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O futebol profissional no Sporting talvez mereça acabar

por Samuel de Paiva Pires, em 20.05.18

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Parabéns aos jogadores do Desportivo das Aves, que fizeram uma campanha notável na Taça de Portugal e um excelente jogo frente ao Sporting.

 

Parabéns a Bruno de Carvalho e aos energúmenos das claques sportinguistas. Esta derrota é vossa e totalmente da vossa responsabilidade. 

 

Parabéns aos jogadores do Sporting, a quem nem sequer se podia pedir que se apresentassem a este jogo e que, infelizmente, têm de lidar diariamente com um presidente tresloucado que inverteu completamente a hierarquia natural num clube de futebol profissional, tratando de forma aviltante o plantel e acarinhando as claques.

 

O Sporting não merece os jogadores que tem. Um clube desgovernado durante 5 anos por um troglodita apoiado pelos notáveis, com claques compostas por vândalos energúmenos e adeptos que mostram sempre o que valem nas alturas críticas, abandonando os estádios antes do fim de jogos decisivos - e, no caso do jogo de hoje, quando os jogadores mais precisavam do carinho e apoio dos adeptos -, talvez mereça mesmo que os jogadores rescindam os contratos por justa causa e deixem o Sporting à beira da falência. 

 

Já que tantos notáveis gostam de enaltecer as modalidades amadoras, então foquem-se nestas, porque claramente há uma incompetência atroz para gerir um clube de futebol profissional, ainda para mais um clube com a dimensão do Sporting. 

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publicado às 19:55

Arrastão de Alcochete

por John Wolf, em 16.05.18

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José Sócrates detém uma quota-parte da responsabilidade em relação ao sucedido em Alcochete. O facto de andar a fintar a Justiça com artimanhas de toda a espécie, instiga nos demais concidadãos a ideia de impunidade - a noção de que é possível prevaricar, adiar o sistema jurídico à exaustão, e sair em liberdade a tempo de ver a final da Malga de Portugal. Ou seja, os cerca de 50 encapuzados que se fizeram à Academia do Sporting levavam debaixo do braço marretas, mas também teses alicerçadas no argumento "apanha-me, se puderes". Por outro lado, Bruno de Carvalho lembra António Costa, mestre da normalidade pós-flagelo, sem mazelas traumáticas a apresentar. Pedrógão e Alcochete partilham o adjectivo - "foi chato, mas amanhã é um novo dia." Ambas as patologias são afinal a mesma doença decorrente da ausência de verdade e consequência. Assim anda Portugal - há tanto tempo. Se não cuidarem de certas premissas o bico de obra será ainda maior. Costa gosta muito de comissões e autoridades. Venha de lá mais uma para encher o olho.

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publicado às 20:21

Chega de Bruno de Carvalho

por Samuel de Paiva Pires, em 15.05.18

Isto é absolutamente vergonhoso, inacreditável e inaceitável. É imperioso que Bruno de Carvalho se demita ou seja demitido e que a massa associativa do Sporting reponha a normalidade no clube e mostre que, efectivamente, "o Sporting não é isto" e não pode continuar a ser um clube dominado por vândalos e energúmenos, sejam eles o presidente ou membros de claques.

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publicado às 18:36

O Futebol e o Estado das Nações.

por Nuno Resende, em 08.05.18

 

No século XIX Antero de Quental propôs três razões para o estado do País de então:

 

A Reforma Católica e a acção dos Jesuítas;

O centralismo do país como resultado da Monarquia Absoluta

Uma economia debilitada pela Expansão Portuguesa.

 

Ora, hoje a Igreja não tem qualquer poder na sociedade portuguesa, não existe Monarquia (muito menos absoluta) e da Expansão Portuguesa resta pouco mais do que dois arquipélagos e a ilhota das Berlengas.

Se Antero voltasse, quais seriam, pois, as suas explicações para a recente quase bancarrota da República, o tempo de austeridade e o subsequente período de euforia?

Talvez o grande intelectual açoriano olhasse para as questões macroeconómicas, para os laços que hoje nos ligam à Europa e não aos territórios ultramarinos que tanta discussão geravam no seu tempo. Talvez questionasse a própria República, a partidocracia e os seus índices de corrupção. Talvez não se revisse no Socialismo tal qual ele é arvorado hoje em dia como garante de um escol de líderes e não como socorro dos mais necessitados.

