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Não vi, não escutei e nada sei.

por John Wolf, em 10.09.15

Comboios_em_Portugal_Pare_escute_olhe.jpg

 

Estou mais que habilitado para oferecer o meu testemunho sobre o debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho de ontem à noite. Não o vi. Não o escutei. Não sei quem ganhou ou quem perdeu. Não sei qual dos jornalistas brilhou. Não sei qual deles foi ofuscado. Não sei quantos ataques pessoais foram desferidos. Não sei quem assumiu a responsabilidade pela vinda da Troika. Não sei quem prometeu repor pensões. Não sei quem jurou não proceder a cortes de 600 milhões de euros. Não sei quem não se lembra de um certo ex-primeiro ministro que passou a prisão domicilária. Não sei quem disse não saber que os indicadores económicos melhoraram. Não sei quem confessou ignorar melhorias no nível de desemprego. Não sei quem se esqueceu da gestão da câmara municipal de Lisboa. Não sei quem encarou o desafio de consertar um país que estava estragado há várias décadas. Não sei que nada sei. Nem quero saber. Não sei quem prometeu pintar Portugal de um modo maravilhoso. Não sei quem disse ser muito melhor que o outro. Não sei qual foi canal com mais tele-espectadores. Não sei que certos jornalistas decidiram levar em ombros um dos entrevistados. Não sei quem sabe que as sondagens de nada valem. Não sei em que dia da semana calha o dia 4. Apenas sei que não voto porque não estou capacitado para tal.

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publicado às 10:09

Comentário à entrevista de Rita Rato

por José Maria Barcia, em 21.10.13

A Rita Rato, deputada do PCP, deu uma entrevista ao Correio da Manhã há 4 anos. Foi de tal maneira tonta que não pude evitar dar a minha opinião. Está a amarelo.




Alguma vez se tinha imaginado enquanto deputada?

- Nunca tinha pensado nessa hipótese. Depois concretizou-se. Mas não vai ser a minha profissão, eu sou funcionária do PCP. Agora tenho esta tarefa, como já tive outras. Pode não ser para sempre, e o mais certo é não ser. (ser funcionária do PCP é profissão?)

- Quando é que começa a surgir o interesse pela política?

- Vivi em Estremoz, a minha terra, até completar o 12º ano e já me identificava com o PCP e com a Juventude Comunista Portuguesa. Desde logo porque o PCP tem no Alentejo prestígio e reconhecido mérito (mérito... eheh) na luta pela democracia (estamos a confundir conceitos), sobretudo ainda no tempo do fascismo. Depois, quando ingressei no ensino superior e comecei a confrontar-me com as dificuldades de um universitário deslocado, sem direito à acção social escolar, com o valor das propinas a aumentar, naquela altura indexadas ao salário mínimo, senti a necessidade de aderir à JCP. Foi em 2001 (portanto, a JCP bancou as contas todas, grandes porreiros).

- Mas na sua família havia alguém ligado ao PCP ou com alguma actividade partidária?

- Não. Só o meu avô foi membro do PCP ainda na clandestinidade mas morreu quando eu tinha nove anos, portanto não havia essa ligação directa.

- Mas o seu pai, inclusive, viu com maus olhos a sua entrada no Partido Comunista...

- O meu pai não é membro do partido e ficou preocupado por estar no ensino superior, numa escola pública, e ser da JCP. Era uma preocupação sobre o tipo de sentimento que isso podia suscitar até nos professores. Poderia não ter boas notas por ser comunista e a preocupação era mais essa, no sentido de às vezes isso não ser bem-visto. Mas nunca senti esse preconceito por parte de nenhum professor meu.

- Mas como surgiu o contacto com os ideais comunistas antes da JCP?

- A partir dos meus 17, 18 anos. Ainda estava na escola secundária. Foi através da própria discussão sobre o que foi o 25 de Abril e o processo revolucionário (ele chamava-se Jorge e era mecânico, a Rita nunca mais se vai esquecer do primeiro contacto comunista).

- Foi a partir daí, e nas aulas de História, que começou a formar a sua identidade política?

- Sim. Mas não apenas nas aulas de História. Lembro-me de ser muito pequenina e festejar o 25 de Abril com muita alegria. (Abril é uma festa, é o mês do meu aniversário, quanto à Rita não sei)

- Como analisa o facto de agora a CDU ser a 5ª força política na AR?

