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Os sintomas não são nada animadores. Diria mesmo que o prognóstico não é reservado. Faz parte do domínio público, de um modo despudorado e inconsciente. Faz parte das atribulações da condição política em Portugal. A ideia de que se é mais importante do que a opinião pública, que a distância do eleitorado não tem importância em democracias representativas. Alguma vez terá Ferro Rodrigues questionado qual a sua relevância para o interesse nacional? Será que o novo lider parlamentar ainda não percebeu que já não tem (se é que alguma vez teve) ligação político-afectiva aos cidadãos portugueses? Por mais que julgue que ainda pode oferecer os seus bons serviços à nação, não sei se o inverso se aplica: a questão de saber se o país acha por bem o seu regresso. Será mesmo desejável arrastar a bagagem que está associada ao seu nome. Recordamos facilmente "aquele abraço" dado a Paulo Pedroso, mas temos brancas na memória quando pensamos o seu desempenho profissional, político. Lembramos sem esforço que os amigos lá estão para os maiores apertos. Mas, com essa prerrogativa vem uma certa desconsideração pelo país. À época casapiana pairou um certo ar de: "que se lixe a opinião do povo português. Que se lixe a verdade. O que interessa é safar os camaradas." Mas esta tendência para ver o mundo exclusivamente através dos próprios olhos deve ser um mal de família. Deve correr no sangue do clã. Ainda me recordo da entrevista dada pela Rita Ferro Rodrigues, há alguns anos a esta parte, sobre o início da sua carreira e do modo humilde com que se apresentou à entrevista de emprego na RTP, na qual "intencionalmente" não terá mencionado o apelido, ou o facto de ser filha de quem é, para não granjear vantagem em relação a outros candidatos televisivos. Os políticos, assim como os iogurtes, têm um prazo de validade, podem azedar. Será que o "born again" Ferro, assim como os prospectivos Silva Pereira, Jorge Coelho, Manuel Alegre (ou ainda uns quantos que não refiro intencionalmente), não perceberam que não interessam ao menino Jesus? O que aqui argumento nada tem ver com ideologia, partidos, esquerdas ou direitas. Tem a ver com o abc da ética. Tem a ver com o que está certo. Tem a ver com condições básicas. Tem a ver com instintos primários. Tem a ver com os cinco sentidos. Tem a ver com animalidade. Tem a ver com sobrevivência. Tem a ver com presas fáceis. Tem a ver com quem elege. Tem a ver com quem vota. Tem a ver com cair que nem um pato. É o que eu digo. Um homem não se pode distrair. Um homem vai à bola e quando dá por isso já tem um Ferro empoleirado, disposto a fazer mais das suas na companhia de outros semelhantes.