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Desabafo

por José Maria Barcia, em 05.11.13

 

 

Nós, nestas lides blogosféricas, gostamos de defender e atacar pontes de vista. Gostamos de discutir tiradas deste e daquele. Entretemo-nos com minudências. Amamos criticar outros. Chega a um ponto que, às tantas, perdemos aquilo que nos fez tornar público as nossas inquietações. Houve um dia, em que muitos de nós, bloguers, decidiu criar ou participar num blog porque, pura e simplesmente, tinha algo a dizer. Essa era a nossa maior motivação. Considerávamos que algo estava mal ou bem e valia a pena escrever sobre isso.

 

Entretanto perdemo-nos na bruma das nossas próprias discussões. Começamos aquilo que, ao inicio, era nobre para discutirmos o sexo dos anjos. O que este disse, o que aquele respondeu. Deixamo-nos de perceber o que, de facto, era importante. E o que era importante - e sempre será - é fazer.

 

Hoje, ainda agora, acabei de ler a reportagem da revista do Diário de Notícias - Pobres como nós - sobre a nova pobreza em Portugal. Não que nunca me tenha apercebido. Todos nós sabemos que as coisas estão más. Que os impostos aumentam, que os cortes proliferam, e, feitas as contas, ao final do mês, a vida está mais difícil. Mas, às vezes, nós que escrevemos em blogues e jornais sobre temas da actualidade, nós que criticamos o estado de Portugal e do Mundo, nós de Esquerda e Direita, esquecemo-nos que o mundo é mais que palavras.

 

Esta reportagem fez-me isso. Relembrou-me o porquê de escrever e querer ser lido. E acho que muitos dos que escrevem partilham desta minha opinião. Peço-vos que leiam este trabalho do Ricardo J. Rodrigues. E que pensem, tal como eu pensei, o que se pode fazer mais do que escrever. Prometo-vos que vai doer ler esta reportagem. É um texto que puxa as lágrimas pela simples razão de ser uma trabalho jornalístico de primeira. Quanto a mim, decidi o que vou fazer. Amanhã vou ao Centro de Apoio Social dos Anjos, vulgo, Sopa dos Pobres voluntariar-me. 


Às vezes, precisamos que nos lembrem o porquê daquilo que fazemos.

publicado às 00:54

Velhos de espírito

por João Pinto Bastos, em 26.01.13

A autoridade nasce no exemplo da obra. Não há sabedoria que resista ao atrevimento dos velhos que se arrogam a tudo e pouco ou nada dão em troca. 

publicado às 16:43

Velhos ou não

por João Pinto Bastos, em 26.01.13

A pândega moral dos nossos dias vislumbra-se facilmente na desconsideração latente pela sabedoria dos mais velhos. O reflexo da autoridade deslocou-se dos mais velhos para uma espécie de res nullius, uma zona de ninguém onde todos ordenam e ninguém obedece. Mas, como nem tudo é o que parece, hoje, os mais velhos são a miúdo os mais pueris, os mais rezingões e os mais permeáveis à infantilidade. A hierarquia baixou definitivamente a guarda, generalizando-se a vaidade a contento da multidão dos apoucados. 

publicado às 16:37

Foda-se II

por P.F., em 27.05.10

... para quem fez disto um país da escolaridade obrigatória até aos 18 anos mas onde, apesar de números mediáticos de desemprego, continuam a faltar canalizadores, estocadores, electricistas, serralheiros, etc.; para quem fez disto o país das "Novas Oportunidades", nas quais se faz o que era suposto equivaler ao ensino secundário com autênticas provas de chacha, dando a  ilusão de nova oportunidade a quem continua mal preparado e desqualificado; para quem fez disto um país onde compensa ser acomodado, chulo, vigarista, intrujão e chupa-piças, ou, quanto mais não seja, meliante de delito comum.

Foda-se mesmo para isto!