- Nós não entendemos a questão da política como uma questão de pódio. Nós propusemos três objectivos centrais no decurso da campanha das legislativas, que eram a derrota da maioria absoluta, ter mais mandatos, eleger mais deputados e ter maior percentagem em termos de votação. E nós conquistámos isso. (não estamos aqui para ganhar nada, aliás, toda a gente sabe que os últimos são os primeiros)

- Mas, apesar disso, acabaram por ficar atrás do CDS e do Bloco de Esquerda.

- Ficámos muito contentes com o nosso resultado tendo em conta os objectivos a que nos tínhamos proposto. Se pergunta se gostávamos de ter mais, é óbvio que gostávamos. (já agora, que objectivos?)

- O que sente quando ouve dizer que "os políticos são todos o mesmo"?

- Acho que esta é uma questão que nos deve animar e anima-me pessoalmente. Ontem [segunda-feira] vinha no eléctrico e uma pessoa ao lado de quem ia sentada disse isso. Interpelei-a e disse que não era bem assim, que os deputados eleitos do PCP não eram assim. "Ah, pois, vocês são diferentes! Nós sabemos, o PCP é diferente, são pessoas sérias e honestas. Tomara todos serem como vós", disse-me. (claro, apanhaste o eléctrico 74, conhecido como o "eléctrico vermelho". Ah, e essa pessoa e esse dialogo existiu mesmo)

- As pessoas votam nos outros partidos. O PCP não tem ganho eleições... (esta, até a mim me doeu)

- Cada voto na CDU é um voto que é conquistado com muita conversa, com muito esclarecimento, com debate sério, e é um voto que afirma a necessidade de rotura. As pessoas acham que 33 anos de políticas de direita já provaram que é o caminho dos baixos salários, o caminho da elitização do acesso à cultura, a precariedade...

- Mas se as pessoas estão fartas das políticas de direita, porque é que o segundo e o terceiro maior partidos são de direita e o partido do Governo toma medidas, como diz, de direita? (esta também doeu)

- Vai ter de perguntar a quem votou neles porque eu, de facto, não votei. (é o melhor que consegues? a sério?)

- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?

- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos. (sim, mas e a China? Aquele país grande na Ásia?)

- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

- Não sei que questão concreta dos direitos humanos... (diz isso ao Dalai Lama)

- O facto de haver presos políticos.

- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa. (a televisão é um instrumento capitalista-fascista. os funcionários do PCP não podem ter uma coisa dessas em casa)

- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.

- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada. (podemos concluir que ou não vês notícias ou só lês os jornais desportivos)

- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?

- Não, não abordámos isto. (toda a gente sabe que isso não tem nada a ver com CP ou RI, duh...)

- Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?

- O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS. (o congresso foi de tal maneira extraordinário que a malta se esqueceu toda das coisas más como os Gulags. Mas o Goulash estava fantástico)

- Houve experiências traumáticas...

- A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom. (Ir para a Sibéria era fixe. Trabalhos forçados? Exterminação de populações? Pfff, o camarada Estaline é um incompreendido)

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso. (Dou-te um conselho, Rita: lê sobre essas coisas. É que pareces uma tonta a responder a isso)

- Mas foi bem documentado...

- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência. (Rita, disse-te para leres... Que raio de resposta...)

- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?

- Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa... (Se deixares de ler a Margarida Rebelo Pinto ficas com mais tempo para outras coisas)

- A ex-deputada do PS Marta Rebelo disse que foi difícil que começassem a levá-la a sério. A política é mais difícil para as mulheres bonitas?

- Se me está a chamar bonita, é um elogio e agradeço (Já vi deputadas mais bonitas no BE, mas também não és nenhuma Odete Santos). Nunca tive problemas em ser levada a sério. Estive na Assembleia Municipal de Estremoz e nunca tive dificuldade em apresentar a minha opinião (Estremoz, Portugal, Estemoz, Portugal... é praticamente a mesma coisa para quem não sabe onde fica a China).

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publicado às 20:37

Uma entrevista

por Nuno Castelo-Branco, em 19.10.13

 

Ignorando os fait divers onanistas hoje presentes noutras folhas, aqui estão alguns excertos de uma entrevista a ler com atenção:

 

"Estamos a mais de 120% do PIB - é claro que o PIB caiu - e, se o PIB recuperasse, não estávamos nesse valor. Quando o produto crescia seis, sete por cento, como nos anos 60, podíamos ter dívida, porque esta diminuía uma vez que o produto crescia mais depressa."

