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O homem que disse toda a verdade

por Pedro Quartin Graça, em 19.10.11

Nos EUA ou na Europa, a realidade é a mesma.

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publicado às 10:41

A ler

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.08

A absurda ideia de que há um "Regresso a Marx", por José Pacheco Pereira:

 

Podia continuar por páginas e páginas. Duvido que Marx achasse mal a globalização financeira como passo para a globalização do capitalismo e, claro, da revolução. Por exemplo, falando sobre a protoglobalização que conhecia no seu tempo, Marx acabava por ser um partidário da política de canhoneira, que, abrindo a tiro os grandes mercados fechados da Índia, do Japão e da China, permitia que o capitalismo se tornasse mundial e, a prazo, a revolução também. Marx considerava que o capitalismo era superior ao "despotismo oriental" na grande ordem do progresso da História e nos seus artigos americanos defendeu a Guerra do Ópio. Aqui, até Eça de Queirós era mais "antimperialista".


Podia de facto continuar por páginas e por páginas, mas não vale a pena. Se ao menos o "regresso a Marx" se traduzisse numa leitura de Marx, um dos autores fundamentais da nossa contemporaneidade, ainda valia a pena. Não é isso que se passa, mas a deterioração acentuada do pensamento da chamada "esquerda independente" e das modas mediáticas. E disso Marx não tem culpa.

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publicado às 18:27

Ainda a crise

por Paulo Soska Oliveira, em 28.10.08

" Pure capitalism prevailed in 1915-1929, my own childhood days.

Who killed it? Republican President Herbert Hoover and his billionaire secretary of the treasury, Andrew Mellon , were guilty before and after the fact.

 

Who brought it back to life? Franklin Roosevelt's middle-way New Deal did that. But it did take seven years after Roosevelt's March 1933 Inauguration Day to do it.

 

Let me fast-forward to the present worldwide financial bust-up.

Unregulated market systems eventually will do themselves in.

 

Marx, Lenin and Stalin were village idiots as economists. Mao was even worse. Let's try to forget about Castro in Cuba, Chavez in Venezuela, and whoever it was who reduced North Korea to starvation and stagnation.

 

What then is it that, since 2007, has caused Wall Street capitalism's own suicide? At the bottom of this worst financial mess in a century is this: Milton Friedman-Friedrich Hayek libertarian laissez-faire capitalism, permitted to run wild without regulation. This is the root source of today's travails. Both of these men are dead, but their poisoned legacies live on."

 

Muitas mais palavras de Paul Samuelson (sim, esse mesmo), aqui.

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publicado às 22:07

Coisinhas realistas por email

por Paulo Soska Oliveira, em 28.10.08

 

 

 

 

E já agora, fica a indicação de que por estas bandas, às 15h30 já está escuro como breu...

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publicado às 15:44

Liberalismo e liberdade

por Samuel de Paiva Pires, em 12.10.08

 

 

Numa altura em que se assiste a um recuperar de forças e instrumentos por parte dos governos em detrimento do sector privado e se se vier a ter como provado o que tenho escrito sobre o reajustamento de todo o sistema internacional como reflexo desta crise, parece-me que a legitimidade moral das chamadas democracias liberais deixará de ser tão genericamente aceite e reflectida no sistema internacional, visto que China e Rússia passarão a desempenhar um papel cada vez mais activo, e sem esquecer os diversos emergentes que, podendo ser democracias eleitorais, dificilmente se poderão considerar como consolidadas democracias liberais.

 

Além do mais, mesmo nas chamadas democracias liberais, a tendência será para restringir liberdades, pois tendo mais instrumentos ao seu dispôr os Estados não hesitarão em utilizá-los. É elementar que quanto mais poder se tem mais se é tentado a utilizá-lo, numa analogia às palavras de Lord Acton de que o "poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente." 

 

A combinação destas duas percepções, obviamente pessoais e não necessariamente correctas, causa-me a ligeira sensação de que daqui a uns tempos a sempre eterna discussão sobre o liberalismo vai voltar a centrar-se muito mais no campo das liberdades políticas e individuais do que no campo da economia. Devo dizer que sendo daqueles que acredita na acepção grega clássica do primado da política sobre as demais áreas ou saberes da governação, tal até não me parece mal de todo, pelo menos para mim é intelectualmente mais estimulante.

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publicado às 02:21

Its the end of the world as we know it...

por Samuel de Paiva Pires, em 07.10.08

 

Aviso à navegação: não percebo nada de economia. Tudo o que eu escrever a seguir estará provavelmente errado ou terá pelo menos algumas incoerências ou incorrecções.

 

Feliz ou infelizmente nasci nesse país que está à beira da falência. Não os EUA, mas sim a Islândia. Regressámos a Portugal definitivamente quando eu tinha cerca de 9 ou 10 meses, portanto em finais de 1987. (Nota de tentativa humorística: é uma pena porque com o meu ar tipicamente português e mediterrânico seria um exótico e bem sucedido junto das beldades islandesas...).

