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Lixo? Olha quem fala...

por Nuno Castelo-Branco, em 07.07.11

Em suma, é isto mesmo. Além daquilo que Gomes Ferreira aconselha quanto à U.E, seria aconselhável uma abordagem política para outras situações de recurso. Por parte de Portugal, urge implementar o regresso à tradicional política extra-europeia, como essencial complemento daquela que nos trouxe a esta situação. Sem isso, nada feito, continuaremos a afundar o país. 

publicado às 00:04

No título, todos os culpados da crise financeira internacional que se iniciou em 2008. O governo é que não e o que precisamos é de mais intervenção governamental, diz a maioria da opinião publicada. Em 1984, John Gray escrevia um pequeno livrinho a respeito de F. A. Hayek, intitulado Hayek on Liberty. Deixo a sua breve abordagem à teoria dos ciclos económicos da Escola Austríaca de Economia, que se pode encontrar nas páginas 84 e 85 da 3.ª edição. Qualquer semelhança com o que se tem passado nos últimos anos deve ser pura coincidência.

 

 

"Equilibrium, then, is for Hayek a matter of market actors behaving in ways which allow their activities to mesh or integrate. Whether they succeed in coordinating will depend on how accurate their beliefs and expectations about each others behaviour turn out to be. The question now arises as to how this very general account of equilibrium illuminates or applies to historical episodes of depression and large-scale discoordination, and here we come to Hayek’s version of the Austrian theory of the trade cycle. As it had been developed by Hayek’s colleague, von Mises, the Austrian theory explains the boom—bust cycle of modern capitalist economics by invoking the credit policies of the banking system. At its simplest, the Austrian view is that the contemporary banking system tends to lower the market rate of interest below the natural rate—where the natural rate is understood to be the interest rate that would match the investment level with the level of voluntary savings—and so communicates to businessmen misleading and incorrect signals regarding the condition of the economy. In acting on these false signals, businessmen take the economy further away from coordination and reinforce existing distortions in relative price structures. Bankruptcies and unemployment are bound to follow the period of malinvestment induced by unsound credit expansion and are in fact signs of the market process attempting to move back to coordination.

 

Two points of theoretical interest may be made about this very brief sketch of Austrian trade cycle theory. First of all, it embodies a strong insistance on the non-neutrality of money. Changes in the quantity of money (as this is produced by governmental and banking institutions) do not act at once to alter the general price level. Rather, they enter the economy at specific points and act to alter the relative price structure. They do this—and here is the second point—by altering the time structure of the production process. Austrian theory is distinctive in its characterization of production as a process having several stages or phases, consumption goods being at the nearest stage and investment or capital goods at the furthest stage. Each phase of the production process requires a combination of complementary goods, many of which are specific to that phase of production and so cannot easily be switched to other stages of the process. The effect of credit expansion induced governmentally or via unsound banking practices is to lengthen’ the production structure artificially so that resources are drawn into long-term investment at the furthest end of the process. Since, however, people’s real preferences have not altered, the malinvestment in capital goods can be sustained only by further credit expansion. When this is not forthcoming the discoordination of the economy is disclosed in rising unemployment and business failures. In a nutshell, the credit laxity which the modern banking system tends to display distorts the allocation of resources from its natural, if constantly changing home where it reflects the actual preferences (including the time-preferences) of all market actors (consumers as well as producers). It does so, more specifically, by inducing over-investment at the furthest end of the production process. Depressions represent a spontaneous process in which market factors attempt to restore the lost meshing between demand and supply at all stages of the production process."

 

(também publicado no blog da Causa Liberal)

publicado às 00:22

Areia para os olhos

por P.F., em 10.06.10

Não são necessariamente poucos aqueles que são capazes de intuir e deduzir a situação que molda a realidade:

 

Como muito bem o lembrava, ainda no inicio do ano, Hubert Vedrine, conselheiro de Mitterrand e antigo ministro dos negócios estrangeiros de Lionel Jospin “Esta crise não é apenas mais uma crise económica. São as premissas de uma mutação de uma amplitude e duração imprevisíveis.”