 

"Uma vez vi-me na contingência de me candidatar a líder do PSD e achei aquilo desolador. Como alguém tinha de aparecer e eu não queria fazer carreira política, aceitei, mas com a condição de não haver acordos para conquistar votos. Apareciam pessoas a dizer que votavam em nós, mas queriam ter lugar no governo, outros queriam ter 14 táxis no seu distrito, outro queria um palácio de justiça novo, estádios, piscinas olímpicas..."

 

"É preciso ter uma noção da realidade. E a maior parte dos conselheiros de que ele se rodeou não tem uma noção da realidade. O acabar com tudo o que era lógica de planeamento é estranho. Há um exercício anual que se chama Grandes Opções do Plano (GOP). Devia ser uma coisa curta, para ser posta perante o país, como desígnio nacional, e dali saíam os orçamentos. As GOP dos últimos anos têm imensas páginas, com acepipes variados...sem lógica nenhuma. Mesmo no governo de Caetano, alguns ministros tinham essa atitude arbitrária de decidir o que lhes vinha à cabeça e passaram a ser controlados por um departamento que os obrigava a pôr no papel a lógica dessas medidas. Agora não sabemos para onde vamos."



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publicado às 10:17

Regresso ao passado

por Samuel de Paiva Pires, em 28.03.13

Não há muito a dizer sobre a entrevista de José Sócrates. O "animal feroz" continua mal educado, sem vergonha e a utilizar as mesmas tácticas de manipulação e distorção da verdade e de vitimização. Nunca foi, nunca será um estadista. É um politiqueirozinho, uma das piores criações do sistema das jotas, alguém que rebaixou o debate político a níveis que afectam negativa e indelevelmente um regime democrático, que esmagou moralmente Portugal com a sua arrogância, falta de educação, incompetência e nepotismo, e que depois de ter arruinado financeiramente o país é capaz de dizer que não apresentará nenhum pedido de desculpas aos portugueses por ter deixado o país nas mãos da troika porque não aceita esta responsabilidade.


Impõe-se, contudo, fazer duas notas a respeito da RTP. A primeira, para dizer que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves, tal como Judite de Sousa, são jornalistas fracos e mal preparados para enfrentar Sócrates. Não sei se haverá alguém no jornalismo nacional capaz de o enfrentar, mas não creio que custe muito ser combativo, falar mais alto que ele, falar por cima dele - uma das tácticas que o próprio usa amiúde para calar os jornalistas - e interromper os seus monólogos e distorções confrontando-o com factos objectivos, com as suas mentiras e com atitudes deploráveis que tomou e toma mas que tem por costume acusar os seus adversários de tomar, aproveitando logo para se vitimizar. Não é difícil enfrentá-lo, só é preciso ter algo que, infelizmente, parece desaparecido do jornalismo português: coragem.


A segunda, ainda a respeito do programa de comentário político que Sócrates terá na RTP e da contestação ao mesmo. Ao contrário do que algumas viúvas socráticas e o próprio querido líder querem fazer parecer, não está em causa a liberdade de expressão de José Sócrates. Sócrates tem todo o direito de responder aos seus adversários políticos. Pode fazê-lo noutras televisões, nos jornais, ou, por que não, em blog. Com certeza que seria sempre lido e ouvido por muita gente. Mas fazê-lo na televisão pública, paga compulsoriamente por todos nós, é uma afronta difícil de ajectivar. Por isso mesmo, este parágrafo de Esther Mucznik é certeiro. Também e especialmente por se prestar a ser um joguete nas mãos de políticos, a RTP há muito que já deveria ter sido privatizada. 

 

Por último, relembremos estas sábias palavras de José Sócrates:

 

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publicado às 13:28

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publicado às 12:28

Fátima Bonifácio

por Nuno Castelo-Branco, em 11.03.13

Um boa entrevista de Fátima Bonifácio. Todos sabemos que esta é a verdade.

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publicado às 17:50

Duque de Bragança em notável entrevista ao Económico TV

por Pedro Quartin Graça, em 18.02.13

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publicado às 19:21

Mário Crespo entrevista SAR o Duque de Bragança

por Samuel de Paiva Pires, em 03.12.10

 

 

 

 

 

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publicado às 00:53

(Artigo e entrevista por Ana Catarina Lobato. Também publicado no blog da Comissão Portuguesa do Atlântico / Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico)

 

 

 

O papel e a importância da NATO têm sido temas debatidos a nível internacional. A Organização do Tratado do Atlântico Norte tem-se tentado adaptar política e militarmente a um cenário em constante mudança. A concepção de um novo conceito estratégico é uma tentativa da NATO se actualizar e manter coesa no seio da comunidade internacional.

