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Forças Armadas espanholas: o inacreditável como projecto

por Nuno Castelo-Branco, em 31.12.12

 

Alertado pelo Carlos Velasco - em poucas palavras diz tudo -, eis uma notícia que foi muito oportunamente censurada pelos media portugueses.

 

O processo de extinção dos Estados nacionais tem como primeiro alvo as Forças Armadas, julgadas como cangalha inútil num mundo "sem ameaças". É bem certo que a finalidade desta política, consistirá na obtenção do total controlo dos recursos de todos os Estados da UE e no caso português, como aqui neste blog temos dito, na quase infalível "mutualização" do nosso apetecível património da até agora chamada Zona Económica Exclusiva. Há ainda que atender ao esforço para o quebrar de possíveis resistências a ocorrerem em países que como Portugal, Espanha ou Grécia, poderão encontrar nas Forças Armadas o principal esteio de oposição ao poder estrangeiro.

 

Nada disto é inacreditável, tratando-se do mais puro e directo exercício de um poder imperial, desta vez manobrado por gente sem rosto e sem bandeira. 

 

Gostaríamos de saber se em S. Bento também já lampejou tão luminosa ideia?

 

* Pois é,isto é que é acabar o ano segundo o "espírito do momento". Dois leitores alertaram para uma partida relacionada com o "dia das mentiras" em Espanha. Se assim tiver sido - e pelo menos dois foros de defesa também acreditaram piamente -, é claro que não farei a mesma coisa que os "camaradas gauche chic" Esquerdanet - entre outros, muitos outros - fizeram, recorrendo ao lavar da cara como se nada fosse. Não retirarei o post, apenas me escuso por algo que hoje em dia me pareceu absolutamente normal. Aliás, o embrião desse já anunciado "exército europeu" poderá ser nada mais, senão uma espécie de guarda pretoriana destinada a "operações cirúrgicas" em países desavindos com a pretensa autoridade central. 

 

Termino o ano como um inconformado seguidor de Nicolau Santos. Bem feito, que bom, que alegria!

publicado às 16:55

A presidenta tem telhados de vidro

por João Quaresma, em 03.07.12

Manhã de Domingo em Brasília. Na Praça dos Três Poderes decorria a cerimónia mensal de troca de bandeira quando acontece isto:

 

Os dois caças supersónicos Mirage 2000 da Força Aérea Brasileira passaram sobre o Palácio do Planalto (sede da Presidência) e sobre o edifício do Supremo Tribunal Federal, que ficou com a fachada neste estado:

 

 

Escusado será dizer que ninguém faz um vôo de exibição a esta velocidade. É claro que os pilotos sabiam perfeitamente que passando a alta velocidade (próxima da barreira do som) o resultado não poderia ser outro. Não foi descuido, foi intencional, tanto que a segunda passagem foi efectuada a uma velocidade mais reduzida. Passar com caças a baixa altitude e a alta velocidade sobre formações inimigas é uma manobra clássica de intimidação pelas forças aéreas.

Dilma Rousseff e os seus andam a mexer num assunto espinhoso: as violações dos Direitos Humanos no tempo da Ditadura Militar. No Brasil e noutros países que passaram pelo mesmo processo de transição, se existe Democracia é porque os militares aceitaram deixar o poder na condição deste assunto ser enterrado e não sofrerem vinganças. Até porque os actuais governantes também beneficiaram de uma amnistia.

Esta foi uma clara advertência das Forças Armadas brasileiras à antiga guerrilheira comunista: há coisas em que é melhor não mexer. 

publicado às 03:30

A Suiça desconhecida

por Pedro Quartin Graça, em 31.03.12

Há quem, apesar da sua neutralidade, não deixe nada ao acaso. A isto chama-se planeamento.

publicado às 11:16

Para ler com muita atenção

por Nuno Castelo-Branco, em 09.01.11

"Essa comparação pode ser usada como analogia para o que se passa no Ocidente e em países como a China e a Índia. Há alguns anos, em 2005, o tema engineering gap veio à tona. Recordo que entre os EUA e a Europa já se notava uma discrepância em favor do primeiro, preferindo a Europa formar maus bacharéis nas humanidades, destinados a ocupar cargos burocráticos ou a formar o lumpen proletariado intelectual que pressiona por mais expansão do sector público, mas essa discrepância era ainda maior quando se comparava os EUA com a China e a Índia, que então já formavam muito mais engenheiros que os EUA."

 

Leia os textos completos AQUI e AQUI

publicado às 22:19

Aviando melenas e galões

por Nuno Castelo-Branco, em 23.11.09

 

 

A propósito de uma curta polémica com um oficial - presumo que na reserva - das Forças Armadas, verifico o sempiterno recurso à coacção moral de quem pretende afastar o inimigo do caminho, utilizando aquilo que imagina ser um insulto. Neste tipo de troca de opiniões, o truque do ataque preventivo é tão velho quão conhecido e no meu caso, inicia-se sempre através da questão monárquica. O termo fidalgo surge como pretensa chacota enluvada de insulto gratuito. Não sendo o caso - e mesmo se fosse ! - ligam-no quase automaticamente ao apelido da minha mãe que já há décadas uma professora e os colegas da escola acabaram por normalizar. Não tenho complexos ou pretensões no que a isto se refere e sinceramente, a questão não é relevante.