Mas vendo a perda de influência da Igreja Católica, hoje reduzida a um lugar quase pitoresco, talvez Antero se voltasse para um fenómeno que parece ter ocupado o seu lugar: o Futebol. É curioso e ao mesmo tempo macabro e irónico que o «foot-ball» tenha chegado a Portugal pela mão da nossa «Aliada» Inglaterra, na mesma altura que esta nação «Amiga» nos impôs um Ultimatum (1890) e a cujo acto devemos uma das maiores crises da nossa História. Crise que, aliás, contribuiu para o suicídio de Antero em 1891.

Ora, nunca, como hoje, se impõe voltar a procurar as Causas para a Decadência dos Povos Peninsulares. Portugal e Espanha vivem reféns do futebol: ele determina a ascensão e queda dos políticos e até de nações (veja-se o caso da Catalunha), contribuiu para o adormecimento da opinião pública e do eleitorado e é utilizado como forma de propaganda para exacerbar identidades locais, regionais ou nacionais.

Para que servem os símbolos das nações de hoje que não seja para abrir, assistir ou justificar jogos de futebol?

Todo o ócio e toda a vida desportiva (e cultural) das massas gira em volta desse desporto. E os seus intervenientes tornaram-se semideuses, para os quais se voltam milhares de fãs e adeptos, procurando modelos e conforto para as suas vidas - de resto muito distantes das deles, ricos e poderosos.

Dificilmente em algum tempo algo foi tão consensual como o futebol. Na nossa política caseira, por exemplo, o futebol é algo que une a Esquerda à Direita, o Rico e o Pobre: é tema intocável, indiscutível e inalienável.

Ainda hoje se critica a Igreja Católica, outras igrejas e seitas religiosas e até alguns regimes ditatoriais pela facilidade com que operam mudanças e lavagens nas mentes dos indivíduos, mas desconfio que se o Cristiano Ronaldo ou outro qualquer jogador-ídolo sugerisse aos adeptos que o veneram como modelo heterossexual, de homem rico, bonito e mulherengo para baixarem as calças, poucos seriam os machos lusitanos que resistiriam ao apelo.

E nisto se resume o Estado da Nação.

 

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publicado às 10:41

Cultura Zero

por John Wolf, em 05.04.18

 

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Portugal sofre de pseudo-elitismo crónico. O mito sagrado da cultura tem servido fetiches de diversa ordem, mas sobretudo para invocar poderes sobrenaturais e reclamar dinheiro dos contribuintes. Em nome de causas maiores, do bem público e do dever do Estado, um conjunto alargado de "estruturas" (termo querido da Catarina Martins) tem recebido, a fundo quase perdido, somas interessantes para tirar o povo da sua ignóbil miséria cultural. São estes agentes em missão de salvamento que resgataram Portugal profundo da tirania da estupidez e ignorância. O contínuo endeusamento de uns quantos "grandes", que consubstanciam a máxima "em terra de cegos quem tem olho é rei", é o derradeiro responsável. São esses iluminados, tocados pela magistratura do privilégio da corte de vantagem, das ligações especiais, que foram levados em ombros na luta cultural de classes levada a cabo pelas Esquerdas, ditas titulares exclusivas das artes performativas e do seu integral entendimento. No entanto, o modelo (falido, falhado) não se localiza na régua ideológica ou partidária, nada tem a ver com a Esquerda ou a Direita. É problema de fabrico. É uma patologia respeitante à matriz estatutária do país que distingue despudoradamente a superioridade cultural de uns e afasta a mediocridade avultada de outros. Confirmamos a eternização dos mesmos jogadores. São eles; políticos-poetas, escritores-aclamados, críticos-intocáveis, actores-consagrados, cantoras-diva e encenadores-inamovíveis que degeneram a possível e desejável alteração das regras, do modelo. São esses mesmos, próximos da poltrona do funcionalismo público, que não desejam grandes sacudidelas. Para eles, a cultura deve estar divorciada do mercado, porque o público nada sabe e portanto não saberia distinguir uma ópera bufa de uma simples libertação de gases. Os agentes ditos culturais não entenderam pelo menos duas coisas: a arte é sinónimo de ruptura e desequilíbrio. E os empreendimentos culturais financiam-se de um modo social, sem ser necessariamente socialista, mas intensamente escrutinado em função dos valores investidos e do retorno qualitativo e expectável das obras de arte apresentadas. Neste capítulo das artes e da cultura, da programação e dos modelos de financiamento, poucos o sabem fazer como os americanos. Ora vejam este exemplo e descubram as diferenças. Isto é apenas dinheiro dos contribuintes. Mais nada.

