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Lapidar

por Samuel de Paiva Pires, em 20.03.14

Pacheco Pereira, na Sábado, via Portugal dos Pequeninos:

 

«O que afectou o establishment, que vai muito além do Governo, no Manifesto dos 70, foi a questão ser colocada em termos políticos. Traduziu-se assim a consciência que qualquer pessoa pode ter, rudimentar economista que seja. de que a nossa dívida é impagável mesmo com as mais optimistas taxas de crescimento dentro do domínio da realidade e não da ficção científica. Aliás, quando perguntados à bruta - como se deve perguntar aos governantes para não fugirem com subterfúgios - sobre como é possível diminuir a divida para os valores do pacto orçamental, nos prazos do mesmo pacto, ou vão para os longuíssimos prazos da economia (em que, como dizia Keynes, estamos todos mortos) ou para os impossíveis prazos da política em democracia. O Presidente fez isso e, apontando números de crescimento que todos sabem não ser realistas, chegou a mais de 20 anos do mesmo. Portanto alguma coisa tem de acontecer, a bem ou a mal. É muito provável que aconteça, na melhor das hipóteses, no contexto europeu a reboque de idênticos problemas da França e da Itália e que sobrem algumas migalhas para nós. Então essas migalhas, sob a forma de uma qualquer reestruturação da dívida, serão saudadas como sendo no tempo certo. No entretanto encolhemos, empobrecemos, subjugamo- nos e, como de costume, quem paga esse preço nem sequer terá tempo de vida para receber as benesses possíveis. De quê? Da reestruturação da dívida concedida como uma esmola e não como urna política...»

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publicado às 19:39

As coisas são o que são

por Samuel de Paiva Pires, em 12.03.14

Ainda me vou rir muito, um dia, quando nos for perdoada parte da dívida externa e/ou outra parte reestruturada e vir os mesmos que agora afirmam a pés juntos que a dívida é para pagar e que temos de honrar os compromissos com os credores a dizer que, afinal, não havia mesmo condições para pagarmos a dívida.

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publicado às 18:09

A caminho da reestruturação da dívida?

por Samuel de Paiva Pires, em 06.01.13

Num artigo publicado no primeiro número da XXI (final de 2011), Ricardo Cabral mostra como em face do panorama que enfrentamos seria necessário um ajustamento externo sem precedentes e sustentado ao longo de mais de uma década para diminuir a dívida externa e colocá-la numa trajectória sustentável, o que, mantendo-se Portugal no Euro e tendo que obedecer às regras e políticas de concorrência da UE, é simplesmente irrealista. Saliente-se ainda que tal ajustamento "teria de ocorrer num contexto em que vários dos principais mercados das exportações nacionais estão igualmente sujeitos à crise de dívida soberana e a empreender ajustamentos domésticos e externos similares". Conclusão: ou alguém decide pagar a dívida externa portuguesa, ou não há alternativa a reestruturá-la. Não deixa de ser curioso que o BE pareça ter sido a primeira força política nacional a perceber isto, e penoso que a direita partidária ainda caia no erro de achar que tal ideia é exclusivamente de esquerda e que o que é de direita é pagar a dívida nas condições a que estamos sujeitos pela UE e FMI - como se isto fosse motivo para divisões destas. Entretanto era conveniente termos umas ideias articuladas quanto à reforma das instituições e políticas europeias. As eleições alemãs já não tardam muito.

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publicado às 22:20

O mal dos povos do Sul da Europa

por Samuel de Paiva Pires, em 10.08.12

Carlos M. Fernandes, Aqui somos todos assim:

 

«Somos todos assim, nesta faixa soalheira. De Lisboa a Atenas, passando por uma Sicília que, em 2012, está a beira do colapso. E andamos pela rua com pose de cortesão, armados com uma putativa superioridade moral que nos permite pedir dinheiro descaradamente como se a ele tivéssemos direito por decreto divino. Tudo isto depois de gastar quantidades obscenas de euros nos vícios privados de alguns e nas obras palagónicas para “todos”.»

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publicado às 13:25

Do maior patriota dos nossos tempos à tragédia do ano

por Samuel de Paiva Pires, em 15.01.11

 

(Nero, tocando e cantando alegremente. Imagem retirada do filme Quo Vadis)

 

Ultimamente, deseperado e sem qualquer tipo de argumentação lógica e racional que possa presidir à justificação dos seus actos "orgulhosamente sós", mas colectivamente suicidas, José Sócrates recuperou para o discurso político quotidiano uma palavra há muito relegada para o baú do "fascismo": pátria.

