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Pedrógão e parafusos do Tejo

por John Wolf, em 08.03.18

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As notícias avançadas sobre o estado de degradação da ponte 25 de Abril deixam adivinhar um Pedrógão Grande do Tejo. Já começaram as sacudidelas do capote de parafusos, dinheiros e responsabilidade política. Centeno, que já se pôs a milhas da portagem, esclarece que o ministério das finanças não é uma das fissuras nem uma das roscas. Nem sequer será uma porca que precisa de ser apertada. A United Steel Corporation ainda não foi metida ao barulho (ainda vai sobrar para Trump), mas no essencial já estamos na presença de um desastre. A geringonça, que é um artefacto em si, deveria nutrir especial atenção por este caso. Por outras palavras, sem minguar o risco para vidas humanas, a haver uma paragem forçada do uso da ponte, a economia do país será intensamente afectada e o emprego de milhares de pessoas que usam esta via. Não sei se este caso tem alguma coisa a ver com a ânsia ferroviária da Catarina Martins, mas pelo baloiçar do tabuleiro, vai tudo encalhar na barra do tejo, e depois na barra dos tribunais, onde, naturalmente, nada de especial acontece. Gostava de ver o postal turístico que acompanha este excerto: "um parafuso em aço com cerca de 60 centímetros e três quilos quase ia caindo em cima de um casal de turistas e de um português que passeavam numa zona mesmo por baixo da ponte." (leiam bem: wild woman walking, no postal...)

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publicado às 17:08

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A caldeirada dos dinheiros partidários e favores políticos em Portugal deve-se a uma causa relativamente benigna - a falta de lobbies transparentes e regulados. Pensar apenas no financiamento de partidos dá azo a que se levantem suspeições e suposições em relação a tudo e todos. Mário Centeno pediu dois ingressos para ver o Benfica, mas tal facto não deve ser explorado usando a métrica do tráfico de influências. Não chega a tanto. Porém, o Presidente do Eurogrupo foi tonto ao servir-se do argumento securitário, pondo em cheque o protocolo regular instituído para figuras de Estado. Adiante, o jogo da bola não tem a ver com a discussão que urge. Há anos que os políticos de todos os quadrantes se servem de ligações especiais e concessões de bastidores. E é isso que deve ser corrigido, criando uma modalidade regulamentar que contemple todos os modos de transferência de meios, financeiros ou de outra natureza. Se o financiamento de forças políticas constar de um mapa obrigatório e de acesso online deixa de haver zonas cinzentas. Os Estados Unidos oferece péssimos exemplos em muita coisa, mas as regras são claras quanto à subvenção de agendas políticas - sabe-se de onde vêm os dinheiros. O que deve ser tido em conta em Portugal é a privatização do financiamento dos partidos. Não faz sentido que os contribuintes paguem a dobrar a acção política. Já basta que paguem os salários parlamentares, do executivo ou do presidente da república. Se o mercado político for privatizado e transparente, o dinheiro fluirá para onde houver mais credibilidade. A ideologia partidária teria, deste modo, de se fazer valer pelas ideias, que nutririam mais ou menos apoio financeiro de acordo com a sua consistência. Os lobbies, organizados em torno de causas, serviriam para disciplinar o caos e banir a prevaricação que ocorre na paisagem política nacional. Mas mais importante do que estas questões administrativas, seria estabelecer a correlação entre o financiamento de partidos e o avançar das causas meritórias que o país exige. O financiamento partidário, nos actuais moldes, parece desenvolver-se numa economia paralela, no sub-mundo da política. Não é líquido que do financiamento partidário resultem melhores soluções políticas para o país. E os portugueses gostariam de ver tudo à tona, à luz do dia e do seu juízo.

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publicado às 10:51

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Não existe matéria-prima ou tema que não pertença à política. Da madeira do eucaliptal ao crude, do feijão verde ao comprimido azul para engolir ao pequeno-almoço - tudo isto é fado, tudo isto é política. A Agência Europeia do Medicamento (AEM) inscreve-se na máxima inaugural deste post. Assim que houve declaração de vontade do Porto para se candidatar a sede da agência europeia, o governo de António Costa sentiu-se arreliado e bateu o pé. Em vez de unir, dividiu. Em vez de fazer lobbying positivo, perturbou o processo. Ou seja, a AEM foi instrumentalizada para tentar fragilizar uma cidade que escapa ao controlo ideológico e partidário convencional do país da geringonça. Rui Moreira terá sido o principal visado. Agora que "nem peixe nem carne", António Costa poderá afirmar que afinal tinha razão, que a cidade de Lisboa deveria ter sido a apresentada como a noiva a concurso. Em todo o caso, o que podemos extrair deste processo, prende-se com um défice estrutural - a ausência de lobbying à séria. Se analisarmos a nomeação de António Guterres a secretário-geral da Organização das Nações Unidas, devemos levar em conta certos ventos favoráveis - os socialistas europeus que devem ter emprestado o seu apoio fizeram-no porque se trata de uma causa inofensiva, banal - Guterres vai salvar o mundo? Não, não vai. No que diz respeito à indústria dos medicamentos a estória muda radicalmente de figura. O sector farmacêutico é dos mais poderosos do mundo. Mexe-se com grande destreza nos meandros e corredores políticos, e Portugal, simplesmente, não é um player significativo nos processos de tomada de decisão respeitante a medicamentos. Não é um país que detenha uma "marca" medicamentosa global como a Merck ou a Pfizer. E desse modo nunca poderia ter o músculo necessário para abalroar os cartéis e afins que configuram a indústria farmacêutica que se deita na cama política sem pudor. É fundamentalmente de isso que se trata. No mundo da realpolitik, a linda cor dos olhinhos de uma cidade não basta. É preciso saber alavancar argumentos. A ver vamos, com tanta prosápia à mistura, se Mário Centeno se deixa ficar na fase de grupos, ou avança na liga dos champions do Eurogrupo.