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publicado às 16:23

De outro mundo

por Samuel de Paiva Pires, em 03.04.18

Já houve muitos golos de bicicleta na história do futebol. Mas executados como o de Cristiano Ronaldo hoje, a correr em direcção à bola, com uma movimentação acrobática digna de um ginasta, àquela altura e de deixarem o guarda-redes (Buffon, diga-se de passagem) pregado ao chão, só me recordo de ver noutro jogador: o capitão Tsubasa.

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publicado às 22:32

Declaração de independência do PSD

por John Wolf, em 10.10.17

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A crise de liderança do Partido Social Democrata (PSD) tem provocado mais alergias e urticárias no seio de outros partidos do que na própria casa da Rua de São Caetano à Lapa. Parece quase certo que o Derby social-democrata será disputado entre Santana Lopes e Rui Rio. Convém sublinhar o seguinte fenómeno separatista; Os mais contundentes sucessos de governação dos candidatos aconteceram na região norte - nas cidades da Figueira da Foz e do Porto. Numa lógica de bastiões e reservas estratégicas do PSD, faz algum sentido que assim seja, e tendo em conta o track-record de cada um dos adversários, se puxarem dos galões autárquicos para promoverem as suas causas, farão a vontade dos socialistas. Ainda recentemente, embora embriagado pelo oportunismo das eleições autárquicas, António Costa reforçou a sua dose ideológica de regionalismo e  "autonomia" política dos concelhos desde que estes sejam do Partido Socialista (PS). Numa interpretação mais ampla, e à luz dos acontecimentos que decorrem na Catalunha, a bandeira do poder local pode ser um argumento subtil a ter em conta na gestão de um país. Quer Santana Lopes quer Rui Rio devem saber integrar as movimentações ideológicas excêntricas. Dirão muitos que o que acontece na Catalunha não interessa ao menino Jesus, mas não é bem assim. Quaisquer derrames não previstos, decorrentes da garraiada que opõe Madrid a Barcelona, terão impacto nos discursos políticos pan-europeus e nas contas europeias. A geringonça ficará indelevelmente colada ao ciclo económico favorável do turismo e ao dinheiro fácil do Banco Central Europeu. Numa lógica de modelos económicos que se esgotam e de alternância de vocalistas, o mais provável é o PSD agarrar o poder em Portugal quando este estiver na mó de baixo, a andar às voltas da nora de uma nova crise de excessos e devaneios orçamentais. Seja qual for o chefe da casa política do PSD, este deve alinhar ideias de um modo realista, mas desapaixonado. O PSD, não sendo governo, deve ter um papel de auditor interno, de agência de rating. Por outras palavras, deve fazer uso do capital de que dispõe. E o legado de que dispõe diz respeito à experiência na gestão de crises. Os outros, para serem coerentes com o seu currículo, continuarão a pintar um cenário cor-de-rosa, perfeito. O PSD deve levar em conta que as marés psicológicas são de duração limitada e que as escorregadelas financeiras dos governos marcam o início do seu fim. O PSD apenas deve ser paciente. A realidade falará por si. A ideologia acaba sempre por se trair e deixar ficar mal os crentes mais ferverosos. O PSD deve declarar a sua independência política das querelas típicas que polvilham o quadro governativo de Portugal. Se quiser sair por cima.

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publicado às 14:26

 