 

Tudo o que sei sobre esse país sei-o pelos meus pais e pelos e-mails trocados com o meu padrinho islandês. Daí o meu choque quando me apercebo que o país está na bancarrota. É simplesmente um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, o 1.º em termos de Índice de Desenvolvimento Humano. Ninguém diria há uns anos que isto seria possível. 

 

Um pouco mais abaixo no globo, o Reino Unido começa também a nacionalizar bancos, seguindo a tendência da Bélgica e Holanda. A União Europeia, mais uma vez, não tem uma voz única e a reunião do G-4 apenas veio trazer mais insegurança aos mercados. O PM assegura que os depósitos dos portugueses estão garantidos, mas vamos aguardar para ver o que vai acontecer.

 

Pelo meio disto tudo surgem mil e uma explicações, cada qual com as suas virtudes, para explicar o que se passa. Apesar de, tal como referi, não perceber nada de economia, vou aqui tentar recorrer aos meus parcos conhecimentos de leigo para tentar perceber o que se está a passar e o que poderemos esperar para o futuro.

 

Isto começa então com a chamada crise do subprime nos Estados Unidos. Os bancos emprestaram dinheiro a milhões de clientes considerados de alto risco, que a dada altura começam a ter dificuldade em pagar os créditos para aquisição de casa própria. Esta crise foi-se arrastando ao longo do último ano até que se começou a reflectir determinantemente nos mercados financeiros, levando às acentuadas quebras em bolsa e falências de bancos, com as consequentes nacionalizações como forma de evitar a bancarrota, assegurando portanto as poupanças dos clientes (que felizmente não entraram em histeria colectiva como em 29/30 ao tentar levantar o seu dinheiro).

 

Teoricamente a coisa acabaria aqui, o capitalismo não morreu e os Estados voltarão a ter maior influência no campo económico, por oposição a uma diminuição da influência da chamada mão invisível.

 

Mas ninguém sabe muito bem qual a profundidade da crise nos EUA. Imaginemos portanto um cenário de colapso, com milhões de despejados e desempregados nos EUA. Nessa altura a Europa estará também numa espiral descendente, com o BCE a aumentar as taxas de juro  (como aconteceu na Islândia), com efeitos em termos da economia real a atingirem desesperadamente os cidadãos, nomeadamente através da incapacidade para pagar os créditos. Sem esquecer que os Bancos Centrais e os Estados também não têm capacidade para continuar indefinidamente a injectar dinheiro nos mercados para assegurar a liquidez. Este será provavelmente o cenário mais terrífico que poderemos enfrentar, o que naturalmente espero não aconteça.

 

Mas continuando, por alguma razão fez-se crer em muita gente que todos deveriam adquirir casa própria, o que levou construtores civis e bancos a esfregar as mãos de contentamento durante grande parte das últimas décadas, enquanto o deslumbramento na mente dos próprios indivíduos leva(va) ao seu próprio "enforcamento" às mãos de uma qualquer entidade financeira. Eu tenho uma "teoria" que carece de fundamentação que é a de que o arrendamento será um mercado muito mais sustentável e proveitoso. Porque as pessoas não se "enforcarão" durante 20, 30 ou 40 anos, porque têm muito mais flexibilidade para mudar de casa em qualquer circunstância (mudança de emprego, desemprego, saída do país) e, principalmente, porque em vez de pagarem ao banco, que por sua vez paga à banca na qual se endividou, o dinheiro mantém-se entre os consumidores, ou seja, com efeitos mais práticos a nível do desenvolvimento da economia real. Mas como eu não percebo nada de economia, isto até pode estar errado.

 

O que interessa de facto é ilustrar que a ganância e ambição materialista dos ocidentais é a causa da própria decadência, porque o mercado e a "mão invisível" endeusada por muitos não são garantia de uma noção muito simples cujo contrário está na origem desta crise: a sustentabilidade. Não é sustentável que um sistema financeiro e económico se financie quase de forma infinita e virtual em hipotéticos créditos e "bolhas", endividando-se as instituições entre si como forma de dar resposta aos ímpetos consumistas e desregrados dos consumidores, enquanto o crescimento económico não atinge vertical e horizontalmente a sociedade como forma de garantir um desenvolvimento sustentável que diminua a hipótese de colapso do sistema.

 

Uns milhões ficam muito contentes por terem casa própria embora essa só seja sua quando já estão com os pés para a cova, e uns poucos enriquecem desmesuradamente, como aconteceu por exemplo no caso da Lehman Brothers em que o seu administrador recebeu 350 milhões de dólares em salários nos últimos 7 anos, e com o banco já na falência prestou-se a actos de gestão irresponsáveis. Tal como costumo dizer, os gestores não são perfeitos, mesmo que o mercado e a mão invisível o sejam. Não sou capaz de acreditar numa qualquer entidade transcendente que regule os mercados, quando os seres humanos que de facto os regulam não são perfeitos, isto é, nem sempre efectuam as melhores decisões, aliás, para assistirmos ao que estamos a assistir é porque muitas decisões foram desastradas.