 

Os posts que aqui tenho colocado e que dizem respeito a questões que envolvem a instituição militar, são por regra respeitosos para com o legado que as Forças Armadas representam. Conheço bem a génese deste país, a sua consolidação e expansão, não esquecendo os momentos difíceis da retracção e os períodos cíclicos de ascensão e decadência. Os militares, parte do povo que somos, estarão para sempre ligados à existência da entidade Portugal em tudo o que esta significa, desde as esboroadas muralhas dos castelos medievais, às pedras de armas das fortalezas que pontilham o litoral africano, asiático, sul-americano e até do sertão amazónico.  Sabemos o que Portugal deve aos seus militares e ao determinante papel na consolidação territorial pluri-continental daquilo que poderá um dia vir a ser uma Comunidade Lusófona que transcenda os até agora limitados desígnios da afectividade. Como parte do povo no qual os militares portugueses participam, conhecemos bem as suas virtudes, assim como as suas limitações. Sabemos que o mundo mudou e que o papel reservado ao pequeno Portugal é hoje bem distinto e minguado, se o compararmos com as possibilidades que lhe eram atribíveis noutros tempos. Quem acredita hoje na capacidade nacional de fornecer quadros administrativos para o antigo Império de 1973? Como será possível alguém acalentar qualquer tipo de ilusões a respeito da contenção de uma invasão estrangeira ao nosso território? Não temos capacidades materiais no terreno e pior que isto, já não existe a força anímica que há duzentos anos acabou por galvanizar a população na liquidação do invasor até então sempre vitorioso na Europa. Não vislumbramos a vontade de resistência e nem os meios que a possibilitem. Hoje, seria impossível a transferência da soberania nacional para uma parcela do território além-mar, simplesmente porque o Estado é outro e as idiossincracias que o nosso tempo impõe condicionam-nos fatalmente. 

 

Estas linhas, devem-se ao recorrente discurso em que um país inteiro se torna refém do reclamado heróico legado de umas dúzias de heróis mais ou menos anónimos. Reivindicam a categoria de conquistadores e defensores da liberdade, como se as suas provectas carreiras efectivas, não tivessem começado muito antes dos acontecimentos da madrugada de 25 de Abril de 1974?! Quer-se fazer passar a mensagem  da real existência de um risco de morte nos acontecimentos da Ribeira das Naus ou neste ou aquele ponto da capital portuguesa, em riscos de combates jamais ocorridos. Mas o que dizer então, do pleno conhecimento que os autores do golpe tinham acerca da mais que provável inanição de um regime que moralmente já se demitira das suas funções de conformação do poder? Ousariam os militares agir, se não tivessem há muito a consciência da impunidade, ou melhor, do previsível passeio pelas ruas de Lisboa? Quem os formou e o que fizeram durante as seis décadas que antecederam 1974? 

 

Não garantiram as instituições a que nominalmente estavam vinculados. Passando sobre o infeliz episódio da abstenção de 1908 e 1910, o que poderemos dizer acerca das gravíssimas responsabilidades na balbúrdia sanguinolenta - nas premonitórias palavras de Eça - da 1ª república, no golpe sidonista de Dezembro de 1917, no 28 de Maio e consolidação republicana em 1933? O que dizer das presidências que consecutivamente se lhes atribuíram em Belém? Quem organizou toda a logística e entusiasmada organização no terreno da Guerra de África? De onde surgiram afinal, esses militares do 25 de Abril, sempre dispostos ainda hoje, à última palavra no que respeita ao porvir da nação? Acaso pensam que já nos esquecemos do risível primarismo que o degradante espectáculo oferecido televisivamente a uma espantada Europa, alguns promovidos protagonizaram? 

 

Somos autênticos reféns de uma geração já antiga, mas muito ciosa dos seus pergaminhos auto-lavrados. Sabemos quem os formou, o que não quiseram ou souberam ler e escutámos horas a fio todo o tipo de vacuidades que confirmavam a total incapacidade para a gestão da sociedade civil. De formação fortemente impregnada de um estadonovismo corporativo, são estes que ciclicamente surgem na imprensa como os guardiães de uma sacra-legitimidade que reivindicam perante milhões que não lhes reconhecem os feitos ou os nomes. Argumentarem com um Salazar a quem serviram durante anos e cujo regime derrubaram quando lhes foi conveniente e bem após a morte do Chefe, parece ser fácil, quando na verdade tudo isto se torna bastante mesquinho e estúpido. Salazar é para a minha geração de meia idade, um homem de Estado tão distante, como Afonso Costa foi insignificante para a minha avó. Quando nasci, Salazar era da idade do meu bisavô e Álvaro Cunhal já tinha mais idade que a minha avó. Em 1974, já eram relíquias históricas, uma delas já desaparecida do mundo dos vivos e outra há muito mergulhada no pântano da impossibilidade que a humanidade acabou por liminarmente rejeitar.

