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Trump e o Prémio Nobel da Paz

por Samuel de Paiva Pires, em 30.04.18

Miguel Sousa Tavares, na SIC, afirmou há pouco que se o Prémio Nobel da Paz for entregue a Trump, algo que foi hoje sugerido pelo Presidente da Coreia do Sul, a instituição do Prémio Nobel acaba e até a própria família de Trump se rirá a bandeiras despregadas. Sendo eu insuspeito nesta matéria, dada a minha opinião negativa acerca de Trump, e considerando as devidas cautelas quanto à concretização da desnuclearização proclamada por Kim Jong-Un, não deixa de ser irónico que Trump possa ser um factor determinante para a pacificação da Península da Coreia. 

 

Ora, atentemos na justificação do Comité Nobel Norueguês para atribuir o Prémio a Obama em 2009: “The Norwegian Nobel Committee has decided that the Nobel Peace Prize for 2009 is to be awarded to President Barack Obama for his extraordinary efforts to strengthen international diplomacy and cooperation between peoples. The Committee has attached special importance to Obama's vision of and work for a world without nuclear weapons.”

 

Claro que as visões e ideias são importantes, mas a concretizar-se a desnuclearização da Coreia do Norte, talvez valesse a pena relembrar, em linha com Maquiavel, que em política o que importa é a verdade efectiva das coisas e os resultados, não a imaginação. Como escreveu o florentino: “Nas acções de todos os homens, e mormente dos príncipes, em que não há um tribunal para onde reclamar, olha-se é ao resultado. Faça, pois, um príncipe por vencer e por manter o estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos serão louvados, porque o vulgo prende-se é com o que parece e com o desenlace das coisas.” 

 

Mas claro que o Comité Nobel Norueguês pode sempre preferir continuar a desvalorizar a importância do Prémio Nobel da Paz. Afinal, a Academia Sueca tem feito o mesmo, com bastante sucesso, com o Prémio Nobel da Literatura. São, aliás, cada vez mais aqueles que atribuem pouca ou nenhuma importância à instituição dos Prémios Nobel - bem como às opiniões de Miguel Sousa Tavares.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 22:35

Kim il Basam Dambu un

por Nuno Castelo-Branco, em 04.04.13

 

Desde que os bípedes se resolveram a inventar a propriedade, foram também obrigados a congeminar o uso do porrete. Não lhes bastando as cacetadas, logo de seguida subiram a parada e trouxeram a fisga. Desta forma, o mundo  transformou-se num local cada vez mais perigoso.

 

Na Ásia do nordeste, existe um país que nos remete à lembrança do Basam-Dambu de E.P. Jacobs. A virulência do discurso oficial hora a hora berrado por locutores da televisão estatal, jamais cumpre as mais elementares regras da convivência internacional. O inusitado chega ao ponto de ameaçar-se o odiado inimigo de três cabeças - Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul -, com um ataque nuclear preventivo. O território japonês, Seul, Guam e Pearl Harbour são claramente declarados como alvos imediatos. Passando sobre a questão dos aspectos meramente militares que parecem ter substituído a diplomacia, talvez os norte-coreanos não tenham a menor consciência do que ainda hoje significa a menção da base americana no Hawai. Em termos psicológicos, esta evocação é capaz de despertar a generalizada atenção do povo dos Estados Unidos da América que na sua maioria, talvez não fazendo a menor ideia acerca da situação geográfica da Coreia, sabe bem o que Pearl Harbour significa. Má propaganda, desastroso efeito moral que apenas garante um efeito boomerang.

 

Pela escalada das palavras e concomitantes ameaças, parece que o governo de Pequim está rapidamente a perder o seu conhecido e até agora apreciado controlo sobre Pyongyang.

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publicado às 20:49






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