Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O mito da caça à multa

por John Wolf, em 17.08.16

BONÉ-BRIGADA-DE-TRANSITO-COMPLETO-510x600.jpg

Não existe tal coisa de caça à multa. Foram os próprios condutores portugueses que de mão beijada entregaram 907 milhões de euros à Administração Central em 2015. Este imposto, esta forma de austeridade, é totalmente voluntário. São os condutores que se fazem à estrada que não respeitam o código de estrada, que gastam mais benzina do que deviam, que bebem quando deviam jejuar, que aceleram onde não devem, que estacionam nos locais reservados a deficientes ou que pisam traços contínuos. Aqui não se trata de ideologia, de partidarite, de esquerda ou de direita. Trata-se de indisciplina colectiva, de falta de civismo, de correr riscos com a vida dos outros. É semelhante ao flagelo dos incêndios, com a diferença de servir a colecta - transgredir é uma fonte de receitas para o Estado. No entanto, as polícias de trânsito não fazem mais do que a sua obrigação. Até parece que as brigadas de trânsito têm meios e mais meios para defender a segurança dos portugueses nas estradas de Portugal. Não é verdade. Os agentes de trânsito são quase voluntários, são quase bombeiros. Por esta e outras razões, são os condutores encartados de Portugal (ou nem por isso) que devem decidir se querem continuar a pagar este imposto. O semáforo fechado é sempre culpa do outro. O lugar do deficiente à mão de estacionar é culpa do paralisado. Não há paciência. Não há pachorra. Arranca. Está verde-tinto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:24

O abrandamento desejado de Portugal

por John Wolf, em 07.12.13

Cada vez que me faço aos passeios da bela cidade de Lisboa tenho medo de atropelar os carros estacionados sobre a calçada. Realmente é um perigo. A cada esquina podemos ferir com gravidade uma viatura. Ainda há dias cruzei-me com uma carrinha que havia sido abalroada por um carrinho de bebé. O automóvel ficou ferido na vista. De certeza que precisará de um oftalmologista. O olho esquerdo, junto ao queixo do Peugeot, ficou deficiente. Pela redacção desta peça jornalística luminosa, até parece que a questão dos atropelos tem mais a ver com o comportamento dos peões na estrada do que os condutores. O secretário de Estado afirma: "Quando verificamos que há 14 atropelamentos por dia em Portugal, percebemos que temos que dar a atenção a esta matéria, aos comportamentos que os peões adoptam nas estradas e aos comportamentos dos condutores em relação aos peões". Ou seja, segundo o responsável pela pasta, anda tudo trocado, incluindo o conceito de trânsito e circulação nas estradas - os peões andam na estrada? Não sei se andam. Só sei que cada vez que me ponho ao volante assisto à loucura nacional em forma de aceleras em total desrespeito pelo código de estrada e das normas de comportamento de uma sociedade em movimento. O salve-se quem puder reside na estrada. Os portugueses andam sempre a acelerar para o próximo semáforo fechado. Os condutores nacionais têm tanta pressa de chegar ao trabalho, mas não sei se têm mais vontade de se pôr a caminho, de largar o serviço se ainda tiverem a sorte de ter carro e emprego. Também não sei se trabalham rapidamente e mal nos empregos. Também não me interessa. Não é disso que aqui falo. Cada vez que não saio de carro (na maior parte dos casos) tenho um medo que me arrepio de utilizar uma passadeira. Não interessa quem vem ao volante do carro em leasing, se uma jovem mãe com o recém-nascido no lugar do morto, ou um taxista a quem deveriam trucidar a carta de condução - o perigo é constante, o inimigo é público. Não interessa qual a faixa de rodagem em questão - o comportamento é idêntico. Os peões também são uns artistas. Querem lá saber se está vermelho ou não, toca a atravessar a rua movimentada. Tudo isto somado ou subtraído, pode não parecer grande coisa, mas reflecte o profundo desprezo pelo valor da vida. Todos os dias vejo cenas com Sennas de terceira categoria a procurar a pole-position, a competir de igual para igual com um outro desgraçado e pergunto porquê? Querem demonstrar o quê? Que o meu pode ser mais barato que o teu, mas é mais rápido? Não sei a resposta para este flagelo. Talvez possamos perguntar a alguém no cemitério mais próximo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:51






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas