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Ecos de um passado que tem futuro

por Nuno Castelo-Branco, em 28.05.12

"A Nova Monarquia foi caso único de um movimento de ideias, patriótico, nacional e democrático, não extremista e anti-totalitário, que poderia ter evoluído para partido político e, assim, antecipar o futuro. Ainda hoje, reencontrando muitos daqueles que connosco militaram nesse movimento patriótico, não deixo de pensar no que teria podido ser a NM se a nossa direita, sempre tão incapaz, sempre iletrada, nos tivesse dado o apoio de que necessitávamos. A NM pensava a CPLP dez anos antes da sua génese, promovia actos públicos de apoio à independência de Timor, quando todos se resignavam à colonização indonésia, pedia a atribuição da dupla cidadania a cabo-verdianos e a todos os ex-soldados negros que haviam lutado por Portugal, pedia uma câmara alta que pudesse minorar os efeitos do amadorismo da partidocracia, pedia o sistema uninominal, personalizado e responsável para a Assembleia da República, reclamava um poder local profissionalizado que evitasse a destruição da paisagem portuguesa e o apossamento da vida municipal por quadrilhas de malfeitores. Mais, pedia a adesão de Marrocos à então Comunidade Económica Europeia, defendia o Serviço Militar Obrigatório, a defesa da presença fiscalizadora do Estado em sectores vitais da vida colectiva - ensino, saúde, águas, energia, planeamento urbano - e optava, sem titubeios, por um plano nacional de desenvolvimento, opondo-se à terceirização (vulgo PPP's) e advogando a mudança de pele da estrutura económica produtiva mercê da fixação prioritária na agricultura e nas empresas produtivas. Ninguém nos quis ouvir. Portugal viveu, nos anos 80 e 90, sob o signo do dinheiro, dos "negócios" e do "empreendedorismo". A NM surgia aos dos entusiastas dos saltos em frente como a expressão do passado. Estavam enganados e o resultado está à vista !"

 

Miguel Castelo Branco, no Combustões

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publicado às 22:00

Do nível do parlamento português

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.12

Miguel Castelo-Branco, "Quando é que os deputados vão para o desemprego?":

 

«Debate no Parlamento sobre o desemprego. Discursatas mal lidas e monocórdicas, com a elegância de desabafos na Ginginha do Rossio, gravíssimas falhas de dicção, de sintaxe e concordância, um português vão-de-escadas, umas figuras pouco menos que inexistentes; eles na pragmática do fateco cor-de-rato cinzento, elas a brincar às senhoras; todos de uma pobreza confrangedora deslustrando o sistema representativo e a democracia. Ouvi um homenzinho do PC, que Demóstenes condenaria às galés, mais uma serigaita do BE, uma máquina canora com a elegância de um piaçaba e uma Barbie envelhecida do PSD metida num embrulho rosa-choque acabado de comprar na loja do chinês da esquina.»

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publicado às 15:00

Sem "Cosa Nostra"

por Nuno Castelo-Branco, em 29.04.12

"Nos tempos que correm, da plutocracia desvairada, da arte-negócio e das "indústrias culturais", é quase impossível que homens destes surjam. A arte, a cultura e o ensino são aristocráticas por antonomásia. Ai de quem os queira transformar em meras mercadorias. Aqui está o epitáfio da cultura."

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publicado às 12:56

Certeiro

por Samuel de Paiva Pires, em 24.03.12

Miguel Castelo-Branco, O mito da Economia

 

"Um dos participantes do congresso do PSD afirmava há momentos que a eventual escolha de Teixeira dos Santos para um lugarão se deve certamente ao facto de ser um "grande professor de Economia". A ditatura dos professores de Economia, de Cavaco a Teixeira dos Santos, mostrou sobejamente a qualidade das nossas faculdades de Economia."

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publicado às 12:49

Equívocos a respeito do liberalismo

por Samuel de Paiva Pires, em 18.03.12

A simpatia e a admiração que nutro pelo Miguel Castelo-Branco e pelos seus escritos levam-me a esboçar uma breve réplica a um texto que, confesso, não esperava ver no Combustões, e que se visse em qualquer outro blog de que não seja leitor regular não me levaria a escrever este post. Faço-o não só pela estima que tenho pelo Miguel como também por saber que provavelmente poderá surgir daqui um interessante debate, se achar por bem. Aqui fica, por pontos:

 

1 - Que os homens são naturalmente desiguais não é, nem precisa de ser, uma prova de fé. É uma constatação derivada da mera observação empírica. Biológica, fisionómica e psicologicamente somos todos desiguais (ou diferentes, como alguns advogados do politicamente correcto preferem dizer).

 

2 - A que liberalismo se refere o Miguel? É que, como o Miguel bem sabe, não há um liberalismo mas vários. E o liberalismo clássico, brilhantemente refundado no século XX por Hayek e Popper (entre outros) não cai nas lógicas redutoras do anarco-capitalismo, essas sim as criticadas pelo Miguel e muito bem, até chegar ao último parágrafo e confundir isso com o liberalismo em geral. Tomar o todo pela parte, como se o liberalismo fosse uma única doutrina ou ideologia, é, parece-me, contribuir para uma confusão generalizada pelas mais do que banais e patéticas críticas ao neo-liberalismo, quando os seus vociferadores geralmente nem sabem do que falam (sabem lá eles distinguir entre liberalismo clássico, liberalismo continental, libertarianismo ou anarco-capitalismo) - trata-se do processo de externalização daquilo que não sabemos explicar para um mito, desta forma procurando confortar-nos a nós próprios e evitar confrontar a realidade e tentar percebê-la.

 

3 - Como o liberalismo em que me filio é o clássico, e como hayekiano, permita-me o Miguel o atrevimento de repudiar a confusão em que incorre, clarificando que Hayek insere-se numa linha de pensamento que perspectiva a democracia como um método que se preocupa essencialmente em limitar o poder de quem governa, o que é uma concepção característica da teoria e prática da democracia de origem anglo-saxónica, por oposição à concepção de origem francesa e continental que vê a democracia assente em princípios como o bem comum e a vontade geral. Para Hayek, embora o estado liberal não possa senão basear-se no governo limitado, tal não significa, contudo, que o estado tenha que ser necessariamente um estado mínimo[1], que alguns autores, como Robert Nozick, defendem. Hayek vê no estado um mal necessário que tem duas funções essenciais: a primeira, assegurar a manutenção das regras da ordem espontânea; a segunda, providenciar bens e serviços que a ordem espontânea não produz ou não pode produzir adequadamente.[2] Hayek limita a actuação do governo à observância de determinados princípios, e não sendo partidário do não intervencionismo ou laissez-faire admite, conforme nota André Azevedo Alves, “que um vasto conjunto de actividades governamentais pode ser compatível com uma sociedade livre.”[3] Aliás, mesmo na sua obra mais conhecida, Hayek afirma que nas sociedades industriais contemporâneas não há razão, dados os níveis de riqueza alcançados, para não garantir um mínimo de segurança económica a todos os cidadãos, sem que tal coloque em causa a liberdade individual.[4]

 

4 - Uma vigilância constante sobre o Estado é mais do que recomendável, na medida em que, devido ao perverso conceito de justiça social - cuja emergência permitiu novas reivindicações por parte dos cidadãos em relação ao governo, mas que permitiu a este um alargar discricionário dos seus poderes, conquanto que as suas acções sejam legitimadas em nome da justiça social[5] -, o estado de direito, ou seja, a lei enquanto princípio geral e abstracto, deixou de ser um limite à acção governativa, que passou a ser explorada pelos grupos de interesses, que assim puderam prosseguir os seus objectivos particulares à custa de terceiros, muitas vezes prejudicando a sociedade como um todo, mesmo que os indivíduos não o percebam ou até apoiem estes grupos de interesses, simplesmente porque estes recorrem à camuflagem dos seus intentos sob a capa da justiça social.[6] Que o Estado forneça os bens a que o Miguel alude, não é desculpa alguma para deixarmos de ser cépticos em relação ao exercício do poder, até porque teríamos que ser muito optimistas (ingénuos mesmo) em relação à natureza humana para tal. É por isto que o liberalismo tem uma concepção anti-estatista e anti-construtivista da vida e do mundo.  Conforme Richard Bellamy aponta, a única forma de evitar que o governo se torne presa dos interesses particulares e adopte políticas que pretendem dirigir a ordem social para os fins daqueles, é limitar o raio de acção em que o governo pode utilizar os seus poderes coercivos para aumentar os seus recursos e organizar os indivíduos, retirando-lhe a capacidade de conceder benefícios a grupos de interesses. Isto pressupõe não só a separação de poderes como a obediência da acção governamental ao estado de direito.[7] Não há em nada disto uma diabolização do Estado ou a intenção de o abolir, muito pelo contrário.

 

5 - É muito discutível que, entre os vários bens/serviços que o Miguel aponta, a educação, o funcionamento regular do mercado ou as leis emanem do Estado: a educação, em Portugal pelo menos, era em larga medida providenciada pela Igreja; o verdadeiro mercado livre surge da acção humana, mas não é produto de qualquer desenho consciente, apenas necessitando da manutenção de regras de conduta gerais e abstractas (premissas kantianas) que, estas sim, podem ser impostas pelo Estado - o problema está em as regulamentações raramente obedecerem a estas premissas, sendo na verdade comandos específicos apropriados a ordens de organização e não a ordens espontâneas, acabando por perverter o funcionamento do mercado livre; as leis, se partirmos do jusnaturalismo, não emanam no Estado, e no sistema de direito anglo-saxónico são descobertas através de um processo análogo ao do mercado, por tentativa e erro. A apropriação destes e outros sectores pelo Estado é feita a posteriori e é largamente responsável pelos tempos de crise que vamos vivendo, em que a sustentabilidade financeira do Estado foi completamente descurada, colocando a soberania interna e externa em causa. Como assinalou Adam Smith em A Riqueza das Nações, "É a maior impertinência e presunção, portanto, em reis e ministros, pretender vigiar a economia de pessoas privadas, e restringir a sua despesa quer por leis sumptuárias, ou através da proibição da importação de luxos estrangeiros. Eles próprios são sempre, e sem qualquer excepção, os maiores gastadores na sociedade. Eles que olhem bem pela sua própria despesa, e poderão confiar seguramente a das pessoas privadas a estas. Se a sua própria extravagância não arruinar o Estado, a dos seus súbditos nunca o fará."[8] 


[1] John Gray, Liberalism, 2.ª ed., Minneapolis, The University of Minnesota Press, 1995, p. 70.

[2] F. A. Hayek, Law, Legislation and Liberty, Vol. 1: Rules and Order, Londres, Routledge, 1998, pp. 47-48; Vol. 3: The Political Order of a Free People, p 41.

[3] André Azevedo Alves, Ordem, Liberdade e Estado: Uma Reflexão Crítica sobre a Filosofia Política em Hayek e Buchanan, Senhora da Hora, Edições Praedicare, 2006, p. 112.

[4] F. A. Hayek, The Road to Serfdom, Chicago, The University of Chicago Press, 2007, pp. 147-148.

[5] Mark S. Peacock, "On Political Competition: Democracy, Opinion and Responsibility", in Constitutional Political Economy, Vol. 15, N.º 2, 2004, p. 198.

[6] F. A. Hayek, Law, Legislation and Liberty, Vol. 2: The Mirage of Social Justice, op. cit., p. 96.

[7] Richard Bellamy, "Dethroning Politics’: Liberalism, Constitutionalism and Democracy in the Thought of F. A. Hayek", in British Journal of Political Science, Vol. 24, N.º 4, p. 425.

[8] Adam Smith, The Wealth of Nations. Disponível em  http://oll.libertyfund.org/index.php?option=com_staticxt&staticfile=show.php%3Ftitle=220&layout=html

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publicado às 15:31

A alvorada que virá em paz

por Nuno Castelo-Branco, em 06.02.12

"Sosseguem os republicanos e todos os amantes da liberdade, pois nós não somos como os homens do 5 de Outubro: nós não recorreremos a pistoleiros e bombistas, não assassinaremos Chefes-de-Estado, não armaremos paisanos, não faremos tábua-rasa de resultados eleitorais, não faremos medições frenológicas nem desterraremos opositores, não teremos prisões privativas nem juízes nomeados pelo governo, não faremos assaltos à imprensa livre, não viciaremos resultados eleitorais, não proibiremos partidos políticos, não empurraremos ninguém para o exílio, não lançaremos a polícia sobre os sindicatos, não teremos Olímpios nem Camionetas Fantasma.

Se a Restauração vier, virá para aprofundar a liberdade e a união de todos os portugueses. Foram cem anos perdidos, de bagunça seguida de ditadura e ditadura seguida de bagunça. As pessoas sabem que a coisa está por um fio e antes nós - essa maioria silenciosa que esperou e começa a despertar - que a violência do povo à solta, entregue às paixões irracionais do saque e da vingança. Mudaremos em paz, com todos, com as leis, os tribunais e a ordem, com as liberdades civis e políticas respeitadas."

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publicado às 19:40

A crise da ficção dos governos

por Samuel de Paiva Pires, em 31.10.11

Miguel Castelo-Branco, A morte do pequeno deus:

 

«A crise que vivemos é a crise da ficção dos governos. Na presente crise, a excepção parece ser a dos países onde não há governo. Na Europa em pré-bancarrota, o único país que se tem saído bem é a Bélgica, que esteve sem governo durante ano e meio. Onde há políticos e gestores do imediato, há crise; onde não os há, a crise parece resolver-se de forma natural. No fundo, a crise dos governos é a crise de um modelo. No Antigo Regime, que tinha governos mínimos, quase sem funcionalismo, os governos serviam o Rei e não se envolviam em minudências. Os chamados corpos intermédios cuidavam do essencial, resolviam os problemas e encontravam soluções. Hoje, que os governos são complexos, pesados, estão em todo o lado, legislam sobre tudo, as crises tornam-se generalizadas, invadem todos os campos da vida colectiva e imobilizam as sociedades.»

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publicado às 13:06

A mentira normalizada

por Nuno Castelo-Branco, em 30.10.11

Hoje, os governos são na sua generalidade máquinas de prestidigitação, edifícios complexos abrigando uma floresta de instituições servidas por gente desclassificada, sem outra preparação específica que as artes práticas das logomaquias parlamentares; os governos converteram-se em inimigos do bom-senso e até da natureza. As crenças desenvolvimentistas estatelam-se e o progresso – esse monstro – vai mostrando o erro trágico de décadas de sedução perante o abismo que ninguém queria ver.

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publicado às 09:47

Tróla-ró-laró do atraso mental de outros tempos...

por Nuno Castelo-Branco, em 19.10.11

...e que ainda anda por aí, cheio de ilusõezinhas.

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publicado às 23:04

Portugal-Tailândia, 500 Anos

por Nuno Castelo-Branco, em 22.07.11

Embora por cá não se notem, já tiveram início as comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Sião. Pelo que temos visto, os tailandeses estão a levar muito a sério o seu primeiro contacto com um povo europeu e este video é um bom exemplo. Não fosse o Instituto do Oriente do ISCSP (Narana Coissoró, Vasconcelos Saldanha e Miguel Castelo-Branco) e dos meios financeiros por esta entidade graciosamente oferecidos a este ciclo, nada teria acontecido até ao momento pela parte portuguesa, ao contrário dos tailandeses que estão a investir avultados meios logísticos, humanos e financeiros. Não nos cheguem com as desculpas habituais, porque o Instituto do Oriente é uma entidade pobre e tudo tem feito para cumprir com dignidade aquilo a que se propôs. O Governo simplesmente não teve capacidade para o realizar: edições, conferências, exposições, catálogos, monografias académicas, preparação de um simpósio internacional a realizar em Novembro, tudo isto também implicando deslocações e estadias para as quais o contribuinte português não desembolsou um tostão.

 

"Foi anteontem apresentada em simultâneo em Lisboa e Ayutthaya, antiga capital do Sião, a emissão filatélica conjunta luso-tailandesa alusiva aos 500 anos de relações entre os dois países. A convite da administração dos CTT foi-me pedida colaboração na condição de investigador doutorando do Instituto do Oriente /Universidade Técnica de Lisboa. Os trabalhos que serviram para ilustrar os selos agora à venda em todas as estações de correios de Portugal e Tailândia são do pintor português Carlos Barahona Possollo, meu amigo de há muito, bem como da artista plástica tailandesa Mayuree Narknisorn. O texto explicativo, em inglês e português, é de minha autoria." 

 

Miguel Castelo-Branco, Combustões


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publicado às 15:57

Peonagem pirosa

por Samuel de Paiva Pires, em 07.06.11

Ler o excelente post do Miguel Castelo-Branco:

 

«"Ils déménagent", ou, mais prosaicamente, eles fazem as trouxas. Hoje, um pouco por todo o Estado, os telefones não param. Pedidos, súplicas, silêncios, conversas em surdina. O emprego que está por um fio, a direcção geral que "cai com o governo", o tempo que se esgotou, as inimizades e invejas que se fizeram. Quem ainda na sexta-feira não se dignava dar os bons-dias; quem não recebia e mandava dizer "lá está esse chato, diga-lhe que estou em reunião"; quem se sentava no carro de hierarca e esperava que o motorista - um pobre diabo com o dobro da idade do micro-sátrapa - lhe fosse abrir a porta, quem tinha as ajudas-de-custo, as cadeiras D. Maria I, os candelabros requisitados aos museus e palácios que foram dos nossos reis e por dois ou três aninhos pertenceram a essa gente da geringonça; quem nunca trabalhou, começou por colar cartazes lá da secção e acabou com um curso poligrupo e alcandorado a senhor presidente disto ou daquilo; em suma, essa peonagem pirosa de parvenus deve estar assarapantada.»

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publicado às 01:13

O brilhante palmarés da III República

por Nuno Castelo-Branco, em 03.06.11

"Os números são arrasadores: 40% das crianças portuguesas vivem imersas na pobreza, não têm acesso a alimentação e assistência médica adequadas, pelo que não terminarão o percurso escolar mínimo e entrarão na idade produtiva sem especialização profissional; ou seja, os filhos dos pobres, pobres ficarão. Trinta e sete anos após a dita coisa, já não há desculpas. Um regime quarentão não se pode desculpar com o anterior. A legitimidade moral de um regime faz-se pela obra e não pelas intenções solenemente proclamadas. A constituição de 76 nasceu marcada pela utopia, que no tempo era já há muito uma distopia cansada de socialismo indicando o caminho da miséria. Depois de muitas alterações e revisões, a constituição transformou-se num amontoado de pias mentiras em que todos fingiam acreditar, conquanto se pudesse dar livre curso ao instinto predatório das capelinhas, dos grupos e parentelas. Chegou-se ao fim."

 

Leia mais no Combustões

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publicado às 17:41

Há um ano: "No President!"

por Nuno Castelo-Branco, em 01.05.11

 

 

 

Pelo fim da tarde, já na manifestação, encontrei o grupo de operários. Eram os mais ruidosos e entusiastas. Não havia ali o patrão, o cacique, o manipulador ou o comissário controleiro. Estavam entre eles, trabalhadores, e a sua fidelidade ao Rei. Os povos, os trabalhadores, têm infusa a percepção de quem os explora e engana. Sabem que os reis são garante da dignidade para quem, nada tendo, precisa de um aliado que os defenda da usura, da propaganda e da manipulação. Os trabalhadores - ou seja, aqueles de trabalham, que criam riqueza, que não pertencem a lóbis e grupos, não têm amigos que lhes arranjem sinecuras - conhecem as durezas da vida. 

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publicado às 21:17

O que se passou na conferência em Bangkok

por Nuno Castelo-Branco, em 03.03.11

Visitem o site da Siam-Portuguese Studies, onde poderão visionar excertos das conferências de Miguel Castelo Branco e de António de Vasconcelos Saldanha. Está também disponível no Facebook, uma página destinada à comemoração do V Centenário. Um acontecimento destacado aqui.

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publicado às 11:02

The Portuguese-Siamese Treaty of 1820

por Nuno Castelo-Branco, em 01.03.11

"Quis a assembleia interpelar-me sobre o livro agora publicado. Nestas coisas, não se deve titubear nem assumir vergonhas nacionais, paralisantes complexos de inferioridade e a sempre velha história dos coitadinhos pedindo desculpas pelo facto de existirem. Fi-lo em tom de defesa agressiva e procurei desmontar um a um os mitos que teimam em repetir-se a respeito de Portugal no Oriente. Correu bem e um pouco de lógica apaixonada e verbo incandescente não fazem mal a ninguém. Só nos respeitam quando, sem fantasia e com plena frontalidade assumirmos o nosso papel no mundo. Ao terminar, confesso que exausto e ainda a pesar-me nas pernas o efeito do jet lag,recebi dezenas de pedidos para autografar o livro. Servir Portugal é um honra e se cada um o soubesse fazer na exacta medida das suas competências, Portugal teria outra visibilidade. Um dos presentes, embaixador da Tailândia num país da União Europeia e parente próximo da família real, teve a gentileza de me confessar que ficara encantado com a sessão e que havia formado um outro juízo sobre Portugal e os portugueses. No mesmo registo, um dos luso-descendentes expressou ao Professor Vasconcelos de Saldanha a importância e impacto do acto, segredando-lhe estar cheio de orgulho pelo ascendente que os oradores haviam conseguido e pela "forma como haviam dito coisas difíceis com tamanho desembaraço"."

 

Leia o texto completo no Combustões

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publicado às 11:02

Em tom de brincadeira e por vezes de forma chocarreira, aqui deixámos alguns posts acerca dos acontecimentos do Cairo. É certo que a imprensa e famélicos apêndices da blogosfera, logo alinharam pelos hinos de louvor ao que se julga ser o "poder popular", seja lá isso o que isso signifique. Quem conheça minimamente a história recente do Egipto - e naquele país, o muito recente quer dizer dois séculos -, reconhecerá a evidência dos pressupostos do exercício do poder serem senão opostos, basicamente muito diversos daqueles que perfilhamos no Ocidente. Nem sequer nos dando à perda de tempo e da paciência dos leitores em discorrermos acerca dos conceitos de democracia - sabendo-se que aqui no Ocidente, quem mais a berra, menos a sonha como prática - poderemos dizer que o período em que o Egipto viveu um período mais aproximado com o que achamos aceitável em termos "liberais", correu entre o final do século XIX e o período imediato à II Guerra Mundial. Os poderes anglo-saxónicos não tiveram em conta a profunda frustração que as sociedades do Médio Oriente cultivaram após Versalhes, quando a tutela do Império Otomano, por muito nominal que fosse, foi substituída por um nítido controlo de recorte colonial, exercido pela Inglaterra e pela França. A Itália de Mussolini tentaria acompanhar esta tendência, embora quanto ao caso egípcio, existisse uma teórica mas bastante formal relação "entre iguais", plasmada pela mútua simpatia cultivada por Vítor Manuel III e Fuad I. Aliás, o monarca italiano morreria exilado em Alexandria, onde ainda se encontram sepultados os seus restos mortais. A alegria com que as massas cairotas ansiavam pela chegada de Rommel Paxá, era sintomática do profundo desejo de um render da guarda.

 

É chocante, a falta de discernimento dos agentes mediáticos, eternos catadores de revoluções que satisfaçam a sede de breve aventura diante da tv, como se de filmes de diversão se tratassem. A realidade é outra, muito mais complexa e que se prende com a estrutura social de cada um dos países da zona, onde não cabem as generalizações como "mundo árabe", "sociedade muçulmana" e outros jargões a que nos habituaram. Por exemplo, a realidade jordana é completamente diversa daquela que a Síria do sistema Baa's tem vivido e o mesmo se passa relativamente ao Iraque, Líbano e todos os Estados da Península Arábica. No norte de África, o Egipto sempre fez figura de grande potência regional, aliás a única existente até à vaga de independências de facto, ocorridas após 1945. Ali e a partir de 1952, o papel das forças armadas tem sido o eixo em torno do qual gira toda a vida do país, numa situação bastante diversa daquela que existiu até ao derrube da Monarquia. Embora de forma diferente - porque  anterior - do ocorrido na Turquia kemalista, a ocidentalizada elite local havia copiado até onde pôde, aquilo que pensava ser um sistema que traria o progresso material e a adequação do Egipto ao normal convívio internacional dos Estados modernos. Já nos referimos ao estilo de vida e aos gostos colhidos numa Europa que ainda servia de exemplo a seguir. A Guerra Fria e o advento da independência de Israel - um acontecimento que forçaria uma decisiva mudança na correlação de forças internas e a decisiva e permanente ascensão dos militares, hoje "empresários" -, criaram o país que agora nos entra casa adentro através de noticiários muito parciais e por vezes, roçando o delírio da fantasia.

 

Apesar das críticas com que tem sido fustigado, muito bem diz Vasco Pulido Valente, quando sugere que a "democracia egípcia" acabou de nascer com a suspensão da Constituição, a dissolução do Parlamento e a autoridade transferida para uma Junta, onde pontifica o marechal Tantawi. Inebriada pelo movimento popular nas ruas do Cairo e de Alexandria, a imprensa ocidental prodigamente alimentou a sensação de euforia, chegando ao ponto de ridiculamente comparar os acontecimentos, com a queda do Muro de Berlim. Passando sobre o grotesco da alegação que chegou a contaminar o desastrado discurso da senhora Merkel - com laivos de ingerência e completa inabilidade no israelita argumento base do mesmo -, cremos ser necessária uma maior circunspecção quanto ao evoluir da situação. É certo que muitos há que desejem ver o poder cair na rua, pouco se importando com quem esteja mais apto a segurá-lo de forma tão firme, quanto aquela que hoje se verifica em Teerão. Os erros crassos dos norte-americanos, são coisa antiga e repetitiva, mas da Europa, dada a sua proximidade geográfica e a clara dependência da segurança e liberdade de circulação naquelas paragens, esperava-se outra coisa. Bem vista a realidade, a nossa classe política é clamorosamente fraca, quase indigente.

 

São desculpáveis, os risonhos dislates proferidos em afinados gorjeios por uma Márcia Rodrigues, num típico fenómeno que se fica pelo anedotário enche-verbo, destinado ao consumo dos péssimos telejornais da RTP, normalmente recheados de ninharias locais e do hegemónico futebol. A ignorância e a asnice contente, transformam os "enviados especiais", em contadores de estórias pessoais, episódios mais ou menos pitorescos e pouco mais. É o espírito de feira permanente, aliás bem distante das "revoluções permanentes" de outros tempos e paragens.

 

Foram prometidas eleições para Setembro e neste momento, ninguém duvidará da sua realização. O que ainda estamos para saber, será descortinar o tipo de eleições e o sistema adoptado para as realizar e o que dali sairá. Para já e prevê-se que tal estado de coisas dure muito tempo, os militares detêm o poder no Egipto. Os ocidentais, habituados aos golpes de rins partidários, não compreenderam o que significa a palavra "exército" naquele país. O exército é o Estado e em boa verdade, pouca coisa mudou, pelo menos no essencial. Para já e para começar a tal democracia, suspendeu-se a Constituição, formou-se uma Junta militar e "aconselha-se" o fim das greves. Isto diz-vos algo?

 

Entretanto, de uma coisa estamos certos: entre centenas de outras preciosidades dos tempos faraónicos, o busto de Nefertiti e a Pedra de Roseta, poderão permanecer ad eternum nos seus locais de exposição. Bem seguros e visitados por milhões. Apesar das visitas da Luftwaffe à capital britânica e das incursões da Royal Air Force, dos U.S. Bomber Corps e dos 16.000 canhões de Estaline a Berlim, as peças continuaram invictas, bem guardadas e expoentes de um património que está longe de pertencer em exclusividade, às massas da Praça Tahrir. Ou à semelhança de Paris, Roma e Londres, não teremos nós, um obelisco em plena praça nobre de Lisboa? O simples facto de ser uma cópia, quer dizer algo.

 

Neste momento de patrimónios periclitantes, Zahi Hawas deve suspirar de alívio.

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publicado às 15:40

Portugal-Tailândia: 500 anos no Bangkok Post

por Nuno Castelo-Branco, em 09.02.11

Claire Keefe-Fox, Miguel Castelo-Branco and MR Chakrarot Chitrabongs will be among the speakers during the 500 Years: Europeans In Siam symposium.