 

No entanto, o logro vem logo a seguir em conjunto com a deformação de ideias muito comum no progressismo:

 

Convido-vos a fazer um pequeno exercício de memória e a recordar o muito que se disse e escreveu quando, em 2007, surgiu a crise dos subprimes, quando se deu a falência da Lehman Brothers em 2008, quando os primeiros ventos de pânico atingiram os mercados bolsistas. Muitos foram os que, perante o furacão que se abatera sobre a finança mundial, exigiram uma acção forte dos Estados e o regresso do pensamento político como essencial contraponto ao domínio absoluto da lógica economicista. A tão saudada eleição de Barak Obama também beneficiou dessa brutal tomada de consciência.

 

Quase nunca me dou ao exercício de ler certo tipo de blogs e de autores, pois tenho mais que fazer. Hoje o destino dos links levou-me para aqui. É um exercício curioso, ainda que algo agonizante, perceber o modo como o progressista furta os valores que não são dele de modo a caracterizar uma realidade que lhe é adversa - causada pela sua própria corrente ideológica - para depois vir com as eternas panaceias que já revelaram todos logros que têm vindo a afundar Portugal e a Europa. A ideia de que a "lógica economicista" tem o seu contraponto "na acção forte dos Estados" sustentada "no regresso do pensamento político" (como se este alguma vez se tivesse ido embora e não estivesse intimamente ligado à gradual ascensão dos mercados financeiros sobre as soberanias...) é atirar areia para os olhos, utilizando conceitos subvertidos de "pensamento político" e de "acção do Estado". Isto para lá de ignorar, por lapso ou propositadamente não interessa, as lacunas que minam a independência e a liberdade de acção executiva das soberanias europeias. Para lá de ignorar que tem sido o "pensamento político" das esquerdas que tem vindo contribuir para reduzir autoridade aos Estados soberanos, não tanto no aspecto do Estado-Governo e sua autoridade na Economia, mas sim nas instituições jurídicas e éticas que durante muito tempo regularam eficientemente os mercados.

 

E por fim, Eureka!, vem a eterna panaceia, já repetida vezes sem conta desde os tempos dos primeiros sovietes em Petrogrado:

 

Tenhamos esperança que neste violento ataque contra toda a ideia de Estado não haja qualquer intencionalidade mais perversa…E quando digo Estado digo poder politico face a um poder financeiro desabrido. Digo garante das liberdades fundamentais. Digo estado social, serviço público, educação, saúde e justiça. Digo solidariedade e complementaridade. Digo outra via que não seja esta permanente e doentia noção concorrência como regra exclusiva para a construção do bem-estar social. Digo social-democracia, a verdadeira!

 

Com a diferença de que muitos dos sociais-revolucionários que prenunciaram a Revolução de Outubro ainda tinham bem interiorizada a noção de Soberania, de serviço ao Povo e de Lealdade ao Soberano.

Enfim, a Leste nada de novo.

publicado às 17:37

Isto também deve ser culpa do neo-liberalismo

por Samuel de Paiva Pires, em 14.06.09

 

(cartoon de William Warren publicado em Getliberty.org)

publicado às 05:23

Chapeau a João Correia, do Jovem Socialista

por Samuel de Paiva Pires, em 10.06.09

Pelo esforço para sair do plano do senso comum. Concorde-se ou não, vale bem a pena ler o seu artigo e verificar que afinal ainda há pessoas válidas e que pugnam pelo pensamento próprio e crítico nas juventudes partidárias - poucas, no entanto.

