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Medalhas socráticas

por John Wolf, em 28.10.14

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Sei que faz parte da matriz cultural portuguesa a progressão na carreira ao fim de certos anos de serviço e a passagem administrativa de mero funcionário a quadro da entidade em causa, e, que para todos os efeitos, o desempenho pode ser um mero factor secundário - o que conta é que se apresentou no emprego e não teve muitos dias de baixa médica. Ou seja, nem é preciso ser bom naquilo que se faz. É preciso é aparecer e ocupar o gabinete. Já devem ter percebido do que falo. Onde está escrito que o Presidente da República é obrigado a condecorar um Primeiro-Ministro? Mesmo que pareça uma tradição ou seja um costume, o direito discricionário deve prevalecer - a medalha não deve ser atribuída de um modo burocrático. Se vamos pelo caminho do choradinho - "aquele menino recebeu um chupa-chupa e eu também quero" - estaremos de facto a nivelar tudo e todos de acordo com a mesma bitola baixa. Se assim fosse, atribuir-se-ia a distinção logo na tomada de posse, no momento inaugural, no dia da vitória eleitoral, no primeiro visionamento da ecografia política. Quem sabe ao certo qual o tempo de gestação das decorações? Se a medalha for como o vinho do Porto, então talvez valha a pena esperar uns bons 50 anos para brindar. Talvez seja boa ideia pensar uns segundos sobre a matéria.

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publicado às 10:23

O espectáculo das condecorações

por João Pinto Bastos, em 20.01.14

Dando de barato o facto de Ronaldo ser, na actualidade, o melhor futebolista do mundo (ainda que isto do "melhor jogador de futebol do mundo" seja, a meu ver, uma fantochada sem quartel), a verdade é que o que se passou, em Belém, há poucas horas atrás foi um espectáculo a que nem a melhor versão dos Gato Fedorento seria capaz de se equiparar. Entendamo-nos: Cristiano Ronaldo é, de feito, um português com méritos mais do que firmados no mundo da bola, sendo que, nos dias que correm, o seu nome é já uma marca global reconhecida em qualquer recanto deste mundo cada vez mais globalizado, porém, não há, na minha óptica, nada, rigorosamente nada, que justifique o pobríssimo espectáculo de variedades criado em torno da atribuição do Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique ao craque madridista. Em primeiro lugar, não é minimamente admissível que se faça da entrega de uma condecoração de Estado um circo mediático a que nem o bom português conseguiu escapar às arranhadelas primárias dos intervenientes deste bacanal de gorilas enfatuados. Em segundo lugar, uma condecoração não é, que eu saiba, um troféu laureado que pressuponha um protocolo que mais parece uma derivação pouco original das berrarias tão características das meninas que compõem as claques desportivas americanas. Em terceiro lugar, o argumento do reconhecimento internacional é, a bem da verdade, um argumento pífio, pois, se alinharmos nesse diapasão, há quem tenha feito, com uma influência bem mais vincada, muito mais pela pátria do que Ronaldo. Em quarto lugar, e last but not the least, eu cria, mas pelos vistos erradamente, que a atribuição deste tipo de condecorações era feita no final de uma carreira desportiva. Ao que tudo indica, enganei-me redondamente. Para Cavaco, essas minudências, pura e simplesmente, não existem. Mas já que estamos numa de entregar a torto e a direito condecorações por feitos que pouco ou nada influíram na vida das pessoas, por que não premiar o Grande Oriente Lusitano pela influência subliminar que teve na fundação do F.C. Barcelona? É que, para todos os efeitos, se, hoje, temos o prazer de ver Messi e companhia jogarem, isso deve-se, numa medida nada negligenciável, à Maçonaria portuguesa. Portanto, caríssimo Presidente, se deseja comprar os favores da populaça com condecorações a granel, não se esqueça de agraciar quem, antes de Ronaldo, já fez alguma coisa de útil pelo desporto mundial. 

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publicado às 23:10






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