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Mártires da gula e gana natalícia

por John Wolf, em 23.12.14

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Posso afirmar, sem reservas, que não me encontro a deambular pelo marasmo da quadra natalícia. Os rituais há muito que foram assassinados, enjeitados e trocados por ritos de passagens aéreas, compras avulso, sacos que ostentam a marca visível à distância da consoada mais farta. Na minha família divorciamo-nos dessa dependência febril, da tensão inglória, supostamente tolerada em nome de uma qualquer instituição a preservar. Estamos por perto nas ocasiões que entendemos, nos momentos que requerem a sageza de um encosto que transcende a família nuclear, essa do sangue mais espesso. A agremiação, forçada pela cultura judaico-cristã sobre os sujeitos, muito pouco tem a ver com tolerância, paz e amizade. Enquanto esgotam jantares na estalagem e convertem o nascimento de Cristo em Carnaval, o promontório da técnica pagã, o fosso existencial vai sendo cavado com ainda maior insistência. E uma pequena linha de derivação é lançada para a outra margem, para o novo ano de 2015, como se este, por obra de um feitiço ou de um passe de mágica, fosse filho primogénito de um imaculado casal, virgem. Mas, lamentavelmente, assim não é. A genética civilizacional conhece a sua ascendência, e por isso somos adventistas. Somos testemunhas, mas também autores do descalabro anacrónico. A mensagem de esperança que vos irão lançar é mais um produto light, apresentado num embrulho demagógico, parco em substância de facto. Encontramo-nos na era do vazio, e a luz que vemos não serve de vela de santuário. É apenas o néon do centro comercial lá ao fundo, aberto até às 20h do dia 24 para deleite do utente cheio de vontade.

publicado às 18:20

Um recuo civilizacional sem precedentes

por João Quaresma, em 12.10.13

«A liberdade com roupagem de opulência, consumo, "conforto" e prazer escondia, pois, indústrias milionárias de alienação, a destruição sistemática das instituições inculcadoras da ordem social, cultural, e política. Foi com a benção do consumismo, do crédito para todos, do dinheiro barato que se semeou a crença que a felicidade individual só se realizaria com a substituição do dever pelo prazer e quando todas as formas de autoridade fossem substituídas pela cultura do lúdico. Certamente que ao cerrado combate para a destruição da escola e da cultura na sua expressão mais latitudinal - hoje transformadas em negócio e consumo - implicaria ipso facto o fim da própria ideia de cultura. Pensaram os ingénuos que se abria uma nova era de ilimitado experimentalismo e busca de um novo tipo de homem. Compreende-se agora o mito da "classe média", solução engenhosa para desagregar a cultura de classe (inerente a cada grupo social) e sobre ela criar uma só classe de consumistas, angariadores de crédito e prazer. A bolha imobiliária (como a bolha do automóvel para todos, a bolha das PPP's para abrir estradas levando às "novas urbanizações") - tudo isso um negócio que requeria mais mercado.

A verdade é que o capitalismo libertário se desfez deliberadamente de todas as formas de limitação - por via da moral, da ética, da responsabilidade - para, assim, implantar, não o contrário da velha ordem burguesa, mas uma sociedade sem centro, um não-Estado, uma anti-economia. Assim se explica a continuada mutilação da dimensão integradora do Estado - assistencial, educadora, codificadora, policiadora - ao longo das últimas três ou quadro décadas. Assim fica explicado o derrube da ideia de fronteira política e económica, a desvalorização moral do trabalho, a exaltação do protestarismo, o culto do "Outro" (multiculturalismo), o combate cerrado contra o patriotismo, as forças armadas e a "educação autoritária". Neste combate, a esquerda divulgou, vulgarizou, legitimou os chamados "sentimentos nobres", enquanto aderia sem reserva alguma à globalização, às migrações, à "cidadania universal". A "cidadania universal" queria apenas dizer mais imigrantes, derrube do sistema social europeu, deslocalização do aparelho produtivo. A Europa, que por via dos fascismos e do comunismo, se armara de dispositivos para regular o desespero dos pequenos, assistiu ao longo dos últimos anos a um recuo civilizacional sem precedentes. Para iludir o vazio, o liberalismo libertário inventou a ilusão da participação, estimulando o convivialismo das internets, as tribunas opinadoras, as causas que - tantas são - dispersam a angústia e compensam psicologicamente os cidadãos pela perda efectiva de capacidade interventora.»

 

Miguel Castelo-Branco, no Combustões.

publicado às 06:14



Pasolini e o hedonismo de massas.

publicado às 13:32

"Sufficiency Economy" e Bhumibol Addulyadej

por Nuno Castelo-Branco, em 18.03.09

 Só lendo-a compreendemos a animosidade que move meio "mundo dos negócios" contra a monarquia. O Rei di-lo sem rebuço: os conglemerados, as fusões, as deslocalizações, os transgénicos, as grandes superfícies, o consumismo, o culto do betão e do automóvel, a urbanização incontrolada e a rapidez com que se processa [artificialmente] a rotação tecnológica, induzida pelos fabricantes, estão a destruir o ambiente, a pauperizar os pequenos produtores e a provocar o nascimento de uma nova sociedade injusta, implacável e inimiga das nações. Profético.

publicado às 10:55






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