 

O mesmo não posso dizer de Luis Brandão Pereira que acriticamente se limita a reproduzir os pensamentos de outros como se o que A ou B afirmassem fosse a mais absoluta verdade - a humanidade já sofreu demasiado com indivíduos do género cujas ideias foram levadas ao extremo, veja-se a pseudo-ciência comunista ou nazi inspiradas por jacobinices rousseaunianas, encomendas ao burguês que dava pelo nome de Karl Marx, ou teorias racistas de Chamberlain ou Gobineau. Além do mais, caro Luís, não houve um único economista que conseguisse prever esta crise e todos andaram entretidos durante décadas a tecer loas ao capitalismo selvagem que degenerou em plutocracia. Agora que o neo-liberalismo se tornou numa "palavra doninha" andam todos a empurrar as culpas para os outros pontos do espectro, o mesmo que o Luís faz ao considerar que  apenas há uma direita, erro de vício pois, como verá, se seguir os links que vou deixar em baixo, eu não penso dessa forma e ainda creio que sou de direita e liberal por princípio. Estou farto de escrever isto mas, novamente, seria o mesmo que eu ser intelectualmente desonesto e considerar que há apenas uma esquerda. E já agora, não sou especialista em coisa alguma, mas esse tipo de provocações não resultam comigo pois como já deve ter percebido a minha mente não funciona como a dos jotinhas (pergunte aos seus camaradas ISCSPianos).

 

Para finalizar, tal como indiquei em comentário ao texto do João, cuja leitura vivamente recomendo, não valerá a pena tecer qualquer tréplica quando não estamos assim tão longe, pelo que deixo apenas os links de diversos posts meus, do Nuno e do Miguel Castelo-Branco e ainda alguns artigos da autoria de Pacheco Pereira, Henrique Raposo e João Marques de Almeida.

 

Da minha autoria:

 

Lições da História

 

Notas soltas

 

Incoerências

 

O Regresso à Idade da Pedra? Ou apenas histeria colectiva?

 

Its the end of the world as we know it...

 

The fall of America, Inc.

 

Liberalismo e liberdade


Uma questão de justiça social

 

O impacto da crise financeira no futuro do sistema internacional

 

Incongruências


Gozar com os contribuintes

 

Ironias ideológicas

 

Socialismo de casino

 

Falácias dos nossos tempos

 

Descobriram a pólvora mas ninguém deu por isso

 

Relembrando Margaret Thatcher - Coisas simples que os socialistas não conseguem entender


Sobre a General Motors

 

Descobrir a pólvora? Eu?

 

 

Do Nuno Castelo-Branco:

 

O regabofe acabou?


O neo-proletariado

 

O beijo mortal

 

A entrevista de Júdice ao Correio da Manhã

 

Um conselho ao 1.º Ministro: Pulso forte e já!

 

Algumas questões

 

O peso da crise

 

Paulo Portas, a crise, a responsabilidade empresarial

 

A guerra anti off-shores e o efeito boomerang

 

 

Do Miguel Castelo-Branco:

 

Notas de um não-economista sobre a crise

 

Não tenho medo, tenho nojo

 

Capitalismo sim, amálgama não

 

 

Do Henrique Raposo:

 

Sim, sou liberal

 

 

De José Pacheco Pereira:

 

A absurda ideia de que há um "regresso a Marx"

 

 

De João Marques de Almeida:

 

O mundo não vai virar à esquerda

publicado às 19:48

Jotices

por Samuel de Paiva Pires, em 10.06.09

O director do Jovem Socialista não precisou de 10 linhas para dizer absolutamente nada. Precisou de quase 30 para i) se vitimizar e armar em virgem ofendida de forma exagerada - um clássico típico da redutora argumentação político-partidária marcadamente demagógica e à qual não dou troco -, ii) mostrar que não consegue responder ao desafio que deixei sem sair do plano do mero senso comum, iii) pior do que dizer absolutamente nada é escrever absolutas incorrecções.

