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Este país está mesmo a ficar perigoso

por Samuel de Paiva Pires, em 18.10.13

Nunca, na história da III República, esteve um governo tão limitado no seu espaço de manobra e na sua escolha de políticas como o actual governo. Não só em virtude de as regras emanadas por Bruxelas, relativamente ao controlo orçamental, serem cada vez mais apertadas, e do memorando de entendimento com a troika - que, relembre-se, já que muitos parecem ignorá-lo propositadamente, resultou em larga medida do desastre, esse sim criminoso, que foi a governação de Sócrates -, como também por não termos instrumentos monetários e cambiais próprios, e ainda pelas limitações impostas pelo Tribunal Constitucional, bem como, permitam-me ainda salientar, o constante e brutal escrutínio a que está sujeito pela opinião pública, provavelmente como nunca nenhum outro governo nesta III República. Ainda assim, Mário Soares, sobre quem Rui Mateus já nos elucidou quanto baste no que diz respeito a actividades criminosas, pretende que o actual governo seja julgado criminalmente, e ainda é secundado por idiotas inúteis como Helena Roseta ou Fernando Dacosta. Não me recordo de ouvir esta barricada político-ideológica a respeito das actividades criminosas de Sócrates e companhia, cujas facturas estamos todos a pagar.  Afinal, no nosso país, pode-se ser um governante criminoso, mas se se é de esquerda, não há problema. Já um governante de direita, mesmo que seja honesto e sério, será sempre criminoso, só por ser de direita. O sectarismo parece mesmo toldar em demasia a cabeça de certas alminhas que, por pudor, deveriam escusar-se de protagonizar figuras tristes em que procuram acicatar ódios e incitar a revoluções e julgamentos (quiçá à moda dos jacobinos). Mas continuem assim, que pode ser que um dia o feitiço se vire contra o feiticeiro. 

publicado às 11:05






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