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publicado às 16:08

E eles insistem com os SMS!

por John Wolf, em 18.02.17

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Odeio quando contam apenas metade da história e o espectador é obrigado a preencher os buracos da narrativa. Mário Centeno parece insistir na ficção dos SMS, mas noutro domínio. O recorde Guinness do défice mais baixo das últimas quatro décadas esconde alguns factos relevantes. O mesmo é cozinhado à custa do superavit primário e não leva em conta a bengala colateral do Banco Central Europeu (BCE) que empresta o andarilho do programa de compra de títulos de tesouro. Mesmo assim a taxa de juro a 10 anos anda pelas ruas da amargura. Assim também eu bato marcas oficiais. A austeridade, traduzida em impostos e taxas do governo anterior, não foi enxotada nem de longe nem de perto. Ou seja, a geringonça deve agradecer aos que a antecederam e que foram obrigados a instituir as penalizações tributárias. Se fossem só ginjas, António Costa já tinha despachado a carga fiscal sentida por milhões de portugueses. Mas há mais. O investimento público, gerador de receitas, ou seja, os verdadeiros bens de capital, não se avistam - não se ouvem notícias de empresas a escolher Portugal como destino de investimento. A conversa do aeródromo Soares também é um erro de percepção mútua. Cria a falsa expectativa, já vivida antes, em torno de Otas e afins, e despoleta aquilo que os socialistas fazem com mestria - a especulação imobiliária dos terrenos circundantes e a concessão de favores a construtoras amigas. Existe aqui um padrão de comportamento claramente identificável. O turismo continua a servir de avalista para promessas políticas de perna curta. A dívida, que convenientemente tem sido ignorada, já ultrapassou a fasquia dos 130% do PIB, mas esse detalhe pode ser escamoteado com umas belas tricas de SMS. A geringonça deve agradecer a oposição pelo alarido em torno dos SMS, a CGD, e os actores Domingues e Centeno. Esse espectáculo encaixa bem no circo de distracções. Quando a torneira do BCE for fechada, quero ver como aguentam a tesouraria. Entretanto, temos Costa em campanha autárquica acompanhado por Marcelo Rebelo de Sousa que também terá culpas no cartório. Seria tão bom que o mundo fosse assim cor de rosa. E sem SMS desnecessários.

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publicado às 20:22

Centeno pica o ponto da austeridade

por John Wolf, em 19.10.16

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Os políticos europeus andam equívocados há algum tempo. Desde que meteram na cabeça a ideia de Austeridade, não existe nada que os possa demover das suas convicções. Não é que os Estados Unidos da América (EUA) sejam desprovidos de falhas graves, mas neste capítulo dão cartas. Trabalham mais do que os europeus. Trabalham mais horas do que os italianos e os portugueses, mas assemelham-se aos suiços e alemães. E isso tem uma explicação clara. A carga fiscal muito menos acentuada, do que aquela montada em tantos países europeus, funciona como um incentivo ao trabalho. A ausência de reformas e pensões substanciais nos EUA também obriga a esforço adicional - penso na carga de trabalhos em que Portugal está metido com as centenas de milhares de funcionários públicos a que tem de dar de mamar. Os sindicatos europeus inventados para proteger os trabalhadores também contribuíram para um certo estado de alma perdulário. Sinto muitas vezes em Portugal, nos vários domínios profissionais em que me movimento, que existe uma certa falta de entusiasmo - um "estou a trabalhar para aquecer". E é isso que este Orçamento (e os restantes) ajuda a eternizar. Ao desgastarem os contribuintes corroiem a natureza intrínseca do empreendedorismo, da livre iniciativa, mancham a alma voluntariosa do indivíduo que acredita que pode mudar o mundo. E é curioso que o Web Summit esteja prestes a começar em Portugal. Aqueles visionários atracam em Lisboa porque a recepção será maravilhosa e as condições ideais, mas atentemos ao seguinte. Os criadores que aí vêm foram gerados em países com um software mental e fiscal adequado. Não sei se o impacto da cimeira será notável. Para os que vêm é apenas uma escala de um processo de desenvolvimento maior. Investir em Portugal? Perguntem ao Centeno e ao Costa.

