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Não pactuarás com o Mal

por Regina da Cruz, em 05.10.13
Moral da história: há sempre lúcidos no meio da escuridão e que se recusam a pactuar com o que está errado.
(também aqui)


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publicado às 13:09

O Dr. Caligari

por João Pinto Bastos, em 28.12.12

Podem apontar-se inumeráveis defeitos à falta de primor e à fugacidade alienante das redes sociais. Nem tudo o que luz é ouro. Contudo, de quando em vez, as redes sociais conseguem surpreender-nos pela positiva. O YouTube é um caso paradigmático, servindo basicamente para tudo. Democratizou o disparate, expandindo os dividendos da visibilidade às massas ignaras. Porém, no meio de tanta parvoíce escancarada, ainda há espaço para verdadeiros tesouros, que, sem muito custo, podem ser encontrados e visionados nesta rede social. Um bom exemplo é o filme "O Gabinete do Dr. Caligari". Uma das grandes obras-primas dos primórdios do cinema - produzida nos famosos estúdios UFA -, com referências estéticas que vão do cubismo ao expressionismo alemão, este filme influenciou como poucos o chamado "Film Noir", estabelecendo um padrão que seria amplamente seguido nos anos posteriores. Quando vi pela primeira vez este filme fiquei razoavelmente admirado com a pormenorização e o toque de génio impostos por Robert Wiene. Nessa época, o cinema alemão foi palco de uma revolução artística gizada por nomes como Pabst, Fritz Lang, e Murnau, entre outros, o que pode, em grande medida, surpreender alguns, mas a verdade é que os alemães, por mais defeitos que tenham e têm, já produziram cinema da mais alta craveira artística, sobretudo o temporão. O enredo do filme tem múltiplas ressonâncias políticas, o que correspondeu, de certo modo, à intenção primeva dos argumentistas. Houve, aliás, quem dissesse que esta obra era uma espécie de crítica arcana do totalitarismo larvar que já nos idos de 1920 assoberbava a nação germânica. Independentemente disso, a função que Caligari assume no enredo é particularmente sugestiva. O papel que ele desempenha na trama, a forma como urde os assassinatos do sonâmbulo, faz-nos recordar, com algum desalento de permeio, que o poder é sempre a via mais rápida para a corrupção e o abuso. Sem freios nem contrapesos, o poder descarnado corrompe e mata. Foi sempre assim. Um filme destes é matéria obrigatória não só para os cinéfilos de plantão, mas, também, para todos aqueles que desejam a limitação do poder. Do poder que arruina a Vida. Porque, como proclama o Dies Irae, "nil inultum remanebit". Tudo tem castigo, especialmente o poder oculto e corrompido.

 

 

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publicado às 23:23






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