Hugh Hefner foi um político de vulto. Nunca dormiu com os adversários. Nunca se deitou na cama de interesses alheios. Soube alimentar as expectativas de tantos seguidores erectos perante o magistério das suas promessas, da ilusão. O fundador da Playboy foi um verdadeiro democrata. Procurou repartir o entusiasmo pessoal pelo comum dos mortais - mas não era socialista. O monopólio das mulheres era a sua igreja. A revolução sexual de muitos países foi atrasada devido ao poder de censura dos seus regimes. Portugal não foi excepção. Mas temos de ter algum cuidado com a nova estirpe de moralismo de género que parece ter assolado o país. Para muitos Hefner foi o promotor da ideia de mulher-objecto, o anfitrião da sexualidade comercial desconexa das emoçoes, dos afectos, do amor.  Não concordo. Nos EUA, o papel da publicação é inegável. A América sempre teve a tendência para os dilemas do pudor, o mamilo que se mostra ou não, o sexo explícito no filme prontamente rasurado pela brigada de costumes. Enfim, Hefner soube ler a textura sociológica daquele país e construiu um modelo de negócio baseado na líbido. A revista Gina, o erotismo de um Vilhena ou as loiças das Caldas da Rainha, nunca conseguiram alcançar o estatuto mainstream, e o salto indutivo, de "quando a fome é muita", levou a que o processo descambasse para os compêndios de teor pornográfico, sem arte, sem escola. No caso da Playboy, Hefner foi a doce flor num jardim de rosas entesadas. Hugh foi o menino na loja de brinquedos sem hora de fecho. Mas a Playboy é mais ampla no seu rol de consequências e efeitos secundários. As indústrias de entretenimento e lazer, o sector das farmacéuticas, a moda e o design, souberam aproveitar o fenómeno de um modo estrutural e continuado. Os media construíram novelas, filmes e enredos sublinhando o glamour das curvas sensuais. Tornaram a linguagem directa, sem rodeios. A pílula e os comprimidos azuis vendidos mundo fora também podem agradecer à Playboy - fizeram milhões e fizeram milhões de gente feliz à p()la do imaginário de Hefner. Foram tantos os que foram como os que vieram...abraçar esta religião. Os designers de moda, aproveitando a tendência para destapar, reinventaram modos de expor a nádega e sugerir o sexo protuberante. Enfim, todos nós temos uma pequena dívida para com Hugh Hefner. Mesmo os clientes de outras sortes sexuais puderam exprimir a sua contra-libido, as suas preferências. Na fase final da sua caminhada enquanto editor, Hefner soube, mais uma vez, ler o mundo em que vivia. O advento da pornografia acessível pela via digital, e sem restrições, quase que matava a ideia da sugestão de "o que está por detrás do sorriso maroto?", quase que aniquilava o flirt dos derradeiros românticos encostados ao bar de um hotel, quase que desbastava a linda flor colhida de um imaginário toldado pelo excessivo aquecimento da genitália onde impera o tendão e cada vez menos o lirismo. Hugh Hefner merece o prémio móvel da paz e amor. Mexeu com muito. Não existe político que lhe chegue às virilhas. Prometem, mas não cumprem. Hefner nada jurou, mas tantas das suas preces foram cumpridas.

 

Vote no Estado Sentido, por favor! --------------->

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publicado às 08:51

Autárquicas da bola

por John Wolf, em 14.09.17

 

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deve ser composta por bananas. Apenas trabalha quando o rei faz anos, mas mesmo assim não acorda a tempo e horas do serviço. Borra a pintura. Tem expediente a cada 4 ou 5 anos, mas é incapaz de dar conta do recado. Nem umas miseráveis eleições é capaz de marcar no calendário. É uma infeliz coincidência essa estória dos jogos acontecer no mesmo dia. Azar. Os adeptos do Porto, se carregarem em massa em Alvalade, terão de organizar muito bem o seu dia. Terão de descer à Ribeira, inserir o boletim na ranhura e depois rumar a Lisboa. Pois. Estou a ver o filme. Isto precisava de um vídeo-árbitro-autárquico para controlar a jogada - amarelo, no mínimo. Falamos de uma estimativa de abstenção afectada negativamente pelo espectáculo da Primeira Liga. Não me venham com estórias. Querem convencer-me que a CNE não analisa todos os factores de perturbação dos actos eleitorais? Os eleitores da coligação Benfica-PS também terão de fazer um esforço acrescido para ver se não ficam retidos na ilha da Madeira devido a um inesperado vento cruzado. Contudo, independentemente da bola, os portugueses terão mais uma desculpa para não exercerem a sua obrigação cívica. Depois é o que se sabe. Continuarão a queixar-se deste ou daquele, mas mandam dar uma volta àqueles que ousem perguntar: votou? Ou foi ver a bola?

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publicado às 13:33

Enormes!

por Samuel de Paiva Pires, em 11.07.16

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publicado às 00:23

Já raramente leio Alberto Gonçalves, um ídolo dos nossos pseudo-liberais. Também eu, há uns anos, o lia e partilhava avidamente. Entretanto cresci, amadureci intelectualmente, li mais umas coisas e compreendi os vários erros dos simplismos dos nossos pseudo-liberais. Todavia, hoje caí no erro de abrir esta crónica que foi partilhada por alguns dos meus "amigos" do Facebook. A todos os que desdenham Portugal, a pátria, o futebol e a Selecção Nacional, permitam-me parafrasear Cristiano Ronaldo: Que se fodam!

