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Onde está a Merkel de Portugal?

por John Wolf, em 23.09.13

Onde está a Merkel de Portugal? Não será concerteza Passos Coelho e muito menos um opositor frouxo como Seguro. Mas Merkel também ganha outros prémios de carreira para além destas eleições propriamente ditas. A questão de longevidade política da chanceler alemã deve ser colocada numa perspectiva comparativa e internacional. Margaret Thatcher está prestes a ser destronada enquanto lider com mais anos de serviço. Com uma breve passagem de Maria de Lurdes Pintassilgo pela chefia de um governo nacional, entre 1979 e 1980, Portugal nunca conheceu um outro perfil feminino capaz de liderar um país (Ferreira Leite? Leonor Beleza? Belém? não me parece). Mas a questão não deve ser colocada em termos sexistas, para desdém de machistas ou gáudio de feministas. Esse facto estatístico é uma mera curiosidade do livro de Guinness político. O único critério que deve pontuar as lideranças é a competência e a capacidade de integrar consensos. As eleições alemãs são um bom exemplo de fair-play político. Angela Merkel sabe, logo à partida, que terá de procurar parceiros de um modo natural, procedendo a uma operação siderúrgica de fusão para formar um governo uníssono. A partir desse momento o exterior deixa de ouvir falar em dissidências e contrariedades internas. A Europa e o resto do mundo não será testemunha de processos negociais e ajustamentos que acontecem nos bastidores do governo alemão. O executivo anterior, composto por rivais e competidores políticos, será como o que se segue - comprometido com o futuro do país e da Europa. E isso decorre de um modo distinto, de acordo com uma cultura política afinada ao longo de décadas de autocrítica e marcada por ousadia económica e social. A população de países europeus sob programas de ajustamento precipita-se ao sentenciar Merkel enquanto madrasta da austeridade. Um desfecho eleitoral distinto poderia ter sido bem pior, se elevasse a voz daqueles com disposição para atirar para fora do Euro países sob a batuta da troika. A continuidade de Merkel significa que o governo de Portugal sabe, de um modo genérico, com o que vai contar. Não irá haver uma inversão de marcha ou uma mudança de direcção muito acentuada. O que acontecer à Grécia nos próximos tempos servirá de powerpoint para outros destinatários. Mas a Europa será o eixo central da política alemã. A nação germânica sabe que a sua regeneração demográfica está em risco e o seu refrescar passa por acomodar uma visão transnacional, que não tem tanto a ver com uma lógica de supremacia política, mas sobretudo  com a necessidade de garantir a sua própria sustentabilidade económica e social. A Alemanha está mais dependente do sucesso de países como Portugal, Grécia ou Irlanda do que pode parecer. O caos dos outros não faz bem à saúde do motor da Europa e essa percepção terá efeitos nos limites da austeridade que se pode impor aos amigos do Sul. O problema que se coloca a Portugal, e que contrasta com a pessoa política que Merkel representa, tem a ver com a falta de competência intelectual e académica dos lideres nacionais. Passos Coelho pouco ou nada percebe de física, e Seguro não serve para alquimista.

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publicado às 08:21

Junta de Freguesia de Merkel

por John Wolf, em 21.09.13

As campanhas autárquicas aí estão em toda a sua força e esplendor. O surrealismo dada, dado, oferecido nos outdoors, de norte a sul do país reflecte uma constatação mais profunda - o modo artesanal como a política é exercida em Portugal. As agências de comunicação especialmente concebidas para criar as mensagens políticas acertadas são inexistentes, ou existem apenas para as cúpulas. Por outras palavras, significa que os partidos políticos não estão interessados em disponibilizar os seus meios numa base equitativa e coerente, de Coina a Manguito de Baixo. Mesmo as campanhas dos grandes como Costa, Seara ou Menezes estão pejadas de absurdidades e frases feitas a martelo - "Estacionamento gratuíto para residentes em toda a cidade" (atenção, será que a frase é mentirosa ou é apenas um encadeamento de palavras com sentido variado, caro Seara?). Significa que um residente de Benfica pode estacionar em Campo de Ourique à borliu? Não me parece, mas é o que diz o slogan de ocasião.  O tutti-frutti de cores e gostos políticos duvidosos revela o falhanço cultural do país - a  incapacidade de se rever de um modo crítico, com sobriedade e inteligência. A soma de todos os disparates que avistamos em cartaz, nas rotundas ou à entrada dos pueblos, nada trará a um país carente de uma solução integrada. A explosão de democracia, cujos estilhaços são agarrados por uma corja de desesperados políticos, apenas serve para diluir uma grande estratégia nacional. A Esquerda ou a Direita há muito que deixaram de existir, mas continuam a servir de poleiro para extravagâncias e reinvindicações furadas. O folclore das autárquicas não é apenas visual. Os chefes estão a perder as suas vozes e não apenas no sentido literal. Os argumentos são gastos, reciclados e pouco credíveis. Seguro e Semedo (a que se seguirão outros mais resguardados das correntes de ar) não aprenderam a colocar a voz. São cantores espontâneos, amadores que descuram detalhes e ignoram a técnica. É tudo feito às três pancadas e por isso não têm pernas para andar. Andam por aí, a fazer quilómetros em vão, porque os dados já foram lançados. Há eleições no domingo e essas não levam em consideração os arraiais de feira e os jantares-convívio. Seja qual for a expressão da vitória da Merkel, a Alemanha poderá retomar a política virada para o exterior. Durante os últimos meses, a chanceler alemã teve de demonstrar perante os seus eleitores que o seu "core-business" é germânico, mas com a sua reeleição, a política das periferias voltará a fazer parte da sua agenda de um modo intenso, com a Grécia à cabeça da lista das suas preocupações. A austeridade dos outros será um dos lemas despejados com a mesma intensidade de outros ciclos.  Tempos difíceis avizinham-se para a Europa, porque o preço a pagar não será realizado integralmente pela centralidade, pelo norte. As agências de comunicação política na Alemanha sabem o que estão a fazer, mas isso é um factor que em nada ajuda Portugal. Pode parecer que a festa autárquica se encontra nos antípodas do que se passa na Alemanha, como se a dança de cadeiras acontecesse num mundo à parte e não tivesse importância. Mas não é bem assim, está tudo encadeado e interdependente. E nada disso está presente na consciência política de candidatos à freguesia ou repetentes de câmara. Os seus slogans políticos ficam-se pelos limites de um conselho pouco sábio. Tudo isto é fado, tudo isto é tão triste.

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publicado às 07:52






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