 

Confundir o modelo de mercado livre com neo-liberalismo, achar que o estado social está a substituir este modelo como bastião da democracia liberal (os teóricos da política externa norte-americana ou da teoria do desenvolvimento assente no mercado livre como forma de promover transições democráticas, e os dirigentes de Brasil ou Índia adorariam esta - sem mercado livre não há democracia e não há a possibilidade de gerar riqueza para depois sim distribuir. O estado social é posterior a esta dinâmica), socorrer-se genericamente de esparsas indicações de Obama como se os Estados Unidos fossem virar socialistas (qualquer Democrata em Portugal seria do CDS/PP ou do PSD), e ainda recorrer a Krugman para mostrar a absoluta incoerência intervencionista, i.e., o salvar de uma "economia doente" quando o sistema está numa profunda reestruturação e as respostas dadas nem sequer o deixam antever. Estamos a caminho de um novo sistema, de nada serve salvar algo que já não é viável, mas os intervencionistas e estatistas deste mundo ao mesmo tempo que criticam o neoliberalismo querem salvá-lo. Sou só eu a ver a incoerência? Já agora, antes que me venham responder com as preocupações sociais em relação aos trabalhadores, deixo já aqui aquilo que há dias escrevi:

 

Não venham dizer que a culpa é do tão falado neo-liberalismo. Não se vê nenhum liberal a advogar nacionalizações. As falências são formas de correcção e auto-regulação dos próprios mercados. Se querem ajudar os trabalhadores apanhados no momento negativo do ciclo económico então dêem o dinheiro directamente a estes por via de programas de apoio social.  Aliás, o liberalismo na sua génese continha como grande princípio a ideia  de caridade e solidariedade, conceitos que as sociedades modernas desvirtuaram e que se tornaram de certa forma pejorativos - infelizmente. Agora não desculpem as asneiras de gestores e administradores premiando-os com a manutenção artificial das empresas que já não têm viabilidade e para cima das quais se lançaram milhões de dólares dos contribuintes que para pouco ou nada serviram, com a simples justificação de que é para manter os postos de trabalho. Qual é a parte da ideia de "inútil distorção de mercado" que os senhores intervencionistas ainda não perceberam?

 

Posto isto, aqui fica novamente o desafio ao Jovem Socialista de elaborar um artigo que vá para além do senso comum e que procure dar resposta a três questões:

 

1 - O que é o neo-liberalismo?

 

2 - De quem é a culpa da crise financeira internacional?

 

3 - (A pergunta de João Miranda) Porque é que a crise do neo-liberalismo penalizou os partidos de esquerda?

publicado às 13:01

Ainda em resposta aos jovens socialistas

por Samuel de Paiva Pires, em 10.06.09

E às suas inabaláveis certezas sobre o neo-liberalismo e sobre de quem é a culpa da crise, aqui fica o comentário de António de Andrade a este meu post (o negrito é meu):

 

Desde os tempos de Ricardo (o David, não o Quaresma) que se tenta perceber todas as movimentações e orientações da economia internacional porque já não há economias só nacionais (assistimos a uma liberalização das economias em movimentos geofinanceiros fulcrais que contribuem para uma total globalização da crise económica mas não vale a pena alargar neste tema porque se não teríamos que evocar teorias tão complexas como as de Walras e as Menger) e basta-nos chegar à lei de Say para perceber porque mais tarde não nos viemos a manter Keynesianos e nos tornámos fans de um Lucas que não é o do Star Wars. No fundo a economia pode explicar-se de muitas formas, desde a explicação comum do povo baseada em Malthus e Smith a explicações mais práticas como Marshall ou mesmo Keynes? Isto para dizer que a crise nem sequer é económica, é financeira, mas para compreender isso precisamos de ser mais como Jevons, e manter a mente aberta: o que não está ao alcance de todas as mentes filiadas porque a formatação é sobrinha da filiação e equivale a uma estagflação brutal do que não tem preço: o conhecimento. No fundo, basta-nos esperar para que exista hipótese de um estímulo macroeconómico que reanime a nossa economia cerebral: pensar mais e consumir menos é o que nos vai fazer sair desta depressão.