 

Todos sabemos de estórias de impetuosos militares que em muito excederam as suas atribuições nas picadas africanas, fazendo resvalar  as suas estritas incumbências para um aventureirismo que nas cidades ultramarinas se denominava de mata-pretos e que revoltava os "pérfidos colonos" há décadas estabelecidos naquelas prometidas futuras pátrias lusíadas. Há por aí, quem se pavoneie em tertúlias laudatórias de períodos baladeiros, evaporado das suas diminutas memórias, o claro suporte que prestaram a um estado de coisas de que em grande medida beneficiaram. As até certo ponto apetecíveis comissões, a guerra do ar condicionado e do Clube Militar de Lourenço Marques, Bissau ou Luanda, o estabelecimento de contacto para prometedores negócios que se plasmaram - e que existem - no antigo Ultramar, tudo é varrido em benefício do luminoso cartaz que titula o filme do Libertador abnegado.  Ainda há quem acredite numa clara intenção de devolver a democracia de corte mais ou menos liberal, a um povo que de facto a perdera nas "três auroras" de 1910. Não, sabemos que isto em nada corresponde à verdade dos factos. A revolta existiu e em perfeita conformidade com as regras do sistema das Corporações que a Constituição de 1933 consagrara com dogma e a saída para as ruas revelou o descontentamento de classe profissional, onde as questões de foro carreirístico se sobrepunham a tudo o mais. A questão da forma democrática do regime a instaurar, surgiu como oportuno e incontornável recurso.

 

Falhada uma Revolução que jamais o foi - sem bases intelectuais, sem apoio popular e sobretudo, sem uma capacidade de liderança sistemática que a viabilizasse -, os bravos madrugadores remeteram-se na sua maioria, às suas vidas profissionais, dentro ou fora das Forças Armadas. Sem qualquer tipo de habilitações académicas - o grave, profundo e capital erro da 2ª república -, totalmente inconsistentes no plano ideológico e absolutamente incapazes da gestão corrente da mais ínfima parcela administrativa nacional, alguns pensaram poder institucionalizar-se como parte indissolúvel do Estado, como se as Forças Armadas não fossem um dos fundamentais esteios deste! No fundo, tratou-se de uma simples e nítida manobra daquilo a que hoje denominamos de lóbismo e que se patenteia descaradamente nesta ou naquela associação saudosista de tempos ignotos e indesejados pela esmagadora maioria dos portugueses de que deles jamais ouviu falar. 

 

Acabado o seu papel no seio dos diversos ramos das F.A. houve quem se tivesse dignamente retirado para a vida da reforma, muito justamente auferindo dos privilégios que a sociedade civil lhes conferiu e ainda subsidia. Outros houve que súbita e infalivelmente apaixonados por uma África que apenas lhes conformou as carreiras, mergulharam no vórtice dos vasos comunicantes dos negócios com os antigos inimigos que durante algum tempo não souberam sequer respeitar como seres humanos e a quem coloridamente denominavam de forma inaceitável. Há quem tenha chegado a deputado, à falta de grã-cruz!

 

Felizmente, hoje a formação é outra. Existe um punhado de militares da velha guarda que tendo crescido com a conhecida deficiência formativa de outras eras, procurou informar-se, estudou e conheceu. Episodicamente são convidados de honra em programas televisivos e diante de uma espantada audiência que já não reconhece um antigo primarismo, fala com conhecimento e surpreende pela inteligência, seriedade e total ausência de oportunismo político. O general Eanes é uma raridade que devia ser a regra, mas infelizmente, os sobreviventes da sua geração permanecem aferrados ao quixotismo  da arremetida em heróicas correrias de rua com blindados sem munições, campanhas de alfabetização sem alfabeto e de sistemática destruição daquilo que desprezavam, porque desconheciam por preguiça intelectual de querer aprender.

 

Já não são militares, são uns gordinhos pândegos que falam de si para si e de si para os seus. Estão no seu pleno direito de se entreter, tal como outros da mesma geração, os civis, jogam às cartas nos jardins públicos de Lisboa. Não podem é continuar a pretender puxar o lustro de galões que a sociedade já não consegue ver. Aliás, nem sei se o centro de produção do Freixial ainda existe.

 

publicado às 22:18

Sucatas, negócios e vergonhas

por Nuno Castelo-Branco, em 21.11.09

 

Eis o estado do nosso património (M4 Sherman) que vai - ou já foi - para a sucata

 

 

Portugal foi obra de soldados, com eles se expandiu e consolidou e se a nossa língua é hoje o terceiro idioma europeu no mundo, tal pode ser atribuído ao inesperado prolongamento de uma independência em que muitos acreditaram como inviável.

 

As Forças Armadas foram desaparecendo da visão de uma população civil que aprendeu a vê-las como fonte de despesa ou uma clique privilegiada de benefícios imerecidos. É este o mortal e interesseiramente teleguiado substracto que estabelece a base de uma sociedade civil que hoje desconhece os principais pilares da independência nacional. Controvérsias acerca da sobrevivência do Colégio Militar - com uns cheiros a interesses imobiliários -, o constante desprestigiar do papel cívico das F.A. na nossa história e paradoxalmente, o constante apelo aos seus serviços para "inglês ver e beneficiar os agentes civis", eis o actual panorama.