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publicado às 16:00

Je suis Orlando

por John Wolf, em 13.06.16

Enquanto as Esquerdas e Direitas iluminadas cá do burgo discutem o correcto posicionamento em relação ao ataque terrorista ocorrido em Orlando na Florida, por causa da trictomia homossexualidade-arma de fogo-Estado Islâmico, convém relevar os seguintes pontos; na corrida presidencial dos Estados Unidos (EUA) quem mais vai beneficiar é Donald Trump. Há meses atrás, neste mesmo blog, referi este facto. Um ataque terrorista em solo americano serviria para validar a sua tese securitária, anti-islâmica e proteccionista -  e isso ajuda a sua campanha baseada no medo colectivo. No entanto, existem diversas dimensões que devem ser analisadas. Pelo que sabemos, nenhum dos gay que participava na festa latina na discoteca Pulse tinha em sua posse uma arma de defesa pessoal - lá vai pelo cano o anti-americanismo primário de que andam todos armados na América - pelos vistos estes não. Em segundo lugar, somos informados que o Federal Bureau of Investigation (FBI) já detinha um ficheiro respeitante ao principal suspeito - ou seja, os serviços de informação não foram irrredutíveis e competentes na triagem de vilões. Em terceiro lugar, o operacional ao serviço do Estado Islâmico (EI) acaba por colocar em prática cânones que precedem esta organização terrorista - o Alcorão é intensamente declarativo em relação ao seu desprezo pela homossexualidade. Em quarto lugar, as grandes teorias organizacionais em torno das ligações, comunicações e linhas de comando dentro da estrutura do EI não servem a causa de interpretação dos factos. O agente do EI em causa valida-se na sua missão de um modo remoto da Síria ou Iraque, apetrecha-se no mercado local de armas semi-automáticas, presta vassalagem aos senhores do EI e ainda informa as autoridades locais sobre a iminência de um ataque. Assistimos também a outro processo em curso. À segmentação do alvo. O grau de diferenciação que instiga aquele que perpetra o ataque a escolher uma sub-categoria de inimigo - os homossexuais -, revela uma maior sofisticação operacional. Será expectável, na senda da mesma lógica, outros modos de distinção. A saber, e por exemplo, um enfoque especial do EI em relação a organizações de defesa dos direitos das mulheres. Mesmo com a chuva de críticas de que tem sido alvo os EUA, as autoridades não produziram os discursos inflamados que a Europa desejava. Por outro lado, o grau de solidaridade europeu em relação aos eventos de Orlando parece ter sido mitigado por outros espectáculos, como aquele de Marseille. Não vejo muitos Je Suis Orlando por aqui. É mais bota abaixo bola acima. Os de cá não querem ser confundidos como sendo de outras equipas.

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publicado às 13:56

Costa, o senhor das moscas

por John Wolf, em 16.10.15

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O oportunismo de António Costa deve ser analisado mais em detalhe. A sua falta de fair-play democrático acarreta consequências em diversas estruturas de natureza política ou sociológica. Ora vejamos. Não sei o que vem escrito na Constituição das Repúblicas Autárquicas, mas imaginemos que a revolta fosse passível de ser deflagrada noutras instâncias e, deste modo, teríamos minorias em sede de Assembleia Municipal, que no culminar de certos resultados eleitorais, decidissem, post hoc, e em conluio, destituir o Presidente de Câmara Municipal eleito por maioria, mesmo que relativa, substituindo-o por outro resultante de uma soma conveniente de maus-perdedores. Gostaria de saber o que o Supremo Tribunal Autárquico teria a dizer sobre o assunto. Ou ainda, se em processos de eleição para presidentes de clubes de futebol, os candidatos que não conseguissem atingir os seus objectivos, apresentassem à revelia do bom-senso e equilíbrio democrático, um presidente-fantasma emergido da bruma combinada de uma aposta múltipla de última hora. Não sei se me faço entender, mas o comportamento da "Esquerda rancorada pelos resultados", viaja para além do domínio da política strictu sensu. O que os socialistas, bloquistas e comunistas estão a fazer, arrasa conceitos comportamentais que resultam da ideia de direito natural. Mexe com aspectos etológicos e acaba por premiar a animalidade instintiva, aquilo que William Golding narra na sua obra O Senhor das Moscas. António Costa já não é socialista. Nem sequer será comunista. Inclassificável.