Museum highlights Thailand’s long relationship with European

Although, it is virtually impossible to pack 500 years into a single day, through a line-up of distinguished Thai and European scholars the NMV will attempt to touch on the salient aspects of art, history, politics and daily life that ultimately left their mark on modern-day Thailand.

Europeans in the Court of Siam — whether adventurers, missionaries or traders — have provided the context and material for this symposium.

Fourteen distinguished speakers will cover a range of topics in short 10-20 minute bytes. Among them are Miguel Castelo-Branco, researcher and author, who will question the so-called Bowring Treaty, asking whether it was in fact as decisive as initially thought, since in 1820 Portugal and Siam negotiated a treaty under conditions that allowed Siam to break with predominant Chinese relations; MR Chakrarot Chitrabongs, the grandson of Prince Naris and Prince Damrong, half-brothers of King Chulalongkorn, will discuss the education of the Thai elite overseas and how it has impacted Thailand’s development; Prof Alain Forest, author of Falcon, L’Imposteur de Siam, will review the fascinating and controversial life of Constantine Phaulkon; Claire Keefe-Fox, director of the Alliance Francaise, will talkabout the first French to venture to Siam in the 17th century; and Caroline Link, chairman of the B Grimm Group, will discuss the company’s history and business endeavours in Thailand during the past 132 years.

Other lecturers include Christopher John Baker, ML Chittawadi Chitrabongs, Ines Ehrlich, Giacomo (Jack) Mauri, Paolo Piazzardi, Bhawan Ruangslip, Bulong Srikanog, Count Gerald vander Straten PonthozandThavatchai Tangsirivanich.

The symposium, conducted in English, will take place at the National Theatre Bangkok on Rachinee Road on Feb 24 from 9am-4:30pm.

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publicado às 11:17

The Portuguese-Siamese Treaty of 1820

por Nuno Castelo-Branco, em 26.01.11

Da autoria do meu irmão Miguel, este livro é publicado pelo Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas - ISCSP -, sob a chancela do ministério dos Negócios Estrangeiros/Missão comemorações Ásia. Com uma introdução do professor António de Vasconcelos de Saldanha, a obra oferece uma perspectiva revisionista na ..."abordagem do lugar pioneiro de Portugal na implantação do modelo de negociação e redacção de tratados com potências do Sudeste-Asiático."

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publicado às 09:20

Parlapatonices da república

por Nuno Castelo-Branco, em 04.01.11

Não é um "oásis num deserto", mas sim um deserto no deserto. Uma sede num falido centro comercial. Foto cedida pelo Combustões

 

Para nossa felicidade, não têm tino. Alegre, Cavaco, Lopes, Coelho e Nobre, envolvem-se naquela que é - de longe! - a mais perniciosa e "importante" questão para a república. Envolve dinheiros, tráfico de influências e aquilo a que o homem da rua chama de vigarices. A coisa ainda está a começar e já imaginamos o que as próximas semanas trarão.

 

Excelente, melhor não podia ser! Cá ficamos à espera e nem necessitaremos de levar seja quem for à Rotunda.

 

"Ficar em casa, abrir um bom livro, ouvir música, estar com a família vale mil chapeladas da lotaria dita republicana. Como acreditamos na República - ou seja, na política - e como só há Política quanto a totalidade da Cidade se revê nas instituições, recusamos participar numa fraude."

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Património português em leilão

por Nuno Castelo-Branco, em 25.12.10

“Neste país” – é assim que hoje em dia, os portugueses chamam à sua pátria -, existe sempre uma verba qualquer para comprar miserável sucata a prazo, como um Mercedes ou BMW, destinado a uma qualquer irrisória excelência. No entanto, adquirir belas obras que enriquecem o nosso património e garantem um hipotético renascer da nossa auto-estima, é coisa difícil. Na Sotheby’s de Nova Iorque, vai a leilão este belíssimo quadro que retrata um grande português do Oriente. A base de licitação está fixada entre os 80.000 – 100.000 Dólares (EUA). Não haverá por aí um mecenas capaz de oferecer a Portugal esta prenda de Ano Novo?

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publicado às 22:14






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