Quanto à culpa, já dizia o outro: a culpa é como a mão, é invisível.

publicado às 00:24

Descobrir a pólvora? Eu?

por Samuel de Paiva Pires, em 04.06.09

Atente-se no calibre da cortesia deste comentário ao meu post sobre a General Motors:

 

"De pedro lopes a 4 de Junho de 2009 às 00:11
É assim, uma coisa são opiniões, outra coisa é dizer-se coisas que não se sabe e achar-se muito bom por isso...

Se calhar é altura de deixar de dar ouvidos aos economistas da treta que levaram a esta crise com os seus devaneios da liberalização e da privatização de tudo e mais alguma coisa...já ouviu falar em risco sistémico por exemplo? Sabe quantas pequenas empresas podem ir abaixo se se deixa ir uma empresa como a GM à falência sem intervir?Pensam que tem alguma coisa a ver com o mérito de alguém?Que culpa teve o Jorge Jesus que o Lehman Brothers fosse à falência e levasse de arrasto um banco tão reputado como o BPP era antes da crise?

Vá ler um bocadinho sobre a crise de 29-33...vá ler alguma coisa do Krugman ou do Stiglitz...

Não o critico por não saber nada de economia porque eu também não sei muito...mas esse ar de que descobriu a pólvora e que vem aqui dizer que os outros são todos estúpidos fica-lhe mal...experimente a dizer que "tem a opinião que..."
"

 

Bom, creio que o Pedro Lopes não será um habitual frequentador desta casa. Para começo de conversa, só quem não me leia regularmente pode achar que eu descubro a pólvora, que tenho certezas absolutas ou que detenho "a verdade". Eu que me inclino para a atitude académica anglo-saxónica de contrastar teses e de procurar incessamente a verdade sabendo que essa não existe, mas apenas verdades relativas. Acabo, por isso, por ser, em certa medida, um relativista - até certo ponto, o qual ainda estou para determinar, mas isso fica para outra altura, embora quem me leia saiba que a minha faceta conservadora me serve de limite e de referencial. Mais, não me viu chamar estúpido a ninguém e se fosse meu leitor habitual notaria que na esmagadora maioria dos meus textos as frases começam por "Parece-me que...", o que, creio, equivalerá à sua sugestão.

 

Sobre a economia, diz o Pedro que não percebe nada. Ora eu também não, e não o escondo de ninguém - veja-se a introdução deste meu post de há uns meses atrás: Aviso à navegação: não percebo nada de economia. Tudo o que eu escrever a seguir estará provavelmente errado ou terá pelo menos algumas incoerências ou incorrecções.

 

Já ao Pedro fica-lhe mal a sobranceria de achar que está revestido da verdade, ainda mais notável quando se junta à forma quasi-piedosa/paternalista da sua sugestão de leitura. No entanto, aceito-a de bom grado. Mas continuo a preferir Hayek. É que entre esses supra-sumos da economia de que o Pedro fala ninguém foi capaz de prever o que se passa na actualidade. E durante décadas andaram todos felicíssimos com um sistema que utilizaram para promover a teoria triangular da dinâmica entre Democracia, Desenvolvimento e Mercado a generalizar a todo o mundo. Agora é que viraram todos beatos preocupados com o bem-estar dos trabalhadores, que é como quem diz, deixaram-se ir na onda do politicamente correcto e adoptaram uns chavões e umas frases feitas porque não sabem muito bem como explicar os fenómenos económicos da actualidade. Juro que se tivesse oportunidade de estar numa conferência com qualquer um desses supra-sumos lhes perguntava directamente o que é afinal o neo-liberalismo, esse papão de que todos falam mas que ninguém sabe definir, sobre o qual ninguém se atreve a perguntar visto que isso seria acabar com a galinha dos ovos de ouro que vai servindo de bode expiatório - até quando, vamos ver.