 

Terrenos de antigos quartéis - muitos deles confiscados após a Guerra Civil terminada em 1834 -que são hoje o objecto da especulação e a total incúria pelo património militar herdado do equipamento de outros tempos, contribuem em muito, para o amesquinhar desta instituição.

 

Surge agora o caso das sucatas. Pelo que parece, os lotes de material obsoleto são cedidos aos preços que se conhecem, obedecendo à "lei do mercado". No entanto, habituados como estamos ao malbaratar de recursos que além-fronteiras são olhados como preciosas peças de museu, convinha deixar uma ou outra questão que carece de pronta resposta. Há uns vinte anos, compradores israelitas vasculhavam os arsenais de reserva de outros países, adquirindo Sherman's que depois de modificados, serviram - e ainda servem - as IDF, poupando recursos escassos e prolongando a vida útil do equipamento. Em Portugal, tudo se envia para a sucata.

 

Qual será a razão pela qual, passado o tempo útil de operacionalidade dos equipamentos, não se faz qualquer tipo de esforço para a preservação de alguns exemplares que consolidem a memória de um dado momento histórico? Existirá ainda algum equipamento blindado dos anos 40, 50 e 60 que possa constituir um pequeno núcleo museológico? O que tem Portugal de tão diferente dos outros países, que nos impeça de exibir peças que serviram muito para além do seu esperado tempo de operacionalidade? Países há, como a França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos ou Rússia, que conservam ciosamente exemplares de todas as armas, exibindo-as em demonstrações internacionais que prestigiam o país, incentivam o espírito de conservação dos técnicos e mecânicos e enriquecem colecções que são vistas por turistas que visitam os museus militares?  Onde para o primeiro equipamento mecanizado importado à Itália, Alemanha e Reino Unido nos anos 30 e 40? Existirá ainda um único M3 Sherman operacional, um Chaffee, um M-47 ou um M-60? O que fizeram das já raríssimas peças de artilharia Krupp e as 25pdr. adquiridas durante a II G.M. e que serviram a NATO até há poucos anos, não esquecendo a sua importante participação no conflito africano dos anos 60-70? Os estrangeiros sabem exactamente qual a situação deste negligenciado património e comentam em sites especializados. Nos jardins públicos do Reino Unido e dos EUA - terríveis ditaduras militaristas, como se sabe -, assim como nas cidades russas, belgas, holandesas e até sul-africanas, encontram-se em exibição numerosos exemplares de artilharia e de blindados de outros tempos. Recordo-me muito bem que estando a passar férias em Joanesburgo (1971), costumava ir brincar para um jardim, onde com outros miúdos trepávamos por um blindado, passando tardes inteiras a "fazer de conta" em campanhas imaginárias. Ainda me recordo do nick do tanque, pintado na blindagem lateral: Fearnaught.

 

No nosso Museu Militar, se excluirmos alguns exemplares de armas ligeiras do período da Guerra de África, dir-se-ia que as Forças Armadas Portuguesas acabaram quando da derrota nacional consumada em 1918. À parte as preciosidades do período áureo da expansão - o montante de Vasco da Gama ou o actualmente ignorado e espectacular canhão de Diu - pouco mais existe para mostrar. Dir-se-ia que temos vergonha de ser quem fomos. As quase clandestinas comemorações da gesta da vitória popular e militar contra a França de Bonaparte, fazem parte deste inenarrável estado de coisas que aviltam Portugal inteiro. A comparação com o Primeiro Centenário da Vitória na Guerra Peninsular, realizado no Buçaco em 1910, é simplesmente abissal. Hoje, já nem sequer podemos ter oficialmente o Rei que a todos representa e sintetiza. Ainda impera de forma autocrática, o espírito da "Deputação a Baiona".

 

 

publicado às 15:04

Milionários-africanistas ao fundo...

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.09

 

O conhecido milionário e ex-colonial-africanista Almeida Santos, insurgiu-se contra a aquisição dos submarinos da Armada, recentemente construídos na Alemanha.

 

Presidentes,  ex-presidentes, conselheiros de Estado e afins, são parte daquele selecto grupo de personalidades com capacidade para conformar os destinos do país e em lógica contrapartida, deverão ser exactamente aqueles melhor preparados e aconselhados para a tomada de posições políticas. A questão dos submarinos que tem vindo a envenenar há anos a vida política portuguesa, obedece a toda uma série de equívocos, processos de reserva mental ou simples arma de arremesso a utilizar numa situação azada.

 

Almeida Santos é para o contribuinte, uma personagem dispendiosa e tem a obrigação de se informar antes de propor a venda das mais recentes e tecnologicamente avançadas unidades da Marinha. A falta de informação de que o cidadão comum padece - especialmente no que se refere a todos os assuntos de índole militar -, leva a tomadas de posição geralmente consentâneas  com o imediatismo da notícia fácil, onde o desfiar de milhões serve sempre como chamariz à demagogia. 