 

Em Portugal, a Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico (AJPA) procura divulgar os valores atlanticistas juntos dos jovens e da comunidade em geral, com a ajuda da Comissão Portugesa do Altântico (CPA).

 

O Presidente da AJPA é Samuel de Paiva Pires, eleito recentemente Vice-Presidente Executivo da Youth Atlantic Treaty Association (YATA), a qual engloba todas as associações da juventude a nível nacional. Além da sua experiência na organização de eventos no âmbito da AJPA, como a SIMOTAN e o PAYS, Samuel de Paiva Pires conta no seu curriculum vitae com um estágio na Embaixada de Portugal em Brasília, onde colaborou com o Gabinete de Imprensa e com o ministro Conselheiro. Licenciado em Relações Internacionais, frequenta, actualmente, o mestrado em Ciência Política no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

 

Samuel de Paiva Pires segue o exemplo do Secretário-Geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, na utilização das novas tecnologias para chegar junto do público. A AJPA tem-se divulgado a si e aos seus eventos através dos "novos media", forma que garante ser bastante eficaz para atrair participantes.

 

Procurámos saber junto do Presidente da AJPA o que é a associação, como se dá a conhecer, qual a sua importância no seio da NATO e qual a sua perspectiva da Aliança Atlântica nos dias de hoje. São estes os temas abordados e desenvolvidos ao longo da entrevista publicada pelo Dez.Interessante.

 

 

 

 

O Dezinteressante foi falar com Samuel de Paiva Pires, presidente da AJPA. A Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico colabora com a CPA e encontra-se ligada à NATO. O presidente da AJPA pretende que esta desempenhe um papel relevante na defesa dos valores atlanticistas e na sua divulgação perante a comunidade nacional e internacional.

 

 

Catarina Lobato (CL): Começo por perguntar-lhe o que é a AJPA?

 

Samuel Pires (SP): A Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, mais comummente conhecida por AJPA, é uma associação de jovens, que está integrada na Comissão Portuguesa do Atlântico (CPA). Tem vários jovens, universitários, normalmente estudantes de relações internacionais ou de ciência política, em geral de ciências sociais, com interesse pelas diversas matérias da NATO e do atlanticismo. Procura no fundo, junto dos jovens, divulgar os ideais da própria NATO e do atlanticismo.

 

CL: É claro o foco que a AJPA dá a eventos como a SIMOTAN e o PAYS. Quer-nos explicar em que consistem estas actividades e qual a sua projecção a nível nacional e internacional?

 

SP: Aproveito para enquadrar um pouco a AJPA. A AJPA faz parte da CPA, e estas, por sua vez, fazem parte de outras duas associações. Há uma ONG, ligada à divisão de diplomacia pública da NATO, que é a Atlantic Treaty Association (ATA), a qual reúne todas as comissões e associações do atlântico nos diversos países da NATO e Parceiros para a Paz. A ATA tem uma associação de jovens, a Youth Atlantic Treaty Association (YATA), que reúne todas estas associações, como a nossa, também nos diversos países. É nesse quadro que organizamos, todos os anos, tanto a SIMOTAN como o seminário de Verão [PAYS], dois eventos internacionais, que contam com a participação de jovens vindos de outros países. A SIMOTAN tem a duração de três dias e é uma simulação de uma reunião de emergência do Conselho da NATO para resolver uma crise, aquilo que lá fora se chama uma "Crisis management simulation". Nós apresentamos aos participantes um determinado cenário de crise e estes têm por objectivo vir a alcançar uma "draft resolution", que de alguma forma tente resolver a situação em causa. Já agora, a SIMOTAN foi criada há quatro anos e neste ano lectivo decorrerá a quinta edição . O seminário já tem uma longa tradição e é, inclusive, muito reconhecido pela YATA e pela ATA. Já vai na sua 14ª edição e é uma semana numa base militar. Este ano foi na Academia Naval, no Alfeite, e o ano passado tinha sido na Base da Força Aérea, em Sintra. Temos novamente participantes estrangeiros e portugueses numa série de conferências, palestras de vários oradores que convidamos, tanto nacionais como estrangeiros. Este ano, por exemplo, houve uma "Policy making simulation", em que pedimos aos participantes que redijissem, o que seria para eles, o novo conceito estratégico da NATO.

