

- “Na perspectiva de quem queira estabelecer um negócio sólido, este é um dos países alvo; tudo aqui é mais barato, o clima é óptimo, as pessoas são amigáveis, as instituições sólidas e os incentivos e benefícios para investimento estrangeiro são atractivos.”

- “Epá, mas isso de depois dizer que sou empresário e que tenho negócios na Geórgia não me soa nada bem, percebes? A imagem também é importante.

- “Percebo pois. Foi por isso que saí de Portugal. Somos as escolhas que fazemos.”

No período de 10-15 anos tudo neste país evoluíu de um estado de animalismo canibal para um estado de coerência racional. Enquanto outros parece que ainda andam à procura do polegar oponível deste 1974.

O que mais me deixará saudades é a hospitalidade genuína destas pessoas, sem a intenção obscura de me vender um maldito Kilim ou um blusão de pele à chuleco Otomano. Além disso são o que são, e não têm qualquer tipo de problema com isso: não há cá nada de poses postiças de pavão com o cio e sotaques afectados. Alguns episódios:

 

#1) Após uma reunião que demorou mais do que o previsto, tentei ser "mais urbano" (nas palavras do meu amigo Samuel de Paiva Pires) e resolvi ir de metro até ao meu hotel. O alfabeto Georgiano está longe de ser acessível para o meu intelecto, o que torna inconsequente a leitura de placas informativas. Perdi-me, portanto. E dei por mim nos confins de sei-lá-o-quê no meio de uma feira de peixe dominada por ciganos. De fato, gravata, e laptop na mão.

Faminto, dirigi-me a um cubículo que vendia kebabs:

- "Excuse me, can I have one kebab please?" – Gesticulando com o dedo indicador e apontando para o monte de carne gordurosa que girava montado num aparelho seboso que nunca deve ter sido limpo.

-"Ah, American! Please, come in, come in!..." – Enquanto me abria a porta do seu cubículo.

-"Well… I’m not American sir…" – tentei dizer timidamente enquanto pensava para onde é que este gajo me estava a levar. Nem me ouviu.

-"You must eat kebab! And khachapuri! Very good, very good! Drink Cola! Americans don’t pay here!"

Bom… nesse caso talvez seja melhor alinhar no esquema e anuir que sou de facto Americano.

Ele chamou toda a família para me conhecer: irmãos, mãe, pai, filha, cunhado, cão, etc. O inglês era menos que parco, mas a felicidade genuína nos olhos daquela gente toda apenas por estar a acolher um estrangeiro comoveu-me até ao tutano.

-"You must return, we are friends now, yes?" – Disse-me ele enquanto tentava desencalhar um destroço de matéria orgânica entre os dois dentes da frente com o dedo mindinho. Para de seguida e com a mesma mão enrolar o kebab que resolvi comprar para comer mais tarde. Voltei várias vezes, sim. Mas só para comprar Coca-cola ou Ice Tea. A cena de badalhoquice com a unha perturbou-me um bocado.

 

#2) Enquanto vagueava pelo centro da velha cidade espreitei um restaurante numa cave com ar rústico. Resolvi entrar para jantar. Mal me sentava num canto discreto senti diversos pares de olhos fixos nos meus movimentos. "Bom… nada de movimentos bruscos", pensei. Sentei-me e lentamente arregacei as mangas da camisa enquanto fingia que prestava atenção um qualquer jogo da Bundesliga na televisão. Na mesa mesmo à minha frente, cinco homens de meia idade estavam especados a olhar. "Mas que grande m*rda, vejam só onde me vim meter; tenho que evitar o eye contact com esta malta." Não foi possível; e os medos eram, afinal, infundados:

-"You there, you… tattoos in arms, very nice! Please, come, come! Sit here!"

Para quem não me conhece, tenho os antebraços cobertos com tatuagens.

-"Well then… why not?!" – respondi sorrindo.

Não costumo beber vinho com frequência, mas neste país o vinho é o grande motivo de orgulho (inventado por eles há 8.000 anos atrás; e ainda é feito exactamente da mesma maneira). Não quis ofender e comecei a beber e a brindar. Quinze minutos depois estava completamente sob o efeito de Baco. O inglês deles era pouco mais que zero. E o meu Georgiano ou Russo ainda pior. Mas deu para perceber que dois eram músicos e outros três actores.

-"Now we go to restaurant and see girls!" – exclamaram em voz alta enquanto saíamos.

Foi nesta altura que engendrei um esquema de fuga tipo Papillon. Por acaso até tinha uma reunião na manhã do dia seguinte e seria consideravelmente mau ir para lá de ressaca. Portanto era urgente fazer um damage control.

Mesmo assim, ainda me ofereceram um bilhete para um concerto de Stravinsky da Orquestra onde tocavam. E foi excelente, porra!

Quanto àquele restaurante, regressei várias vezes. E poucas foram aquelas em que me deixaram pagar. O dono até chorou quando lhe disse que me ia embora. "Georgians are very sentimental. Just like Southern Europeans!" – balbuciou quando nos despediamos.

 

Estes não foram casos isolados. E durante três meses, as aventuras foram muitas. Mas o relato já vai longo e não quero que ninguém morra de tédio, tipo esta cena a partir do segundo 0.38. Por isso deixo o 1.3 para amanhã.

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publicado às 15:09






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