 

Quanto às culpas ou méritos não percebi a invocação de Jorge Jesus ou do Lehman Brothers. É que se quer falar de risco sistémico, então digo-lhe eu que primeiro convém ler qualquer coisa sobre teoria sistémica. Deixo-lhe como sugestões de leitura light este texto, ou este, ou ainda este, todos da minha autoria e relacionados com a crise actual. Pouco ou nada percebo de economia mas julgo que o risco sistémico se aplica a instituições financeiras e não a empresas que perdem a competitividade no mercado - e que por isso não deveriam sequer ser salvaguardadas pelo dinheiro dos contribuintes, causando graves distorções de mercado - mas alguém mais versado na matéria poderá elucidar-me. E mesmo que se aplique, mais uma vez, ninguém conseguiu prever o que se passa na actualidade, até porque todo e qualquer instrumento de medida do risco sistémico não é inteiramente fiável porque o ser humano nunca conseguirá ter uma percepção holística e completa do funcionamento de um sistema tão complexo como o sistema financeiro internacional. O argumento do risco sistémico também foi muito usado por cá para nacionalizar o BPN e o BPP. Parece-me que é mais um desses chavões que passaram a integrar a falaciosa gíria justificativa do que outra coisa mas, novamente, eu não percebo nada de economia...

publicado às 00:29

Sobre a General Motors

por Samuel de Paiva Pires, em 02.06.09

 

(imagem picada daqui)

 

O argumento de que se estão a salvar postos de trabalho pode parecer convincente à primeira vista. Mas parece-me que o Maradona está de facto cheio de razão (via O Insurgente):

 

"O João Miranda tem razão nesta merda. Não há nada que justifique os estados se porem por aí a evitar a falência de empresas industriais (os bancos e o caralho é capaz de ser diferente, mas não sei explicar porquê). Por motivos lúdicos sempre acompanhei de longe as opções estratégicas da industria automóvel, e a verdade é que a General Motors, para além de fazer carros de merda, sempre apostou no desenvolvimento de produtos para pretos que cantam rap ou brancos que vão caçar ursos polares. Era óbvio que eles andavam a navegar numa onda momentanea, e que o futuro estaria nas opções da Toyota, da Honda e, sim, da Ford (a Ford faz bons carros). A ideia, para mim estúpida, mas que é, essencialmente, nacionalista e anti-globalizante, de que salvar a GM com dinheiro público se justifica porque se estão a salvar postos de trabalho, esquece não só que os lugarzinhos que se salva em Detroit são lugares que não serão criados noutros pontos do globo, mas, principalmente, que se está a premear a incompetência e a punir quem foi mais inteligente. Esta merda é tão simples quanto parece. É mesmo uma das poucas questões em que se pode ser simplista sem faltar à nuance. A GM está na falência porque faz maus carros, carros que as pessoas não querem. Uma coisa é gastar dinheiro dos contribuintes a salvar da miséria e da humilhação as pessoas com menos soluções próprias para se manter com dignidade a si e aos seus, outra, protuberantemente diferente, é gasta-lo para que se continue a produzir cacos de metal inuteis. Se querem dar esmolas, que o façam às claras."

 

E ainda o Tiago Moreira Ramalho:

 

"Depois das maroscas de criar instituições financeiras quase fictícias para poder obter ajudas estatais, a General Motors anuncia a sua falência. Não vou gritar vitória, porque não se trata de uma vitória. Há milhões de pessoas que irão ficar no desemprego e numa fase complicada do ciclo económico.
No entanto, é de esperar, que desespero!, que quem defendeu a torto e a direito o esbanjamento do dinheiro dos contribuintes perceba agora que isso é adiar o inevitável. Nos EUA foram as ajudas ao sector automóvel que se resultaram falhadas. Cá, mais perto, foram as ajudas à Qimonda que não evitaram nada. Percebam: se uma empresa está prestes a falir, não é por lhe atirarmos dinheiro dos impostos que ela vai sobreviver. Muito, muito dinheiro foi deitado ao lixo.
Agora, intervencionistas de todo o mundo, só vos resta a união. A união que permita, mais uma vez, branquear os efeitos das ideias que defendem. Não custa nada. Já têm um calo do tamanho do século XX.
"

