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Para que os ânimos não se exaltem desnecessariamente, aproveito para referir ab initio que não sou um adepto da negociação centralizada dos salários. Gosto do mercado, aliás, venero-o, e, muito francamente, prefiro que sejam os mecanismos mercantis a decidirem da melhor alocação dos recursos disponíveis. Dito isto, não posso deixar de mostrar fortes reservas - sim, estou a ser assaz eufemístico - quanto à suposta intenção anunciada pelo Governo de diminuir o salário mínimo. Segundo Passos, em vez de um aumento da retribuição mínima, "a medida mais sensata que se pode tomar é exatamente a oposta". Falso, rotundamente falso. Numa altura em que 1) milhares de empresas fecham todos os dias, 2) o desemprego aumenta em flecha, 3) a miséria recrudesce, é totalmente desassisado pretender que a diminuição do salário mínimo resultará em mais emprego, riqueza e felicidade. Mais: ainda que houvesse um motivo fundadamente racional para fundamentar esta decisão, não deixa de ser verdadeiramente sintomático que, num momento de forte crise, um Governo, com um capital de confiança já diminuto, decida diminuir o salário mínimo, sabendo que a maioria das pessoas vivem, ou melhor, sobrevivem, com salários de miséria. Repito, as pessoas sobrevivem com salários miseráveis. E, como disse o José Maria Barcia, mais do que igualdade o que se requer é bom senso e inteligência. Predicados que, manifestamente, não abundam nas pobres cabecinhas formatadas dos integrantes deste Governo.