 

Os submarinos são caros e ninguém nega a evidência, especialmente neste momento de crise que não pode, nem deve ser apenas imputada a factores externos. Nem sequer mencionando as capacidades de acção destas unidades (ver especificações gerais AQUI), os submarinos vêem afinal ao encontro daquilo que a política externa portuguesa sempre foi, ou seja, tradicionalmente atlantista por imposição da nossa situação geográfica, da preservação da integridade e independência nacional e não menos importante, significando a garantia da soberania sobre uma vasta superfície oceânica que é fruto da directa cobiça de certa potência vizinha. De facto, desde que o nosso mais directo adversário político e económico ingressou na NATO, tudo tem feito para mitigar a presença portuguesa no Atlântico Norte, ao mesmo tempo que de forma mais ou menos velada contesta a posse portuguesa sobre territórios estratégicos como as Selvagens. O controlo dos recursos a explorar num futuro não muito distante, o reaproveitamento do valor dos Açores e a afirmação nacional no concerto das nações, impõe uma Marinha Nacional moderna e eficiente. 

 

Há décadas bombardeados incessantemente por uma propaganda desmoralizadora, os portugueses aprenderam a olhar as Forças Armadas como uma fonte de despesa, enquanto os próprios titulares da soberania delas se servem para as mais variadas missões de índole claramente política, sob a prazenteira capa da ONU. Mal equipadas e exíguas, exige-se muito e oferece-se pouco. É quase um milagre o facto de até hoje nenhuma catástrofe ter sucedido a qualquer uma das missões no estrangeiro, dada a conhecida parcimónia na disponibilização de recursos mínimos para o cumprimento das tarefas.

 

A Armada não só precisa destes submarinos - apenas dois - como também tem imperiosa necessidade de ver crescer os efectivos e o número de unidades de patrulha e de intervenção rápida. Navios modernos e com equipagens bem treinadas, capazes de garantir aquele que é há séculos o destino de Portugal: o mar, vital para a manutenção da nossa influência na CPLP, na estrutura da NATO e também, para a obtenção das vantagens económicas presentes neste grande filão que o futuro próximo garante.

 

Além da arrogante ignorância do sr. Almeida Santos, o mais preocupante consiste na verificação da existência de uma corrente que no seu partido advoga a tomada de posições concludentemente lesivas do interesse colectivo. Se a apontada ignorância consistir apenas num impulso populista que ciclicamente afecta quase todos os agentes políticos, nada temos que temer. Mas, se pelo contrário, se erigir em pura estupidez na condução dos negócios públicos, o caso torna-se muito mais sério e prenhe de consequências.

 

Aliás, o sr. Almeida Santos há muito se devia ter retirado da vida política, gozando a sua reforma e preocupando-se em exclusividade, com os seus afazeres empresarias. Ele e muitos outros que por aí ainda deambulam não se sabe bem com que fim.

publicado às 19:05

O 10 de Junho em parada

por Nuno Castelo-Branco, em 10.06.09

 

Das comemorações oficiais do 10 de Junho, aqui deixamos algumas notas:

 

1. A parada.

 

Tal como estamos há muito habituados, um péssimo enquadramento do desfile. Mau cenário, pouco espaço e sobretudo, pouco público. A escassez de efectivos evidenciou-se uma vez mais, nestes tempos de contenção orçamental.

Notas positivas: a inédita apresentação  das históricas bandeiras nacionais, com relevo especial para a última, a azul e branca. Da actual, nenhuma e ainda bem, embora tivesse surgido subrepticiamente nos estandartes das unidades. Como deve ser. Os Meninos da Luz montando belíssimos cavalos brancos, bem tratados e sempre acarinhados pelo público presente.

 

O novo equipamento apresentado, com viaturas flamantes de novas, desde os Pandur aos gigantescos panzer Leopard II, deveras impressionantes. Não se prevêem avarias em público, pelo menos nos anos vindouros.

 

Um aspecto a destacar, consiste no aspecto aguerrido e bem equipado das unidades especiais das Forças Armadas, afinal, o que verdadeiramente importa. 

 

Notas negativas:  o péssimo marchar das tropas em geral - nem sequer existindo uma uniformidade no passo,   bastas vezes descoordenado - , num ritmo triste, lento, quase de aprendizes. Sugestão: contratem instrutores dos nossos "novos aliados" do leste, ou em alternativa, russos ou chineses.

 

Ausência da presença de um passado que aliás, as Forças Armadas agora comemoram. Mais exactamente, nota-se a falta de uniformes dos tempos da guerra de libertação contra Bonaparte. Faça-se essa justiça em 2010, ano da vitória. Este tipo de eventos deve ter um carácter didáctico e cívico.

 

2. A sempiterna e escusada  polítiquisse.

 

Foi evidente o mal estar existente entre alguns órgãos de soberania, destacando-se a atitude pouco correcta do actual residente de Belém, que não conseguiu esconder o seu desdém pela figura do seu primeiro-ministro, ignorando-o ostensivamente. Pelo menos, foi o que a televisão mostrou ao país e escandalizou o meu amigo, prof. Serras Gago.  No rescaldo das eleições do passado domingo, o dr. Cavaco Silva já se sente suficientemente ancho para não manifestar o mínimo sinal de cordialidade institucional que o decoro exige. Tem assim início o período de sampaízação das relações entre Belém e S. Bento.  Tudo isto diante de nós todos, a canalha, a ralé?! Vergonhoso.