Desculpa, Samuel, mas deste o mote...

publicado às 18:11

Esta semana, num café de Arroios (Lisboa)

por João Pedro, em 25.09.09

Desabafo do dono do café

 

"Isto das escutas é uma vergonha. E o Presidente  não tem mão nem sabe resolver o caso. É por isso, minha senhora, que já não me digo republicano, agora até me sinto monárquico. Se houvesse Rei, estas tricas políticas podiam lá acontecer!"

publicado às 17:26

Desabafo político para bom entendedor

por João de Brecht, em 24.12.08

 

 

 

Ao longo da história foram aparecendo centenas de modelos políticos. Da direita à esquerda, todos eles nos brindaram com virtudes e calamidades, não nos permitindo apontar nenhum deles como perfeitos. Quer os mais aristocráticos, quer os ditos “socialistas” tiveram um ponto como base comum, a estratificação social dividida entre a elite governante (classe política/administrativa), a elite não-governante (classe intelectual ou militar ou economicamente imponente ou puro mistério de ligações – “cunhas”) e claro as massas que em todos os regimes funcionam como uma base de pirâmide social.
Numa altura em que a democracia em perde de uma forma progressiva a sua credibilidade, é necessária a reinvenção da forma de fazer política, o que exige necessariamente uma “revolução” (termo lamentavelmente associado de forma automática a movimentos violentos de esquerda relativos a golpes de estado).
Há dias numa conversa com o Samuel sobre este mesmo tema, ele disse-me quatro condições políticas essenciais com os quais me vi obrigado a concordar depois de reflectir para que um sistema funcione, o humor, o politicamente incorrecto, o realismo e o sentido de estado. Pensemos agora caro leitor no caso português; alguma vez se assiste a alguma situação de humor por parte dos políticos portugueses? Há uns anos tínhamos as camisas do Dr. Carvalhas, de vez em quando há umas calinadas e propostas absurdas que dão para rir e mais? Não há qualquer humor político em S. Bento, o tabu e a extrema sensibilidade em relação a questões ideológicas fazem com que tudo se torne demasiado “obtuso”, sem humor não há tacto e muito menos confiança. Se é necessária a seriedade nas questões, também é o humor nas relações interpartidárias e na abordagem dos problemas. Quanto ao segundo ponto, acho que tem havido um esforço, mas como referi em monarchy for dummies, muitas pessoas neste país confundem o politicamente incorrecto com o politicamente absurdo. Não há risco, não há tentativa… Tudo se resume à continuidade de políticas que agradam, na garantia de que de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos vão ter a reciprocidade dos beijinhos das velhinhas dos mercados ou as mãos erguidas fazendo símbolos que desconhecem. O Realismo meus caros, estará ele escondido atrás do sonho marxista, no pseudo-socialismo, no trotskismo politicamente correcto ou na direita indefinida? No que toca à nossa postura em relação à vida, o idealismo é uma das mais pertinentes virtudes que um homem pode ter (fala o poeta que da vida ainda pouco conhece), mas não na política, nas eleições fazemos um voto em actos e propostas exequíveis e não em ideologias que impossivelmente se aplicam em 4/8 anos. Por fim, o sentido de estado, contam-se pelos dedos das mãos os nossos caros políticos que estão familiarizados com tal termo. Para uns é o seguimento de políticas vãs num conformismo existencial de ocupação de poder, para outros é o simples facto de garantia de soberania, obrigado aos senhores que nos garantiram dois maravilhosos submarinos de guerra e outros gastos com a defesa (não culpemos o Dr. Paulo Portas, porque as políticas que anteriores remetiam para a compra desses mesmos submarinos e para além disso jogar ao braço de ferro com as forças armadas só teria um resultado possível) – o que não quer dizer que a necessidade de forças armadas não seja uma realidade mas...
 
Qual a solução?
Que futuro?
 
Há uma frase que costumo dizer e que é muitas vezes mal interpretada, o grande mal das ditaduras é não terem um prazo de validade, não haja dúvida de que há uma necessidade de uma séria recuperação e mudança política no nosso país, provavelmente a única solução democrática passaria pelo extremo centro, mas até que ponto seria exequível? Alguma vez as massas votariam no MMS e nesses outros que se afirmam totalmente independentes de ideologia? Não. A direita está descredibilizada com o Estado Novo (no que toca às práticas de censura, liberdade política e afins), a esquerda teve a sua oportunidade num verão que quase virou guerra civil e o centro tem-nos levado ao fundo cada vez mais…
Não encarem isto como discurso político ou rebeldia sem causa, é apenas um desabafo.

 

 

publicado às 06:36






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