 

Ao fazê-lo, trouxe o debate político para um campo que padece de alguma irracionalidade, dada a ênfase quanto a sentimentos em relação ao país ou comunidade de origem. Realce-se que, sendo Sócrates um indivíduo de duvidosa capacidade intelectual, interrogo-me sobre se alguma vez sequer se debruçou sobre o conceito de pátria e/ou patriotismo. Com a agravante que esta manobra socrática pretende trazer mais legitimidade ao mesmo e automaticamente (diria até, magicamente), julga o Primeiro-Ministro, deixar KO qualquer adversário das suas medidas. Há, nisto, a clara sensação de que as influências de Hugo Chávez se começam a fazer notar em José Sócrates.

 

Acontece que, para qualquer pessoa minimamente atenta ao que se passa à sua volta, resulta claro, independentemente de qualquer ideologia (duvido até que José Sócrates tenha alguma que não seja a do profundo amor e admiração que sente pela sua própria pessoa, proporcional ao desdém que sente pelos portugueses em geral), que o Primeiro-Ministro, de patriota tem muito pouco, ou não esteja a levar o país - e, com ele, a União Europeia -, para o abismo. Na verdade, José Sócrates pode conseguir aquilo mesmo que o seu gigantesco ego mais almeja: ficar nos anais da História. No caso, como o homem que precipitou o fim da União Europeia - ou, quiçá, o princípio da Federação Europeia.

 

Já todos sabemos o que disse Paul Krugman, o economista preferido dos socialistas - pelo menos desde 2008 -, e que o estado de histerismo de Sócrates e Teixeira dos Santos, em relação à operação de colocação de dívida pública que teve lugar esta semana, é bem ilustrativo de como estamos a ser desgovernados por indivíduos que, começo a suspeitar, padecem de um qualquer problema do foro psicológico. A situação, de resto, foi bem analisada por José Manuel Fernandes, entre outros. E o caminho, também ele foi bem assinalado por António Nogueira Leite.

 

De forma mais incisiva, o que pretendo dizer é que José Sócrates deveria abster-se de utilizar no seu repertório argumentativo qualquer referência à pátria. Um homem que por pura teimosia, por não querer admitir os seus erros, por recusar pedir o auxílio do FMI - que quanto mais cedo se der melhor - está disposto a continuar a endividar desalmadamente o país e os portugueses (os de agora e os das gerações que ainda nem nasceram), não tem nada de patriota. Na verdade, este homem está a matar Portugal.

 

Pior, José Sócrates já não consegue enganar ninguém. E os portugueses, vendo-se em dificuldades que se agravam de dia para dia, começam a ficar saturados dos seus números de circo. Revoltados mesmo. Não sei o que nos reserva o ano de 2011. Mas, após as presidenciais, as convulsões e as pressões vão tornar-se cada vez mais frequentes. Até porque falta colocar muitos títulos da dívida pública nos mercados.  E o que é facto é que precisamos desesperadamente que José Sócrates largue o poder. Os custos da sua manutenção no poder tornaram-se demasiado altos, demasiado insustentáveis para que os portugueses continuem a assistir impávidos e serenos a estes números.

 

Se Cavaco Silva - sim, falo dando já por garantido que vai ganhar as eleições - não dissolver a Assembleia da República (brevemente escreverei sobre isto e sobre porque acho que Cavaco é também um dos principais responsáveis pela actual situação), e/ou se não for apresentada e aprovada uma moção de censura nesta, quer-me parecer que algo de trágico se vai passar no país. Seja o nosso colapso, que, por arrasto, levará a Espanha e toda a União Europeia consigo, ou seja outra tragédia qualquer, o que me parece é que a saturação dos portugueses em relação a José Sócrates está, também ela, a atingir níveis preocupantes. Quanto ao nosso povo, por muitos qualificado como de "brandos costumes", um mito criado pelo Estado Novo, talvez a memória histórica colectiva traga ao de cima certas atitudes que forjaram a nossa identidade ao longo dos séculos. E o que menos precisamos, nesta hora difícil, é de uma "catástrofe de proporções historicamente singulares para nós e para os nossos filhos", nas palavras de Nogueira Leite.

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publicado às 00:05

Juros a 6,902%, risco de default a 33,31%

por Samuel de Paiva Pires, em 08.11.10

Veja a análise de Carlos Santos, no FMI em Portugal Já.

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publicado às 18:17






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