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publicado às 09:42

São mesmo zeros à Esquerda

por John Wolf, em 11.03.16

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HahahahahahahahahahahHarvard! São estes indivíduos que têm o destino de Portugal nas mãos? Deixem-me rir. Não sei se isto é trágico ou cómico. António Costa e a sua equipa não têm a mínima ideia de como tratar das suas próprias casas, quando muito as dos outros. Todos estes sujeitos passivos têm provavelmente uma média de idade de 50 anos, mas não conseguiram juntar um pé de meia do que quer que seja. Foi chapa ganha, chapa gasta. O que Mário Centeno fez ao seu dinheiro dá vontade de rir - 33 euros em acções do Benfica. Depois a grande maioria destes peritos têm grande fé em depósitos a prazo. Ou seja, estão dispostos a perder dinheiro (taxas de juro negativas? Dah!!). As suas decisões de "poupança" e "investimento" não serviram para nada. E isto é extremamente grave. Não têm noção da economia real, dos mercados. Não conseguem ter uma visão do mundo. Mas o mais curioso é julgarem-se espertos. Se fossem inteligentes, bastar-lhes-ia terem escolhido índices, na forma de Exchange Traded Funds, para se deixarem estar e crescer. Na qualidade de sujeitos monetários passivos teriam feito melhor figura, mas não. São descrentes. Não acreditam no crescimento económico e nas virtudes sãs do capitalismo. Se tivessem milhões não estariam aqui. Agora entendo porque querem ser deputados e chegar ao governo. Não têm profissão digna desse nome. Não são capazes de ser produtivos e gerar rendimentos. E a política é perfeita. O governo funciona como um programa de novas oportunidades. Basta marcar presença. Nem é preciso ser competente. Ao fim do mês pinga o tal salário, e ainda, como bónus pelo magnífico desempenho, levam para casa uma pensão vitalícia. Para fechar, seleccionei este poema do artigo do jornal Observador:

 

 

"As dívidas de Ana Paula

Vitorino

são preocupantes

porque

mesmo que tenham

as melhores condições do mercado

as prestações absorvem

cerca de 50%

do seu

rendimento mensal líquido

de ministra" 

 

 

 

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publicado às 10:02

PS: à terceira não é de vez

por John Wolf, em 26.01.16

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As "quase" três derrotas consecutivas do Partido Socialista (nas eleições Europeias - como se tivesse sido porque despediram António José Seguro -, nas Legislativas e nas Presidenciais) não são sintomas de que algo corre mal. São a patologia, a doença infecciosa que resulta de consaguinidade ideológica naquele partido. Ou seja, a procura de respostas para problemas distintos fazendo uso da mesma caixa de ferramentas e do mesmo grau de convicção. A realidade económica e social ultrapassou de um modo intenso a teimosia socialista. A insistência em certas premissas colide de frente com um processo político e civilizacional em profunda mutação. Quando se levanta a hipótese de uma alternativa dentro do PS, a margem de erro é enorme. A opção certa não se encontra no legado socialista, no seu património intocável. As fórmulas que se devem buscar são trans-ideológicas, ou pós-paradigmáticas -, ou seja, encontram-se para além da dimensão partidária, seja qual for a filiação. Acreditar que em nome do salvamento do presente se pode comprometer  gerações futuras, confirma o grau de irresponsabilidade do actual governo. Não é possível ser mais contraditório do que Centeno que promete conter a despesa ao mesmo tempo que repõe salários e pensões. O contexto económico-financeiro do momento aponta noutro sentido. Nos últimos anos os bancos centrais substituíram a acção política através da impressão de divisa e a sua injecção nos mercados. Centeno não parece entender esse facto. Ou seja, substantivamente, não existiu despesa. Existiu ficção monetária. Existiram facilidades e juros baixos. O governo anterior beneficiou sem dúvida alguma dessas condições, mas colocou Portugal no caminho da recuperação certa e sustentável. As indicações da Comissão Europeia e os indicadores das agências de rating levam isso em conta. Ambas esperam que o actual governo consiga consolidar as contas e o regime de sustentabilidade do país. Mas, lamentavelmente, o que vislumbramos é um delapidar de esforço alheio, devido a intransigência ideológica, a um complexo de superioridade moral. A questão da devolução da sobretaxa é apenas uma pequena verruga na cara daqueles que não querem perder a face. Se não for o PS a deitar a toalha ao chão, será o PCP ou BE a arrancar-lhe a camisa. Marcelo vai ter pouco trabalho. Escutem o que Mohamed tem a dizer. Dispensem as palavras de Galamba.

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publicado às 19:37






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