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"Quem vai ler um livro daquela dimensão?" Numa entrevista ao estilo do caranguejo, um passo atrás, outro para a frente e ainda um para o lado, o sr. Saramago deitou uns cubos de gelo na fervença que levou ao lume do fogão do lucro publicitário. Ficámos também a saber que o Corão - e o que dali podia sair -, "não interessa" como matéria de inspiração. Percebe-se...
O único argumento que J.S. apresenta nesta controvérsia, cai por terra à primeira solapada: alega que a esmagadora maioria dos católicos não leu a Bíblia, coisa que não deixa de ser uma previsível verdade. No entanto, o que está em causa não é a leitura da mesma, mas o fingimento da não percepção das hipérboles, alegorias e especificidades históricas, sociais - e até económicas - da época em que os textos foram surgindo. É essa reserva mental que irrita, porque surge como absolutamente consciente.
Patético! Na sua abordagem sobre Caim, também recorre ao "fazer de conta" não perceber a condenação e simultânea protecção divina ao pérfido irmão, condenando-o apenas à expiação mundo fora. Logo depois, denuncia Deus como vingativo e rancoroso e de pouca confiança, não conseguindo Saramago tirar o sentido daquilo que biblicamente se entende por perdão, afastamento da vingativa pena de morte e necessário arrependimento pelo mal cometido. Enfim, o homem não mudou e de Estaline - ou de Alfred Rosenberg, dada a similtude de posições no que à Bíblia diz respeito -, pouco esqueceu ou renegou. Quanto a este tipo de seitas, continua um membro devoto.