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Se o governo toma decisões aos bochechos por causa do mau aconselhamento dos cientistas que participam nas reuniões do Infarmed, ou ao sabor da opinião pública e dos comentadores de serviço, em qualquer dos casos talvez devesse parar para avaliar da sua função, autoridade e utilidade. Um governo que, numa semana diz que não fecha o comércio todo, depois fecha o comércio todo, que não fecha as escolas, depois fecha as escolas, só pode ser um caso grave de saúde mental.
E ao ouvirmos o presidente da república dizer que se pensava que a pandemia acabava em Outubro de 2020, temos completa esta nave dos loucos.
A vacina chegou primeiro que a noção a Portugal, infelizmente continuará facultativa e circunscrita a um grupo reduzido de indivíduos - o que significa que nada ou muito pouco adiantará numa população maioritariamente não vacinada e sujeita ao contágio e disseminação do vírus (de que adianta fechar as escolas hoje, amanhã e depois, se o vírus continuar nas salas de aula?). Não custaria menos vacinar pelo menos 80% da população do que sujeitar o país a uma crise económica sem precedentes?
O que é pena é que entre tantos cientistas, comentadores televisivos, peritos em epidemiologia e saúde pública, nenhum tenha a coragem de nos dizer que não, não vai ficar tudo bem e que este segundo confinamento há-de ser um de muitos que no futuro ainda hão-de acontecer.
Está visto que o CDS é, neste momento, o único partido do Governo capaz, valha-nos isso, de formular uma visão alternativa a respeito do desastre iminente. A proposta que João Almeida (indiscutivelmente um dos deputados mais competentes da direita portuguesa) veiculou ontem é o reconhecimento expresso de uma realidade inegável. Já não se cura apenas de corrigir um plano que não funciona - sim, meus caros, estes planos de ajustamento são assustadoramente disparatados, mas não pelas razões aduzidas pelo PS e quejandos -, trata-se, também, de corrigir o tiro. E essa correcção passa, em parte, pela renegociação da dívida. Uma renegociação honrada, para usar a expressão de Miguel Cadilhe. Porém, desenganem-se os néscios se pensam que basta uma renegociação, pois, com ou sem ela, a despesa terá de ser cortada cerce. Sim, uma renegociação sem um corte radical da despesa do Estado não valerá a pena. Quem não entendeu isto, e infelizmente muitos dos comentaristas que diariamente nos assolam com os seus ditirambos ainda o não entenderam, faça o favor de estudar e raciocinar, se não for pedir muito. Até porque o que aí virá será uma austeridade reforçada. Com ou sem euro.