 

Não venham dizer que a culpa é do tão falado neo-liberalismo. Não se vê nenhum liberal a advogar nacionalizações. As falências são formas de correcção e auto-regulação dos próprios mercados. Se querem ajudar os trabalhadores apanhados no momento negativo do ciclo económico então dêem o dinheiro directamente a estes por via de programas de apoio social.  Aliás, o liberalismo na sua génese continha como grande princípio a ideia  de caridade e solidariedade, conceitos que as sociedades modernas desvirtuaram e que se tornaram de certa forma pejorativos - infelizmente. Agora não desculpem as asneiras de gestores e administradores premiando-os com a manutenção artificial das empresas que já não têm viabilidade e para cima das quais se lançaram milhões de dólares dos contribuintes que para pouco ou nada serviram, com a simples justificação de que é para manter os postos de trabalho. Qual é a parte da ideia de "inútil distorção de mercado" que os senhores intervencionistas ainda não perceberam?

 

Leitura complementar:

 

GM's Bakruptcy Ends an Assisted Corporate Suicide

 

Seven reasons GM is headed to bankruptcy

publicado às 23:12

Coisinhas boas por email - Frase do ano

por Samuel de Paiva Pires, em 05.01.09

Recebido em português brasileiro, aqui transcrito para português de Portugal: 

 

Frase do ano: A situação dos mercados financeiros é tão má que já há mulheres a casar por amor.

 

E agora preparo-me para ser aniquilado pela Cristina e pelas nossas amigas leitoras... :p)

publicado às 22:16

A ler

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.08

A absurda ideia de que há um "Regresso a Marx", por José Pacheco Pereira:

 

Podia continuar por páginas e páginas. Duvido que Marx achasse mal a globalização financeira como passo para a globalização do capitalismo e, claro, da revolução. Por exemplo, falando sobre a protoglobalização que conhecia no seu tempo, Marx acabava por ser um partidário da política de canhoneira, que, abrindo a tiro os grandes mercados fechados da Índia, do Japão e da China, permitia que o capitalismo se tornasse mundial e, a prazo, a revolução também. Marx considerava que o capitalismo era superior ao "despotismo oriental" na grande ordem do progresso da História e nos seus artigos americanos defendeu a Guerra do Ópio. Aqui, até Eça de Queirós era mais "antimperialista".


Podia de facto continuar por páginas e por páginas, mas não vale a pena. Se ao menos o "regresso a Marx" se traduzisse numa leitura de Marx, um dos autores fundamentais da nossa contemporaneidade, ainda valia a pena. Não é isso que se passa, mas a deterioração acentuada do pensamento da chamada "esquerda independente" e das modas mediáticas. E disso Marx não tem culpa.

publicado às 18:27

Socialismo de Casino

por Samuel de Paiva Pires, em 17.12.08

George Pieler no TCS Daily:

 

The de-facto picking of winners and losers in this crisis by government fiat -- politicians' deciding which industries have to face market rules and which are exempt -- is more unreliable, and more prone to vast miscalculations and wealth-destruction than the worst excesses of Wall Street could ever be.


Politicians claim this excess is temporary, but when was the last time bureaucracies and political jurisdiction over our lives once gained has been voluntarily passed back?


The result might be, for years to come, that instead of our bankers 'gambling' with our money, politicians will do it for them.