 

Sabendo o que ocorre nas monarquias europeias, desde já temos a garantia que sendo rei de Portugal, D. Duarte II manteria uma perfeita relação de lealdade institucional com o seu primeiro-ministro - fosse ele quem fosse -,  pois os monarcas respeitam por regra a legalidade saída do escrutínio popular. Disto não temos qualquer dúvida ou hesitação em afirmá-lo. O tempo o demonstrará, se os portugueses assim o entenderem.

 

3. Nota final.

 

O surgimento de bandeiras nacionais azuis e brancas nas varandas de Santarém. O povo começa a deixar de ser tímido e a manifestar flagrantemente o seu patriotismo Finalmente.

 

 

publicado às 14:52

A necessidade de reforçar a Marinha

por Samuel de Paiva Pires, em 09.03.09

 

(imagem picada daqui)

 

Ler o Jorge Wahnon Ferreira no blog da CPA/AJPA:

 

Um alargamento e modernização da marinha, desde que de forma ponderada, sem exageros, poderia em muito beneficiar Portugal, o seu papel na NATO e na UE. Especialmente quando o país aspira a aumentar a sua influência sobre o atlântico sul, nomeadamente a CPLP, e servir de ponte entre esta e a União Europeia e a NATO (lembre-se o apoio dado a Cabo Verde para a obtenção do estatuto de parceria especial da UE). Ora, não pode Portugal pretender ser um ponto de ligação entre o atlântico sul e a NATO ou a União Europeia sem dispor de uma marinha capaz. Quer para cooperação, patrulhas, crises ou "operações de charme" de diplomacia pública, tão bem conseguidas pelas visitas dos navios. Só assim será possível uma convergência económica, cultural e de defesa. Um real alargamento do atlântico sul.

publicado às 23:13

As grã bestas que chegaram a grã cruzes.

por Nuno Castelo-Branco, em 05.03.09

 

Na imagem, o grupo de comandos portugueses de Marcelino da Mata

 

 A propósito do brutal assassinato de Nino Vieira, convém recordar alguns factos de um passado não muito distante e que para nossa vergonha - de todos os portugueses, sejam eles políticos, militares ou ou gente comum - oportunamente foram relegados para o conveniente tugúrio do esquecimento.

 

Após a independência da Guiné-Bissau (Setembro de 1974), o ajuste de contas do partido pró-soviético PAIGC, fez-se de forma célere e radical, seguindo fielmente a cartilha estalinista dos manuais  onde o terror se torna a arma ideal e total para a consolidação do poder. Desta forma, o regime do senhor Luís Cabral, é responsável pelo assassinato de um monstruoso número de antigos soldados africanos do exército português. Apenas culpados por terem envergado o uniforme da potência de que muitos consideravam ser a Guiné parte integrante, não tiveram o direito a qualquer tipo de julgamento, ou como seria ideal, de regressar aos seus afazeres da vida civil.  As circunstâncias em que ocorreu a matança tem contornos dantescos e bem típicos daquela zona do planeta, onde a vingança sobre elementos de outras etnias  ou tribos, é exercida com o recurso a qualquer forma de tortura prévia. Membros decepados em vida, chacina de famílias inteiras, imolação pelo fogo, eis alguns dos processos detectados neste escandaloso episódio com poucos paralelos na história das nossas forças armadas. Enterrados aos milhares em valas comuns, aqueles que conseguiram escapar a sucessivas levas da morte, foram marginalizados e excluídos da sociedade guineense, conseguindo uns poucos vir para Portugal. Curiosamente, os pressupostos igualitários que deram forma ao novo regime de Lisboa, não incluiu estes homens no quadro da cidadania, deixando-os na miséria e sem sequer reconhecer aqueles que pela sua bravura se distinguiram durante a guerra, recebendo por isso as mais altas condecorações de valor militar. Uma ignomínia tão aviltante, como o sonegar dos bilhetes de identidade portugueses a milhões de infelizes, sem sequer lhes ser dado o inalienável direito a opção. Evidentemente, eram negros e como tal, não contavam para as estatísticas, tornando-se até incómodos para uma situação política que antes do mais procurava afanosamente apagar cinco séculos de um passado para alguns inconveniente.

 

Hoje parece verificar-se a habitual catarse que geralmente ocorre após o desaparecimento de uma figura política incómoda. Se durante anos o nosso país dignamente protegeu a vida de Nino Vieira, hoje, após o assassinato levado a cabo por um grupo de magarefes armados, já podemos ler alguns artigos na prestimosa imprensa portuguesa, apodando o infeliz presidente de "ditador, bandido, corrupto, traficante", etc. É mais uma forma de purgar as responsabilidades, absolutamente semelhante e válida nos seus propósitos, tal como aquelas eternas teses da "melhor descolonização possível" que habitualmente os senadores da nação bolsam à hora dos noticiários ou das mesas redondas da corrente propaganda. Há sempre uma idiota de tacha arreganhada, olhos em alvo e microfone em riste, pronta a escutar embevecida, todo o tipo de banalidades, aldrabices e exercícios de onanismo "político". E torna-se ainda mais chocante esta arrogante canalhice, quando as ditas excelências tinham o perfeito conhecimento acerca do tipo de gente a quem entregavam o poder naquelas paragens. Consistiu num crime premeditado, assumido e ainda hoje orgulhosamente exibido como grande feito.