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publicado às 09:20

Não discutimos a pátria (nem o futebol)

por Nuno Resende, em 19.05.15

«Não se discute Deus e a sua virtude; não se discute a Pátria e a Nação» - disse António de Oliveira Salazar. Talvez não tenha acrescentado o futebol, por pudor. Acrescentemo-lo agora a propósito das recentes comemorações benfiquistas.

O futebol é uma prática desportiva. Até aqui tudo bem. O desporto é uma característica que distingue a humanidade da sua biologia animal: hoje o Homem já não precisa de caçar para alimentar-se, nutrir-se e manter-se em forma para evitar ser caçado. Apesar disso no presente o Homem pode existir sem que isso implique mover-se.

Mas o futebol, ao contrário de muitas outras práticas desportivas, saiu, há muito tempo, fora das quatro linhas, tornando-se um espectáculo de massas, consubstanciado com o recurso a um vasto conjunto de artifícios, em grande parte motivados pelo luxo, pelos excessos e pelo desejo de poder – coisas que o comum dos mortais deseja como as pegas desejam os objectos brilhantes e que topam no seu longínquo voo.

O futebol não é, por isso, apenas, uma prática desportiva. A sua organização em equipas torna os seus fãs ou adeptos em milícias que visam enaltecer, proteger e defender (se preciso até à morte) uma pequena oligarquia de jogadores que vive acima das possibilidades do comum dos humanos. Mesmo nas equipas menos bem pagas, o clubismo transforma-se numa expressão longínqua da antiga vida em tribo. Sem necessidade de alianças para caçar e defender-se das grandes presas pré-históricas o Homem moderno usa o futebol como forma de catarse e exercícios de violência mantendo assim os níveis de epinefrina capazes de aguentarem a sua virilidade em pé.

Claramente difundido em algumas sociedades ocidentais (sub ou sobredesenvolvidas – o índice de desenvolvimento económico não é para aqui chamado como muitos argumentam) o futebol constitui, assim, a mais clara expressão de um comportamento hominídeo primitivo que articula a expressão violenta da subsistência com a sustentação de uma rivalidade inter geracional e rácica.

Toda esta conversa pseudo-sociológica e intelectual serve para resumir que há décadas que o futebol significa, mais do desporto: significa dinheiro, violência e absoluto desrespeito pela convivência entre indivíduos. Que se faça de um momento de violência um discurso pró ou contra agressores ou agredidos, nem sequer é ridículo. É escusado.

Devia, isso sim, discutir-se o futebol, o seu papel educacional e pedagógico enquanto desporto. Isso e só. Tudo o resto tem contribuído para a transformação da sociedade numa enorme massa uniforme de unanimismos. De facto não há assunto, pelo menos em Portugal, tão consensual como o futebol. Nem a democracia é tão consensual quando se trata de defender a imagem de um futebolista ou de um treinador. E isso é preocupante. Talvez assim se justifique que da Esquerda à Direita, todos os políticos, quando entrevistados introduzam o tópico do futebol como uma expressão de clubismo ou amizade saudável.

Mas o que se tem visto ao longo do último século é tudo menos saudável: além de uma excessiva participação estadual nos grandes clubes, a comunicação social aproveita-se daquele desporto em detrimento de outros assuntos, bem mais prementes do ponto de vista cívico.

Enquanto o futebol for assunto tabu dificilmente avançaremos do grau civilizacional onde estamos e que conduzem às imagens degradantes que as televisões, jornais e redes sociais têm repetido ad nauseam.