 

Parece-me ridícula esta crença em que os inputs no mercado resultam em outputs ou feedbacks necessariamente positivos, sem tentar perceber o que acontece pelo meio, como se a black box servisse para satisfazer intelectualmente os académicos e demais, que nem sequer tentam perceber o que se passa pois a crença na mão invisível inculcou-lhes um preconceito que os leva a a uma aguda preguiça intelectual. 

 

Sendo agora um pouco menos pessimista, e na linha mais ultra-neo-liberal, acho que estamos por outro lado a assistir a uma gigantesca reestruturação do sistema financeiro e económico internacional. Provavelmente esta poderá ser a última grande crise a que se assistirá nas próximas décadas. O problema é mesmo o inferno em que viveremos enquanto não for superada. Indo de encontro à teoria d'O Mundo Pós-Americano de Fareed Zakaria, que logo no primeiro capítulo demonstra o crescimento e desenvolvimento do resto do mundo (América Latina, África, Ásia) da forma mais capitalista possível (portanto o capitalismo não morreu, o que estará provavelmente à beira da estocada final é a desregulação e a mão invisível), parece-me que assistiremos ao declinío da influência dos EUA no mundo, teremos verdadeiramente um sistema multi-polar, onde o risco de colapso financeiro estará muito mais difundido do que actualmente, pois a importância de Wall Street será dispersa por todas os outros grandes centros financeiros e, em última instância, ocorrerá, tal como escrevi há dias, uma reajustamento da hierarquia das potências e uma transformação, falta saber até que ponto, do próprio sistema internacional em todas as suas vertentes.

 

É portanto o fim do mundo como o conhecemos, vamos ver é se será um admirável mundo novo o que nos espera.

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publicado às 22:33

Incoerências

por Samuel de Paiva Pires, em 27.09.08

 

Eu que tenho a preocupação, muitas vezes a raiar a paranóia, de ser coerente para comigo próprio e para com os outros, não posso evitar sorrir sarcasticamente quando noto certas incongruências. Então a esquerda tipicamente anti-americana e que não hesita normalmente em apontar o dedo e chamar de neo-liberais, capitalistas selvagens ou fascistas todos aqueles que não comungam dos seus altíssimos valores morais, agora deu-lhe para apoiar o plano Bush com o objectivo de nos salvar da catástrofe do fim do capitalismo?

 

Realmente, às vezes só dá vontade de dizer que só sei que nada sei, e do pouco que eventualmente sei, vou percebendo cada vez menos! Até Marx deve andar a dar voltas na tumba por esta hora...

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publicado às 00:54

Notas soltas

por Samuel de Paiva Pires, em 16.09.08

Com muito trabalho e pouco tempo disponível prefiro notar quanto aos amanhãs que cantam o fim do capitalismo que estou em pleno acordo com o Nuno, especialmente quanto aos que possivelmente se vão preparando para decretar a falência do sistema económico neo-liberal (para usar o chavão corrente que toda a gente usa mas não sabe sequer o que significa, basta atentar nos (des)contextos em que os camaradas Jerónimo e Louçã o utilizam), para logo o substituir por uma possível receita que apenas parece encontrar sustentação numa actualização do comunismo. Por mim, nesta época de crescente fragmentação das economias nacionais a par com a formação de grandes espaços tendencialmente supranacionais, prefiro notar que me parece vir a ser necessário um travão à desregulamentação, provavelmente colocado a partir dessas novas unidades. É que se sou um efusivo adepto do liberalismo político, não o sou tão efusivamente quanto à economia e à "smithiana" mão invisível. Há um argumento muito simples para tal: nada garante que não haja má gestão e que essa não leve o sistema à falência, tal como parece estar a acontecer, independentemente das falências se constituírem como supostamente saudável elemento de regeneração do próprio sistema capitalista. Se levada a um extremo a noção da mão invisível e do mercado completamente desregulamentado parece-me que regredimos a uma espécie de estado de natureza no sistema económico. O Estado existe é para regular, e se a economia é o meio de sustentação financeira do Estado, pese embora a noção de mercado livre, ao Estado (ou às novas entidades supraestatais) cabe encontrar a solução para um sistema económico integrado (como o é inegavelmente o sistema económico mundial) sustentável e que não arrisque  o saudável desenvolvimento das populações, um sistema em que os estados e as entidades supraestatais sejam tendencialmente facilitadores do papel das empresas mas não sejam reféns dessas como se tem notado cada vez mais. 

 

Quanto à discussão que por aqui vai sobre o uso da gravata, devo dizer que sou um partidário do que o caríssimo João Távora escreveu há tempos no Corta-fitas. Continuarei a utilizá-la porque me é um dos elementos mais caros no vestuário formal que me apraz usar.

 

Bom, e agora mais importante é ver o Sporting que infelizmente vai perdendo por 1-0. Volto mais logo.

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publicado às 19:59






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