 

 

CL: A AJPA está, como já referiu, integrada na YATA. Como se estabelece uma ligação AJPA/ YATA e mesmo AJPA/NATO?

 

SP: Como dizia há pouco, a ATA tem as respectivas ATAS nacionais, que, por sua vez, têm as suas juventudes, como a AJPA. Para que um país possa ter um representante na YATA tem primeiro que ter uma comissão que esteja representada na ATA. Só após a Assembleia-geral da ATA aprovar a participação de um país no seu seio é que esse possível membro pode vir a ter uma associação da juventude. É dessa forma que acaba por ser estabelecida a ligação com a YATA e com a ATA. Em relação à NATO em si, a ATA é uma ONG internacional que não faz directamente parte da NATO, mas estando ligada à divisão de diplomacia pública mantêm uma estreita ligação.

 

 

CL: Enquanto Presidente, considera que a AJPA é importante no seio da NATO, é ouvida como juventude?

 

SP: Sim e vou dar um exemplo do que está a acontecer agora. A NATO e este novo secretário-geral, o Sr. Rasmussen, querem ouvir os jovens, querem que este novo conceito estratégico, aprovado em 2010, além de mais conciso, inclua, de alguma forma, as visões, os pontos de vista das gerações mais jovens, porque vão ser essas gerações, daqui a 10 e 15 anos, a estar à frente das diversas instituições e que terão uma palavra a dizer em relação ao que se passa no seio da NATO. Neste momento há uma crescente motivação para as YATAS e para a AJPA, claro, em tentar fazer chegar à NATO os pontos de vista dos jovens.

 

 

CL: A NATO tem procurado as novas tecnologias como forma de chegar mais perto das pessoas. Como procuram a CPA e a AJPA divulgar-se junto da opinião pública portuguesa?

 

SP: Pegando apenas no início da sua pergunta, principalmente o novo secretário-geral tem tentado alterar o paradigma comunicacional da NATO e isto precisamente para poder chegar aos jovens. Dessa forma, tem vindo a utilizar crescentemente o Twitter, o Youtube, o Facebook, enfim, as redes sociais, os meios de divulgação na internet. Ao longo deste último ano, o que a CPA e a AJPA procuraram fazer foi, também, adaptar-se a este novo paradigma e entre as várias formas de comunicação, as mais visíveis são a nossa "newsletter" trimestral, o nosso canal no Youtube, o nosso blog, o novo site, os grupos no facebook. Tudo isso tem ajudado a aumentar o interesse por estas questões, temos tido mais pessoas nos nossos eventos, mais pessoas de outros pontos do país, pessoas que entram em contacto connosco, que querem saber aquilo que está a acontecer na NATO e o que nós temos a dizer sobre isso. É dessa forma que tentamos comunicar na sociedade portuguesa aquilo que se vai passando.

 

 

CL: Muito se tem falado no papel da NATO na actualidade e da sua necessidade de adaptação a um novo cenário internacional. O que pensa sobre este assunto?

 

SP: Eu iria um pouco atrás. Nós somos obrigados sempre a ir aos anais da história. Estamos no ano de 2009, a celebrar o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Ora, quando o Muro de Berlim caiu e a União Soviética acabaria por se desmoronar, tal como se dissolveu o próprio Pacto de Varsóvia, que era a contra-parte da NATO durante a Guerra-Fria, muitos esperavam que a NATO também se dissolvesse. Depois de 1989, a NATO teve de se adaptar e embora muitos pensassem que a Organização fosse desaparecer, a NATO acabou por ganhar um papel cada vez mais importante no seio da comunidade internacional. É uma organização extremamente atraente para outros países, como vimos ao longo dos anos 90 e mesmo recentemente com a integração dos países da antiga orla soviética. Neste momento, são já 28 os Estados-membros da Organização. O novo conceito estratégico, que será formulado e aprovado depois do conceito estratégico de 1999, o qual ficou desadequado com o 11 de Setembro de 2001, será uma forma de a NATO se adaptar a uma realidade internacional em crescente mudança e cada vez mais acelerada. Isto acontece com a multiplicação da agenda internacional, das várias temáticas que são abordadas e a NATO, hoje em dia, para além de estar no Afeganistão, encontra-se a fazer operações no combate à pirataria na Somália, ajudou em missões humanitárias no Paquistão, aquando do furacão Katrina, nos Estados Unidos. Outro dos exemplo e um assunto cada vez mais premente ao longo dos próximos anos são as alterações climáticas e, mais especificamente, a temática da energia, da "energy security", que é um dos temas principais da agenda da NATO. Portanto, aquilo que a NATO está a procurar fazer é adaptar-se a esta nova realidade internacional e, dizem alguns, tornar-se cada vez mais global. Claro que aqui entra também a relação da Organização com a Rússia e podemos falar ainda de alguns interesses estratégicos divergentes entre os Estados Unidos e a União Europeia no seio da NATO. No fundo, a NATO tem tentado adaptar-se e isso tem sido feito não só a nível político mas também a nível militar através da transformação das capacidades da própria Aliança.

