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Daniel Bessa pode parecer simpático porque vai ao encontro da vontade popular quando afirma que "renegociar a dívida é inevitável", mas logo a seguir deita tudo a perder: "e obriga a mais impostos". Um imposto pesado sobre o património (à moda do Chipre) - segundo o mesmo. Ou seja, os bem comportados que até conseguiram juntar um pé de meia de um modo honesto, serão implacavelmente roubados pela urgência de equilibrar as contas nacionais. O economista também fala do incremento das exportações desvalorizando o comportamento do mercado interno. Por outras palavras, o emprego nem sequer é tido em conta. O trabalhador nacional que se desenrasque - o que interessa é a procura externa. Acrescenta ainda que deve haver incentivo ao aumento da massa salarial através de duas vias possíveis; o aumento dos salários ou o aumento de trabalhadores. E aqui fico baralhado. Com que instrumentos financeiros? Com que dinheiro? Acho realmente grandioso que um economista de vulto apresente apenas metade da equação. Como se a pilha da calculadora tivesse ido à vida a meio caminho do algoritmo. Com o intensificar da contradição entre os mercados, a economia e a situação do emprego em Portugal e na Europa, seremos confrontados com estradas por onde caminham meias-verdades . No final do exercício económico deste anos, os resultados das empresas pela Europa fora serão maravilhosos. Pudera, conseguiram cortar com a gordura que representam os trabalhadores, e agora apenas ostentam músculo - a máquina produtiva. As bolsas de valores mundo fora e as respectivas acções, desde o ponto baixo de Março de 2009, tiveram um desempenho notável e começam a bater recordes de "altas". No meio deste entusiasmo, já não temo que o trabalhador seja esquecido na paragem - tenho quase a certeza.