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Costa, Seguro e tu cá tu lá...

por John Wolf, em 10.09.14

Posso opinar à vontade sobre o debate de ontem entre António Costa e António José Seguro - não tenho habilitações para votar neste país. Contudo, interessa-me para onde vai este país. É aqui que resido, e Portugal, para bem ou para mal, merece a minha consideração. Não sou um turista ocidental encantado pelo vinho barato de qualidade e os dias de sol sem fim. Sinto na pele o descalabro nacional, sei quais são as qualidades lusitanas e quais os vícios de Portugal. Mas regressemos à noite de ontem e ao duelo dos candidatos socialistas. Numa frase: assim não vamos lá. Assistimos ontem a uma reunião de condóminos, à acareação de camaradas incapazes de oferecer algo de substantivo a um país em estado de emergência. Seguro entrou a disparar e serviu-se do folclore emocional a que os portugueses espectadores de novelas estão habituados. A palavra "traição" mexe com o foro emocional de todos os portugueses. Foi muito bem sacada por Seguro. Usou a linguagem que a comadre usa quando a nora foge com um amante. Ainda por cima, Seguro apresentou a sua desilusão sem a distância formal de que se servem os políticos. O jargão de proximidade, de parque de campismo, fez descer à terra o sentimento - tu fizeste isto, tu fizeste aquilo. António Costa ainda tentou invocar a Convenção do Rato sobre a proibição de ataques pessoais, mas de nada lhe serviu exibir esse falso moralismo. Costa apresentou-se à mesa da Judite com o à vontade de quem tem as costas protegidas, o tal crédito dos fundadores e notáveis, os amigos para todas as ocasiões. Mas não ficou bem na fotografia. Quem preparou o debate com disciplina e material de suporte, foi Seguro. Sim, o dossiê e os gráficos deitados sobre a mesa e aos olhos dos portugueses demonstram que Seguro quer trabalhar. António Costa não trouxe nada e recebeu uma falta de material. A arrogância por detrás da ideia de que poderia resolver a coisa apenas com as mãos e os dentes, paga-se caro. Sentia-se na sua pose, e no seu tom paternalista, a presença dos Almeidas e Soares do partido, os cordelinhos de uma teia a trabalhar nos bastidores. Contudo, nenhum dos dois foi capaz de endereçar as questões que realmente interessam. Nem um nem outro conseguiram surpreender com uma ideia sequer. Serviram-se de frases-feitas e chavões. Mas, Seguro, que alegadamente vinha de trás, deu boa mostra de si. Provou que os menos dotados têm de se esforçar mais, têm de trabalhar mais. E isso contraria a matriz instalada num país que ainda acredita em bons e maus, melhores e piores, iluminados ou nem por isso. No rescaldo do primeiro debate, Constança Cunha e Sá acaba por demonstrar a contradição genética e política de Portugal. Bastou-lhe uma frase para sintetizar a doença de que padece, e a patologia que contagia as hostes políticas de Portugal: "prefiro antigos bons a novos maus". Aliás, a pivot da TVI não é a única comentadora enviesada, a mando de interesses ideológicos e partidários. A cambada de comentadores da SIC Notícias, RTP, assim como os jornalistas da estação de televisão de Queluz, deixaram-me completamente desesperado com a superficialidade das suas considerações. Não são melhores que António Costa ou António José Seguro. São igualzinhos a esses dois. Têm é outra profissão. Logo à noite teremos mais. Mais do mesmo?

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publicado às 09:26






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