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e só encontro um postal desbotado: toda a gente da aldeia, reunida na frente da capela de Santo Amaro, bancas de venda de cavacas e regueifas; as crianças que acorriam ao local da « Pesca », com a esperança de trazer na cana, mergulhada no serrim, uma figura de barro pintado, talvez de Barcelos, ou, se tivessem sorte, uma boneca para as raparigas .
Era este o único atractivo, além de ser mais uma ocasião de encontro.
Festejava-se o Santo.
Embora o Padroeiro seja aquele São Martinho de Tours, as gentes de Sande sempre tiveram por ele uma grande devoção , e ali, à capela que lhe é dedicada, acorrem, também, as populações das freguesias vizinhas, no fim-de-semana que se segue ao dia 15 de Janeiro.
Disse a Luísa ter ficado com a impressão de que Agosto era o mês de todas as festas no Norte. E é-o, pelo menos na parte do Norte que chamo minha.
Todos os fins-de-semana acordo com o barulho do rebentar dos foguetes, anunciando novo festejo.
Terra de muita emigração, é, além disso, o mês de todos os casamentos, comunhões e baptizados, que foram marcados para esta altura, quando as famílias e amigos estão reunidos.
É assim que a estrada que desce a Falperra se enche todos os dias da semana de enervantes buzinadelas, maneira importada das estranjas de cumprimentar os noivos.
Música de folclore e pimba massacram-nos os ouvidos a toda a hora; e perguntamo-nos: quando acabarão?
a festa é na cidade.
Homenageia-se o frade que nos inícios do Século XIII foi enviado por São Francisco de Assis a Guimarães, para aí erguer um convento, a partir do qual difundiria os princípios que regem a Ordem por ele fundada: São Gualter.
As Festas Gualterianas, cujo ponto alto é a Marcha, são um grande acontecimento popular, a nível local, que nesta altura do ano dão um colorido e agitação muito peculiares aos dias dos vimaranenses, mas principalmente às noites, pois que, normalmente, o clima também se junta ao folguedo.
Hoje Santa Cristina de Longos (concelho de Guimarães) celebra o Dia da Padroeira.
É o ponto de partida para uma longa série de festejos populares, que só terminam em finais de Agosto, quando os emigrantes, que já cá estão todos a passar férias, regressarem aos países onde trabalham.
Amanhã festeja-se Santiago, na Terça-Feira, Santa Marta...; mas será fácil arranjar pretextos para,nos intervalos, pôr o Rancho Folclórico a dançar, os homens a cantar ao desafio, as sardinhas a assar, os ajuntamentos na Falperra...
Ó S. João d'onde vindes
Pela calma, sem chapeu.
Venho de ver as fogueiras
Que me acenderam no ceu
Mas acendem-lh'as cá na terra egualmente! Ou ellas não servissem para queimar as alcachofras, onde as raparigas vêem a sorte dos seus amores! Santos mais milagrosos poderá haver; mais populares não, que elle é a personificação mythica da alegria, e o advogado do amor."
«O Minho Pittoresco»