 

 

CL: Na sua opinião, e enquanto Presidente da AJPA, quais os principais dilemas com que a Aliança Atlântica se depara actualmente?

 

SP: Tal como lhe dizia há pouco, eu apontaria três grandes questões. A primeira, a questão do Afeganistão, o papel que a NATO lá tem desenvolvido e o combate ao terrorismo [no Afeganistão]. A questão das relações com a Rússia, que é extremamente importante. A questão da segurança energética e apontava ainda uma outra parte da questão, do ponto de vista da diplomacia pública e da legitimidade da própria Organização junto da opinião pública, que é precisamente uma nova estratégia comunicacional por parte da própria NATO para que as pessoas entendam porque é necessária a sua existência e a acção.

 

 

CL: Vai-se realizar em 2010, em Lisboa, uma importante Cimeira. Como é que a CPA e a AJPA se têm preparado para a acolher?

 

SP: A Cimeira que se vai realizar em 2010, e onde será aprovado, à partida, o novo conceito estratégico da NATO, terá lugar no Outuno, Outubro ou Novembro, ainda não há uma data precisa. O que acontece, neste momento, é que a Cimeira de chefes de Estado em si, chefes de Estado e de Governo, será sempre organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Toda a Cimeira em si, toda a lojística recai sobre a alçada do MNE. Da nossa parte, aquilo que estamos disponíveis para fazer, mas ainda não sabemos o que irá acontecer e o que se irá passar, é organizar a Cimeira para os jovens, porque há sempre uma Cimeira, a Young Atlanticist Summit, que precede a Cimeira dos chefes de Estado e de Governo. Foi o que aconteceu este ano, em Estrasburgo.

 

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publicado às 01:05

Granda Jel

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.09

 

(imagem tirada daqui)

 

Jel em entrevista ao i:

 

Essa candidatura à Câmara de Lisboa é para levar a sério?
Claro. Já estamos a recolher assinaturas.

Quantas faltam?
Temos mil e precisamos de 4500. Acho que vai ser fácil. Se conseguir estar no boletim, posso muito bem vir a ser vereador.

Mesmo sem um programa eleitoral?

Não tenho nem vou ter. Só levo uma proposta: transformar os jardins de Lisboa em hortas para o povo.

Mas as pessoas vão levar a candidatura a sério?
Não, mas é esse o objectivo. É nestas alturas de abstenção, quando o povo está descrente, que surgem os malucos a gritar. E o povo adora isso

 

(...)

 

É filiado nalgum partido?
Não. Já andei próximo do "berloque" de esquerda, em 1999. Cheguei a ir a algumas reuniões, ajudei a colar cartazes, organizei umas festas. Mas depois desiludi-me, por causa da ideologia. Para mim, tudo o que é ideologia, faz-me retrair.

E o seu partido, não tem ideologia?
O meu não. Vai chamar-se Todo Partido e o objectivo é, depois das eleições, ser um aglutinador de candidaturas semelhantes, ser a base para alguém se candidatar a um junta de freguesia, por exemplo.

Votou nas últimas eleições?
Não, agora só voto em mim. Por isso é que me vou candidatar.

Tem cartão de eleitor?

O primeiro já o fumei. Depois não voltei a tirar, era mesmo bom para fazer filtros...

 

(...)

 

Nenhum canal generalista vai apostar no Jel. Têm os Contemporâneos, os Gato Fedorento...
Não sei porque têm medo, já provamos que somos produtivos. Gosto do Nuno Lopes e acho os Gato previsíveis. Já disse que eles são betinhos e é verdade: é pessoal do Colégio São João de Brito.