É que violência não é só a física e corporal…

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publicado às 15:11

Zeinal e a falência do futebol

por John Wolf, em 09.10.14

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Dos céus ao inferno - poderia ser o título da monografia da ascensão e queda dos deuses em Portugal. Aclamado como o maior da Europa no sector das telecomunicações, Zeinal Bava afinal trazia água no bico. Ou dito de outro modo, quanto maior a altura maior a queda. Mas esse corolário transcende os telemóveis, faz parte do diálogo nacional, consta na bolsa de aclamação dos intocáveis. Desde sempre que reitero que não existem atalhos económicos. Estamos todos sujeitos ao biorritmo dos ganhos e proveitos. Quando se procura encurtar a distância que nos separa do enriquecimento, geralmente dá asneira. O Espírito Santo e o seu Ebola Rio Forte ainda vão fazer mais mossa, causar mais danos. É apenas uma questão de tempo até que outros contaminados dêem à costa. Não gosto de meter tudo no mesmo saco, mas eles andam aí. Existe uma série de elefantes brancos (ou encarnados, azuis...) que ainda goza de um estado de graça, de protecção. Há muito tempo que se sabe que os clubes de futebol se encontram em maus lencóis. Passivos de 500 milhões? Estão a gozar? E ainda há quem lhes conceda crédito bancário. Quando estoirar lá se vai o juízo de uma das pontas do tridente - Fado, Futebol e Fátima. Quando o cidadão-adepto-da-bola exigir para o seu clube a mesma protecção emprestada aos bancos, o governo (este ou o que se seguir) irá baixar as calças e honrar o pedido de absolvição financeira, de salvamento. António Costa é particularmente dotado para essa função. Desde sempre que se serviu do pátio da Câmara Municipal de Lisboa para afagar o pêlo de Luis Filipe Vieira e outros da mesma estatura. Não tenhamos ilusões de campeonatos ganhos - os clubes de futebol também têm encontro marcado com o desmoronamento. Não há volta a dar. Basta olhar para a classificação.

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publicado às 09:24

Pensionistas da bola

por John Wolf, em 18.06.14

Dois em cada três pensionistas dados como aptos para trabalhar. É quase o oposto da selecção nacional de futebol.

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publicado às 09:17

Prolongamento de Portugal

por John Wolf, em 17.06.14

Qual árbitro qual carapuça. O problema é muito maior e vem de longe. E a culpa não é dos outros (o instrumento dilatório de sempre). A responsabilidade pelo destino está enraizada, é endémica e faz parte do DNA nacional - tem dono, pertence aos próprios. Desde tempos imemoriais que o culto da personalidade tem abafado a virtude do organismo colectivo.  Há quase uma década que a sacralização de Cristiano Ronaldo tem sido uma constante, a transferência do ónus para a figura sebastiânica, superior, que reduz a nada os alegados parceiros da empreitada. Esta mesma patologia permeia tantas dimensões. É a mesma contradição existencial, repetida à exaustão  - a falsa consciência colectiva alvitrada pela promessa de um guru elevado aos céus e derretido pela circunstância de uma fénix. Na mesma senda da glorificação totalitária, do tudo ou nada, besta ou bestial, são inúmeros inscritos na mesma ordem de devassa do espírito das nações. Depositem a fé toda na vinda do esclarecido. De Salazar a Soares, de Cristiano a Costa, é assim que funciona na tômbola de consequências nefastas. Do murro dado por João Vieira Pinto em 2002 a lugar de destaque na equipa técnica. Da cabeçada agachada ao descartar da nacionalidade oportuna. Tudo isto faz parte da mesma mossa que sacode águas fintadas pelo capote. A culpa é dos outros. Foi um dia para esquecer, em vez de ser a razia para começar de novo. Para cometer os mesmos erros.

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publicado às 16:57

Da falta de nobreza de espírito

por Samuel de Paiva Pires, em 15.05.14

Vejo uns quantos sportinguistas regozijarem-se com a derrota de ontem do Benfica. Alguns fazem questão de sublinhar que, além de sportinguistas, são anti-benfiquistas. Outros, talvez procurando justificar a sua alegria e baixeza, argumentam que os benfiquistas também ficaram contentes quando o Sporting perdeu a Taça UEFA para o CSKA. 

 

Ora, a nobreza de espírito não depende do que os outros fazem, mas tão só de nós próprios. Seria até revelador de uma certa magnanimidade não se alegrarem com a derrota do Benfica ou, pelo menos, não o expressarem. Sempre ouvi dizer que ser do Sporting implicava uma certa elevação, uma determinada forma de estar na vida. Talvez seja a este tipo de coisas que se refere a tão propalada crise de valores.

 

Nota: conforme escrevi no post anterior, sublinho que sou sportinguista.