 

Nino Vieira teve o mérito de denunciar os massacres dos seus antigos e valorosos adversários no campo de batalha. Honra lhe seja feita. O que se torna incompreensível é este meio em que vegetamos, onde a captura de um quarteleiro sérvio ou croata, tem direito a parangonas nos jornais e a processos levantados pelo Supremo de Haia. Aqui em Portugal, convivemos diariamente com gente profundamente implicada neste tipo de crimes e que nem por isso deixa de ser convidada para eventos sociais, sejam eles de índole cultural ou política. Pior ainda, surgem periodicamente na própria televisão do Estado, comentando a actualidade política dos países que decisivamente ajudaram  a destruir e a transformar em antecâmaras do inferno. Estão bem e recomendam-se,  preciosamente protegidos por outros - civis e ex-militares portugueses - que orgulhosamente insistem no erro histórico e negam a responsabilidade da ascensão da chã malvadez à categoria de sistema de governo. 

 

No nosso país não há gente talhada à medida de um Baltazar Garzón. Temos, isso sim, uma assustadora  infinidade de páchiças  e mamparras  alçados ao nada invejável escalão de "luminosas inteligências" e autoridades da moral e da memória recente da nação. É a velha história das grã bestas que chegaram a grã-cruzes... Sabemos quem são. Coerentemente, até há quem continue a desenvolver negócios miliardários, pouco se importando agora com questões de neo-colonialismo ou escravatura infantil. Assim, tudo faz sentido.

publicado às 23:21

90 anos da Monarquia do Norte

por Nuno Castelo-Branco, em 26.01.09

 

Muito a propósito da lembrança aqui deixada pelo João Pedro, seria interessante um estudo acerca da evolução da história portuguesa no século XX, no caso de ter vingado a restauração da monarquia em 1919. 

 

A  proclamação da monarquia no Porto (23-1-1919),  consistiu no epílogo dos acontecimentos despoletados pelo período dito sidonista, no qual a esmagadora maioria da população se revia, na sua profunda ânsia de paz, progresso e segurança. Ainda hoje a época surge como um factor de apaixonada discussão que é mais própria do âmbito da luta e da propaganda política, que da imparcial análise histórica dos eventos ocorridos e dos inerentes pressupostos ideológicos. O que foi o sidonismo? Torna-se difícil uma plena explicação que dirima toda a controvérsia que o tema implica. Não tendo um programa de acção que não fosse a ordem e a acalmia após o avassalador vendaval "democrático" do costismo, a chamada República Nova concitou o apoio conservador e pela primeira vez desde João Franco, o supremo dirigente do Estado colheu a quase unanimidade dos poderes de facto - a indústria, o comércio, as profissões liberais -, e simultaneamente surgia diante das massas, como a espada redentora de um país esmagado e humilhado pela prepotência demagógica do regime do 5 de Outubro de 1910. Sidónio foi popular e tanto os monárquicos - força poderosa onde se susteve -, como o próprio rei D. Manuel II, compreenderam as imensas possibilidades que a situação propiciava para uma natural evolução do regime em direcção a uma nova monarquia. 

 

Paradas, banquetes, inaugurações, conferências e actos de claro cariz populista, consistiram afinal, no cerne  do período em causa e durante um ano, Portugal considerou a república velha como coisa exautorada, morta e passada. Foi o tempo de todas as ilusões.

 

