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Quer-me parecer que há quem ainda não tenha compreendido bem o que está em causa na questão da co-adopção. Não é demais repetir que é algo que afecta crianças e famílias concretas, é uma realidade, por mais que certas pessoas não gostem, queiram fechar os olhos e impor o seu conceito de família aos demais. E claro que todos temos direito a ter a nossa opinião e, o mais das vezes, temos de concordar em discordar e tolerar a opinião do outro. Agora, quando vejo diversas pessoas a afirmarem que o chumbo no parlamento é uma boa notícia e um sucesso, confesso que sinto uma certa repulsa. Roça mesmo o abjecto. Só por causa das coisas, daqui a um ou dois anos, com uma maioria de esquerda no parlamento, o chumbo será transformado em aprovação e como certa direita não quis ceder neste ponto, arrisca-se a, nessa altura, ver aprovada não só a co-adopção mas também a adopção. Eu sou contra esta última, mas é o que certa direita que temos, que também não quis aceitar a união de facto entre homossexuais e acabou a capitular perante a aprovação do casamento gay, merece. Talvez um dia aprendam que a política implica harmonizar contrários e cedências, para que não seja um mero jogo de soma zero em que ora se ganha, ora se perde.
Para dizer-vos a verdade, o tema da co-adopção não é, na minha modestíssima óptica, um assunto urgente e prioritário, pelo que, em obediência a esta opinião, não irei perder muito tempo com o mesmo. No entanto, não posso deixar de fazer duas ressalvas muito breves a respeito das carambolas políticas protagonizadas pela coligação. Em primeiro lugar, é lamentável que o centro-direita se deixe enredar nas artimanhas "fracturantes" da esquerda liberalóide, banalizando um instituto (referendo) que, pela sua relevância política, deveria estar reservado a temáticas de outra índole. Em segundo lugar, este tema poderia ser dirimido e sujeito a deliberação no Parlamento, dado que os deputados portugueses estão, a avaliar pelo que está prescrito na Constituição, investidos das prerrogativas necessárias para tomarem uma resolução comum, democraticamente sufragada, sobre este assunto. Lamento, pois, que os imberbes políticos da JSD tenham conseguido levar a sua avante, desprestigiando, com a sua tagarelice ignorante, um instituto jurídico que mereceria, a bem da verdade, melhor sorte. Por isso, ainda que me doa um poucochinho, sou obrigado a subscrever a opinião dos socialistas a propósito da realização deste referendo: repugnante, lamentável e ilegal.