In effect, we are swapping 'Casino Capitalism' for a new era of Casino Socialism. Market socialism is bad enough. Casino Capitalism is a manageable problem. But Casino Socialism, historically destined to lead us to an economic dead-end, brings together the worst of both worlds.

publicado às 03:09

Paródia em bom portugues

por Paulo Soska Oliveira, em 15.12.08

publicado às 09:36

Ironias ideológicas

por Samuel de Paiva Pires, em 13.12.08

Esta semana que passou Miguel Portas e Francisco Louçã foram ao ISCSP dar uma conferência sobre a crise financeira internacional.

 

Tendo eu feito um breve comentário, refutado por Miguel Portas, continuo a pensar o mesmo, é engraçadíssimo assistir ao mesmo discurso à esquerda e à direita, e especialmente a tocar em certos pontos característicos dos economistas liberais e/ou neo-liberais, de onde se destaca a afirmação de Miguel Portas de que a culpa da crise é dos políticos que disseram aos banqueiros que podiam fazer o que têm feito.

 

Mais engraçado ainda, depois da pergunta de um colega meu que pretendia saber qual a doutrina do Bloco de Esquerda no que à política de nacionalizações concerne, foi constatar que o discurso de Louçã me soou bastante familiar. Não me atreveria a dizê-lo na conferência, mas o discurso de permitir a iniciativa privada mas com limites impostos pela regulação estatal e de reservar para o estado e sector público determinados sectores estratégicos que não podem ou não deviam (deveriam) ser privatizados é exactamente o mesmo discurso de Salazar em "Como se reergue um Estado".

 

Ironias à parte, na generalidade concordo com o que ambos disseram, e é de facto de notar que à esquerda e à direita, especialmente quanto à oposição, o discurso é o mesmo, o que pode ser diferente são os objectivos. Uns querem acabar com o capitalismo, outros querem apenas regulá-lo mais assertivamente. Por mim, preferia acabar com a plutocracia e que o capitalismo voltasse a assentar em crescimentos sustentados com impacto real no desenvolvimento das sociedades em vez de ser mera especulação financeira e jogos de casino, isso seria o suficiente para não termos que voltar a ter demasiada intervenção estatal que, feliz ou infelizmente, me parece ser o caminho que estamos a seguir

publicado às 18:17

Humor inglês

por Samuel de Paiva Pires, em 06.12.08

Para os que gostam do humor inglês, alguém comentava esta semana que, no decorrer de um evento social, o telemóvel de Gordon Brown tocou e este, com um sorriso rasgado, terá comentado:
- Peço desculpa, deve ser outro banco que faliu!

 

Era este tipo de sentido de humor que eu gostava que a política portuguesa tivesse. Deve ser por isso que quero ir estudar/viver em Inglaterra. Mas em Portugal os políticos são todos carrancudos e politicamente correctos. Uns filhos-da-mãe, para não dizer uma asneira, e que passam a vida a lixarem-se uns aos outros, mas ironias e sentido de humor é que não, não fica bem na fotografia. Vai na volta sou eu que estou no ramo errado, em vez de me preocupar com política devia começar a preocupar-me com a comédia, pode ser que ainda encontre nessa a minha grande vocação. Ou não.

publicado às 01:07

Incongruências?

por Samuel de Paiva Pires, em 27.11.08

A crise financeira internacional tem obrigado a bailout plans e nacionalizações para permitir injectar liquidez nos mercados, incentivar o consumo e evitar falências de instituições bancárias e financeiras com muito peso nas respectivas sociedades, primordiais para a sustentabilidade económico-financeira das famílias, empresas e respectivo Estado. Em Portugal a crise veio mesmo a jeito para nacionalizar um banco que as elites políticas sabiam ser perpassado por trocas de favores, corrupção e gestão danosa há já vários anos, até porque grande parte dos indivíduos envolvidos nessas "brincadeiras" faz parte dessas elites, e agora está-se a desencantar um plano para salvar o Banco Privado Português, que gere apenas fortunas milionárias. Mas o dislate e o descaramento destes politiqueiros da terceira república não tem limite?

publicado às 00:28






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