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publicado às 11:21

Bater no Blatter

por John Wolf, em 07.11.13

Pelos vistos Blatter não desarma. O artista-imitador deve ter ficado arreliado com a resposta de Ronaldo, que demonstrou a sua superioridade e arte ao marcar golos que deixaram Messi a morder os calcanhares da lista de melhores marcadores. Como se não bastasse, Joseph Blatter ainda continua com o seu tom persecutório a Portugal. Agora que esgotou a questão do militarismo de Ronaldo, este sargento aponta baterias para o campo onde Portugal enfrentará obstáculos a breve trecho - os play-offs que determinam a presença ou não no mundial de futebol em 2014. Para este primo de Platini (outro político de algibeira a levar em conta), de repente a forma de acesso in extremis é uma coisa muito emocionante, boa para as audiências televisivas, mas não o suficiente para um país que tem talento de bola para dar e vender, mas que porventura não terá um mercado com dimensão suficiente para colocar marcas das grandes corporações que deram emprego a este dirigível. Este Blatter tem qualquer coisa de Madoff, Strauss-Kahn, Vale e Azevedo, Berlusconi e Baptista da Silva combinados - não inspira confiança. Não inspira grande coisa. Não inspira nada. Contudo, Portugal saberá dar a resposta que ele merece. O carteiro sueco irá bater duas vezes e entregar-lhe-á a encomenda. Entretanto, teremos de bater no Blatter.

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publicado às 12:19

Hortas e sopa de Gasparacho

por John Wolf, em 30.06.13

O problema do terreno disponível para as hortas comunitárias é uma falsa questão. Com tantos campos de futebol à mão de semear, proponho que os relvados sirvam de campos agrícolas. Já têm sistema de rega instalado e as bancadas servem de auditório para o ensino de agronomia, para um curso rápido sobre húmus e podas. O Terreiro do Paço foi mal escolhido enquanto local para demonstração das virtudes campestres ou do afecto suíno. Faça-se o levantamento dos clubes de futebol que se encontram em situação de insolvência e transformem-se os seus terrenos de jogo em talhões geradores de produtos da horta. Depois é organizar a venda directa, mercados semanais. De norte a sul da Lezíria são tantos os campos da bola que poderiam continuar a sê-lo; basta que plantem melões e melancias. As dívidas dos clubes poderiam ser amortizadas através de um programa de incentivo táctico. Ou seja, no meio campo, no círculo propriamente dito onde arrancam os encontros, a terra, por ser das mais pisadas e consequentemente menos fértil, poderia ser ocupada por culturas de sequeiro. As balizas que são quase estufas e vêm com rede são boas para a primeira infância do tomate. Mesmo em frente, na grande área, não vejo mal na plantação de milho. Existem porém, outras atribuições de longo prazo que podem ser exploradas. Porque não eucaliptos e pinheiros? Não vejo mal nenhum na redefinição dos espaços para fins diversos. As falsas elites ficaram chocadas com a pimbalhada do piquenique do Continente, com os níveis de humidade pré-orgásmica das seguidoras do culto Carreira, mas estão a ser pretensiosas. Se fosse um lanche organizado pela Orquestra Sinfónica de Lisboa ou pelo coro Gulbenkian, na mesma praça do comércio, os comentários seriam outros. A feira do livro no plano inclinado do parque Eduardo VII? Faz sentido ler obras tortas? Faz bem promover torcicolos? O Rock in Rio no parque da Belavista? Belavista? Aquilo é mais para os ouvidos. Enfim, desde sempre que os espaços foram sujeitos ao escrutínio da desorganização da sua função original. Splash? Não sei se me faço entender, mas encontramo-nos no momento indicado para pensar de um modo profundo as atribuições que convencionamos e nunca mais ousamos questionar. A Assembleia da República, por exemplo, poderia servir de centro de detenção - bastaria fechar a matraca dos políticos. Lembro-me perfeitamente daquela jóia de transumância chamada presidência aberta. Era vê-los (os presidentes) a levar a trouxa para locais improváveis para fazer mais do mesmo, oferecendo a ilusão de abertura, flexibilidade e proximidade em relação ao cidadão-eleitor. Quando comecei este texto falava da horta improvável e fui parar a outras freguesias. Queria falar de uma coisa e acabei por deambular por outros caminhos. Já desorganizei este espaço de narrativa. Mas regressando ao piquenique; ouvi dizer que os comes e bebes estavam uma maravilha. Achei formidável que o ministério das finanças tivesse uma tendinha mesmo ao lado do palco do Tony e servisse aquela sopa refrescante e avinagrada - o gasparacho.

 

 

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publicado às 08:38






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