O assassinato de Sidónio criou uma situação insustentável de indefinição, pois o regime era o próprio homem, como os factos viriam a comprovar. A única força verdadeiramente influente sobre o qual assentava, era, para além do exército, a causa monárquica no seu sentido mais lato.  O grave problema consistiu nas clivagens internas que na altura já ruidosamente se verificavam, dada a visível cisão legitimista em torno do Integralismo, exactamente no momento em que decorrida meia década desde o consócio do rei com Augusta Vitória de Hohenzollern, o ramo liberal parecia condenado a entender-se com os seus primos banidos em 1834. De facto, os Integralistas não souberam nem quiseram aguardar a natural evolução dos acontecimentos e os prejuízos causados  às fortes hipóteses da instauração da monarquia, foram sem dúvida fatais. De nada serviu o precedente histórico do chambordismo que aconselhava a concentração de esforços e sobretudo, o saber esperar. O rei via-se desautorizado, quando as próprias forças armadas pareciam dispostas a essa aguardada outra monarquia, com uma Constituição que adequasse o poderes real aos novos tempos, garantindo-lhe a dispensa de envolvimento na organização do jogo político, indesmentível facto que originara o descalabro dos últimos anos do reinado de D. Carlos. A Carta Constitucional obrigava o monarca a essa activa participação na organização de governos e maiorias parlamentares, levando a que a frágil e volátil opinião pública, frequentemente o acusasse de comprometimento com o partido rotativo então no exercício do Conselho de Ministros. Curiosamente, muitos são os testemunhos acerca dessa disponibilidade das forças armadas em "engolir" - na saborosa expressão da condessa de Mangualde - a nova monarquia de D. Manuel II, mas a empresa era inequivocamente difícil. Difícil, porque tal pressupunha em primeiro lugar, a disciplina dentro da causa monárquica, dirimindo-se as divergências, em prol do interesse primeiro: evitar o regresso do costismo e da "república velha". Trabalho de Hércules, este, pois os sectores radicais estavam seguros do seu porvir como força hegemónica, tanto em Portugal, como noutros países europeus saídos da Grande Guerra. O conflito aniquilara a antiga Europa da Belle Époque e no continente apavorado com a bestialidade leninista profusamente relatada por refugiados e pela imprensa, parecia chegada a hora de novos condottieri. Os Freikorps na Alemanha, os Arditi italianos e os ímpetos totalitários apregoados por d'Annunzio, pressagiavam essa nova ordem emergente. Horthy esmagava a ditadura bolchevista de Bela Khun e na Baviera Kurt Eisner desaparecia de cena, tendo o mesmo fatal destino de Liebknecht e Rosa Luxemburgo. 

 

Os Integralistas não cederam e pressionaram, ao mesmo tempo que desta forma se evidenciava aos olhos da ansiosa opinião pública nacional, a profunda divisão dos monárquicos. O desrespeito pela figura do monarca que se vira apoiado e reconhecido pelo seu próprio primo D. Miguel (II), foi sem qualquer sofisma, um claro indício do fracasso ou dificuldade de uma breve restauração da bandeira azul-branca, ela própria contestada por uma parte dos defensores do realismo. Foi esta a tragédia que fez perder a Restauração.  As Forças Armadas e os seus comandos, pretendiam antes de tudo, a necessária ordem que possibilitasse a calma interna, a reorganização da economia, a preservação do Império e a normalidade do dia a dia. Eram, tal como hoje, uma força  conservadora, decorridos os anos de conflituosidade interna devido à participação de muitos dos seus elementos na guerrilha partidária e ao desastroso desempenho na Grande Guerra. Os militares quiseram apresentar-se como a reserva da nação e é neste momento que se inicia a marcha que conduziria anos depois, ao 28 de Maio de 1926.  Como poderiam então apoiar decisivamente um movimento já por si dividido? É certo que o próprio Chefe de Estado de recurso, o almirante Canto e Castro, era um reconhecido monárquico, fiel a D. Manuel II. O problema residia então, na impossibilidade de uma acção concertada iniciada pelas forças civis e logo secundadas pelo impaciente exército. 

 

Conhecem-se os consecutivos eventos que tendo início na feliz restauração no Porto - com grande regozijo popular -, foram evoluindo ao longo das semanas de duração do movimento, para a fragilização do mesmo e insucesso final. Falta de organização, descoordenação entre os Centros Monárquicos e as forças armadas, lutas intestinas, a ausência de um atractivo programa de saneamento da vida pública e sobretudo, a constante improvisação de medidas que pretendiam consolidar a nova situação, eis as causas do desastre.

 

Para grande desespero do rei que bem aconselhara a uma plena organização e conjugação de esforços, adiou-se sine die qualquer hipótese de regresso de Portugal às suas instituições históricas e naturais. Pior que tudo, a derrota dos sublevados implicou para cúmulo da infelicidade, o retorno da "república velha", facto cujas funestas consequências Portugal ainda hoje sofre. Desdita ainda evidente nas mentalidades e na hodierna total ausência do sentido do dever e do interesse colectivo. Aprendamos com a História. Para que não se repita.

publicado às 22:17

A Panzerdivision nacional ( e socialista...)

por Nuno Castelo-Branco, em 31.07.08

 

Está prevista para os próximos meses, a chegada dos novos tanques do exército. Chegam discretamente e a compra correspondeu à necessidade do habitual "faz de conta" do sector político que "nunca"  dispende verbas com militarismos ultrapassados. No entanto, compram e do melhor. Desta vez, parece que as FA optaram pela nacionalidade de um certo tipo de equipamento, que melhores provas deu nos campos de batalha. Sucessor dos velhos Tigre da II Guerra Mundial,  o Leopardo 2A6  faz importante figura nas paradas e no campo de operações. Não existe rival que se lhe superiorize e pela primeira vez, a panzerwaffe fornece blindados a Portugal. Apenas 37 unidades, um número modestíssimo, mas suficiente para a manutenção da operacionalidade deste ramo do exército, uma vez que não se conhece qualquer ameaça directa de invasão do território português.

 

Durante umas décadas, os 10 de Junho contarão com a presença destes Leopardos, sem que súbitas avarias transtornem aquele cerimonial, tão oportuna, correcta e  políticamente julgado como maçada militarista. El Dia de la Bandera em Madrid é decerto mais apetecível para algumas das nossas patrióticas autoridades. Mas aqui fica a novidade.

publicado às 18:11






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