E o Jel onde estudou?

Na Secundária de Odivelas, hard-core motherfucker [risos]. Até facadas havia. Eu era da tribo dos punks, tinha crista e tudo. Daí a alcunha Jel.

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publicado às 14:43

 

Tal como referi no vídeo de balanço do I Congresso do MMS, sendo eu um acérrimo atlanticista e na qualidade de presidente da Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, não poderia, obviamente, deixar de me referir a uma das ideias de Eduardo Correia expressas na entrevista que nos concedeu: a extinção da NATO e uma maior aproximação da Europa à Rússia. E também há por aí algumas pessoas que pugnam pela mesma ideia, nomeadamente Miguel Portas, pelo que gostaria de explanar de forma breve e clara sobre porque é necessária a existência da NATO.(*)

 

Por definição, Portugal é um país com uma forte vertente atlântica, desde sempre aliado tradicional do Reino Unido e, mais tarde, dos Estados Unidos da América. Além do mais, é membro fundador da NATO, concretização material da Aliança Atlântica, uma organização política mas com capacidades eminentemente militares, que subsistiu no pós-queda do Muro de Berlim por duas razões fundamentais: era a aliança vencedora, e soube adaptar-se aos acelerados contextos internacionais em mudança desde os anos 90. Mais importante do que isto, a aliança age sempre na base do consenso, sendo um elemento estabilizador da ordem internacional que assegura a uma só voz a coerência que dezenas de estados nunca conseguiriam ter em separado, o que implicitamente significa que a aliança serve ainda como forma de evitar o ressurgimento dos sempre eternos nacionalismos europeus que tanto dilaceraram o continente ao longo da História. A NATO assegura a gestão de delicados equilíbrios geopolíticos, e é por isso que as relações com a Rússia assumem hoje em dia um dos mais prementes vectores de actuação da organização, bem em consonância com o que o neoconservador Robert Kagan descreve no Regresso da História e o Fim dos Sonhos, a cada vez mais visível divisão entre autocracias e democracias, democracias essas que na sua maioria integram a NATO.

 

E se eu sou um relativista e já tenho escrito e dito que é preciso saber lidar com a Rússia de Putin colocando de lado aquela retória anti-russa que muitos estados do leste europeu continuam de forma contraproducente a exaltar, sou ao mesmo tempo um realista. Não digo que a democracia seja melhor que a autocracia ou vice-versa. Já também aqui escrevi que a melhor forma de governo é a que melhor se adapta aos contextos culturais e históricos de cada nação e estado. E é precisamente por isso que temos que ter a noção de que Portugal é uma democracia liberal ocidental, um país cuja cultura é eminentemente ocidental, muito mais próxima da maioria dos países da NATO do que da Rússia, e não podemos ter a ilusão que uma aproximação à Rússia seria benéfica aos nossos interesses (aliás, acabei por não falar do tema, mas já aqui tinha dado conta de algo perigoso, a crescente dependência energética europeia em relação à Rússia, agora a chegar a Espanha e provavelmente mais tarde a Portugal). Acabe-se com a NATO ou com a UE e assistir-se-á a conflitos derivados dos nacionalismos adormecidos, com a Rússia a aproveitar-se de tais divisões, impondo todo o seu poderio perante os europeus. Com a NATO e a UE temos a capacidade para lidar com a Rússia praticamente de igual para igual, quando não mesmo em vantagem muitas das vezes. Sem uma delas, ficamos claramente em desvantagem.

 

(* - a frase em itálico foi colocada posteriormente à publicação do post)

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publicado às 18:51

 

 

 

 

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publicado às 20:47

E durante o coffee-break

por Samuel de Paiva Pires, em 21.03.09

 

Nem sequer fizemos intervalo, e muito agradecemos ao Eduardo Correia por nos ter concedido uma excelente entrevista. Aguardem alguns minutos que já colocamos online o vídeo que julgamos claramente permite perceber o pensamento do MMS em diversas matérias.

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publicado às 18:01

A não perder

por Samuel de Paiva Pires, em 11.02.09

 

Hoje pelas 14:30 D. Duarte em entrevista à RTP África, onde fala ainda sobre o I Congresso Marquês de Sá da Bandeira, organizado pelo Instituto da Democracia Portuguesa, do qual é Presidente de Honra.

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publicado às 01:34






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